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28/02/2013

Novidades da NEMO: Bolland Strips!


Conhecido mundialmente pelos desenhos da HQ Batman: A Piada Mortal, o inglês Brian Bolland consagrou-se como um dos melhores ilustradores de capas de super-heróis, destacando-se também por trabalhos mais autorais e pessoais. É o que encontramos nas páginas de Bolland Strips!, volume que reúne todas as páginas da deliciosa série “A Atriz e o Bispo” e as narrativas completas do surpreendente “Sr. Mamoulian”, além de HQs curtas e ilustrações. Um verdadeiro banquete para os olhos e as mentes daqueles que gostam de HQs inteligentes e belamente ilustradas!

96 páginas, capa dura, formato: 20,5cm x 27,5cm

03/12/2012

Algumas novidades da NEMO para 2013!


A Editora Nemo encerra seu segundo ano de atividades com um saldo muito positivo: foram lançados ao todo 20 álbuns, que se somam aos 10 títulos lançados em 2011. E uma leva de novas e excelentes HQs já está sendo preparada para 2013, ano em que a editora programa trazer 30 lançamentos, duplicando seu catálogo.

Ao revelar algumas das novidades do próximo ano, o editor da Nemo, Wellington Srbek, ressalta que “em 2011 tivemos um ótimo ano de estreia; em 2012 consolidamos e ampliamos a proposta da editora; e já estamos trabalhando para que 2013 seja um ano ainda mais fantástico para os leitores da Nemo”.

No campo dos quadrinhos nacionais, as novidades começam com a estreia da série As Aventuras do Capitão Nemo, que tem dois volumes previstos para 2013, com histórias inéditas desenhadas por Will e escritas por diferentes roteiristas. Haverá também duas novas edições da série Força Animal, que estreou este ano com o álbum A Aventura Começa!, escrito por Wellington Srbek e desenhado por Kris Zullo.

Um lançamento especial, agora em produção, é a HQ histórica A Luta Contra Canudos, com roteiro de Daniel Esteves, desenhos de Jozz e cores de Akira Sanoki. O que já está em fase de finalização é a adaptação Hamlet de William Shakespeare, com tradução e roteirização de Wellington Srbek, desenhos e cores de Alex Shibao. Já pela própria Coleção Shakespeare em Quadrinhos, chega um novo título em 2013: Rei Lear, com roteiro de Jozz e desenhos de Octavio Cariello.

Passando para os lançamentos estrangeiros, há várias novidades de destaque, a começar pelo autor que rendeu à Nemo, em 2012, o Troféu HQ MIX de “Melhor Publicação de Clássico”. Afinal, a versão francesa da Coleção Moebius ganhou três volumes inéditos, que a Nemo também vai trazer para o Brasil: O Homem do Ciguri, Crônicas Metálicas e Caos.

Uma estreia de peso será a fabulosa série Peter Pan, com roteiro e desenhos de Loisel, que terá seus três volumes lançados ao longo de 2013. E a Nemo também lançará o fantástico álbum inédito Bolland Strips!, uma coletânea de séries e HQs curtas do renomado quadrinista inglês Brian Bolland. 

Já para os jovens leitores, a editora inicia em 2013 a bela Coleção Geo, com o álbum O Apanhador de Nuvens, de Béka e Marko, que será seguido de mais dois títulos, cada álbum com uma história completa, passada em diferentes lugares e culturas da Terra. Além disso, os jovens leitores de todas as idades poderão curtir quatro novos volumes da simpática série belga Boule & Bill.

E esse é apenas o começo. A Editora Nemo reserva mais novidades que serão anunciadas ao longo do ano, pois como promete o editor Wellington Srbek: “esta primeira lista de lançamentos é fantástica, e os leitores podem aguardar ainda grandes surpresas para 2013”.

31/07/2009

As entrevistas internacionais do Mais Quadrinhos.


Algo muito bacana que tenho conseguido realizar com o Mais Quadrinhos são as entrevistas com artistas britânicos e norte-americanos. Eu já vinha entrevistando outros quadrinistas desde os anos 90, mas essas conversas por e-mail feitas especificamente para este blog têm algumas particularidades (entre elas o fato de serem realizadas e publicadas também em inglês, tendo ainda como ponto comum questões relativas à obra do roteirista inglês Alan Moore). Com essas entrevistas, tenho tido a oportunidade de falar com pessoas cujo trabalho admiro há muitos anos, descobrindo mais sobre suas criações e esclarecendo pontos de suas trajetórias, além de contar um pouco da história dos quadrinhos.

Então, para aqueles que não acompanharam as primeiras entrevistas ou para quem quiser dar uma nova conferida, aqui vão os endereços para as entrevistas internacionais do Mais Quadrinhos, até o momento:

David Lloyd:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/01/virtudes-variadas-uma-entrevista-com.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/01/virtudes-variadas-uma-entrevista-com_16.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/01/virtudes-variadas-uma-entrevista-com_18.html

J.H. Williams III:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/03/artes-mgicas-uma-entrevista-com-jh.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/03/artes-mgicas-uma-entrevista-com-jh_19.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/03/artes-mgicas-uma-entrevista-com-jh_21.html

Steve Bissette:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/05/quando-penso-em-que-artistas-dos.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/05/talento-monstruoso-uma-entrevista-com.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/05/talento-monstruoso-uma-entrevista-com_22.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/05/talento-monstruoso-uma-entrevista-com_26.html

Dave Gibbons:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/12/arte-da-coerncia-uma-entrevista-com.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/12/arte-da-coerncia-uma-entrevista-com_05.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/12/arte-da-coerncia-uma-entrevista-com_10.html

Brian Bolland:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2009/07/um-artista-brilhante-de-capa-capa-uma.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2009/07/um-artista-brilhante-de-capa-capa-uma_23.html
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2009/07/um-artista-brilhante-de-capa-capa-uma_27.html

Se preferir as entrevistas no original, elas podem ser lidas em inglês neste endereço:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/search/label/Interviews

29/07/2009

Origens recontadas dos heróis DC.


Na época da série 52, a DC Comics produziu e lançou uma coleção de HQs de duas páginas com a versão resumida das origens de vários de seus personagens. Uma espécie de reedição das populares “origens secretas” publicadas até 1990, essa nova coleção The Origin of... foi uma forma de a editora familiarizar novos e antigos leitores com seu elenco de personagens. Com roteiros escritos por Len Wein, Mark Waid e Scott Beatty, as histórias contaram com a participação de diversos desenhistas, incluindo nomes de destaque do momento (como Ivan Reis, Ethan Van Sciver, J.G.Jones) e veteranos consagrados (como Adam Hughes, Kevin Nowlan, Bruce Timm, Kelley Jones, Arthur Adams).

Neste último time, o desenhista que mais contribuiu com páginas desenhadas foi, surpreendentemente, Brian Bolland. Exímio no desenho de belas personagens femininas, o artista inglês foi o responsável pelas páginas da origem de Zatanna. Tendo definido o visual do Coringa para toda uma geração de leitores (com A Piada Mortal), Bolland também foi o responsável pela HQ do principal vilão do Batman, escrita por Waid a partir daquela apresentada por Alan Moore. Para esta coleção The Origin of..., no entanto, o melhor trabalho de Bolland está nas páginas feitas para o Homem Animal (que ilustram esta postagem), com um roteiro de Mark Waid baseado na versão proposta por Grant Morrison.

As páginas das origens de Zatanna, Coringa e Homem Animal, bem como as demais HQs de The Origin of... estão disponíveis online (os textos, é claro, estão inglês e para acessar as páginas basta clicar nos links anteriores).

27/07/2009

Um artista brilhante de capa a capa: uma entrevista com Brian Bolland, parte3.


Última parte de nossa entrevista e Brian Bolland fala de como desenhar super-heróis (em quê nós discordamos sobre o quão bem ele faz isso), de suas fantásticas capas para Animal Man e The Invisibles, seus projetos pessoais, quadrinhos cômicos, mulheres belíssimas e muito mais.

Wellington Srbek: Ninguém desenha os personagens da DC melhor que o senhor! Seu estilo detalhado com linhas clássicas e cores brilhantes dá a eles volume, peso, personalidade e vida. Seu desenho tem algo da “Era de Prata” e é ao mesmo tempo completamente moderno. O senhor tem uma abordagem conceitual para como os super-heróis devem parecer?

Brian Bolland: Bem, eu cresci como um fã da “Era de Prata” e certos desenhistas daquela era eram meus ídolos. Gil Kane, Carmine Infantino, Alex Toth, Bruno Premiani. Temo que nunca fui um grande fã de Jack Kirby. Eu era mais fã dos artistas do que dos personagens e mais ligado nos quadrinhos como artefatos colecionáveis do que nas histórias. Eu queria muito desenhar como Neal Adams, mas nunca consegui isso. Eu sou fissurado em desenhos que sejam tecnicamente e anatomicamente bem desenhados, mas eu tenho consciência de que tem que haver muito mais que isso. Eu não acho que eu seja particularmente bom nos super-heróis. Meu trabalho parece mais europeu, uma vez que fico feliz com personagens que estejam parados, posando ou congelados no tempo, no lugar da ação agitada que é requerida pelos quadrinhos norte-americanos de super-heróis. De fato me é pedido ocasionalmente para recriar uma capa da “Era de Prata” e desenhar no estilo de Premiani, Kane or Curt Swan (e esses trabalhos são mais cópias na verdade!). Eu adoro a limpeza e a clareza das capas dos anos 60.

