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09/11/2011

500 postagens!


Como o título acima já revela, esta é a postagem de número 500 do Mais Quadrinhos!

Comecei este blog em novembro de 2007, por pura vontade de voltar a escrever sobre quadrinhos. Num primeiro momento, reproduzi aqui alguns textos que eu havia escrito para jornais, depois vieram as resenhas dos lançamentos do mercado nacional, as entrevistas com desenhistas estrangeiros, as listas com “Os 10 melhores...” ou “piores”, a leva de textos sobre quadrinhos de super-heróis, além da divulgação das HQs de minha autoria.

Então, desde o início deste ano, o Mais Quadrinhos passou a ser quase exclusivamente dedicado à divulgação dos álbuns da editora NEMO. Já vimos passar por aqui capas e páginas de Moebius e Pratt, adaptações shakesperianas e machadianas. Assim, não é por menos que esta postagem de número 500 é ilustrada pela capa do catálogo que estaremos distribuindo em nosso estande no FIQ (o Festival Internacional de Quadrinhos, de 9 a 13 de novembro em BH).

Na capa, abaixo da icônica imagem de Arzach, temos a palavra de ordem da NEMO: paixão pelos quadrinhos! (como revelou tão claramente o Fabrício, em seu comentário numa postagem sobre Corto Maltese – A Juventude). A revistinha-catálogo ficou bem bacana, então quem passar pelo FIQ não deixe de visitar o estande da NEMO e pegar seu exemplar, além de conferir os 10 belos álbuns que lançamos neste primeiro ano. (E aqueles que não estiverem em BH, podem também baixar o catálogo clicando aqui.)

No mais, obrigado a todos que visitaram e participaram do Mais Quadrinhos, e que venham muito mais postagens e ainda mais quadrinhos!

05/11/2011

Dom Casmurro de Machado de Assis.


Versão em Quadrinhos por Wellington Srbek & José Aguiar
Formato: 20cm x 28cm, 80 páginas em P&B, capa cartonada em cores
R$34,00

16/10/2011

Dom Casmurro quase pronto!


Um dos projetos em que estive envolvido nos últimos dois anos é a adaptação em quadrinhos da obra-prima de Machado de Assis Dom Casmurro, com desenhos de José Aguiar.

Agora, após bastante trabalho e muita dedicação, os desenhos para nosso álbum machadiano estão prontos! Só falta a finalização do balonamento e a montagem do álbum para que Dom Casmurro de Machado de Assis seja lançado pela NEMO.

E enquanto o álbum não chega, vocês podem conferir uma prévia da capa acima e mais detalhes do trabalho de adaptação aqui.

Aguardem, pois está ficando um belo trabalho!

30/04/2011

Falando sobre o passado e o futuro (II).


Confiram agora a parte final da entrevista que concedi ao jornal Hoje em Dia, há pouco mais de um mês. Nela, o tema principal é o personagem Solar, mas também falamos de Estórias Gerais e de minhas adaptações das obras de Machado de Assis (com a correção de que a versão em quadrinhos de Dom Casmurro não será produzida pelo selo Desiderata da Ediouro, que publicou Memórias Póstumas de Brás Cubas, e sim pelo novo selo de quadrinhos que lançaremos em breve).

Não deixem de conferir a entrevista e continuem aguardando as novidades!

30/12/2010

Dom Casmurro a caminho!


Quem acompanha o blog Mais Quadrinhos sabe que, em 2009, iniciei um projeto de adaptação de Dom Casmurro, outra obra-prima de Machado de Assis, que se segue a meu trabalho de adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, com desenhos de J.B. Melado (publicada este ano pelo selo Desiderata da editora Agir do Grupo Ediouro).

Estando com o roteiro já pronto, venho anunciar que minha nova adaptação machadiana já está a caminho! Desta vez, meu parceiro será o quadrinista José Aguiar (autor da coletânea Quadrinhofilia, entre outros trabalhos). Os estudos de personagens e desenhos das páginas foram iniciados e nossa HQ deverá ser lançada no primeiro semestre de 2011. A editora... bom, a editora por enquanto é segredo, pois ela ainda não atua no mercado de quadrinhos, mas chegará com um projeto muito bacana. Aguardem as novidades aqui!

Por ora, fiquem com o expressivo retrato de Dom Casmurro feito por José Aguiar e com a versão final de meu projeto de adaptação:

Apresentação.

