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02/07/2012

Novidades da NEMO: O Incrível Cabeça de Parafuso e Outros Objetos Curiosos!

Máquinas voadoras vitorianas, uma cabeça mecânica, roubos de tumbas, fantasmas, bruxas, marionetes, alienígenas e vegetais gigantes: um vertiginoso desfile de curiosidades encontra-se reunido nesta coletânea, incluindo as HQs ganhadoras do Prêmio Eisner "O Incrível Cabeça de Parafuso" e "O Mágico e a Cobra", além de três outras histórias nunca antes publicadas e mais material inédito do criador de Hellboy

104 páginas em cores + capa dura, formato 17,5cm x 26,5cm

12/01/2012

Falando sobre o passado e o futuro (III).

Para mim, 2011 foi um ano fantástico! Enquanto completava 25 anos de produção de quadrinhos e 15 anos de carreira profissional, trabalhei na preparação dos primeiros lançamentos da editora NEMO, que estreou em julho com clássicos das HQs europeias e álbuns brasileiros inéditos.

Nossos primeiros lançamentos foram muito bem recebidos e fechamos o ano com 10 belos álbuns publicados. Um pouco dessa história foi o tema de duas entrevistas comigo, uma em texto e outra em vídeo, que podem ser vistas a seguir:

http://www.hqcia.com/index.php?option=com_hwdvideoshare&task=viewvideo&Itemid=92&video_id=268 

http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_7/2011/11/29/ficha_agitos/id_sessao=7&id_noticia=46899/ficha_agitos.shtml

Em 2012, todos podem esperar ainda mais dos quadrinhos da NEMO! Mais Moebius (O homem é bom? e A Garagem Hermética), mais Corto Maltese (As Helvéticas e Mu), mais Shakespeare (Hamlet, Macbeth, Rei Lear e A Tempestade), um álbum de Enki Bilal (A Trilogia Nikopol) e outro de Mike Mignola (detalhes em breve...), estes 10 lançamentos e ainda mais!!!

Então, fiquem ligados nas novidades da NEMO e continuem acompanhando o Mais Quadrinhos!

10/09/2008

O novo (bom) filme de Hellboy.


Pode parecer difícil de acreditar, meninos e meninas, mas houve um tempo em que filmes baseados em personagens dos quadrinhos eram algo raro de se ver (o lançamento de Batman - O Filme, por exemplo, foi um acontecimento realmente único e especial para os fãs do Homem-Morcego). Nos últimos tempos, porém, quase toda semana temos um novo filme inspirado em HQs. O resultado disso é o fato de que nem todas as produções alcançam a mesma qualidade (como a dos filmes X-Men 2, O Cavaleiro das Trevas e From Hell), chegando a gerar verdadeiros fiascos (como Hulk, Demolidor e A Liga Extraordinária) que não valem uma ida na esquina. Este certamente não é o caso de Hellboy II: O Exército Dourado, o novo e bom filme de Guillermo del Toro, co-escrito por Mike Mignola e estrelado por Ron Perlman.

Arrumei um tempinho hoje e, dando prosseguimento à minha carreira de cinéfilo solitário (pois só eu mesmo para ir ao cinema em plena quarta-feira à tarde), fui conferir o segundo longa com o personagem de Mike Mignola. O filme, é claro, não é uma obra-prima da cinematografia internacional. Mas, como entretenimento e transposição de um personagem dos quadrinhos para a telona, Hellboy II não decepciona em nada e tem até uns momentos de brilhantismo (a morte do elemental gigante chega a ser poética, mas não vou dar detalhes para não estragar a graça de quem ainda não assistiu).