WS: Eu simplesmente adoro suas capas para a Animal Man! Elas trazem imagens marcantes e significativas que contribuem muito para as histórias. A da número 5, por exemplo, é uma obra-prima! Como era o processo criativo nessa série? O senhor lia os roteiros e então bolava os conceitos para as capas?

BB: Obrigado. Eu realmente prefiro capas especificamente ligadas à história em vez da imagem-pôster genérica. Eu me desespero quando o editor diz: “faça simplesmente uma cena de ação”. Eu respondo: “Sim, mas o que exatamente eles estão fazendo?!” Eu sempre pensei que a 2000 AD tinha uma mistura de ação, terror e comédia que funcionava muito bem e eu não estava vendo muito dessa combinação nos quadrinhos norte-americanos da época. Eu gosto dessa combinação e as capas da Animal Man permitiam-me fazê-la. Se me recordo corretamente, para criar as capas eu geralmente tinha o roteiro para ler. Eu lia e colocava estrelas marcando as páginas que tinham algo acontecendo que eu pensava que poderia dar uma capa. Muitas vezes, eu tinha idéias que me diziam algo que provavelmente não tinha sido notado [por outros]. A capa da n°39, por exemplo, é minha homenagem à capa da House of Mystery n°1, de 1951. A n°45 é uma paráfrase ou reciclagem de capa da Judge Dredd n°1 da Eagle. Minha grande favorita é a da Animal Man n°25.

WS: Suas capas para a série The Invisibles são estética e tecnicamente diferentes de suas capas para a Animal Man. Quais foram os principais desafios do trabalho nessa complexa série de Grant Morrison?

BB: O primeiro desafio foi o fato de que os roteiros não estavam disponíveis. Na verdade, eu logo passei a gostar disso e as capas ganharam uma vida própria. Elas eram uma combinação daquilo que a editora Shelly Roeberg queria, do que Grant Morrison queria (quando ela conseguia falar com ele ao telefone) e de qualquer idéia que surgisse na minha cabeça. As últimas doze edições eram apenas eu deixando minha mente voar livre. Especialmente as últimas capas das coletâneas. Eu poderia analisar cada capa e apontar todos os segredos por trás delas, mas isso tomaria um livro inteiro.

WS: Seu trabalho é reconhecido pelos desenhos detalhados, os belas texturas e contrastes em P&B, as expressões faciais intensas, as composições eficientes e por aí vai... O que mudou no seu processo criativo agora que o senhor não produz mais trabalhos em papel (substituído pelo comutador)?

BB: A única coisa que mudou foi a parte técnica. No fim, o computador é apenas um meio para eu alcançar o que quero. Eu estou extremamente feliz em deixar para trás todos os materiais complicados, como pincéis, canetas, aerógrafos e todas as tintas, nanquins e acrílicas. Coisas todas que precisavam ser lavadas. Agora eu posso desenhar e arte-finalizar sem quaisquer problemas e tenho ocasionalmente algumas vantagens extras como a cópia de imagens. Foto-colagem quando quero.

WS: Além de incríveis super-heróis, o senhor também desenha mulheres belíssimas e algumas páginas cômicas. Mas este é um lado de seu trabalho menos conhecido. Por favor, fale a seus fãs brasileiros sobre as séries The Actress & The Bishop e Mr. Marmoulian.

BB: Mr. Mamoulian surgiu como uma reação ao tempo que eu estava gastando em meus desenhos e minha obsessão por desenhar bem. Minha velocidade lenta estava impedindo que idéias surgissem num ritmo mais rápido. Então eu decidi que deveria desenhar uma página em duas horas e o personagem-título veio da primeira página que desenhei. Mas ele ganhou vida própria e agora eu gasto mais tempo desenhando-o. The Actress & the Bishop nasceu de uma simples ilustração que eu fiz em meu portifólio para a editora francesa Editions Deesse. Eu queria escrever e desenhar essa HQ tão bem quanto eu conseguisse. Havia uma particular qualidade inglesa nela e para contrariar o fato de que, pelo seu título, as pessoas possam pensar que ela é pornográfica ou algo assim, eu resolvi que iria escrevê-la em versinhos infantis. Eu curtia muito os filmes do Peter Greenaway. Eles tinham obsessões com números e contagem e coisas assim. As rimas em The Actress & the Bishop eram uma forma de dar a mim mesmo uma estrutura obsessiva.

WS: O senhor está produzindo agora capas para a nova minissérie em seis partes The Last Days of Animal Man (a ótima capa para o número 1 já foi comentada em uma postagem anterior aqui no Mais Quadrinhos, tendo me dado o impulso inicial para realizar esta entrevista). Depois disso, quais são seus projetos futuros?

BB: Mais viagens. Estou trabalhando num livro de fotos de uma semana que passei em Burma em 1988. Já mencionei isso? Estou produzindo uma nova história de The Actress & the Bishop. Continuando as capas para Jack of Fables, enquanto me quiserem nisso! Outros projetos pipocam, mas quem sabe se conseguirei acabar realizando-os.

WS: Brian Bolland, muito obrigado por esta entrevista! E obrigado pelo brilhante e belo trabalho!

BB: Obrigado a você!

25/07/2009

A brilliant artist from cover to cover: an interview with Brian Bolland, part3.


Last part of our exclusive interview, and Brian Bolland talks about drawing DC super-heroes, the fantastic Animal Man and The Invisibles covers, his personal projects, funny strips, gorgeous women and a lot more.

Wellington Srbek: Nobody draws DC characters better than you! Your detailed style with classic lines and bright colors gives them volume, weight, personality and life. It has something of the “Silver Age” and at the same time is completely modern. Do you have a conceptual approach to how super-heroes should look like?

Brian Bolland: Well, I grew up as a Silver Age fan and certain artists from that era were my idols. Gil Kane, Carmine Infantino, Alex Toth, Bruno Premiani. I never got into Jack Kirby I'm afraid. I was more a fan of the artists than of the characters and keener on the comics as collectable artifacts than of the stories. I seriously wanted to draw like Neal Adams but never managed it. I'm a stickler for art that's technically and anatomically well drawn but I realize there has to be much more than that. I don't think I'm particularly good at super-heroes. My work looks rather European in that I'm happier with characters that are still, poised or frozen in time rather than the kinetic action that's required from American super-hero comics. I do get asked occasionally to re-create a Silver-age cover and draw in the style of Premiani, Kane or Curt Swan. (They're more swipes really!) I do love the cleanness and the unclutteredness of the 60s covers.

WS: I simply love your Animal Man covers! They are powerful and meaningful images that add a lot to the stories. The #5 cover for instance is a masterpiece! How was the creative process on that series? Did you read the scripts and come up with the concepts for the covers?

BB: Thanks. I much prefer story-specific covers as opposed to the generic poster shot. I despair when and editor says "just do an action shot." I reply "Yes, but what exactly is it they're doing?!" I always thought 2000 AD had a mixture of action, horror and comedy that worked very well and I wasn't seeing quite that combination in American comics at the time. I'm happy with that combination and the Animal Man covers allowed me to do that. If I remember correctly I usually had a script to read for the covers. I went along and put stars on the pages of script where something was happening that I thought would make a cover. Quite often I was coming up with ideas that meant something to me that probably wouldn't have been noticed. Cover #39 for instance is my homage to the cover of House of Mystery #1 from 1951. #45 is a spoof or a re-cycling of the cover of the Eagle Judge Dredd #1. My absolute favorite is Animal Man #25.

WS: Your covers to The Invisibles series are aesthetically and technically different from your Animal Man covers. What were the main challenges working on that complex Grant Morrison’s series?

BB: The first challenge was the fact that the scripts weren't available. Soon I actually liked that and the covers took on a life of their own. They were a combination of what editor Shelly Roeberg wanted, what Grant wanted (when she could get him on the phone) and whatever idea popped into my mind. The last 12 were just me letting my mind run free. Especially the final trade paperback covers. I could analyse each cover and point out all the secrets hidden in them but it would take a whole book.

WS: Your artwork is well known for the detailed drawings, the beautiful black & white contrasts and textures, the intense facial expressions, the strong compositions and so on… What has changed on your creative process now that you don’t produce “real artwork” on paper anymore?

BB: The only thing that's changed is technical. The computer is just a means of achieving what I would have wanted anyway. I'm extremely happy to leave behind all the treacherous tools like brushes, pens, airbrushes and all the paints, inks and acrylics. All of which had to be washed. Now I can pencil and ink without any problems and I have some extra perks like tracing occasionally. Photo-collage when I want it.

