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30/04/2013

Falando de cinema...


Além dos quadrinhos, que dão título e são o tema principal deste blog, o cinema sempre foi um assunto constante aqui, tendo retornado na postagem anterior, na qual comentei o filme Homem de Ferro 3 (do qual peguei emprestado um pôster com o personagem Mandarim, para ilustrar esta postagem). 

Temos aqui resenhas de filmes, de quadrinhos que inspiraram filmes e de HQs que, de alguma forma, têm a ver com o universo do cinema. Um espaço especial é dedicado aos textos sobre filmes de super-heróis e os quadrinhos e personagens que os inspiraram. 

Vale destacar que foram muito populares entre os leitores do Mais Quadrinhos (rendendo vários comentários) as listas que fiz com os "melhores" e "piores" filmes com personagens dos quadrinhos.

Então, para quem quiser conferir todas essas postagens em que o cinema é um tema, basta clicar aqui.

27/04/2013

O Homem de Ferro nos cinemas (III).


Entre muitos fãs de quadrinhos, estabeleceu-se o consenso de que, nas chamadas “trilogias” de super-heróis, o terceiro filme é sempre mais fraco que os dois primeiros. Embora isso não seja um fato científico, desde o ano 2000, trilogias como X-Men e Homem-Aranha parecem fundamentar plenamente essa ideia.

Seguindo-se ao enorme sucesso de Os Vingadores e cercado de muita expectativa, Homem de Ferro 3 prometia contrariar a “maldição do terceiro filme”, equiparando-se ou até mesmo superando seus antecessores. Teria ele conseguido tal façanha? Como milhares e milhares de leitores de HQs, fui ao cinema neste final de semana para tirar a prova...

E a resposta é: não. Embora Homem de Ferro 3 não chegue a ser um filme ruim, nem de longe alcança a qualidade do excepcional Homem de Ferro ou os melhores momentos do bem dosado Homem deFerro 2. O terceiro filme da série começa bem e a participação de Ben Kingsley (caracterizado como terrorista muçulmano à la Bin Laden) dá tom e força à produção.

As demais atuações, capitaneadas por Robert Downey Jr., não deixam a desejar e a qualidade dos efeitos visuais (com toda uma coleção de novas armaduras) é a esperada de uma produção do Marvel Studios. No entanto, quando a história começa a se desenrolar, com a trama envolvendo a tecnologia “extremis” (da já clássica HQ de Warren Ellis e Adi Granov), o filme também começa a perder força.

A sensação é que falta a Homem de Ferro 3 a qualidade estrutural do primeiro e a energia narrativa do segundo filme com o herói. Apesar de alguns bons momentos envolvendo um ator mirim, não temos nele a mesma dinâmica dos diálogos afiados dos filmes anteriores. O que leva à conclusão de que a maior falha do novo filme está no que seria seu fundamento: o roteiro.

Homem de Ferro 3 não é um filme ruim (com os defeitos de X-Men 3 ou os excessos de Homem-Aranha 3). Vale a ida ao cinema, embora não seja indispensável.  Mas, sem dúvida, falta-lhe a inteligência de seus antecessores. Vejamos então se os próximos filmes do Marvel Studios se sairão melhor, correspondendo à enorme expectativa que criam.

02/05/2012

Quais são os 5 melhores filmes de super-heróis?


Há três anos, fiz aqui uma postagem convidando os leitores do Mais Quadrinhos a listarem seus filmes de super-heróis favoritos. O resultado foi uma das postagens com maior participação dos leitores do blog. (Valeu pessoal!) Passado esse tempo, novas produções vieram e creio que muitas das listas apresentadas podem ter se alterado. A minha mesmo sofreu mudanças: embora aquele que considero o melhor dos filmes de super-heróis ainda continue o mesmo, um novo filme foi acrescentado e as posições de outros se alteraram (nossa percepção das coisas, de fato, muda com o tempo).

Fica então o convite para postarem nos comentários sua lista com os 5 melhores filmes de super-heróis. Os meus favoritos são:

1. Superman – O Filme (o primeiro filme maduro e bem-produzido com um super-herói, uma excelente produção capaz de traduzir os quadrinhos para a telona, com efeitos especiais inovadores para a época. Até mesmo para alguém que jamais gostou do Super-Homem, a interpretação de Christopher Reeve tornou o personagem crível e interessante, enquanto um elenco coadjuvante, liderado por Marlon Brando e Gene Hackman, deu lastro à história. A última meia-hora deixa a desejar e as continuações, que não contaram com a direção de Richard Dooner, não valem muito a pena. Mas Superman – O Filme continua um clássico que merece ser visto!).