Publicado em 1899, DOM CASMURRO é considerado por muitos a obra-prima máxima de Machado de Assis. Narrado por seu personagem-título, o livro é uma brilhante exposição da psicologia humana e também o retrato de uma das mais completas personagens literárias já criadas: a bela Capitu dos “olhos de cigana obliqua e dissimulada”, dos “olhos de ressaca”. Já o Bentinho / Dom Casmurro revela-se ao contar-nos sua história, como quem busca compartilhar suas dúvidas e confessar seus arrependimentos.

DOM CASMURRO é um livro de pares e contrastes. Há, antes de tudo, o contraste entre o momento em que se narra e o passado que é narrado. E há, sobretudo, o par formado por Bentinho e Capitu, personagens que se complementam e se vêm mutuamente como imagens espelhadas, revelando-se portanto dois opostos. Nascem daí as muitas dubiedades que comporão o texto machadiano: Bentinho seminarista, mas enamorado de Capitu; Capitu enamorada de Bentinho, mas também interessada numa melhor condição social.

Essas dubiedades iniciais acumulam-se ao longo da obra, dando espaço a outras, como as trazidas por Escobar, o amigo de Bentinho que parece guardar interesses além da amizade sincera por este. Do encontro dessas três personagens, emerge a questão pela qual o livro tornou-se mais célebre: teria Capitu traído Bentinho? Logo, seria Ezequiel fruto da traição de Capitu com Escobar? Nesta última dúvida, expressa-se mais um espelhamento, já que o menino Ezequiel parece, ao menos aos olhos de Bentinho, o reflexo do falecido amigo Escobar.

Esta proposta de adaptação de DOM CASMURRO para os quadrinhos parte dos pontos indicados acima. Com o roteiro já pronto, a HQ terá 76 páginas, sendo dividida em 20 Partes, todas com um número par de páginas (2, 4 ou 6). Nestas, a diagramação e a composição refletirão os temas apontados acima, como o motivo dos olhos, os espelhamentos, as dubiedades e a narrativa reflexiva de Bentinho / Dom Casmurro. Além disso, a oposição entre o momento em que se narra e o passado narrado será expressa visualmente por meio de dois estilos de desenho diferentes.

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10/10/2010

Mais Machado em quadrinhos!


Na edição de O Globo do sábado, dia 9 de outubro, foi publicada uma matéria sobre adaptações de obras de Machado de Assis para os quadrinhos.

No texto da jornalista Bruna Galvão, entre outras HQs, tem destaque minha versão quadrinística de Memórias Póstumas de Brás Cubas, desenhada pelo amigo J.B. Melado.

O álbum já está nas livrarias e também pode ser comprado em lojas virtuais. Para quem ainda não conhece nosso trabalho, fica então renovado o convite à leitura!

30/09/2010

Mais de Memórias Póstumas!


Desde meus primeiros fanzines no início dos anos 90, passando pelas séries de revistas na segunda metade daquela década, até os álbuns e edições especiais nos últimos dez anos, minha produção de quadrinhos teve lugar em edições independentes.

Publicar de forma independente tem suas virtudes, mas tem também muitas limitações. Ter que se preocupar com coisas como financiamento, distribuição e divulgação das edições acaba desviando tempo e energia que poderiam ser dedicados à criação em si.

Uma trajetória independente traz experiência ao autor, sendo muitas vezes a única alternativa para se ter um trabalho publicado. Mas, para quem busca viver de quadrinhos, as possibilidades trazidas pela publicação editorial são o melhor caminho. E com o mercado de quadrinhos em franco crescimento no Brasil, publicar através de uma editora tem se tornado uma realidade para muitos de nós.

No meu caso, após uma década e meia de publicação independente, tenho agora me dedicado a trabalhos publicitários e especialmente a projetos editoriais. Levou dois anos, mas o primeiro deles já está nas livrarias: a adaptação da obra-prima de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, com desenhos de J.B. Melado e lançada pelo selo Desiderata, da editora Agir do Grupo Ediouro.

Outros projetos estão a caminho. E enquanto eles não vêm, deixo com vocês mais uma página de amostra do álbum MPBC. Para quem ainda não conhece nossa HQ machadiana, fica o convite à leitura!

10/09/2010

Memórias e quadrinhos.


As coisas andam muito agitadas por aqui, então não tenho tido condições de me dedicar a novos textos para o Mais Quadrinhos – snif!

Mas não temais, prezados leitores deste blog, pois vós não ficareis sem o que ler!


