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21/12/2015

Um novo ciclo solar!

Desde 2010 eu cultivava a ideia de uma “renovação” do personagem Solar. Assim, ao longo de 2011 escrevi e rascunhei os três primeiros capítulos de um novo roteiro, ficando para 2012 a produção dos dois seguintes. Apenas em janeiro de 2014 pude retomar o trabalho na nova história, com a produção de mais três capítulos, ficando para março de 2015 o capítulo de fechamento desse “novo ciclo solar”.

Meu novo roteiro originou noventa páginas de HQ e duas belas capas desenhadas, entre maio de 2013 e maio de 2015, pelo talentoso Abel, também responsável pela colorização do trabalho. O balonamento e a montagem final das páginas ficaram por conta do amigo Cleber Campos. O resultado foram as edições Solar: História de Origem, lançada em julho de 2014, e Solar: O Caminho do Herói, lançada em junho de 2015.

E a história não terminou ali, pois quando concluía a segunda edição, eu já trabalhava no décimo capítulo da história. Ele marca mais um “ciclo” na trajetória de Solar, do qual temos uma bela amostra ao lado, na fantástica ilustração digital produzida por Carlos Fonseca.


(Enquanto uma próxima edição com Solar não chega, para saber mais sobre o personagem, ver páginas de amostra, resenhas e muito mais, clique aqui.)

31/10/2010

Alienz: em busca de outra ficção científica.


Uma coisa que acredito estar presente em vários de meus trabalhos é a busca por algo novo ou a intenção de dar uma nova perspectiva a um tema já visitado por outros autores. A revista Alienz, por exemplo, é uma HQ de ficção científica que tem como tema a liberdade e narra uma história de amor. Para realizá-la, pude contar com os desenhos precisos de Eduardo Pansica e a belíssima capa de Carlos Fonseca. O resultado é algo, creio eu, bastante original, que mereceu a seguinte resenha:

ALÉM DAS PALAVRAS

Marcello Castilho Avellar, Estado de Minas, maio de 2007.

Em um dos primeiros capítulos de Alice Através do Espelho, o escritor e matemático Lewis Carrol apresenta um poema, Jabberwocky. Nele, a maioria das palavras de sentido objetivo (substantivos, adjetivos, verbos de ação, advérbios) pertence ao inglês arcaico ou foi inventada pelo autor. Mesmo assim, ao terminar o último verso, o leitor conhecerá uma história sobre um herói e um monstro. Conhecerá até mesmo detalhes do ambiente, fauna e flora onde a aventura teria ocorrido. Jabberwocky é obra-limite para os que estudam arte, lingüística, semiótica: lembra-nos que os sentidos, talvez sejam transmitidos não por aquelas palavras aparentemente significativas, mas por estruturas relacionais, como sintaxeconectivos e desinências. A revista ALIENZ, de Wellington Srbek e Eduardo Pansica, investe com força na transposição dessa idéia para os quadrinhos.

O vocabulário de ALIENZ é cheio de termos científicos: equação diferencial, fractal, quark, glúon, bosón e por aí vai. Mas quem não está acostumado com matemática, física ou outros campos do conhecimento chegará ao final da história com boa idéia de tudo o que se disse durante a ação ou sobre a ação. Para construir uma história ambientada em um planeta que, material e filosoficamente, teria civilização bem distinta das nossas, Srbek invoca o vocabulário científico - mas o apresenta numa estrutura lingüística que conhecemos, o que nos permite superar até mesmo nosso desconhecimento sobre o vocabulário.

Os desenhos seguem lógica semelhante: se os elementos da imagem nos são alienígenas, a sintaxe que os associa não é. Na imagem, o truque carroliano de ALIENZ acaba ficando mais evidente. Percebemos a freqüência com que o encontramos em narrativas fantásticas de histórias de ficção científica na revista Heavy Metal ao nonsense da Garagem Hermética, de Moebius. As artes da imagem teriam tornado universal, muito antes das narrativas da palavra, aquela possibilidade de significado contida nas estruturas. No encontro entre texto e figura que marca os quadrinhos, a familiaridade que temos com a primeira forma de comunicação e a falta de intimidade que mantemos com a segunda produzem uma tensão que acaba dando vida e singularidade a ALIENZ.

29/10/2010

Monstros, quadrinhos e amigos.


Em 2005, após quase dois anos sem lançar uma nova edição, decidi preparar alguns roteiros e chamar uns amigos para produzir uma nova revista. O resultado foi Monstros que, como o próprio nome diz, tinha como tema as monstruosas figuras que tanto nos fascinam. No mesmo formato de Mirabilia e Mystérion, a nova revista foi também uma espécie de filhote das anteriores.

Para desenhar as HQs, contei com o talento de Fernando Cypriano e Laz Muniz, parceiros em vários outros projetos, além de Cleuber Cristiano, cujos personagens do Arroz Integral eu já havia publicado em revistas, mas com o qual eu ainda não tinha trabalhado em parceria. Para a capa, tive o privilégio de contar com um dos mais talentosos ilustradores que conheço, Carlos Fonseca.

O coquetel de lançamento, realizado numa manhã de sábado na livraria Quixote, foi muito legal, contando com a presença dos desenhistas participantes e dos alunos de meu Curso de Quadrinhos na época, além de dezenas de convidados e clientes. E a Monstros foi isso: uma revista feita com amigos, por pura diversão e paixão por essas monstruosas figuras da literatura, cinema e quadrinhos.

30/09/2009

As entrevistas e textos da 3ª Bienal Internacional de Quadrinhos.


Integrando as comemorações pelo centenário de Belo Horizonte (MG), a 3ª Bienal Internacional de Quadrinhos aconteceu em outubro de 1997. Com uma estrutura admirável, que incluía diversos espaços culturais, o evento teve como ponto alto as fantásticas exposições de artistas franceses, belgas, italianos, norte-americanos e brasileiros. A Bienal contou ainda com um concurso, palestras, debates e a presença de convidados ilustres.

O fato é que, num rápido passeio pelos corredores das exposições na Serraria Souza Pinto, podia-se passar das páginas de Henfil às de David Mazzuchelli, das pinturas realistas de um Schultein ao traço cartunístico de Ziraldo. E também não era difícil encontrar-se frente a frente com figuras consagradas, como Angeli, Bryan Talbot, Jô Oliveira e Paolo Serpieri. Isso sem falar no grande homenageado da festa, o amável e genial Will Eisner.

Na época, eu produzia uma página semanal com crítica de quadrinhos para um jornal de BH e não perdi a oportunidade de entrevistar alguns desses convidados. Em novembro daquele mesmo ano, essas entrevistas foram reunidas na quarta edição de minha revista Caliban (cuja capa ilustra esta postagem). Aproveito então a aproximação da sexta edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos, herdeiro da Bienal de 1997) para postar esta nova lista de entrevistas do Mais Quadrinhos, incluindo alguns textos que contam como foi aquele fantástico momento das HQs na capital mineira.

Will Eisner:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2007/11/uma-entrevista-com-will-eisner.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2007/11/meu-encontro-com-will-eisner.html

Paolo Serpieri:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/06/uma-entrevista-com-o-criador-de-druuna.html

Bryan Talbot:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/07/uma-entrevista-com-bryan-talbot.html

Angeli, Jô Oliveira, Guga e Mutarelli:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2007/12/4-x-4.html

A capital brasileira dos quadrinhos:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/12/capital-brasileira-dos-quadrinhos.html