2. Homem de Ferro (o filme de estreia do excelente Robert Downey Jr. como super-herói superou todas as expectativas, com um roteiro interessante, bons efeitos, atuações na medida, diálogos inteligentes e uma trilha empolgante. Conciliando elementos realistas numa aventura fantasiosa, a produção do Marvel Studios é mais que apenas um bom entretenimento, além de ser melhor que a maioria das versões do personagem nos quadrinhos).

3. O Cavaleiro das Trevas (apesar do discutível ator no papel-título, o segundo filme do Homem-Morcego dirigido por Christopher Nolan me fez esquecer o decepcionante Batman Begins. É claro que uns 90% da força do filme estão na impressionante, incomparável e perturbadora atuação de Heath Ledger no papel do Coringa. Mas o roteiro também é bom, a produção bem-cuidada e o elenco coadjuvante está perfeito).

4. X-Men 2 (o primeiro filme dirigido por Bryan Singer com os heróis mutantes tinha seguido a fórmula de Superman – O Filme, conciliando respeito pelos quadrinhos, protagonistas desconhecidos mas adequados, atores talentosos e consagrados em papéis-chave e os melhores efeitos disponíveis na época. Contudo, X-Men – O Filme deixou a sensação de que faltava algo. Mas o que quer que estivesse faltando veio em X-Men 2, um filme tão bom que teve o efeito de até mesmo “melhorar” seu antecessor).

5. Os Vingadores (um dos filmes mais aguardados dos últimos tempos, a produção escrita e dirigida por Joss Whedon realizou a façanha de reunir na telona alguns dos grandes ícones das HQs de super-heróis. Sendo trabalhada desde Homem de Ferro 2, Thor e Capitão América, a trama de Os Vingadores só não alcançou melhor resultado por seus vilões lugar-comum e o final não muito original. Mesmo assim, a produção impecável e as fantásticas cenas com o Hulk fizeram do filme um dos melhores já feitos com super-heróis).

01/05/2012

Os Vingadores, a quarta parte de uma saga cinematográfica.


Os Vingadores foi sem dúvida um dos filmes mais antecipados e aguardados dos últimos tempos. Afinal, desde a cena pós-créditos de Homem de Ferro, em 2008, o Marvel Studios vinha preparando o cenário para trazer, num mesmo filme, alguns dos principais super-heróis dos quadrinhos. Diga-se de passagem, naquele mesmo ano, outra cena pós-créditos em O Incrível Hulk também falava ao público sobre a formação de uma equipe. Tudo poderia ter parado por ali, uma vez que a produção encabeçada por Edward Norton não teve grande sucesso. Mas com o filme estrelado por Robert Downey Jr. a história foi bem diferente!

O excelente resultado de público e crítica do primeiro filme com Downey Jr. garantiu a realização de Homem de Ferro 2, lançado em 2010. A ele se juntariam, no ano seguinte, Thor e Capitão América – O Primeiro Vingador.  Três produções de boa qualidade que serviram para somar novos elementos, personagens e subtramas a uma história mais ampla. Neste sentido, esses três filmes podem ser considerados os atos iniciais de uma peça maior, que se concluiu agora com Os Vingadores. E a sensação que fica é a de que essa aventura em quatro partes cumpriu sua promessa de levar às telonas alguns dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos, em produções tecnicamente exemplares.

Os Vingadores, em especial, cumpre a promessa de ótimo entretenimento (embora não tenha se igualado ao Homem de Ferro de 2008, que conseguiu ir além do entretenimento). Em suas mais de duas horas, o filme dirigido por Joss Whedon traz vários pontos altos, como as boas tiradas de Tony Stark e TODAS as cenas do Hulk (uma delas, aliás, sozinha já vale a ida ao cinema!). Embora Capitão América e Thor pareçam acessórios, Viúva Negra, Gavião Arqueiro, Agente Coulson e Nick Fury desempenham perfeitamente suas funções. Temos uma nave-monstro bem bacana, porém os vilões (incluindo Loki) parecem um tanto “lugar-comum”, e a forma como foram derrotados no final é Independence Day demais.