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Era 7 de setembro, o país começava a fechar a conta do feriadão para, enfim, iniciar de fato a semana. Por volta das 8 da noite, ao abrir meu e-mail, tive a surpresa de encontrar uma mensagem que trazia o link para um texto.

O emissor da mensagem era Lillo Parra, leitor de quadrinhos que, como eu, decidiu dividir com o mundo suas leituras e sua paixão pelas HQs. Em seu blog, Gibi Rasgado, encontramos textos que têm os quadrinhos como tema e a qualidade de serem muito bem escritos. Para quem curte quadrinhos, o resultado é sempre uma deliciosa leitura.

Mas, voltando à minha surpresa de 7 de setembro, o texto que Lillo me convidava a ler era sua resenha do álbum Memórias Póstumas de Brás Cubas. O texto, como outros de seu blog, traz um depoimento pessoal, misturando na medida certa memórias e quadrinhos.

Deixo então para que vocês mesmos confiram este excelente texto com as lisonjeiras palavras de Lillo:

http://lilloparra.blogspot.com/2010/09/ao-verme-que-primeiro-roeu-as-frias.html

05/09/2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas, a graphic novel.


Tendo em mãos um exemplar de nossa adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, a expressão que me vem é: ficou lindão!

Para mim, foi uma caminhada que começou há dois anos, quando produzi o roteiro para esta versão quadrinística da obra-prima de Machado de Assis. Depois veio a busca por uma editora, até que tive minha proposta de adaptação aceita pela Desiderata do grupo Ediouro. Mais ou menos ao mesmo tempo, em junho de 2009, tive a felicidade de ganhar como parceiro nessa travessia o amigo J.B. Melado.

Com o roteiro aprovado, os meses seguintes foram de muito trabalho artístico e algumas esperas por respostas da editora. E vendo agora o álbum impresso, posso dizer que valeu a pena, inclusive pelo privilégio de ler o elogioso prefácio de Moacyr Scliar.

Fica então o convite para que todos confiram esta nossa HQ machadiana!

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
(Coleção Clássicos em Graphic Novel)
Formato 28cm x 21cm
88 páginas
R$39,90

18/08/2010

Onde estará Brás Cubas?


Algumas pessoas têm me perguntado sobre quando será o lançamento da adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, que produzi em parceria com o desenhista e amigo J.B. Melado. Segundo informações iniciais da Desiderata (selo da editora Agir do grupo Ediouro), nosso álbum com a obra-prima de Machado de Assis ficaria pronto no final de julho e seria lançado agora em agosto, na Bienal do Livro de São Paulo.

Não tive a confirmação dessa informação, mas, para minha surpresa, no final de semana o Blog dos Quadrinhos noticiou que o livro está em exposição num estande da Bienal (como se vê na foto que ilustra esta postagem, feita pelo jornalista Paulo Ramos). Além disso, numa rápida busca por livrarias virtuais, descobri que nossa HQ já está disponível para venda.

Assim, embora não tenha ainda visto o livro pronto, posso responder à pergunta que dá título a esta postagem: caros leitores e leitoras, nosso Brás Cubas enfim saiu do limbo!

(Para quem quiser saber um pouco mais sobre o processo de produção dessa HQ machadiana, basta clicar no marcador abaixo.)

31/03/2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas (finalizada!).


É com alegria que anuncio que J.B. Melado e eu finalizamos nossa adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas e já enviamos as páginas para avaliação editora. Ainda falta a ilustração da capa, mas ao ver as 78 páginas do álbum com os desenhos, cores e texto prontos, a sensação é realmente de trabalho concluído. E mais que isso, é a sensação de um trabalho bem feito, com uma narrativa diversificada e desenhos muito gostosos de ver.

Como era a intenção desde o início, o resultado de nosso trabalho não é uma HQ paradidática ou uma transcrição literal da obra de Machado de Assis. Para mim, o que produzimos é um álbum de quadrinhos fiel ao espírito do clássico machadiano, que traz todos os momentos fundamentais da história e que busca a tradução narrativa dos elementos estilísticos do texto machadiano, com sua metalinguagem, sua ironia e sua fluidez.

Assim, completando a sequência de prévias do álbum, publico a versão final da página 49, onde Brás Cubas se encontra com seu amigo de infância Quincas Borba (quem acompanha este blog já pôde ver, em postagens anteriores, a mesma página no lápis, na arte-final e nas cores). Espero que curtam essa pequena amostra do trabalho, e agora é esperar que a adaptação chegue às livrarias, na edição do selo Desiderata da editora Agir do Grupo Ediouro.