WS: Besides amazing super-heroes, you also draw the most gorgeous women and some very funny strips. But this is a side of your work that is less known, so please tell your Brazilian fans something about The Actress & The Bishop and Mr. Marmoulian.

BB: Mr. Mamoulian came as a reaction to the time I was spending on my drawings and my obsession about drawing well. My slow speed was preventing ideas tumbling out at a quicker rate. So I decided I'd draw a page in two hours and the title character came from the first page I drew. But it took on a life of its own and now I spend longer drawing it. My only concession is that I only draw it when I feel like it. The Actress & the Bishop grew from a single plate I did in my portfolio for French publishers Editions Deesse. I wanted to write it and draw it as well as I could. It had a particular Englishness about it and to counter the fact that people might think from its title that it would be pornographic or something I thought I'd write it like a nursery rhyme. I was very keen on the films of Peter Greenaway. They had in them obsessions about numbers and counting and things like that. The rhyming in the Actress & the Bishop was a way of giving myself an obsessive structure.

WS: You are now producing covers to the new Animal Man 6-part mini-series. I just loved #1 cover! After this, what are your future projects?

BB: More traveling. I'm working on a book of photos of a week spent in Burma back in 1988. Did I already mention that? I'm doing a new Actress & the Bishop story. Continuing Jack of Fables covers as long as they'll have me! Other projects bubble away but who knows of I'll get round to doing them.

WS: Thanks very much for this interview, Mr. Bolland! And thanks for the brilliant and beautiful work!

BB: Thanks to you.

23/07/2009

Um artista brilhante de capa a capa: uma entrevista com Brian Bolland, parte2.


Segunda parte de nossa entrevista exclusiva e Brian Bolland fala sobre a obra-prima dos quadrinhos de super-heróis A Piada Mortal (atualmente disponível no Brasil em reedição de luxo pela Panini). Ele também nos conta como foi trabalhar com Alan Moore nessa marcante graphic novel, fala sobre quadrinhos “sombrios & violentos” e censura editorial.

Wellington Srbek: A idéia inicial para uma história especial com o Batman e o Coringa foi sua e foi também o senhor que sugeriu o nome de Alan Moore para roteirista do que veio a ser A Piada Mortal. Como foi trabalhar com Alan Moore nesta marcante graphic novel?

Brian Bolland: A primeira metade de sua pergunta está correta. Após Camelot eu estava na posição de escolher o que gostaria de fazer para a DC. Alan Moore, Kevin O'Neill, Dave Gibbons, Mick McMahon, etc. eram todos amigos meus dos tempos da 2000 AD. Alan e eu tínhamos alguns projetos que nós quase produzimos juntos, entre os quais estava uma revista Batman / Juiz Dredd. Alan e Dave tinham acabado de obter um grande sucesso com Watchmen. Eu era fascinado com o Coringa. Eu tinha visto o filme da década de 1920 O Homem que Ri [brilhantemente encarnado pelo ator alemão Conrad Veidt], do qual, dizem, Jerry Robinson tirou a idéia. Alan me perguntou que tipo de coisa eu gostaria de desenhar.
Naqueles tempos (e ainda hoje para mim, na verdade) o negócio de escrever quadrinhos e o de desenhar quadrinhos são completamente separados. O roteirista se senta em casa e escreve. O roteiro é enviado ao desenhista que o desenhará; e um não interfere no processo do outro. Foi assim com A Piada Mortal. Então, se me pergunta “como foi trabalhar com Alan?”, minha resposta é: eu pedi a Alan que a escrevesse. Ele a escreveu. Eu a desenhei.

WS: A Piada Mortal foi um quadrinho do Batman como nenhum outro antes. Foi também a história de origem do Coringa contada pela primeira vez. Foi realisticamente violenta e insana, sendo em parte responsável pela tendência dos quadrinhos “sombrios e violentos” que predominaram nas revistas de super-heróis no fim dos anos 80 e início dos 90. Mas, a despeito de toda a violência e das cenas terríveis, A Piada Mortal tem um dos desenhos mais belos e detalhados já feitos para o Batman. Quais são seus sentimentos em relação a essa incrível HQ?

BB: Quando o roteiro chegou, ele de fato continha coisas que ele não teria se eu o tivesse escrito. Eu pessoalmente jamais contaria uma história de origem do Coringa, por exemplo. Mas olhando para ela mais tarde, eu agora vejo que as partes que eu não teria incluído parecem bastante icônicas hoje. Eu às vezes penso que nós artistas britânicos que trabalhamos na 2000 AD trouxemos o caráter “sombrio & violento” conosco, quando fomos trabalhar para a DC.

WS: A primeira edição brasileira de Camelot 3000 teve uma cena de Tristan e Isolda censurada pelos editores daqui. E me parece que os editores da DC fizeram algo semelhante numa das páginas de A Piada Mortal, substituindo (ou te pedindo para substituir) os seios nus de Bárbara Gordon por um close do rosto dela. O senhor já teve algum problema com censura editorial?

BB: Eu nunca tive PROBLEMAS com censura editorial. Alguém na DC deve ter falado algo sobre aquela cena da Bárbara Gordon. Eu mudei aquele único quadro e acho que a melhorei. Eu sou ciente de todos os tipos de coisas que você não pode colocar numa capa. Nudez está fora de questão. Eu uma vez desenhei uma capa com o Robin que tinha umas estátuas gregas no fundo, que eu copiei de fotos. Entre as estátuas havia cinco mamilos visíveis. Todos foram apagados! Eu uma vez desenhei uma capa que tinha o Batman fumando um charuto. Bem, era o Hugo Strange com barba, vestido como Batman fumando um charuto. Não pude fazê-la. Talvez eles a tenham rejeitado em favor de uma idéia melhor, mas eu considero que existem várias regras não escritas que você não pode violar, e o Batman não pode ser visto fumando. E há questões legais. Eu uma vez desenhei uma capa do Batman que tinha o que parecia ser um membro da Ku Klux Klan montado num cavalo. Tivemos que acrescentar um logo no peito dele para mostrar que ele pertencia a alguma outra organização branca supremacista, pois a Ku Klux Klan tem advogados que poderiam processar!
Em agosto de 2009 vou viajar para uma convenção em Singapura. Para a ocasião, estamos imprimindo um livro contendo alguns dos meus esboços a lápis. Acabou que, infelizmente, vários dos desenhos, incluindo meus esboços favoritos da Tank Girl, não podem ser incluídos devido à postura muito conservadora das autoridades daquele país. Eu acredito que meus livros Bolland Strips! e The Art of Brian Bolland não estarão à venda lá pelo mesmo motivo.

WS: Depois de ter nos dado a versão definitiva do Coringa em A Piada Mortal, nós não vimos muitas outras histórias desenhadas pelo senhor. Quais são as razões para isso?

BB: Bem, após A Piada Mortal, muitos trabalhos me foram oferecidos. Tive que recusar muitos deles, mas as pessoas diziam “se você fizesse ao menos a capa...”. Produzir capas significa que, apenas daquela única vez, eu posso desenhar um monte de personagens que de outra maneira eu não desenharia. No verão de 1988, eu saí no que pensei que seria uma longa viagem pelo Oriente, então eu não estava disponível para compromissos de trabalho de longo prazo. Além disso, tendo trabalhado com o melhor roteirista e tendo me sido dado tanto tempo quanto eu quisesse para desenhar e eu mesmo arte-finalizar [A Piada Mortal], eu não queria dar um passo para trás. Desde Alan, eu não desenhei uma história significativa escrita por outro roteirista. Exceto por MIM. Eu de fato escrevi e desenhei "An Innocent guy" em Batman Black & White, "The Kapas" em Strange Adventures e "The Princess & the Frog" em (como era o nome?) True Romance. Além de Mr. Mamoulian e The Actress & the Bishop. Mas falaremos deles mais tarde.

A seguir: Animal Man, The Invisibles, fantásticas capas, quadrinhos cômicos, mulheres belíssimas e muito mais!

21/07/2009

A brilliant artist from cover to cover: an interview with Brian Bolland, part2.


Part2 of our exclusive interview, and Brian Bolland talks about the comics masterpiece The Killing Joke, how it was to work with Alan Moore on this groundbreaking graphic novel, and also “grim & gritty” comics and editorial censorship.

Wellington Srbek: The original idea for a Batman and Joker special story was yours, and it was also you who suggested the name of Alan Moore as the writer for what came to be The Killing Joke. So, how it was to work with Mr. Moore on this groundbreaking graphic novel?