Na verdade, o que menos gostei no filme foi ter sido obrigado a vê-lo em 3D, para poder assistir com o áudio original (nos cinemas mais próximos não havia nenhuma sessão em 2D legendada). Ou seja, tive que pagar mais caro (R$9,00 a mais) e assistir com aqueles óculos chatos, para poder ver o filme com as vozes originais dos atores (confesso que não gosto de filmes em 3D, pois não acho que acrescenta muita coisa e ainda dão dor nos olhos). Mas o filme é bem bacana e (minha namorada gostou tanto que) vou acabar indo ao cinema novamente para ver em 2D (as cenas do Hulk compensam!).

Os Vingadores deixa um gostinho de “quero mais”. E a próxima parada do expresso Marvel Studios é Homem de Ferro 3, que chega aos cinemas em 2013. E seria absolutamente fantástico se nesse filme também aparecesse o Hulk. Ou mesmo se fizessem um filme Homem de Ferro & Hulk... Mas aí já é pedir demais, né?

Eu não poderia falar sobre os filmes do Marvel Studios, sem citar suas “fontes” principais: Iron Man – Extremis e TheUltimates, duas ótimas séries com elementos e mesmo cenas que foram parar nas produções cinematográficas. Fica então a sugestão: quem gostou dos filmes não deixe de conferir essas HQs. São promessa de ótima leitura!

21/10/2010

Homem de Ferro e a convergência das mídias e linguagens.


Começa a chegar às lojas de todo o país os DVDs e Blu-Rays com o filme Homem de Ferro 2. Continuação do grande sucesso do Marvel Studios em 2008, o longa é mais um dos inúmeros exemplos de convergências das mídias e linguagens. Saído de revistas em quadrinhos e coletâneas em capa-dura ou cartonada, direto para o cinema e também para os games, brinquedos, miniaturas e animações, de volta para os quadrinhos, passando por versões digitais para computadores, smartphones e tablets, o Homem de Ferro tornou-se nos últimos dois anos uma presença multimidiática e uma “franquia” multimilionária.

Criado nos anos 60, o personagem foi totalmente atualizado em 2005 por Warren Ellis e Adi Granov na minissérie Iron Man: Extremis, que foi uma das bases para a versão cinematográfica. Tomando emprestados elementos do roteiro e do visual da armadura, o primeiro filme do Homem de Ferro conseguiu conciliar respeito pelos quadrinhos e ideias originais para a telona. O resultado foi um sucesso comercial que irradiou de volta para as revistas, aumentando o prestígio e presença daquele herói, além de influenciar estilisticamente suas HQs. O melhor exemplo é a série The Invincible Iron Man, também lançada pela Marvel em 2008.

Escrita por Matt Fraction, desenhada por Salvador Larroca, com cores por Frank D’Armata, a nova série não foi uma extensão da produção cinematográfica, mas lembra muito um longa. Se alguns elementos parecem saídos de um filme de espionagem, todo o visual em estilo fotográfico e os efeitos digitais na colorização buscam imitar os filmes de ação e aventura futurista. Para completar, predominam páginas com quatro ou cinco quadros na horizontal, que aproximam os quadrinhos do formato widescreen do cinema. Este recurso, aliás, favorece a leitura das HQs em tablets e especialmente nos smartphones, aumentando o lucro potencial das edições.

Se para a Marvel fazer quadrinhos que tenham alguma ligação com sucessos do cinema é uma receita bastante segura para o sucesso nas vendas, para os quadrinhos de super-heróis podemos ver alguns problemas nisso. O principal deles é a padronização de sua linguagem e a perda de autonomia estética. Claro que os chamados widescreen comics não começaram com a The Invincible Iron Man ou sequer com a Marvel. A patente dessa ideia costuma ser atribuída a Warren Ellis e Bryan Hitch, com seu The Authority. No entanto, é nas revistas da Marvel dos últimos anos que uma imitação do cinema tem se tornado mais evidente e mesmo uma fórmula a ser repetida.

Já faz tempo que a Marvel transpõe seus personagens para além das revistas. Desde os desenhos desanimados que levaram à tevê Capitão América, Homem de Ferro, Thor & Cia., adaptar histórias e reutilizar imagens de quadrinhos renderam bons resultados. Passadas algumas décadas, chegamos aos montion comics, que acrescentam som, movimento e efeitos a HQs como Iron Man: Extremis, o que repete a ideia de antes, porém com mais recursos técnicos. Por este e pelos demais exemplos apresentados aqui, o Homem de Ferro é provavelmente hoje o melhor exemplo, nos quadrinhos de super-heróis, dessa convergência tecnológico-criativa.