05/03/2010

Dom Casmurro, roteiro (12).


1) CAPITU!
2) Soltamos as mãos depressa, e ficamos atrapalhados.

3) Era o pai de Capitu.
4) NÃO ME ESTRAGUES O REBOCO DO MURO.

5) Pádua saiu ao quintal. Chegou sem cólera, todo meigo, apesar do gesto duvidoso ou menos que duvidoso em que nos apanhou.
6) Era empregado em repartição dependente do ministério da guerra. Não ganhava muito, mas a mulher gastava pouco, e a vida era barata.

7) Capitu foi ter com a mãe, à porta da casa, deixando-nos a mim e ao pai encantados dela.

8) O pai, olhando para ela e para mim, dizia-me, cheio de ternura:
9) QUEM DIRÁ QUE ESTA PEQUENA TEM QUATORZE ANOS? PARECE DEZESSETE.

04/03/2010

Dom Casmurro, roteiro (11).


1) QUE É QUE VOCÊ TEM?
2) É UMA NOTÍCIA.
3) NOTÍCIA DE QUÊ?

4) Nisto olhei para o muro, o lugar em que ela estivera riscando ou escrevendo. Vi uns riscos abertos.

5) Então quis vê-los de perto.
6) Capitu correu adiante e apagou o escrito.

7) Mas antes que ela raspasse o muro, li estes dois nomes, abertos ao prego, e assim dispostos:
BENTO
CAPITOLINA

8) Ficamos a olhar um para o outro...

9) Em verdade, não falamos nada...
10) ...o muro falou por nós.

11) Padre futuro, estava assim diante dela como de um altar. Faltava dizer a missa nova, por um latim que ninguém aprende, e é a língua universal dos homens.

03/03/2010

Dom Casmurro, roteiro (10).


1) De repente…
2) CAPITU!
3) MAMÃE!
4) DEIXA DE ESTAR ESBURACANDO O MURO; VEM CÁ.

5) As pernas desceram-me os três degraus que davam para a chácara e caminharam para o quintal vizinho.

6) Capitu estava ao pé do muro fronteiro, voltada para ele, riscando com um prego.
7) Ao dar comigo, encostou-se ao muro, como se quisesse esconder alguma coisa.

8) Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca fora. Não podia tirar os olhos daquela criatura de quatorze anos...

02/03/2010

Dom Casmurro, roteiro (9).


PARTE 4: CAPITU

1) Deixei o esconderijo, e corri à varanda do fundo. Vozes confusas repetiam o discurso do José Dias:
2) "SEMPRE JUNTOS..."
3) "EM SEGREDINHOS..."
4) "SE ELES PEGAM DE NAMORO..."

5) Ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o coração parecendo querer sair-me pela boca fora.
6) Uma sensação nova me envolvia em mim mesmo, e logo me dispersava, e me trazia arrepios, e me derramava não sei que bálsamo interior.

7) Eu amava Capitu, e Capitu a mim?

8) Andava cosido às saias dela, mas não me ocorria nada entre nós que fosse deveras secreto.
9) Pois, francamente, só agora entendia fenômeno recente de acordar com o pensamento em Capitu, e escutá-la de memória, e estremecer quando lhe ouvia os passos. Tudo me era agora apresentado pela boca de José Dias, que me denunciara a mim mesmo.

10) Eu amava Capitu! Capitu amava-me!

01/03/2010

Dom Casmurro, roteiro (8).


1) SE SOUBESSE, NÃO TERIA FALADO, MAS FALEI PELA VENERAÇÃO, PELA ESTIMA, PELO AFETO, PARA CUMPRIR UM DEVER AMARGO, UM DEVER AMARÍSSIMO...
2) José Dias amava os superlativos. Era um modo de dar feição monumental às ideias; não as havendo, servia a prolongar as frases.

3) Era nosso agregado desde muitos anos; meu pai ainda estava na antiga fazenda de Itaguaí, e eu acabava de nascer. Um dia apareceu ali vendendo-se por médico homeopata; levava um Manual e uma botica.
4) Havia então um andaço de febres; José Dias curou o feitor e uma escrava, e não quis receber nenhuma remuneração. Então meu pai propôs-lhe ficar ali vivendo.
5) Quando meu pai foi eleito deputado e veio para o Rio de Janeiro com a família, ele veio também.
6) Com o tempo, adquiriu certa autoridade na família, certa audiência, ao menos; não abusava, e sabia opinar obedecendo.