
Chegou às lojas o quarto número da Antologia Chiclete com Banana, série lançada pela Devir e Nova Sampa como uma seleção dos melhores momentos da revista criada por Angeli. Reunindo HQs curtas, tirinhas, textos satíricos, cartuns e fotonovelas, a edição oferece uma boa dose do humor ácido e cínico que caracterizou a publicação original, tudo no estilo sexo, biritas & nonsense do udigrudi brasileiro, não faltando sequer descuidos na revisão de texto.
Lançada em outubro de 1985, a Chiclete com Banana original teve 24 edições regulares e mais 20 especiais, numa bem-sucedida trajetória que se estendeu até 1995, somando mais de 3 milhões de exemplares impressos. Com desenho e texto influenciados pelo underground francês e norte-americano, o trabalho de Angeli tinha, no entanto, um caráter bastante pessoal, que serviu para consagrar personagens como Rê Bordosa e Bob Cuspe. Aproveitando tirinhas já publicadas no jornal Folha de São Paulo misturadas a novas HQs e desenhos de Angeli, a revista contou ainda com a colaboração de vários cartunistas e humoristas, como Laerte, Glauco, Cacá Rosset e Marcatti.
Símbolo do novo humor que surgia com a abertura política pós-Ditadura, a Chiclete fazia a chamada “crítica de costumes”, ao mesmo tempo em que traçava a crônica de um segmento da vida paulistana. Sem engajamentos a causas políticas ou compromissos com qualquer posição ideológica, a revista atirava para todos os lados, numa proposta pretensamente anárquica. Tendo como base o renome alcançado por Angeli com seus trabalhos na Folha de São Paulo, a revista surgiu como uma iniciativa de Toninho Mendes, através da Circo Editorial. Tendo se especializado na edição de livros de humor, o editor viu na época uma boa oportunidade para a publicação de quadrinhos para bancas, lançando revistas com trabalhos de Angeli, Glauco e Laerte, além da Circo, uma das melhores antologias de HQs brasileiras já lançadas.
Parceiro da Devir na edição de coletâneas de humor desde 2000, Toninho Mendes também é o coordenador editorial da Antologia Chiclete com Banana, que terá 16 volumes, num total de 800 páginas reeditadas. O quarto e mais recente número traz de brinde um pôster colorido com os Skrotinhos e na capa a criação maior de Angeli, a “porra-loca” Rê Borsosa. Sempre regada a vodka, a personagem também aparece numa sequência de tiras sobre seus amantes e em uma história de página única, ao lado de Meiaoito. Outros personagens bastante conhecidos que têm lugar nesta edição são Bob Cuspe, protagonista de duas HQs de página única, e Los Tres Amigos, na história de que fecha o número. O restante da revista fica por conta de novos personagens e sátiras sociais, com destaque para a seção "Rui Resenha", com a biografia de vários mártires desconhecidos do rock. Merece ainda atenção o pôster central “Paulista também trepa”, em que Angeli faz uma “releitura” da sequência memorável de Tempos Modernos de Charlie Chaplin.
Trazendo na capa o subtítulo Edição Definitiva para Colecionadores, a revista tem boa impressão, mas não se enquadra exatamente no que se convencionou chamar de “Edição Definitiva”. Contudo, num tempo de quadrinhos lançados em belos livros a preços caríssimos, a opção por uma coleção de revistas vendidas a R$7,90 talvez se revele bastante acertada. Outro fator que merece registro é a intenção de legitimar a reedição, marcando textualmente o fato de que “Humor também é História”. Embora essa frase seja perfeitamente correta, é no mínimo notável a busca de legitimação histórica para uma revista que sempre se caracterizou pela intenção anárquica e anti-institucional. Talvez o destino dos transgressores do passado seja mesmo se tornar os modelos do presente.
De qualquer forma, para um mercado que tanto negligencia a produção nacional e as obras que fizeram a história de nossos quadrinhos, a publicação de Antologia Chiclete com Banana, bem como dos belos volumes de Piratas do Tietê, é certamente uma notícia a ser comemorada.
Lançada em outubro de 1985, a Chiclete com Banana original teve 24 edições regulares e mais 20 especiais, numa bem-sucedida trajetória que se estendeu até 1995, somando mais de 3 milhões de exemplares impressos. Com desenho e texto influenciados pelo underground francês e norte-americano, o trabalho de Angeli tinha, no entanto, um caráter bastante pessoal, que serviu para consagrar personagens como Rê Bordosa e Bob Cuspe. Aproveitando tirinhas já publicadas no jornal Folha de São Paulo misturadas a novas HQs e desenhos de Angeli, a revista contou ainda com a colaboração de vários cartunistas e humoristas, como Laerte, Glauco, Cacá Rosset e Marcatti.
Símbolo do novo humor que surgia com a abertura política pós-Ditadura, a Chiclete fazia a chamada “crítica de costumes”, ao mesmo tempo em que traçava a crônica de um segmento da vida paulistana. Sem engajamentos a causas políticas ou compromissos com qualquer posição ideológica, a revista atirava para todos os lados, numa proposta pretensamente anárquica. Tendo como base o renome alcançado por Angeli com seus trabalhos na Folha de São Paulo, a revista surgiu como uma iniciativa de Toninho Mendes, através da Circo Editorial. Tendo se especializado na edição de livros de humor, o editor viu na época uma boa oportunidade para a publicação de quadrinhos para bancas, lançando revistas com trabalhos de Angeli, Glauco e Laerte, além da Circo, uma das melhores antologias de HQs brasileiras já lançadas.
Parceiro da Devir na edição de coletâneas de humor desde 2000, Toninho Mendes também é o coordenador editorial da Antologia Chiclete com Banana, que terá 16 volumes, num total de 800 páginas reeditadas. O quarto e mais recente número traz de brinde um pôster colorido com os Skrotinhos e na capa a criação maior de Angeli, a “porra-loca” Rê Borsosa. Sempre regada a vodka, a personagem também aparece numa sequência de tiras sobre seus amantes e em uma história de página única, ao lado de Meiaoito. Outros personagens bastante conhecidos que têm lugar nesta edição são Bob Cuspe, protagonista de duas HQs de página única, e Los Tres Amigos, na história de que fecha o número. O restante da revista fica por conta de novos personagens e sátiras sociais, com destaque para a seção "Rui Resenha", com a biografia de vários mártires desconhecidos do rock. Merece ainda atenção o pôster central “Paulista também trepa”, em que Angeli faz uma “releitura” da sequência memorável de Tempos Modernos de Charlie Chaplin.
Trazendo na capa o subtítulo Edição Definitiva para Colecionadores, a revista tem boa impressão, mas não se enquadra exatamente no que se convencionou chamar de “Edição Definitiva”. Contudo, num tempo de quadrinhos lançados em belos livros a preços caríssimos, a opção por uma coleção de revistas vendidas a R$7,90 talvez se revele bastante acertada. Outro fator que merece registro é a intenção de legitimar a reedição, marcando textualmente o fato de que “Humor também é História”. Embora essa frase seja perfeitamente correta, é no mínimo notável a busca de legitimação histórica para uma revista que sempre se caracterizou pela intenção anárquica e anti-institucional. Talvez o destino dos transgressores do passado seja mesmo se tornar os modelos do presente.
De qualquer forma, para um mercado que tanto negligencia a produção nacional e as obras que fizeram a história de nossos quadrinhos, a publicação de Antologia Chiclete com Banana, bem como dos belos volumes de Piratas do Tietê, é certamente uma notícia a ser comemorada.