Essa nova realidade veio para ficar, trazendo uma multiplicação das formas de veiculação e comercialização das histórias em quadrinhos e de seus personagens. Assim, se há não muito tempo temia-se o desaparecimento dos quadrinhos enquanto linguagem e produto cultural, este não parece ser o caso para as próximas décadas. Mas, em se tratando dos quadrinhos de super-heróis, uma excessiva ligação às produções cinematográficas pode estar levando a uma nova estagnação criativa, simbolizada por produtos culturais externamente belos e reluzentes, mas pouco originais e significativos em essência.

30/06/2010

Homem de Ferro e Hulk numa HQ de Warren Ellis.


Após Iron Man: Extremis, Warren Ellis voltou a trabalhar com o Homem de Ferro na minissérie Ultimate Human ("Humano Supremo" na versão brasileira). Lançada em 2008, a HQ fez parte da onda de novas séries e edições especiais que antecipou a estreia dos filmes Homem de Ferro e O Incrível Hulk. Dividida em quatro partes, a história pertence à linha Ultimate da Marvel e traz um novo encontro das versões “supremas” de Tony Stark e Bruce Banner (que já haviam se enfrentado nas páginas de The Ultimates). Ilustrada por Cary Nord, com elementos de pintura na colorização, a minissérie equilibra bem diálogos e ação, conteúdo intelectual e dramas pessoais.

A história começa com Stark desfrutando um martini numa manhã qualquer; mas seus planos de se embebedar completamente antes do meio-dia acabam frustrados com a chegada de Banner. Logo de início é interessante notar como Ellis utiliza os diálogos para apresentar aos leitores as principais características que diferenciam as versões “supremas” desses personagens, das versões que aparecem no “Universo Marvel” regular (com isso, mesmo um leitor que não esteja a par do que andou acontecendo na linha Ultimate poderá compreender a história sem grandes dificuldades). A trama então se desenrola a partir de uma tentativa de “curar” Banner, livrando-o do Hulk. Porém, as coisas não saem exatamente como planejado e, para complicar, entra em cena o vilão Líder.

Estética e tematicamente, Iron Man: Extremis e Ultimate Human são bem diferentes. Ainda assim, existem algumas similaridades significativas entre as duas séries. Enquanto a primeira está mais para uma história de ficção científica e espionagem, a segunda é propriamente uma HQ de super-heróis, embora sua trama lance mão de vários elementos da ficção científica e da espionagem. E se a história lançada em 2005 reescreveu a biografia de Tony Stark, também a minissérie de 2008 recontou a história de origem de um personagem (neste caso o vilão Líder). Além disso, os dois trabalhos deram espaço a Ellis para tratar de algumas de suas temáticas favoritas, sendo em Iron Man: Extremis o “futuro” e em Ultimate Human a “pós-humanidade”.

Interessante e inteligente, com bons diálogos e alguma ação, Ultimate Human tem um roteiro acima da média, mas poderia ter se valido de um trabalho gráfico um pouco mais bem-elaborado. Isso não compromete o resultado final, que podemos chamar, pelo menos, de bom entretenimento, confirmando a boa qualidade dos quadrinhos da linha Ultimate.

(Mais recentemente, Warren Ellis voltou a trabalhar com o Homem de Ferro na minissérie em quatro partes Ultimate Comics: Armor Wars.)

27/06/2010

A HQ que remodelou o futuro do Homem de Ferro.


Há muito tempo eu não lia revistas com os super-heróis tradicionais da Marvel. Mas, depois de rever Homem de Ferro e assistir ao segundo filme com o personagem, voltei a me interessar pelos antigos heróis que eu conhecia dos desenhos (des)animados da minha infância. Por sua ligação com as produções cinematográficas, peguei na estante a coletânea de Iron Man: Extremis, escrita por Warren Ellis e ilustrada por Adi Granov. Importante na trajetória recente do personagem, esse trabalho foi a fonte para alguns dos melhores elementos do Homem de Ferro cinematográfico. Sucesso entre os leitores, depois de reedições em capa cartonada e em capa-dura, neste mês a Marvel está reimprimindo a HQ numa “versão do diretor”, além de lançar um montion comic para o iTunes da Apple.