Brian Bolland: The first half of your question is correct. After Camelot I was in a position to do whatever I wanted for DC. Alan Moore, Kevin O'Neill, Dave Gibbons, Mick McMahon, etc. were all friends from the 2000 AD days. Alan and I had a couple of projects that we nearly worked on together, one of which was a Batman / Judge Dredd book. So I'd already seen parts of a script by him containing Batman. Alan and Dave had just had a big hit with Watchmen. I was fascinated by the Joker. I'd seen the 1920s film The Man Who Laughs from which, they say, Jerry Robinson got the idea. Alan asked me what sort of thing I wanted to draw.
Back in those days (and still today for me, actually) the business of writing comics and drawing comics were completely separate. The writer sat at home writing. The script was sent to the artist who would draw it - and neither would interfere with the other's process. That's the way it was with The Killing Joke. So if you ask "how was it to work with Alan?" my answer is: I asked Alan to write it. He wrote it. I drew it.

WS: The Killing Joke was a Batman comic like no other before. It was the Joker origin story told for the first time. It was realistically violent and insane, and it was in part responsible for the “grim & gritty” trend that dominated super-hero comics in the late 80s early 90s. But despite all the violence and terrible scenes, The Killing Joke has the most beautiful and detailed Batman artwork. What are your feelings about this amazing book?

BB: When the script came it did contain things that I wouldn't have had in it if I'd written it. I personally would never have told a Joker origin for instance. But looking at it later I can now see that the bits I wouldn't have included look pretty iconic today. I sometimes think that us artists from Britain who'd been in 2000 AD brought the "Grim & Gritty" with us when we went to work for DC.

WS: The first Brazilian edition of Camelot 3000 had a Tristan and Isolde scene censored by the editors here. And it seems that the DC editors did something like that to one of The Killing Joke pages, replacing (or asking you to replace) the naked breasts of Barbara Gordon by a close-up of her face. Have you ever had any problems with editorial censorship?

BB: I've never had PROBLEMS with editorial censorship. Somebody at DC must have mentioned that Barbara Gordon scene. I changed the one panel and I thought it improved it. I'm aware of all kinds of things you can't put on a cover. Nudity is out. I once drew a Robin cover that had some Greek statues in the background that I copied from photos. Between them the statues had five visible nipples. All were whited out! I once drew a Batman cover that had Batman smoking a cigar. Well, it was Hugo Strange with beard, dressed as Batman smoking a cigar. I couldn't do it. Maybe they rejected it in favor of another idea but I assume there are various unwritten rules that you can't cross and Batman cannot be seen smoking. And there are legal issues. I once drew a Batman cover that had what appeared to be a member of the Ku Klux Klan sitting on a horse. We had to add a logo on his chest to show that he belonged to some other white supremacist organization because the Ku Klux Klan have lawyers who might sue!
In August 2009 I'm off to a convention in Singapore. For the occasion we're printing a book containing some of my penciled prelim roughs. It turns out, unfortunately, that quite a few of the drawings, including my favorite Tank Girl roughs, can't be included because of the very conservative stance of the authorities in that country. I assume my books Bolland Strips! and The Art of Brian Bolland won't be on sale there for the same reason.

WS: After giving us the definitive Joker in The Killing Joke, we haven’t seen many stories drawn by you. What are the reasons for this?

BB: Well, after The Killing Joke, I had a lot of work offered to me. I had to turn much of it down but people would say "Could you just do the cover." Doing covers meant that, just that one time, I could draw a whole lot of characters that I wouldn't otherwise draw. In summer 1988 I went off on what I thought would be a long trip round the Far East so I wasn't able to commit to long term work. Also, Having worked with the best writer and having been given as much time as I wanted to pencil and ink myself I didn't want to take a backward step. Since Alan I haven't drawn a significant story by any other writer. Except for ME. I did write and draw "An Innocent guy" in Batman Black & White, "The Kapas" in Strange Adventures and "The Princess & the Frog" in (was it called?) True Romance. Also Mr. Mamoulian and The Actress & the Bishop. But more on that later.

Next: Animal Man, The Invisibles, beautiful covers, funny strips, gorgeous women, and a lot more!

19/07/2009

Um artista brilhante de capa a capa: uma entrevista com Brian Bolland, parte1.


Sou capaz de comprar uma revista em quadrinhos simplesmente por ela ter uma capa desenhada por Brian Bolland. Mesmo! Tornei-me um fã desse brilhante artista britânico desde que vi seu trabalho pela primeira vez em A Piada Mortal, a marcante graphic novel do Batman e do Coringa escrita por Alan Moore. Em seguida vieram suas espetaculares capas para a revista Animal Man e outros trabalhos que o colocaram entre meus desenhistas favoritos dos quadrinhos. Nesta entrevista em três partes, Brian Bolland fala de seus primeiros trabalhos, suas histórias com Juiz Dredd, Camelot 3000, seus melhores trabalhos para a DC e muito mais. Espero que gostem!

Wellington Srbek: É realmente uma honra estar falando com o senhor! Vamos começar com uma pergunta biográfica: onde e quando nasceu e como a arte dos quadrinhos entrou em sua vida?

Brian Bolland: Em primeiro lugar, uma divulgaçãozinha do meu livro The Art of Brian Bolland, no qual respondo essa questão da forma mais completa e longa que eu possivelmente consigo. Então, resumindo: nasci em 26 de março de 1951 (no mesmo dia que o estimado desenhista José Luis García-Lopez e do biólogo e ateísta Richard Dawkins). Próximo à cidade inglesa de Boston (a Boston original, diga-se de passagem). Os quadrinhos norte-americanos começaram a ser importados para a Grã-Bretanha em 1959. Comecei a me interessar por eles em 1960-61, quando eu tinha dez anos. Comecei a desenhar minhas próprias versões amadorescas deles, mais ou menos na mesma época.

WS: O senhor tem uma formação em Artes e design gráfico, mas suas páginas e capas de quadrinhos mostram um profundo conhecimento e um verdadeiro amor por esta forma de arte. Que artistas de quadrinhos mais influenciaram sua visão e seu estilo?

BB: Eu passei cinco anos em diversas escolas de arte. Os quadrinhos não tinham ainda penetrado no ambiente das escolas de arte. Eu passei aquele tempo estudando toda a arte moderna e contemporânea. Parte dela eu gostava. Parte dela eu não gostava. Nunca fui muito bom com os Impressionistas. Quando ainda estava na escola de arte, eu gostava de Salvador Dali e René Magritte. Eu era impressionado com Ingres.

WS: Tenho dois ou três exemplares da reedição norte-americana da série Powerman que o senhor, Dave Gibbons e outros quadrinistas produziram para o mercado nigeriano. Acredito que esse foi seu primeiro trabalho pago com quadrinhos e também uma oportunidade para aprender o ofício de desenhista, certo?

BB: Está correto!

WS: Então vieram as histórias com o Juiz Dredd e as capas para a 2000 AD, que fizeram as pessoas realmente prestarem atenção em Brian Bolland. Como conseguiu esse trabalho e como era trabalhar na 2000 AD?

BB: Lá atrás, na segunda metade dos anos 60, havia os fanzines de quadrinhos. Pessoas como Dave Gibbons e meu amigo de perto de onde eu morava, Dave Harwood, eram atuantes neles. Em 1972, alguns de nós nos reunimos numa convenção de quadrinhos no Waverley Hotel em Londres. Em 1977, um dos meus amigos dos tempos de fanzinagem, Nick Landau, estava trabalhando como editor na 2000 AD e me pediu que desenhasse uma história do Juiz Dredd, substituindo um desenhista que tinha dado o fora. Eu tinha o mesmo agente que o Dave Gibbons (que foi quem nos conseguiu o trabalho em Powerman). Ele já tinha me conseguido trabalho em capas para a 2000 AD. Eu amava trabalhar na 2000 AD. Todas as pessoas envolvidas estavam entusiasmadas com esse novo personagem de sucesso. As histórias eram ótimas, e engraçadas. Nós estávamos impressionados com o trabalho de Mick McMahon. Infelizmente, a empresa que era a dona da 2000 AD não estava tratando muito bem os artistas freelance.

WS: Creio que o senhor foi o primeiro artista a trabalhar para o mercado norte-americano no que se costumou chamar de “a invasão britânica”. Por favor, conte a seus fãs brasileiros como isso aconteceu.

BB: Outro de meus amigos do universo dos fanzines era Richard Burton (não o ator!). Ele conhecia Paul Levitts, um outro ex-fanzineiro, de Nova York. Paul costumava publicar o The Comic Reader. Agora ele é uma figura importante na DC. Em 1979, Richard ouviu de Paul que o desenhista norte-americano Joe Staton iria a Londres para uma convenção e precisaria de uma mesa para trabalhar enquanto estivesse aqui. Ele desenhava a Green Lantern naquele tempo. Joe e sua esposa Hilarie vieram ficar conosco e eu assistia enquanto ele trabalhava na mesa de desenho de minha esposa, que ela não estava usando na época. Quando Joe soube que eu era um fã do Lanterna Verde desde que tinha dez anos, ele telefonou para seu editor, Jack C. Harris, e disse que estava no apartamento desse artista inglês e o que Jack achava de me deixar desenhar a capa daquela edição. Foi uma decisão arriscada da parte do Jack. Ele provavelmente havia visto meu trabalho em Juiz Dredd, que tinha sido visto apenas por uns poucos entusiastas nos Estados Unidos. Naquele tempo, antes das máquinas de fax ou dos e-mails ou dos computadores, parecia difícil trabalhar para o outro lado do Oceano Atlântico, então levou alguns anos até que resolvêssemos a logística da coisa.

