
A arte dos quadrinhos surgiu na Europa há 181 anos, ligada ao veículo editorial dos livros, e expandiu-se comercialmente mais tarde nos Estados Unidos, através das páginas de jornais. Foi também naquele país, já na década de 1930, que os quadrinhos ganharam seu veículo mais característico: as revistas. Ao longo das décadas, os formatos editoriais variaram enormemente, seguindo tendências ou adaptando-se a particularidades locais. Entre os mais difundidos estão o comic book (ou “formato americano”), o magazine (da revista Heavy Metal) e, é claro, nossas populares revistinhas (como as da Turma da Mônica).
Nos últimos anos, tornaram-se comuns no Brasil edições de HQs norte-americanas em coletâneas com mais de cem páginas e tamanho reduzido (o que alguns leitores têm chamado jocosamente de “formato paraguaio”). O tamanho 17cm x 24cm já havia sido utilizado por aqui nas revistas de terror Kripta e Shock, tendo a vantagem de ser mais econômico, considerando-se os padrões gráficos (foi exatamente por isso que optei por ele ao lançar o álbum Muiraquitã). O que distingue os atuais volumes lançados por editoras como a Devir e a Pixel são as capas cartonadas e plastificadas, os miolos impressos em cores e papel de boa qualidade, mas sobretudo o fato de colecionarem histórias completas ou partes de séries norte-americanas.
A Devir lançou há pouco Revelações, uma HQ em seis capítulos escrita por Paul Jenkins e com desenhos de Humberto Ramos. A trama começa quando um importante cardeal comete suicídio ou é assassinado em pleno Vaticano. Para solucionar o mistério, entra em cena Charlie Northern, um incrédulo detetive inglês. Fé e política, crime e intriga mesclam-se ao longo das páginas, num roteiro com diálogos cheios de cinismo e desenhos que trazem elementos caricaturais com uma finalização em pintura digital. Para quem gosta de quadrinhos de mistério com alguns elementos sobrenaturais, Revelações pode ser uma boa pedida. Contudo, não é preciso sequer uma leitura muita atenta para perceber que se trata de um trabalho um tanto oportunista.
Afinal, o grande fenômeno editorial no Ocidente, nos últimos anos, foi exatamente um livro envolvendo histórias bíblicas, misticismo e teorias da conspiração. Em outras palavras, o trabalho de Jenkins e Ramos é um trabalho diretamente derivado de O Código Da Vinci de Dan Brown (que, em si, já não é nenhuma maravilha literária). Outro livro que parece ter tido alguma influência na origem da HQ lançada pela Devir é o (bem mais interessante) romance de mistério medieval O Nome da Rosa de Umberto Eco (ou talvez sua excelente adaptação cinematográfica, dirigida por Jean-Jacques Annaud). Mas, para quem ainda quiser dar uma conferida, Revelações tem 160 páginas que incluem uma seção de esboços, sendo vendida a R$42,00.
Outro lançamento em formato reduzido, com capa cartonada e boa impressão é Wild C.A.T.s - Guerra de Gangues, coletânea dos números 28 a 34, além de uma HQ curta da série. Criados por Jim Lee em 1992, os Wild C.A.T.s foram (ao lado dos Youngblood de Rob Liefeld) o principal grupo de “heróis” da Image Comics em seus primeiros dias. Uma espécie de versão mais violenta dos X-Men (com personagens que usam garras, lâminas, armas de fogo ou super-poderes sem dramas de consciência), a série teve ótima repercussão entre os leitores da época. Como resultado, o estúdio de Lee deu origem a toda uma linhagem de super-grupos, como Gen 13, Team 7 e Stormwatch, que em conjunto formam o que hoje se conhece por “Universo Wildstorm”.
Quanto às HQs publicadas em Guerra de Gangues, de imediato o que chama atenção é o nome do roteirista Alan Moore. Porém, quem espera encontrar uma de suas geniais histórias provavelmente irá se decepcionar. Essas edições para o Wild C.A.T.s fazem parte da fase menos criativa e interessante do roteirista, na qual ele no máximo reciclou idéias que já utilizara em trabalhos dos anos 80. Com uma intriga de fundo envolvendo grupos de heróis e criminosos assassinos, esse novo volume lançado pela Pixel traz altas doses de ação e muitos elementos de ficção científica. Por isso mesmo, o melhor de Wild C.A.T.s - Guerra de Gangues são as páginas desenhadas pelo eficiente Travis Charest. Para quem quiser conferir, a edição tem 192 páginas sendo vendida ao preço de R$36,90.