Eu já havia comprado Iron Man: Extremis há algum tempo, mas não tinha lido ainda. Agora, com o interesse renovado pelos filmes e a intenção de escrever esta postagem, resolvi conferir essa HQ lançada em 2005. Não me decepcionei! De forma inteligente, a história aborda alguns dos temas preferidos de Warren Ellis: as tecnologias ultra-avançadas e uma disputa pelo “futuro”. Aproveitando as características do herói, o roteirista construiu uma trama envolvente, na qual ficção científica e futurismo remodelam completamente o Homem de Ferro. Sem dúvida a história mais interessante que já li com o personagem, seus seis capítulos intercalam bem passado e presente, recontextualizando a origem do herói, imprimindo modernidade a suas relações profissionais e pessoais, bem como mais realismo a suas motivações e sua presença no mundo.

Tudo parte de uma entrevista que coloca para Tony Stark o dilema moral de ser um fabricante e negociante de armas, levando-o também ao dilema existencial de ter sido vítima de um acidente com um de seus próprios inventos (situações que foram reelaboradas e modernizadas no filme lançado em 2008). Então, o aparente roubo da tecnologia secreta “Extremis” e o pedido de ajuda de uma amiga põem o herói em rota de colisão com um radical norte-americano superpoderoso. Após um ato de "terrorismo doméstico", o Homem de Ferro intervém, mas acaba derrotado e gravemente avariado por seu oponente. É esta dinâmica que leva à principal transformação que o herói sofre nesta HQ: o emprego da tecnologia “Extremis” para salvar sua vida e, ao mesmo tempo, tornar mais eficiente sua armadura, que passa a ser parte de seu corpo.

Naquele momento, revemos a história de origem do Homem de Ferro, que Ellis apropriadamente transfere das florestas do Vietnã para as montanhas do Afeganistão (mudança seguida pela versão cinematográfica). E embora centrada no protagonista, a história se vale de um interessante elenco de apoio: a cientista Maya Hansen, o futurista Sal Kennedy e o médico Yinsen (também presente no filme). Não faltam bons diálogos, nos quais termos tecnológicos aparecem com naturalidade, da mesma forma que uma lúcida discussão sobre cogumelos e DMT (principal componente da ayahuasca), que rende uma interessante metáfora sobre tecnologia e estados alterados da mente. Por falar em metáforas, a mais marcante nessa HQ é a que redefine Tony Stark como um “piloto de testes para o futuro”, redelineando as motivações e ambições do herói.

Claro que uma história que tinha o objetivo relançar o personagem, estabelecendo uma nova biografia e novas características, não poderia deixar de lado sua aparência. E ficou a cargo do ilustrador Adi Granov redesenhar a armadura do Homem de Ferro, atualizando-a para os padrões estéticos dos tempos atuais. O resultado ficou arrojado e elegante, estilizado e convincente (sendo a principal referência para a versão cinematográfica). Mais designer do que propriamente desenhista de quadrinhos, Granov produziu algumas belas páginas e imagens, embora muitas sequências e cenas sejam excessivamente estáticas para uma história em quadrinhos. Deixando de lado essa limitação, as técnicas de pintura convencional e digital empregadas pelo ilustrador produziram um visual impressionante, que lembra imagens de video game.

Iron Man: Extremis é Warren Ellis em boa forma, num roteiro bem trabalhado para uma trama inteligente. É também uma obra visualmente muito interessante, que projetou o nome de Adi Granov. Apesar de ser uma HQ do Homem de Ferro, o trabalho está mais para trama de espionagem e ficção científica, do que propriamente para uma revista de super-heróis. Talvez a melhor história em quadrinhos já feita para esse personagem, ela não apenas lançou as bases para os filmes de Hollywood, como ajudou a transformar o antes batido herói numa das propriedades mais importantes da Marvel. Pois ao reescrever o passado de Tony Stark e ao redesenhar as linhas de sua armadura, Ellis e Granov realmente remodelaram o futuro do Homem de Ferro.

04/06/2010

Homem de Ferro e Thor numa ótima revista promocional.


Dentre as edições do Free Comic Book Day 2010 a que tive acesso, a melhor e mais efetiva em termos de promoção da leitura de quadrinhos é Iron Man / Thor. Com uma história completa que pode ser lida sem se saber o que anda acontecendo com os personagens, a revista foi escrita por Matt Fraction, desenhada por John Romita Jr. e arte-finalizada por Klaus Janson, com cores por Dean White. Como fez em 2009 com o filme do Wolverine, a editora norte-americana aproveitou a movimentação em torno de Homem de Ferro 2 para promover o personagem também nos quadrinhos, além de aproveitar para divulgar o herói Thor, que ganhará sua própria versão cinematográfica em 2011.