O fato é que, passados quatro anos desde a primeira adaptação e após realizar O Labirinto do Fauno, Guillermo del Toro demonstra ter amadurecido em seu ofício. Toda a produção é muito bem cuidada, com uma riqueza de detalhes e um sentido de conjunto que realmente transportam o expectador para dentro da história. Se as caracterizações de Hellboy e Abe Sapiens continuam simplesmente perfeitas, as demais criaturas e monstros parecem mais verossímeis e desenvoltas (nada dos demônios de roupa de borracha do primeiro filme ou da corridinha flutuante ridícula de Hellboy na sequência da ponte que desaba).

Desta vez, o roteiro do filme não se baseia predominantemente num dos álbuns de Mignola, trazendo um ou outro elemento de suas HQs. Além disso, o terror é substituído pela fantasia, pois as criaturas cósmicas saídas da literatura de H. P. Lovecraft dão lugar a elfos, fadas e ogros inspirados pelos livros de J. R. R. Tolkein (atualmente, del Toro está até envolvido na adaptação de O Hobbit). Para completar, há algumas citações cinematográficas (como uma sequência de A Noiva de Frankenstein de James Whale) e elementos inspirados por outros filmes (como as figuras que parecem saídas do bar intergaláctico de Guerra nas Estrelas, no qual Luke Skywalker e Obi-Wan Kenobi encontram Han Solo).

No geral, a história não é das mais originais, tampouco muito complexa (na verdade, desde o início, toda a ameaça poderia ter sido eliminada com um simples gesto, que acontece na sequência final). Por outro lado, há bastante ação e monstrengos interessantes, embora o principal desafio que Hellboy e seu amigo Abe Sapiens enfrentem seja de outra natureza: o amor e a difícil relação entre homens e mulheres (neste caso, entre um demônio-macaco de bom coração e uma bela jovem). Esta questão, aliás, proporciona uma das melhores sequências do filme, envolvendo latas de cerveja e música romântica. Já bastante confortáveis em seus papéis, os atores principais oferecem atuações bastante convincentes.

Ao final, a temática central do personagem criado por Mignola é relembrada, abrindo a porta para um terceiro filme, no qual o duelo entre predestinação e livre-arbítrio deverão retornar como temas centrais. Em resumo, Hellboy II: O Exército Dourado vale a ida ao cinema. Quem gostou do primeiro filme, provavelmente gostará deste também. Boa diversão, com um visual interessante e personagens cativantes.

10/06/2008

As aventuras de Fafhrd e Gatuno em quadrinhos.


A divisão em diferentes gêneros literários ou quadrinísticos sempre foi mais um expediente editorial e comercial do que propriamente um princípio criativo. É fácil notar que uma indistinção de gêneros e uma variedade textual são fatores comuns em muitas obras. Um exemplo é Crônicas de Lankhmar: As Aventuras de Fafhrd & Gatuno, lançamento recente da Devir, que mistura elementos de terror e fantasia. Com roteiro de Howard Chaykin, desenhos de Mike Mignola, arte-final de Al Williamson e cores de Sherilyn Van Valkenburg, a edição traz a adaptação de histórias com os personagens criados pelo escritor Fritz Leiber.

Com um título alterado (talvez para fazer ressonância a recentes produções cinematográficas), Crônicas de Lankhmar reúne sete contos lançados originalmente entre os anos 40 e 70, adaptados para os quadrinhos numa minissérie de 1991. Protagonizado por dois ladrões, fanfarrões e beberrões, o volume traz vários componentes fantásticos (como bruxos, monstros e lugares exóticos), encaixando-se no que se convencionou chamar de histórias de “espada e feitiçaria”.Uma referência mais familiar para os leitores brasileiros são as aventuras de Conan, personagem criado por Robert E. Howard. Afinal, assim como nas histórias do bárbaro cimério, nas aventuras de Fafhrd e Gatuno o que manda é a ação, ambientada num período histórico indefinido e em locais geográficos fictícios (como a cidade de Lankhmar).