Nos últimos anos, tornaram-se comuns no Brasil edições de HQs norte-americanas em coletâneas com mais de cem páginas e tamanho reduzido (o que alguns leitores têm chamado jocosamente de “formato paraguaio”). O tamanho 17cm x 24cm já havia sido utilizado por aqui nas revistas de terror Kripta e Shock, tendo a vantagem de ser mais econômico, considerando-se os padrões gráficos (foi exatamente por isso que optei por ele ao lançar o álbum Muiraquitã). O que distingue os atuais volumes lançados por editoras como a Devir e a Pixel são as capas cartonadas e plastificadas, os miolos impressos em cores e papel de boa qualidade, mas sobretudo o fato de colecionarem histórias completas ou partes de séries norte-americanas.
A Devir lançou há pouco Revelações, uma HQ em seis capítulos escrita por Paul Jenkins e com desenhos de Humberto Ramos. A trama começa quando um importante cardeal comete suicídio ou é assassinado em pleno Vaticano. Para solucionar o mistério, entra em cena Charlie Northern, um incrédulo detetive inglês. Fé e política, crime e intriga mesclam-se ao longo das páginas, num roteiro com diálogos cheios de cinismo e desenhos que trazem elementos caricaturais com uma finalização em pintura digital. Para quem gosta de quadrinhos de mistério com alguns elementos sobrenaturais, Revelações pode ser uma boa pedida. Contudo, não é preciso sequer uma leitura muita atenta para perceber que se trata de um trabalho um tanto oportunista.
Afinal, o grande fenômeno editorial no Ocidente, nos últimos anos, foi exatamente um livro envolvendo histórias bíblicas, misticismo e teorias da conspiração. Em outras palavras, o trabalho de Jenkins e Ramos é um trabalho diretamente derivado de O Código Da Vinci de Dan Brown (que, em si, já não é nenhuma maravilha literária). Outro livro que parece ter tido alguma influência na origem da HQ lançada pela Devir é o (bem mais interessante) romance de mistério medieval O Nome da Rosa de Umberto Eco (ou talvez sua excelente adaptação cinematográfica, dirigida por Jean-Jacques Annaud). Mas, para quem ainda quiser dar uma conferida, Revelações tem 160 páginas que incluem uma seção de esboços, sendo vendida a R$42,00.
Outro lançamento em formato reduzido, com capa cartonada e boa impressão é Wild C.A.T.s - Guerra de Gangues, coletânea dos números 28 a 34, além de uma HQ curta da série. Criados por Jim Lee em 1992, os Wild C.A.T.s foram (ao lado dos Youngblood de Rob Liefeld) o principal grupo de “heróis” da Image Comics em seus primeiros dias. Uma espécie de versão mais violenta dos X-Men (com personagens que usam garras, lâminas, armas de fogo ou super-poderes sem dramas de consciência), a série teve ótima repercussão entre os leitores da época. Como resultado, o estúdio de Lee deu origem a toda uma linhagem de super-grupos, como Gen 13, Team 7 e Stormwatch, que em conjunto formam o que hoje se conhece por “Universo Wildstorm”.
Quanto às HQs publicadas em Guerra de Gangues, de imediato o que chama atenção é o nome do roteirista Alan Moore. Porém, quem espera encontrar uma de suas geniais histórias provavelmente irá se decepcionar. Essas edições para o Wild C.A.T.s fazem parte da fase menos criativa e interessante do roteirista, na qual ele no máximo reciclou idéias que já utilizara em trabalhos dos anos 80. Com uma intriga de fundo envolvendo grupos de heróis e criminosos assassinos, esse novo volume lançado pela Pixel traz altas doses de ação e muitos elementos de ficção científica. Por isso mesmo, o melhor de Wild C.A.T.s - Guerra de Gangues são as páginas desenhadas pelo eficiente Travis Charest. Para quem quiser conferir, a edição tem 192 páginas sendo vendida ao preço de R$36,90.