A história começa com pragas e cataclismos assolando a Terra e ameaçando seus habitantes. Para devolver a ordem ao clima, entra em cena o Deus do Trovão. Mas nem os poderes de Thor são capazes de apaziguar a fúria dos elementos, que parece ter uma ligação com a Lua. Encontramos então Tony Stark em meio a uma reunião com multimilionários que o convidam a tomar parte num empreendimento cujo objetivo é “terraformar” nosso satélite natural. Não demora muito para o Homem de Ferro descobrir que a tecnologia por trás daquele inconsequente empreendimento imobiliário saiu de sua própria mente. Perseguindo o mesmo problema, os dois heróis Marvel acabam se unindo para por fim às obras do condomínio de luxo lunar que ameaça a vida na Terra.

Escrito num tom épico, com evocações de pragas bíblicas e catástrofes atuais, o roteiro funciona como uma metáfora para os problemas climáticos que enfrentamos hoje. Já o ótimo visual concilia um estilo conciso a imagens detalhadas, cores pintadas a efeitos digitais. Bem trabalhadas, as páginas da revista equilibram diálogos e ação, contextualização realista e futurista, emprestando peso e força aos heróis. Impressa em formato reduzido (como a Marvel faz em suas edições para o FCBD), Iron Man / Thor destaca-se mesmo é por sua qualidade. Um presente para os leitores, a revista abriu caminho para a nova série dos Vingadores (desenhada por Romita Jr.) e também para a Heroic Age que tomou conta das revistas Marvel em maio.

04/05/2010

O Homem de Ferro nos cinemas (II).


Tendo estreado no Brasil uma semana antes do que nos Estados Unidos, Homem de Ferro 2 traz algumas diferenças notáveis em relação ao primeiro filme. No papel de James Rhodes temos outro ator (Don Cheadle que, apesar de talentoso, não combinou tanto) e embora Pepper Potts tenha uma participação maior (numa atuação apagada de Gwyneth Paltrow), quem rouba a cena é a Viúva Negra (interpretada pela bela Scarlett Johansson). Temos ainda uma presença mais significativa de Nick Fury (com Samuel L. Jackson preparando o terreno para o vindouro filme dos Vingadores), um novo empresário vilão (com o razoável Sam Rockwell) e um novo vilão principal, este saído da Rússia (interpretado por um convincente e um tanto repulsivo Mickey Rourke). Mas a diferença maior está na dinâmica simbólica dos dois filmes.

Em sua segunda aventura cinematográfica, o Homem de Ferro / Tony Stark (Robert Downey Jr.) não enfrenta inimigos inspirados nas manchetes das guerras atuais. Desta vez, a ameaça parece vir de um passado quase mítico, dos tempos da Guerra Fria com suas disputas tecnológicas e armamentistas. E em vez de um enfrentamento aéreo contra aviões da Força Aérea de seu país (como vemos no primeiro filme), o protagonista enfrenta desta vez um esquadrão de robôs criados por uma empresa concorrente. Só por esses fatores, não é difícil perceber que Homem de Ferro 2 é um filme bem mais “domesticado” do que seu antecessor. Afinal, se no primeiro filme o herói executa vários guerrilheiros afegãos, nessa continuação ele só “mata” robôs (não sendo diretamente responsável pela morte do vilão principal).

Obviamente, o sucesso de Homem de Ferro atraiu muita atenção para sua continuação, que passou a ser tratada como um filme para um público mais amplo, no qual o mocinho não poderia sair matando pessoas, ou mesmo se envolvendo em cenas de sexo casual (como acontece no primeiro filme). Embora Tony Stark ainda nos ofereça tiradas espirituosas e trocadilhos sexuais, o máximo que é permitido ao herói desta vez é trocar alguns socos, atirar em robôs e, ao final, dar um comportado beijo de cavaleiro medieval (com direito à armadura). E se domesticaram o super-herói playboy, a verdadeira fera de Homem de Ferro 2 é a sensual e letal Viúva Negra, cuja participação é relativamente pequena, mas que protagoniza a cena de luta mais empolgante das duas horas de filme (e dá-lhe emancipação feminina!).