WS: Camelot 3000 foi seu primeiro trabalho mais expressivo para a DC, e é também sua obra mais extensa. O que o senhor pode nos dizer sobre esta série em doze edições (agora graphic novel)?

BB: Bem, trabalho constante não veio da DC para mim logo de cara. Levou um tempo para eles descobrirem o que fazer comigo. Então o editor Len Wein e o roteirista Mike Barr tiveram a idéia para Camelot 3000. Fui escolhido para desenhá-la. Fui mandado numa viagem promocional para a San Diego Comic Convention e outros lugares. Eu nunca tinha sido tratado tão bem antes. Acho que aquela foi a primeira “maxissérie” impressa no padrão prestige, em papel de melhor qualidade que a usual.

A seguir: A Piada Mortal!

17/07/2009

A brilliant artist from cover to cover: an interview with Brian Bolland, part1.


I will buy a comic book just because it has a Brian Bolland’s cover. Really! (I’ve just done that with this new Animal Man series.) Since I first saw his work on The Killing Joke I’ve become a fan. After that came his amazing covers to Animal Man and other works that assured him a place in my personal comic book Olympus. In this 3-part interview, Mr. Bolland talks about his early works, the Judge Dredd stories, Camelot 3000, his fantastic covers for DC and more. Enjoy!

Wellington Srbek: It’s a real honor to be talking to you, Mr. Bolland. Let’s begin with a biographical question: where and when you were born, and how the art of comics entered your life?

Brian Bolland: First of all a plug for my book The Art of Brian Bolland in which I've answered that question in about as thorough and lengthy a way as I possibly could. So, to summarize: Born March 26th 1951. I have the same birthday as esteemed artist José Luis García-Lopez and biologist and atheist Professor Richard Dawkins. Near the English town of Boston. That's the original Boston by the way. American comics started being imported into Britain in 1959. I first took an interest in them in 1960/61 when I was 10. I started drawing my own childish versions of these round about that time.

WS: You have a background in Arts and graphic design, but at the same time your comic book pages and covers display a profound understand and a true love for this art form. Which comic book artists most influenced your view and your style?

BB: I spent 5 years in various art schools. Comics hadn't penetrated into the art school world. I spent that time studying the whole of modern and contemporary art. Some of it I liked. Some of it I didn't. I was never very keen on the Impressionists. I liked Salvador Dali and René Magritte while still at school. I was impressed by Ingres.

WS: I’ve got here a couple of American reprints of the Powerman strip you, Dave Gibbons and others produced for the Nigerian market. I believe that that was your first paid job with comics and also an opportunity to learn the craft, is that right?

BB: That's correct!

WS: Then came the Judge Dredd stories and the covers to 2000 AD, which made people really pay attention to your work. How did you get the job, and how it was to work on 2000 AD?

BB: Way back in the second half of the 1960s there were comics fanzines. People like Dave Gibbons and my friend from near where I lived, Dave Harwood, were active in all that. In 1972 quite a few of us met up at a comic convention in the Waverley Hotel in London. In 1977 one of my friends from fandom, Nick Landau, was working as the editor on 2000 AD and he asked me to draw a Judge Dredd story to replace an artist who had dropped out. I had the same artists' agent as Dave Gibbons - the one who got Dave and me the job on Powerman. He had already fixed me up with cover work on 2000 AD. I loved working on 2000 AD. All the people involved were enthusiastic about this new hit character. The stories were great - and funny. We were very impressed by Mick McMahon's work. Unfortunately the company who owned 2000 AD wasn't treating its freelance artists very well.

WS: I believe that you were the first British artist to work for the American market in what is usually called “the British invasion”. Please tell your Brazilian fans how that came to be.

BB: Another of my friends from the fanzine world was Richard Burton. (Not the actor!) He knew Paul Levitts, another ex-fanzine person from New York. Paul used to put out The Comic Reader. Now he was something important at DC Comics. In 1979 Richard heard from Paul that US artist Joe Staton would be staying in London for a convention but would need a table to work on while he was here. He was drawing Green Lantern at the time. Joe and his wife Hilarie turned up and I watched him draw on my wife's drawing table which she wasn't using at the time. When Joe heard I'd been a Green Lantern fan since I was 10 he phoned up Jack C. Harris, his editor, and said he was in the flat of this English artist and how about letting him draw the cover on the current issue. It was a risky move on Jack's part. He probably saw my work on Judge Dredd which had only been seen by a few enthusiasts in the US. At the time, before fax machines or e-mail or computers, it seemed difficult to work across the Atlantic Ocean so it was a few years before we worked out the logistics of things.

WS: Camelot 3000 was your first major work for DC, and it is also your biggest work in terms of length. What can you tell us about this 12-part series / graphic novel?

BB: Well, regular work didn't come for me from DC right away. It took them a little while to work out what to do with me. Then editor Len Wein and Writer Mike Barr pitched the idea of Camelot 3000. I was chosen to draw it. I was whisked off on the publicity bandwagon to the San Diego Comic Convention and places. I'd never been treated so well before. It was American comics' first prestige "maxi-series" printed on better than usual paper I think.

Next: The Killing Joke!

12/06/2009

O novo velho Homem Animal.


Pelos motivos apontados na postagem anterior, o Homem Animal tornou-se um personagem relevante para os quadrinhos de super-heróis e bastante querido pelos leitores. Após o fim da fase de Grant Morrison, as histórias do herói ficaram a cargo dos roteiristas Peter Milligan, Tom Veitch e Jamie Delano (com o qual a série passou a fazer parte do selo Vertigo). Apesar de alguns bons roteiros, ao assumir um tom mais sombrio a série acabou sendo cancelada. E pensando bem, embora as três coletâneas que reúnem a fase escrita por Morrison tenham sido incorporadas ao selo Vertigo, a estética e a temática dessas HQs têm mais a ver com as revistas regulares do “Universo DC”.

Tanto é que, nos últimos anos (em parte graças ao próprio Grant Morrison), o Homem Animal voltou a ser visto na companhia de outros super-heróis DC, tendo papel de destaque na série 52. Mais uma vez resgatado do “Limbo dos Quadrinhos”, o herói acaba de ganhar uma minissérie na qual deveremos ver seus “últimos dias”. Escrita por Gerry Conway, desenhada por Chris Batista e trazendo capas ilustradas por Brian Bolland, The Last Days of Animal Man se passa num futuro próximo e mostra um Buddy Baker quarentão, às voltas com problemas no casamento e com a perda de seus superpoderes.

Tendo sido anunciada com algum destaque pela editora, em seu primeiro número a minissérie não vai muito além de uma HQ de super-heróis regular. A história se passa na cidade de San Diego, que começa a se recuperar da devastação causada por uma tempestade. O clima festivo é logo interrompido pelo ataque do vilão Bloodrage que, por sua vez, é interrompido pela atuação do herói local, o Homem Animal. Então, no meio da luta, Buddy Baker toma consciência de que seus poderes estão lhe faltando (para quem quiser conferir, essa sequência inicial pode ser conferida na prévia disponibilizada pela DC).

Recuperando-se a tempo, o Homem Animal consegue suplantar a ameaça. Seus problemas, no entanto, estão apenas começando. A HQ assume então um caráter mais cotidiano, com discussões conjugais e questões de trabalho. Ao fim, uma nova luta nos lembra que estamos lendo uma revista de super-heróis. No geral, os desenhos seguem um padrão mais técnico do que expressivo, alcançando um resultado apenas regular. Aliás, algo que também não foge à regra é o espaço ocupado pela publicidade: são catorze páginas de anúncios para uma revista com vinte e duas páginas de quadrinhos!

O que realmente se sobressai nesta primeira edição de The Last Days of Animal Man é a interessantíssima capa ilustrada por Brian Bolland. A imagem é uma citação à capa da revista Animal Man n°1, produzida há vinte e um anos pelo próprio Bolland. Ao mostrar o herói e os bichos na mesma posição da capa original, mas substituindo-os por seus esqueletos, a nova imagem sugere criativamente o subtexto apocalíptico da minissérie (uma sugestão: clique nas imagens dessas duas postagens, salve-as em seu computador e veja-as em sequência; o resultado “antes e depois” é bem bacana!).

Como não faz parte da cronologia regular da DC (por se passar num futuro próximo), The Last Days of Animal Man pode ser publicada em breve pela Panini. Mas, para alguém que se acostumou a ver o Homem Animal em histórias inteligentes e até bem-humoradas, esta nova minissérie ainda precisa provar a que veio. Por enquanto, ficamos pelo menos com as novas belas capas de Brian Bolland.