O clima pseudo-histórico e os anacronismos, no entanto, não atrapalharão a leitura de quem busque uma HQ de aventura com algumas sequências de luta e muitos objetos mágicos (além de nomes sugestivos como Beco dos Ossos, Casa da Peste ou Bulevar do Estrume). O que acaba prejudicando um pouco são os diálogos por vezes confusos e a narrativa fragmentada em alguns pontos do roteiro de Chaykin (mais conhecido no Brasil por seu trabalho nas HQs American Flagg e Black Kiss). Dos sete contos reunidos na edição, destacam-se “A Torre Assombrada” e “O Bazar Bizarro” que extrapolam os esquemas aventurescos de lutas e tramóias. Mas o verdadeiro ponto alto da obra é seu visual, que tem como base o traço contrastado de Mignola (o talentoso desenhista de Odisséia Cósmica e Hellboy).

Trabalho produzido na fase posterior a Batman 1889 (mas anterior à adaptação do filme Drácula), os desenhos de Crônicas de Lankhmar ainda trazem alguns traços e maneirismos dispensáveis (não apresentando toda a força e a concisão das páginas de Hellboy, por exemplo). Contudo, a arte-final de Williamson e, em especial, as cores de Valkenburg colaboram para a ambientação fantástica e o clima sombrio da HQ. Ilustrações nas aberturas dos capítulos, uma introdução de Chaykin e um posfácio de Mignola, além de pequenas biografias dos autores, completam o volume (de 200 páginas em formato reduzido, 17cm x 24cm, capa cartonada e preço de R$45,00). Crônicas de Lankhmar: As Aventuras de Fafhrd & Gatuno deve agradar a quem gosta de histórias de aventura e magia, valendo uma conferida pelos fãs de Mike Mignola.

05/11/2007

Hellboy, uma mistura original.


Incorporando influências de grandes mestres dos quadrinhos, o norte-americano Mike Mignola aprimorou seu estilo narrativo, inventando para si um traço ao mesmo tempo sintético e bastante expressivo. E se a arte dos quadrinhos é contar uma história através de imagens e palavras, Hellboy é uma obra-prima!

Mignola ficou mais conhecido no Brasil após o lançamento de Batman 1889 (revista na qual o Homem-Morcego enfrenta Jack, o Estripador) e da minissérie Odisséia Cósmica (estrelada pelos principais heróis da DC e pelo vilão Darkseid). No primeiro trabalho, fica evidente seu talento e predileção pelo uso de sombras ao estilo do quadrinista italiano Hugo Pratt (Corto Maltese), enquanto no outro o que se destaca é a influência da estética e narrativa do norte-americano Jack Kirby (Novos Deuses). Em seguida, Mignola juntou-se a Howard Chaykin para criar Ironwolf: The Fires of Revolution, minissérie que traz personagens, ambientes e visual inspirados pelos desenhos do francês Moebius (Incal).

Em Hellboy, lançado originalmente pelo selo Legend, Mignola alcançou uma mistura perfeita dessas influências, temperada com uma boa dose de invenção e originalidade. A história começa na Inglaterra em 1944, quando um grupo de agentes anglo-americanos investiga uma conspiração nazista. Há alguns quilômetros dali, numa ilha da Escócia, agentes alemães realizam uma estranha cerimônia que envolve magia negra e bizarras tecnologias. Mas algo sai errado para os seguidores de Hitler, e o bebê Hellboy (o produto do ritual maligno) cai em mãos inimigas, sendo adotado por um pesquisador do sobrenatural norte-americano. Com uma índole bondosa e um gosto por pancadarias, Hellboy acaba se tornando um importante agente que percorre o mundo enfrentando ameaças e resolvendo enigmas sobrenaturais.

Povoada por nazistas, fantasmas, monstros, demônios e ocultistas, a série Hellboy vai muito além do gênero do terror, resgatando a origem mítica e a força cultural de tipos como o lobisomem. Recorrendo freqüentemente à História e à Literatura, as tramas criadas por Mignola dão vida nova a personagens já banalizados pelo cinema e pelos quadrinhos. Acima de tudo, Hellboy nos lembra que para se conquistar o mercado e o grande público não é preciso render-se aos modismos, deixando de lado a qualidade e originalidade.