Homem de Ferro 2 é um bom entretenimento, mas é só isso. As atuações e os efeitos correspondem ao que se espera de uma produção milionária de Hollywood, mas não vão além. Os diálogos são bons, mas o roteiro não é dos mais criativos. E ao contrário de X-Men 2 de Bryan Singer, Homem-Aranha 2 de Sam Raimi e O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, esse segundo filme dirigido por Jon Favreau não conseguiu superar seu antecessor. Faltam o elemento realista e as pequenas ousadias do primeiro. E já que não é surpreendente como Homem de Ferro, essa continuação acaba decepcionando. Assim, aos fãs dos filmes de super-heróis resta aguardar Thor e Capitão América, produções antecipadas em Homem de Ferro 2 pelo aparecimento em cena de um protótipo de escudo e a descoberta de um martelo mítico.

(Se quiser ler outras resenhas e textos sobre filmes e quadrinhos de super-heróis, basta clicar no marcador abaixo.)

02/05/2010

O Homem de Ferro nos cinemas (I).


A partir do ano 2000, com o sucesso de produções como X-Men – O Filme e Homem-Aranha, os estúdios de Hollywood encontraram um novo filão muito prolífico e incrivelmente lucrativo: os filmes de super-heróis. Assim, ao longo desta década, sucederam-se produções milionárias que levaram às telas alguns dos principais heróis da Marvel e DC. E apesar de fiascos como Superman – O Retorno e Demolidor, o gênero prosperou colecionando sucessos e boas sequências, como X-Men 2 e Homem-Aranha 2 (embora a terceira parte dessas “trilogias” tenha decepcionado). Com a atenção do público e da mídia e o apoio dos estúdios, em 2008 esse gênero cinematográfico nos trouxe o excelente O Cavaleiro das Trevas (do qual já falei aqui) e o surpreendente Homem de Ferro, cuja sequência assisti neste feriado de 1° de maio.

Embora eu goste bastante das atuações do Robert Downey Jr. (Chaplin, Assassinos por Natureza), não assisti ao primeiro filme do Homem de Ferro nos cinemas. Depois de produções fraquinhas, como Quarteto Fantástico e Elektra (que assisti na tevê a cabo), eu andava muito desconfiado dos filmes baseados nos heróis da Marvel. Como não sou um grande fã do personagem e os ingressos do cinema já andavam meio caros, preferi deixar para assistir em DVD. Para minha surpresa, descobri que o Homem de Ferro cinematográfico era bem melhor do que eu esperava. A produção é bem cuidada, os efeitos especiais e visuais muito bons, o elenco bem escolhido (a começar pelo protagonista), os diálogos interessantes e a trilha empolgante, tudo com um roteiro que se apropria de forma inteligente de elementos dos quadrinhos.

O filme dirigido por Jon Favreau é surpreendentemente bom, embora traga uma duplicidade em sua estrutura (que acaba sendo uma virtude e não um defeito). Nas primeiras sequências, temos a violência das cenas de guerra e dos guerrilheiros do Afeganistão, contrapostas ao estilo de vida playboy de Tony Stark, com dinheiro, carrões e mulheres à disposição. Até aí, o que temos é o lado mais realista do filme, que lhe dá verossimilhança. Então, entra em cena o lado mais fantasioso de Homem de Ferro, quando Tony Stark, refém numa caverna, dribla a morte e, munido apenas de peças de foguete, constrói um reator energético que funciona sem qualquer fonte externa (!?), além de uma armadura mecanizada a prova de balas e resistente ao fogo. Neste ponto, o filme exige do expectador o máximo da chamada “suspensão da descrença”.

Com a fuga de Tony Stark da caverna (que não é a de Ali Babá, nem a de Bin Laden) e seu retorno ao mundo civilizado (ou seja, ao complexo militar-industrial norte-americano), o filme passa a variar entre seu contexto realista e os acontecimentos fantasiosos. Se de um lado temos a falta de escrúpulos do empresário Obadiah Stane (Jeff Bridges), do outro temos a criação da nova e ultratecnológica armadura, produzida na garagem de Tony Stark (outra caverna mágica). E enquanto a presença do Coronel James Rhodes (Terrence Howard) e da secretária Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) trazem um ar humano e familiar (contemplando ainda os públicos negro e feminino), a presença dos robôs sentimentais e a aparição pós-créditos de Nick Fury (encarnado por Samuel L. Jackson) reforçam o aspecto fabuloso da história.