10/06/2009

O saudoso Homem Animal de Grant Morrison.


O Homem Animal costumava ser um super-herói de terceiro escalão, sem grande importância ou popularidade. Mas, em meados de 1988, isso mudou completamente! Com o enorme sucesso e a ótima repercussão das histórias do Monstro do Pântano escritas por Alan Moore, a DC Comics saiu literalmente à caça de novos roteiristas britânicos que repetissem o feito. Assim, o que ficou conhecido como “a invasão britânica” incluiu nomes como Jamie Delano, Neil Gaiman e, é claro, Grant Morrison, o principal responsável por resgatar o Homem Animal do “Limbo dos Quadrinhos”.

O controvertido roteirista escocês pretendia apresentar à DC apenas a proposta de uma graphic novel do Batman (que se tornaria Asilo Arkham), mas os editores queriam algo mais. Assim, no trem para Londres, Morrison elaborou a proposta para uma minissérie com o esquecido super-herói de estranhos poderes animais. O projeto foi aceito e Morrison elaborou sua minissérie nos moldes do trabalho de Alan Moore para a revista Swamp Thing. Os editores gostaram tanto do trabalho, que propuseram a ele que transformasse o projeto da minissérie numa revista mensal.

Morrison teria então entrado em pânico, pois não fazia idéia do que fazer numa série mensal e não desejava continuar imitando o estilo de Moore. A resposta encontrada foi “O Evangelho do Coiote”, uma das mais inspiradas HQs de super-heróis já produzidas. Lançada na revista Animal Man n°5, a história mostra o encontro do personagem-título com um similar do coiote dos desenhos animados da Warner, numa narrativa repleta de metalinguagem e elementos da simbologia cristã. Marcante e inovadora, aquela edição estabeleceu a temática e o tom das vinte e uma edições seguintes e da Secret Origin do personagem.

Ao longo da série, Morrison resgatou personagens esquecidos, desenvolveu o tema dos direitos dos animais e mergulhou na metalinguagem. O resultado foram HQs inteligentes, conscientes e inovadoras. Quadrinhos de super-heróis nos quais o próprio gênero super-herói se torna um tema em discussão. Uma narrativa “metaficcional” na qual o protagonista se volta para o leitor e diz: “Eu posso ver você!”. Não faltando ainda um ato final no qual criador e criatura, Homem Animal e Grant Morrison, encontram-se para debater o sentido da vida. Em resumo, um trabalho realmente imperdível!

Os desenhos da série, quase sempre produzidos por Chas Truog e Doug Hazlewood, não eram os melhores do mundo, mas davam conta do recado (combinando inclusive com a estética da “Era de Prata” que a revista valorizava). Além disso, em se tratando do visual, Animal Man tinha um trunfo imbatível: as fantásticas capas produzidas por Brian Bolland (que podem ser conferidas em sequência no saite Cover Browser). Interpretando ou sintetizando os temas de cada edição, alguns dos trabalhos do ilustrador inglês são bastante engenhosos e realmente memoráveis. Bolland é também o capista da recém-lançada Last Days of Animal Man (assunto da próxima postagem).

Por seu caráter original e inovador, as vinte e sete histórias do Homem Animal produzidas por Grant Morrison & Cia. entraram para a história dos quadrinhos norte-americanos. Publicada há mais de vinte anos, esta série é prova de que com talento e inteligência até mesmo o mais idiota dos super-heróis pode se tornar um personagem interessante e relevante. Afinal, ao lado de Swamp Thing, Hellblazer e Sandman, a revista Animal Man foi uma das bases para a criação do selo Vertigo. Publicada no Brasil pelas editoras Abril e Brainstore, essa saudosa série merece uma reedição à altura!

27/02/2009

O estranho mundo de Grant.


Histórias inusitadas e absurdas, estreladas por personagens estranhos e bizarros foi a receita que levou o escocês Grant Morrison ao estrelato dos quadrinhos na segunda metade dos anos 80. Em seus principais trabalhos dessa fase, elementos incomuns e até metalinguísticos surgem a todo momento, questionando as barreiras entre a ilusão de realidade (que se tem durante a leitura de uma HQ) e a consciência de que o que se lê não passa de uma obra ficção. Somadas a isso, diversas referências artísticas e discussões de natureza metafísica fizeram das séries Zenith, Homem Animal e Patrulha do Destino obras revolucionárias dos quadrinhos de super-heróis. Mas a semente da revolução, na verdade, foi plantada no início da década de 1980, por outro renomado roteirista britânico.

Escrita pelo inglês Alan Moore e lançada em 1982 nas páginas da revista Warrior, a série Marvelman (Miracleman) foi a primeira recriação racionalista de um super-herói clássico. A qualidade e a repercussão desse trabalho acabaram influenciando outros autores britânicos e norte-americanos, o que originou todo um novo estilo de se escrever quadrinhos de super-heróis. À brilhante recriação de Marvelman feita por Moore, seguiriam-se outras ao longo dos anos 80 e especialmente após Crise nas Infinitas Terras (“maxissérie” cujo objetivo foi botar ordem na cronologia da DC Comics). Tendo estabelecido um novo marco zero para seus personagens, a editora norte-americana contratou quadrinistas de destaque para recriar seus principais heróis. Com o sucesso de Alan Moore (novamente ele!) à frente da revista do Monstro do Pântano, a editora enviou emissários à Grã-Bretanha, literalmente à caça de novos talentos (o que geraria a chamada “invasão britânica” da segunda metade dos anos 80).

Ao lado de nomes como Neil Gaiman e Jamie Delano, Grant Morrison foi um dos escolhidos pela DC para escrever a reformulação de um de seus personagens. Morrison havia começado sua carreira no final dos anos 70, publicando séries e HQs curtas em revistas alternativas. Seu primeiro trabalho de destaque poderia ter sido The Liberators para a Warrior, mas a revista do editor Dez Skinn foi cancelada em 1985, na edição de estréia do roteirista escocês. No ano seguinte, Morrison conseguiu seus primeiros trabalhos curtos para a Doctor Who e a 2000 AD. Nas páginas desta última, ele lançaria em 1987 Zenith, uma série diretamente influenciada pelo racionalismo do Marvelman de Alan Moore (sim, mais uma vez ele!) e que trazia elementos absolutamente similares, tais como super-heróis tratados como "mostros" ou "tigres", criados por um vilão cientista com a participação de entidades alienígenas.

Contudo, em seu primeiro trabalho com super-heróis, Morrison já mostrava os traços de sua personalidade. Um cantor de rock com superpoderes, Zenith se revela um anti-herói egoísta e desinteressado em qualquer questão mais nobre ou grandiosa do que alcançar o estrelato. Uma visão cínica e absolutamente contemporânea dos super-heróis, o personagem serve na verdade de pretexto para Morrison apresentar uma história que lida com temas como a relação entre caos e ordem, ou o questionamento do que é a realidade. Tais temas tornariam-se recorrentes no trabalho do roteirista, que então mostrava alienígenas inspirados nos textos de H. P. Lovecraft para propor uma discussão metafísica sobre os fundamentos do universo em que vivemos. Tendo uma boa repercussão, a primeira das quatro “Fases” de Zenith (todas lançadas no Brasil pela Pandora) abriria para Morrison as portas do mercado norte-americano, no qual ele estrearia em 1988 com a série Homem Animal.

Como o próprio Morrison admitiu, nas quatro primeiras histórias de seu Homem Animal (publicado no Brasil a partir de 1990 na revista DC 2000), ele estava inegavelmente imitando Alan Moore (eh, de novo!). Mas, como os editores da DC haviam gostado de seu trabalho e pedido para expandir a série, ele se encontrou diante de um dilema, pois não queria e não se sentia confortável em continuar sendo um clone de outro autor, ao mesmo tempo em que não tinha idéia de o que fazer numa revista mensal. A resposta e a solução vieram com “O Evangelho do Coiote”, uma das mais inspiradas e originais HQs de super-heróis já escritas e sem dúvida um dos melhores e mais importantes trabalhos de Morrison. Lançada na quinta edição da Animal Man, a história mostra o encontro do personagem-título com um similar do coiote dos desenhos animados da Warner, numa narrativa repleta de metalinguagem e elementos da simbologia cristã (um belo resumo disso é a fantástica capa desenhada por Brian Bolland, que ilustra esta postagem).

Tornando mais difusas as barreiras entre realidade e ficção, “O Evangelho do Coiote” traçou o rumo que a série tomaria, que incluía a tentativa de resgate do clima mais leve e humorado das revistas da DC dos anos 60. Afinal, a partir da publicação de O Cavaleiro das Trevas e Watchmen em 1986, grande parte dos roteiristas de quadrinhos tentou imprimir um maior realismo aos super-heróis, levando os dilemas, as contradições e a violência do mundo real para as HQs. Esta tendência não agradava a Morrison, que respondeu através de uma inteligente tensão entre mundo real e mundo ficcional. Mesmo que o roteirista jamais tenha lido Isto não é um cachimbo de Michel Foucault, a influência de um pensamento pós-estruturalista é evidente nas histórias do Homem Animal. Nelas, Morrison mostra a tradicional busca do personagem pela compreensão de seus poderes (a capacidade de assumir as habilidades de qualquer animal), além de engajá-lo na luta pelos direitos dos animais (o próprio autor era vegetariano na época). Mas a verdadeira razão de ser da série é a construção de uma grande narrativa metaficcional.