Legend, um selo de qualidade nos quadrinhos.


Nos anos 80, os quadrinhos de super-heróis da Marvel e DC passaram por uma das melhores fases de sua história. A influência das HQs européias e japonesas, os trabalhos produzidos pelos autores ingleses e uma maior sofisticação das edições deram origem a uma revolução qualitativa nos comics. Em 1993, alguns dos autores responsáveis por aquele excepcional momento decidiram se juntar para lançar o selo Legend.

A idéia de reunir um grupo de quadrinistas (baseando-se na qualidade de seus trabalhos e objetivando a manutenção dos direitos autorais das HQs e personagens) partiu de Frank Miller e John Byrne. Segundo Miller, esta era uma idéia antiga que voltou à tona em 1992, quando Todd McFarlane, Jim Lee e Rob Liefeld criaram a Image Comics (editora que sacudiu o mercado norte-americano de quadrinhos, abalando a hegemonia da Marvel e DC).

No início da década de 1990, Miller e Byrne estavam envolvidos em projetos lançados pela Dark Horse (editora que se tornara conhecida por lançar quadrinhos autorais e adaptações de filmes para as HQs). Miller havia escrito as minisséries Liberdade (desenhada por Dave Gibbons) e Hard Boiled (ilustrada por Geof Darrow), e estava produzindo a série Sin City. Já Byrne começava a desenvolver a série Next Men (que originalmente havia sido planejada para ser a base do universo Marvel 2099).

Motivados pelos resultados alcançados pela Image, Miller e Byrne resolveram reunir um grupo de quadrinistas, que contava com o talento de Mike Mignola, Dave Gibbons, Arthur Adams, Mike Allred, Paul Chadwick e Geof Darrow. Assim nascia o selo Legend, com o qual as histórias e personagens do grupo seriam publicadas pela Dark Horse, mas permanecendo como propriedade de seus autores. Os variados estilos, a originalidade e a identificação do trabalho com seu autor eram elementos marcantes nas revistas do Legend (algo muito diferente de se ter um bando de desenhistas-dublês que copie o estilo de um autor mais famoso).

Através do selo, Miller passou a publicar as novas histórias com a personagem Martha Washington (desenhadas por Dave Gibbons), as novas minisséries de Sin City, além de lançar a HQ The Big Guy and Rusty (desenhada por Geof Darrow). John Byrne levou para Legend a série Next Men, com seus super-heróis de um mundo sombrio. Paul Chadwick chegou com as HQs de Concreto, um introspectivo personagem dividido pelo desejo de ser um herói e os problemas causados por seu corpo monolítico. Arthur Adams lançou a série Monkeyman and O’Brien, com as histórias de um gorila extradimensional e sua companheira fortona. Mike Allred transferiu para o selo seu personagem Madman, uma estranha mistura do Capitão Marvel com o Monstro de Frankenstein. Mike Mignola trouxe Hellboy, uma série de histórias estreladas por um heróico demônio simiesco.

A experiência do selo Legend não durou muito, mas séries como Sin City e Hellboy frutificaram em várias continuações, mesmo após o selo deixar de ser usado (e se hoje as criações de Miller e Mignola alcançam notoriedade internacional através dos filmes de Hollywood, isso em grande parte se deve à semente lançada em 1993). O fato é que as revistas com o selo Legend não seguiam o padrão de produção industrial dos comics em geral, aproximando-se da forma como os artistas europeus criam suas HQs. Sem se preocupar em criar personagens e histórias para serem transformados em brinquedos ou desenhos animados, os integrantes do grupo Legend mostraram como conciliar interesses editoriais e qualidade artística. E esta é uma lição que não deveria ser esquecida!