25/04/2008

Spawn / Batman, uma HQ medíocre de Miller & McFarlane.


Escrita por Frank Miller e desenhada por Todd McFarlane, Spawn / Batman foi lançada no Brasil, pela Abril Jovem, em 1997. Edição oportunista que se apoiou no estrondoso sucesso do personagem criado por McFarlane e no prestígio do nome de Miller, a revista impressionou-me na época pela falta de originalidade do roteiro e por seus desenhos abaixo da média. Assim, embora essa HQ tenha todos os elementos para agradar aos fãs de McFarlane, ela é desaconselhável para quem admira os trabalhos sérios de Miller.

Nos anos 80 e 90, o nome Frank Miller foi sinônimo de qualidade nos quadrinhos. Afinal, o criador de O Cavaleiro das Trevas e Sin City foi um dos responsáveis por uma revolução qualitativa no mercado norte-americano. Levando para os comics influências de HQs japonesas, européias e sul-americanas, Miller criou um trabalho pessoal, no qual a qualidade artística era presença constante. Mas não é isso que vemos em Spawn / Batman.

Naquela mesma época, Todd McFarlane era sinônimo de popularidade nos quadrinhos. Em poucos anos, ele se tornou o artista mais famoso e bem-sucedido do mercado norte-americano. Com seu traço repleto de elementos caricaturais, expressões e imagens exageradas, somado a uma narrativa fragmentada, McFarlane criou uma fórmula de sucesso, seguida fielmente por seus imitadores. Mas não há dúvida de que, em se tratando desse quadrinista, raras vezes fama e qualidade artística andaram juntas. E é exatamente isso que vemos em Spawn / Batman.

É difícil dizer se foi a falta de qualidade artística de McFarlane que influenciou negativamente Miller, ou se este simplesmente optou por rabiscar um esboço de roteiro, por se tratar de uma revista que seria publicada pela Image Comics. O fato é que Spawn / Batman não passa de um subproduto do roteiro que o próprio Miller escreveu para o filme Robocop 2. Basicamente, o que diferencia as duas histórias escritas por Miller é a existência de Spawn, que dá conotações místicas ao roteiro da HQ.

Como sempre, os desenhos de McFarlane trazem as caretas excessivas, capas gigantescas, erros de anatomia e excesso de rabiscos que lhes são característicos. Mas grande parte do suposto dinamismo da arte desse desenhista não está em seu traço, e sim nas cores produzidas por computação gráfica. Utilizando uma variação entre gradações leves e contrastes fortes, a coloração cria a ilusão de energia e movimento que tanto tem fascinado e agradado aos leitores nas últimas décadas.

Os principais trabalhos autorais de Frank Miller e Todd McFarlane, Sin City e Spawn respectivamente, são quase opostos. Embora ambos abusem da violência, nos trabalhos de Miller ela tem limites mais realistas. Contudo, é no visual das HQs que as diferenças se tornam mais notáveis. Sin City apóia-se nos contrastes entre luz e sombra, ao estilo de Alberto Breccia, valorizando a narrativa visual. Já Spawn abusa das cores, apoiando-se em imagens de detalhe ou grandes cenas de impacto inspiradas na estética dos mangás. Essas diferenças nos trabalhos dos desenhistas fazem do primeiro um artista e do outro um criador de sucessos de massa.

No final das contas, Spawn / Batman serviu apenas para confirmar o que muitos já sabiam. Primeiro, o fato de que na companhia de Todd McFarlane até os melhores roteiristas foram capazes de criar trabalhos ruins. Segundo, por alguns milhares de dólares, mesmo um quadrinista dos mais conceituados não se sente constrangido em fazer um trabalho medíocre. É claro que, ao aceitar trabalhar nessa HQ especial, Miller também estava buscando uma divulgação extra para Sin City, projeto que começava a deslanchar na época em que a revista foi lançada nos Estados Unidos. Mas, quer seja pelo dinheiro, quer seja pela divulgação de seu trabalho, a pergunta que fica é: será que valeu a pena?

15 comentários:

Bongop disse...

Olá
Eu penso que foi o Miller que não esteve para perder tempo com o assunto, talvez por pensar que seria uma obra só para vender!
Eu tenho o livro, já há uns anos, e nunca o reli... aliás estou a equacionar dar este livro ao meu filho !
;-)

Wellington Srbek disse...

Não, não faça isso com teu filho!
Dê-lhe O Cavaleiro das Trevas, que é bem melhor, também tem o Batman e é escrita por Miller, mas não tem nada de McFarlane (a não ser, é claro, os elementos que McFarlane copiou desta obra!).

Bongop disse...

Ora ... o meu filho ainda não liga a esses pormenores, tem 12 anos! Ele ficará feliz com qualquer livro de Banda Desenhada que eu lhe ofereça!
Mas também tenho O Cavaleiro das Trevas, grande livro esse !

Flávio Lima disse...

Curioso...

O trecho a seguir:

"Assim, embora essa HQ tenha todos os elementos para agradar aos fãs de McFarlane, ela é desaconselhável para quem admira os trabalhos sérios de Miller."

Substituindo o nome de McFarlane pelo de Jim Lee, já temos a resenha pronta para o horrendo (menos para os resenhistas do UNIVERSOHQ, que puxam o saco do Miller até no papel higiênico usado dele) Grandes Astros Batman.

Emerson disse...

Miller na Image foi o fim. A história dele no Spawn (número 7 ou 8) chegou a ser pior que as histórias escritas pelo McFarlane.

Wellington Srbek disse...

Olá Flávio e Emerson,
Esse tipo de HQ eu costumo chamar de lixo cultural, pois não tem nenhum valor artístico. Não deixem de ler minha resenha sobre Spawn: Origem Vol.2, na qual falo das histórias de Spawn escritas por Miller e Moore - que são realmente, realmente bem ruins.
Grande abraço!

J Júnior disse...

leio a fase do todd no homem aranha, dai pego sin city,misturo as duas...

é sai o filho morto que é Spawn Vs batman, mas ela é rasoavel se comparando com a segunda edição da mesma feita pela DC, nossa é pessima!

Wellington Srbek disse...

Sem dúvida!
Conseguiram a façanha de fazer algo até pior que aquilo, que já era muito, muito ruim!

J Júnior disse...

Com certeza a edição numero 2 é uma das piores da historia!

Wellington Srbek disse...

O mais triste é que ainda tem gente que compra esses lixos...

wagner nascimento disse...

É uma das piores historias que eu já li,ainda bem que eu tinha lido na biblioteca minicipal,se não teria jogado meu dinheiro fora.

Wellington Srbek disse...

Pois é, Wagner, na época eu trabalhava num jornal e recebi a HQ de graça da editora Abril, então felizmente não gastei meu dinheiro com essa coisa ruinzinha.
Abraço e valeu pela participação!

@_JJunior disse...

Uma das piores coisas que já li e tenho, muito ruim mesmo! O 2° numero do encontro conseguiu ser pior ainda!

Gabriel FB disse...

Eu tenho essa HQ‚ e fico relendo e relendo, tentando achar uma parte boa, ou pelo menos entender o porque daquilo.
Mas nunca encontrei nada.

thiago de mello porto disse...

Eu li essa merda online e me sinto perturbado mentalmente e n sei se vou conseguir me sentir bem se n lavar meus olhos com cloro