Depois de se encontrar com o coiote Astuto, de se envolver em discussões sobre “a continuidade” com personagens saídos do "Limbo dos Quadrinhos", de ultrapassar os limites da página e de se dirigir ao leitor e dizer: “Eu posso ver você!”, o Homem Animal acaba encontrando-se com o “Criador” (de suas histórias). Ao longo da série, o encontro criador / criatura foi sendo preparado por Morrison, e o resultado é um sincero diálogo a respeito do sentido da vida. Embora a metalinguagem já não fosse então uma novidade nos quadrinhos, a série escrita por Morrison foi a primeira a levar às últimas consequências a situação de um super-herói ter “consciência” de que não passa de um personagem criado para entreter um público com um sádico desejo por violência (que somos nós, leitores). Sem dúvida, Homem Animal é uma obra inovadora e inspirada, que não perdeu sua força passados vinte anos, merecendo ser lida e relida.

Antes mesmo de concluir seu trabalho com o Homem Animal, Morrison recebeu da DC o convite para assumir a revista Doom Patrol (a Patrulha do Destino, que teve as primeiras HQs dessa fase lançadas no Brasil pela Metal Pesado, nos anos 90). O resultado foi uma das mais estranhas, originais e absurdas séries já publicadas no mercado norte-americano, algo mais próximo do nonsense de Alice no País das Maravilhas do que do clima de ação dos quadrinhos de super-heróis. Um cérebro numa caixa de metal que discute filosofia cartesiana com um gorila falante; um halterofilista usando uma tanguinha de leopardo que ao flexionar seus músculos é capaz de mudar o mundo ao redor por telepatia; uma garota-macaco que além de ser atormentada pelos dilemas da puberdade é assombrada pelos fantasmas psíquicos que cria; vilões que formam grupos chamados a “Irmandade do Dada” ou o “Culto do Livro Não-Escrito”; uma história chamada ”A Pintura que comeu Paris”: estes são apenas alguns exemplos das “esquisitices” de Morrison, que parece não levar nada a sério. Mas isso é o que ele quer que nós pensemos!

Através de uma atmosfera surrealista, em seus roteiros Morrison discute princípios religiosos, a falência da razão, a linguagem das artes-plásticas, a autonomia das realidades discursivas, além de criticar a censura e tratar de temas-tabu como a violência sexual contra a mulher. Sem dúvida um trabalho riquíssimo e original, por vezes um pouco hermético, mas sempre honesto com sua proposta de pôr em questão a relação entre realidade e ficção, o conflito entre ordem e caos (que parecem reflexos da própria vida do autor na época). Os temas de seus trabalhos iniciais para a DC voltaram a ser vistos em trabalhos menos extensos como as graphic novels Asilo Arkham e Mystery Play, os especiais Batman: Gothic e Sebastian O e as minisséries Kid Eternity e Flex Mentalo. O trabalho de Morrison em Homem Animal e Patrulha do Destino seria um dos fundamentos do selo Vertigo, para o qual ele escreveria as séries The Invisibles e The Filth.

Um mago praticante, Grant Morrison tornou-se um dos grandes nomes dos quadrinhos norte-americanos, tendo em seu currículo fases bem-sucedidas à frente dos dois principais grupos de super-heróis: a Liga da Justiça da DC e os X-Men da Marvel. Com um trabalho tão provocativo, não faltaram é claro algumas polêmicas ao longo dos anos, incluindo ofensas trocadas com Alan Moore (envolvendo de um lado Watchmen e do outro Asilo Arkham). O fato, porém, é que as carreiras destes dois brilhantes magos-escritores estarão sempre ligadas, pelas reações que o trabalho de um gerou no do outro, bem como pelos vários paralelismos que podemos traçar (por exemplo entre a Linha ABC e os Sete Soldados ou entre Supermo e All Star Superman). Mas se ambos contribuíram fundamentalmente para os quadrinhos e a cultura Ocidental é porque, mesmo trilhando caminhos paralelos, cada um buscou sua própria história. E se Moore "se aposentou" dos quadrinhos das grandes editoras, por sua vez Morrison assumiu o papel de principal roteirista, desenvolvendo maxisséries como 52 e séries especiais para medalhões como Super-Homem e Batman.

Nos dois casos, no entanto, a contribuição mais decisiva e os trabalhos mais revolucionários foram as séries produzidas nos anos 80. Num momento em que Alan Moore lançou a recriação racionalista dos super-heróis, levada às últimas consequências por Grant Morrison, e que os quadrinhos "realistas" e violentos nascidos das obras do roteirista inglês foram criticados criativamente pelas obras de seu colega escocês. No fim, com toda a vaidade pessoal e a rivalidade criativa, quem saiu ganhando foi o leitor, que pôde acompanhar alguns dos melhores quadrinhos produzidos nas últimas décadas!

01/12/2008

A arte da coerência: uma entrevista com Dave Gibbons, parte1.


Dave Gibbons é um dos mais importantes autores britânicos de quadrinhos. Entre diversos trabalhos, ele foi o desenhista de Watchmen, a série em doze partes escrita por Alan Moore, que muitos consideram a melhor graphic novel já criada. Nesta entrevista exclusiva em três partes, feita por e-mail e MP3, Dave Gibbons fala de antigos trabalhos, da criação da obra-prima Watchmen, do que ele pensa sobre a adaptação para o cinema que estréia em março de 2009, de seu novo livro, projetos futuros e muito mais.

Wellington Srbek: É uma honra estar conversando com o senhor.

Dave Gibbons: Obrigado! Uma honra estar conversando com você.

WS: Por favor, diga a seus fãs brasileiros onde e quando o senhor nasceu e como os quadrinhos entraram em sua vida?

DG: Ahn... Eu nasci em Londres. Eu nasci em 1949, muito, muito tempo atrás (mais tempo do que eu realmente gostaria de pensar). E como os quadrinhos entraram em minha vida? Bem, eu acho que quando pequeno eu costumava ganhar quadrinhos infantis, você sabe, animais familiares, coelhos, ursos, e esse tipo de coisa. E eu também ganhava uma revista em quadrinhos britânica chamada The Beano, ainda publicada até hoje, que tem sido publicada desde os anos 30 (é a revista na qual todos os britânicos pensam quando ouvem a palavra “quadrinhos”). Ahn... Eu também tenho a clara lembrança de, por volta dos sete anos, ter ganhado do meu avô minha primeira revista do Super-Homem... ahn... e eu acho que daquele minuto em diante os quadrinhos me conquistaram.

WS: O senhor começou sua carreira trabalhando em séries de terror e ação, mas foi nas revistas de ficção científica 2000 AD e Doctor Who que pôde desenvolver seu trabalho. Os primeiros quadrinhos norte-americanos que o senhor desenhou (as histórias de Green Lantern Corps) também tinham a ver com a FC. Enfim, o senhor tem uma predileção por aquele gênero em específico?

DG: Bem, eu tenho. Eu venho sendo um leitor de ficção científica a maior parte de minha vida. Não tenho lido muita ficção científica nos últimos tempos (eu acho que há um limite para quantas vezes você pode ler as palavras “hiperpropulsão” e “teletransporte”). Eu passei a ler [histórias de] crime, [obras de] não-ficção e tudo mais. Eu ainda tenho amor pela ficção científica, e acho que ela funciona particularmente bem nos quadrinhos. Você pode fazer qualquer coisa nos quadrinhos, então porque fazer algo que seja completamente cotidiano? É importante ser capaz de desenhar coisas de forma que pareçam críveis. Então, desenvolver-se no cotidiano é na verdade algo muito bom. Ah... Mas eu penso que quando você quer explorar as possibilidades da linguagem um pouco mais, você quase inevitavelmente direciona-se para coisas que vão além da vida comum. E a ficção científica, você sabe, é certamente algo assim.

WS: O senhor se tornou internacionalmente famoso trabalhando em quadrinhos de super-heróis norte-americanos, mas já tinha trabalhado previamente numa série africana de super-heróis: Powerman. Era uma espécie de Super-Homem negro publicado na Nigéria, certo? Dê-nos uma idéia do quê era esta série.