Essa duplicidade entre contexto e ação se expressa nas duas lutas decisivas do filme: a eliminação dos guerrilheiros muçulmanos e o combate contra o vilão Stane em sua armadura maligna. O interessante é que, apesar de distintas (em seu realismo e seu aspecto fantasioso), as duas lutas integram harmonicamente o mesmo filme, o que nos lembra que vivemos num tempo em que as cenas de guerra e os video games sanguinolentos muitas vezes se confundem. Por isso, em sua mistura de crônica e aventura, em sua expressão da cultura e da barbárie de nossos dias, Homem de Ferro é um filme de super-heróis diferenciado e também um ótimo entretenimento. E enquanto possibilita algumas reflexões, essa produção aponta um outro caminho para esse gênero cinematográfico. Caminho este não seguido por sua continuação.

(CONTINUA)

30/04/2009

Quais os melhores filmes de super-heróis?


Para Hollywood, uma das minas de ouro mais rentáveis na atualidade são os filmes de super-heróis. Com os avanços dos efeitos visuais e os orçamentos milionários disponíveis para as produções, nada impede hoje a realização de filmes com alta qualidade e grande fidedignidade às HQs. Embora muitas vezes este não seja o resultado, algumas produções cinematográficas merecem destaque (em meio à mera exploração comercial e aos muitos fiascos hollywoodianos). Com novas adaptações dos heróis Marvel e DC a caminho, apresento a lista de quais seriam, na minha opinião, os melhores filmes de super-heróis já feitos. É claro que a idéia aqui é contar com a participação de vocês, leitores do blog!

1. Superman – O Filme (o primeiro filme maduro e bem-produzido com um super-herói, uma excelente produção capaz de traduzir o clima dos quadrinhos para a telona, com efeitos especiais inovadores para a época. Até mesmo para alguém que jamais gostou do Super-Homem, a interpretação de Christopher Reeve tornou o personagem crível e interessante, enquanto um elenco coadjuvante, liderado por Marlon Brando e Gene Hackman, deu lastro à história. A última meia-hora deixa a desejar e as continuações, que não contaram com a direção de Richard Dooner, não valem muito a pena. Mas Superman – O Filme é realmente um clássico que merece ser visto!).

2. X-Men 2 (o primeiro filme dirigido por Bryan Singer com os heróis mutantes seguiu a fórmula de Superman – O Filme, conciliando respeito pelos quadrinhos, protagonistas desconhecidos mas adequados, atores talentosos e consagrados em papéis-chave e os melhores efeitos disponíveis na época. Contudo, X-Men – O Filme deixou a sensação de que faltava algo. Mas o que quer que estivesse faltando veio em X-Men 2, um filme tão bom que teve o efeito de até mesmo “melhorar” o primeiro. Infelizmente, Brian Synger deixou a série de longas dos “filhos do átomo” para se dedicar ao “filho de Krypton”. Como consequência, X-Men – O Confronto Final não fez jus às duas produções anteriores).

3. O Cavaleiro das Trevas (apesar do discutível ator no papel-título, o segundo filme do Homem-Morcego dirigido por Christopher Nolan me fez perdoar o decepcionante Batman Begins. É claro que uns 90% da força do filme estão na impressionante, incomparável e perturbadora atuação de Heath Ledger no papel do Coringa. Mas o roteiro também é bom, a produção bem-cuidada e o elenco coadjuvante está perfeito. Para mim, o principal defeito mesmo é a insistência em mostrar o Batman voando).

4. Homem de Ferro (o filme de estréia do excelente Robert Downey Jr. como super-herói superou todas as expectativas, com um roteiro interessante, bons efeitos, atuações na medida, diálogos inteligentes e uma trilha empolgante. Conciliando elementos realistas numa aventura fantasiosa, o filme é mais que um bom entretenimento, além de ser bem melhor do que qualquer versão do personagem nos quadrinhos).

5. Batman – O Retorno (esse segundo filme do Batman dirigido por Tim Burton foi fascinante na época, por seu visual sombrio que mergulha na estética dos espetáculos itinerantes e dos quadrinhos do Homem-Morcego. Michael Keaton jamais foi o ator ideal para o papel de Batman, mas até que não decepciona nessa segunda chance. Sobretudo, temos um Danny DeVito perfeitamente repulsivo no papel de Pinguim e uma belíssima Michelle Pfeiffer numa encarnação inesquecível da Mulher-Gato. O longa foi também capaz de lançar uma sombra mais favorável sobre seu antecessor Batman – O Filme, que já trazia uma atuação marcante de Jack Nicholson como Coringa. De quebra, a promoção em torno do segundo filme de Tim Burton motivou o desenvolvimento e lançamento de Batman – The Animated Series, uma das melhores séries de animação já produzidas).

Aguardo então os comentários de todos, com as listas de seus filmes de super-heróis favoritos!