DG: Eu trabalhava através de um agenciador de artistas em Londres. Ele foi contatado por uma agência de publicidade da Nigéria, com a idéia de produzir alguns quadrinhos para o mercado nigeriano. Na época, a maioria das reedições nigerianas dos quadrinhos norte-americanos e britânicos traziam, você sabe, pessoas brancas e loiras, e eles [da agência de publicidade] pensaram que seria uma boa idéia (eu imagino que do ponto de vista mercadológico e publicitário era mesmo uma boa idéia) dar às pessoas negras seus próprios heróis. Nós ficamos admirados de que não tivesse gente na Nigéria que pudesse desenhar e escrever os quadrinhos, mas eles disseram que, você sabe, possivelmente nós começaríamos o trabalho e depois, você sabe, criadores locais assumiriam. Ahn... Bom, havia um par de revistas: uma chamada Powerman, uma chamada Pop. Powerman trazia Powerman, e também um xerife, um xerife negro, um escravo liberto no Velho Oeste, e uma história sobre uma invasão alienígena na qual os alienígenas invadiam a África, em vez de a América do Norte. Havia uma outra [revista] chamada Pop, que trazia uma enfermeira negra e um par de outras idéias das quais eu realmente não consigo me lembrar. Elas eram escritas por roteiristas britânicos e desenhadas por mim, Brian Bolland, Carlos Ezquerra (que depois veio a desenhar Judge Dredd) e eram revistas quinzenais, em P&B com uma cor adicionada (vermelho). Brian Bolland e eu nos alternávamos nas edições, comigo de vez em quando ajudando Brian quando ele estava atrasado no prazo de entrega. Elas foram posteriormente impressas na África do Sul, com o fato bem infeliz de que lá parecia haver “quadrinhos de Apartheid”, você sabe, os brancos tinham os quadrinhos deles e os negros tinham os quadrinhos deles. Mas essa nunca foi a intenção com o trabalho original, e parecia que qualquer pessoa branca que nós tínhamos desenhado era um malvado loiro ariano do pós-guerra feito de encomenda, que o Powerman despachava no ato.

WS: O senhor fez parte da “invasão britânica” que mudou os quadrinhos norte-americanos nos anos 80, seguindo o sucesso de Alan Moore na revista do Monstro do Pântano. Naquele momento, o senhor sentia que estavam fazendo uma revolução nos quadrinhos norte-americanos, e produzindo trabalhos que se tornariam clássicos?

DG: Eu suponho que houve algo como uma invasão britânica, que começou na verdade com Barry [Windsor-]Smith no início dos anos 70. Ele foi o primeiro cara britânico que eu tenho notícia de ter trabalhado para os quadrinhos norte-americanos. Depois do Barry Smith, eu acho que Brian Bolland foi o próximo britânico a publicar [nos quadrinhos norte-americanos], ele fez algumas capas para a Green Lantern no final dos anos 70. Ahn... Na verdade, eu comecei a trabalhar para a DC antes do Alan, e estávamos tentando fazer as coisas seguirem para a DC, quando eu recebi um telefonema uma noite ...ahn... do Len Wein, perguntando se eu tinha o número do Alan Moore, porque achava que ele poderia, você sabe, fazer uma boa tentativa de escrever a revista do Monstro do Pântano, e como todos sabemos Alan não fez uma “boa tentativa”, ele revolucionou completamente o personagem, a ponto de realmente produzir um clássico. Ahn... Eu suponho que, você sabe, fosse uma ambição para nós britânicos, que crescemos lendo quadrinhos norte-americanos, um dia trabalhar nos quadrinhos norte-americanos, e dado que o mercado deles era muito melhor (eles pagavam mais, devolviam todo o trabalho, até mesmo davam as pranchas para desenharmos), não é de se admirar que tenhamos ficado muito felizes em trabalhar para eles. E eu acho que, você sabe, nós entendíamos os personagens deles bem o bastante para desenhá-los num estilo similar, embora tivéssemos uma levemente diferenciada... ah... visão britânica deles. E a postura britânica é meio que sempre ser levemente desconfiado de pessoas que sejam superiores, e talvez tenhamos trazido um pouco disso para os super-heróis. Contudo, deve ser dito que se não amássemos realmente os personagens, eu não acho que poderíamos ter feito o que fizemos com eles.

A seguir: Watchmen!

27/11/2008

The art of coherence: an interview with Dave Gibbons, part1.


Dave Gibbons is one of the most important British comic book authors of all time. Among various works, he was the artist of Watchmen, the 12-part series written by Alan Moore, which many readers consider the best graphic novel ever created. In this 3-part exclusive interview done by e-mail and MP3, Mr. Gibbons talks about some of his early works, the creation of the masterpiece Watchmen, what he thinks of the movie adaptation, his new book, future projects and more.

Wellington Srbek: It is an honor to be talking to you, Mr. Gibbons.

Dave Gibbons: Thank you! Honor to be talking to you.

WS: Please tell your fans when and where you were born, and how comics entered your life?

DG: Ahn… I was born in London. I was born in 1949, long, long time ago now -- longer than I really like to think about. And how comics entered my life? Well, I guess as a little kid I used to get kind of nursery comics, you know, familiar animals, and rabbits, and bears, and all that kind of stuff. And I also got a British comic called The Beano which is still go in need today, it’s been on since the 1930s -- is the one comic that all British people think about if you say the word “comics”. Ahn… I also got a very clear memory been about seven years old and been bought my first Superman comics by my granddad… ahn… and I think from the minute I saw that I was lost to comics.

WS: You began your carrier working on horror and action strips, but it was on the science-fiction magazines 2000 AD and Doctor Who that you could develop your artwork. The first American comics you drew -- the Green Lantern Corps stories -- also had something to do with SF. So, do you have a special fondness for that specific genre?

DG: Well, I do. I’ve always been the science-fiction reader most of my life. I’ve not read lots of science-fiction lately -- I think you can only read the words hyperdrive or teleportation so many times. I moved on to crime and non-fiction, and everything. I still have got love for science-fiction, and I think with comics it works particularly well. You can do anything in the comics, so why do something that is complete everyday? It’s important to be able to draw things so they look believable. So to be browned in during the everyday actually is a really good thing. Ah… But I think when you wanna to explore the possibilities of the medium a bit more, you almost inevitably journey towards things which are larger than life. And science-fiction, you know, is certainly that.

WS: You’ve become internationally famous working on American superhero comics, but you had previously worked on an African superhero strip: Powerman. It was kind of a black Superman, published in Nigeria, right? Give us an idea of what that strip was.

DG: I used to work through an art agent in London. He was approached by a Nigerian advertising agency, with the idea of producing some comics for the Nigerian market. Up to then, Nigeria tads of British and American comics most of which featured, you know, blonde white people, and they just thought it was a good idea -- I imagine from the merchandising and advertising point of view it was really a good idea -- to give black people their own heroes. We were amazed that they didn’t have people in Nigeria who could draw and write comics, but they said, you know, possibly for we took the lead and eventually, you know, indigenous creators would take over. Ahn… So, there were a couple of comics: one called Powerman, one called Pop. Powerman featured Powerman, and also a sheriff, a black sheriff, a fried slave in the Wild West, and an alien invasion story where the aliens invaded Africa, rather than North-America. There was another one called Pop, which was featured a black nurse, and a couple of other ideas which a really can’t remember that. They were written by standard British comic writers and drawn by myself, Brian Bolland, Carlos Ezquerra -- who went on to draw Judge Dredd -- and it was a biweekly comic, black and white with one color added -- red. Brian Bolland and I did alternate issues with I once in a while had to help Brian out when he fell behind deadline. They were latterly printed in South-Africa with the rather unfortunate fact that there appear to be “Apartheid comics", you know, white people had their comics, and black people had their comics. But that was never the idea with the originals, and it felt that any white person that we ever featured was an awful Arian blonde property developed crew post-Blitzer who Powerman dispatched in short order.

WS: You were part of the “British invasion” that changed American comics in the 80s, following Alan Moore’s work on Swamp Thing. At that moment, did you feel that you were bringing a revolution to American comics, and producing works that would become classics?

DG: I suppose there was a kind of British invasion, it really started with Barry Smith back in the early 70s. He was the first British guy that I’m aware of to have worked for American comics. From Barry Smith I think Brian Bolland was the next Briti to be published, he did some Green Lantern covers back in the late 70s. Ahn… I actually started to work with DC before Alan, and we were trying to get things going for DC when I was phoned up one night… ahn… by Len Wein, he asked me if I had Alan Moore’s phone number, because he thought he could, you know, make a good attempt writing Swamp Thing, and as we all know Alan made not a “good attempt”, he completely revolutionize it until indeed come up with a classic. Ahn… I suppose, you know, it was an ambition of us Britis who have grown up reading American comics to one day work in American comics, and giving that that business were much better -- they paid more, they gave all the work back, they even gave the board to draw on -- it wasn’t surprising that we were very happy to be working for them. And I think, you know, we understood their characters well enough that we could draw in a similar style, but we have a slightly detached… ah… British view of them. And British kind of attitude is always to be slightly doubtful of people who are superior, maybe we brought a little bit of that to the superheroes. Although, it must be said unless we really loved the characters I don’t think we could have done what we did with them.

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