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25/07/2008

Chega às lojas o “Animatrix” do Batman.


Acompanhando o avassalador sucesso do filme O Cavaleiro das Trevas, chegou às lojas o DVD com a animação Batman: O Cavaleiro de Gotham, o mais recente lançamento da série DC Universe. Trazendo seis episódios curtos produzidos por Bruce Timm e dirigidos por diretores japoneses, a animação situa-se entre os dois longas-metragens do Homem-Morcego dirigidos por Christopher Nolan. O desenho obviamente segue o modelo de Animatrix, colocando lado a lado diferentes estilos de desenho e ritmos de animação, ao mesmo tempo em que adiciona peças às histórias narradas no cinema.

Batman: O Cavaleiro de Gotham é uma animação feita para os fãs do herói e, em especial, para aqueles que gostaram de Batman Begins. O leitor mais purista poderá estranhar as diferentes abordagens e visuais que se sucedem de episódio a episódio. Na verdade, porém, a diversidade de estilos empregados para narrar cada história revela-se a maior virtude dessa produção. O fato é que os roteiros em geral, escritos por David Goyer, Alan Burnett, Brian Azzarello, entre outros, deixam a desejar. Assim, o melhor dos 75 minutos de animação fica mesmo por conta das imagens e do ritmo em estilo anime.

A produção tem lá seus altos e baixos, seus episódios melhores e piores. Além disso, a liberdade criativa dada aos diretores japoneses originou algumas inconsistências, como diferenças na cor dos olhos de Bruce Wayne e na aparência de personagens coadjuvantes. Contudo, trazendo bastante ação, tiros e cenas de luta, o DVD deverá agradar a quem gosta das tramas mais policiais envolvendo o Batman. Diretamente relacionados aos eventos mostrados em Batman Begins, os episódios deixam de lado os bat-vilões mais tradicionais, contando apenas com a participação do Espantalho e de Croc.

Em todos os sentidos, o melhor de Batman: O Cavaleiro de Gotham está no primeiro e quarto episódios. “Eu tenho uma história para você” repete uma fórmula já utilizada em quadrinhos e desenhos do Homem-Morcego, em que pessoas comuns se sentam para contar suas histórias sobre o herói. Neste caso, jovens skatistas narram como foram seus encontros com o Cavaleiro de Gotham, descrevendo-o como cada um o viu, ou seja, uma sombra viva, um morcego gigante e uma armadura-robô. O visual e acabamento são de primeira, lembrando o mangá Preto & Branco ou as HQs de Miguelangelo Prado.

Já “Esconderijos na Escuridão” tem uma atmosfera que parece o cruzamento de Blade Runner com as HQs de Mike Mignola. Numa grotesca e sombria viagem aos esgotos de Gotham, o Homem-Morcego enfrenta aberrações humanas e loucos fanáticos. Com enquadramentos inclinados e personagens distorcidos, o episódio é eficiente ao apresentar o monstruoso Croc e situar o vilão Espantalho após os acontecimentos de Batman Begins. Outros episódios, como “Teste de Campo” e “Lidando com a dor”, trazem elementos interessantes, como um visual diferenciado para o Batman ou sequências de animação passadas na Índia.

Pessoalmente, eu esperava mais de Batman: O Cavaleiro de Gotham. Em especial, se considerarmos toda a antecipação e os recursos milionários que envolveram o projeto. Mas esse anime do Homem-Morcego vale uma conferida por suas abordagens originais de um super-herói clássico. Para quem quiser conferir, o DVD traz alguns extras, nem todos traduzidos, estando à venda por R$29,90. E para quem quiser saber mais sobre os quadrinhos, filmes e animações do Batman, basta clicar nas palavras em destaque abaixo.

30/12/2007

Batman: herói dos seriados, filmes e animações (IV).


Após uma década de séries e filmes de animação acima da média, surgiram rumores sobre o retorno do Homem-Morcego aos cinemas. Mas, antes que Batman Begins fizesse sua estréia mundial, um novo desenho animado chegou aos canais da Warner. E com a forte marca “retrô” deixada por Batman - The Animated Series, os executivos do estúdio norte-americano decidiram que era hora de “zerar o placar” e lançar uma versão supostamente mais de acordo com as tendências deste início de século.

Foi assim que surgiu The Batman, um estiloso desenho animado, com direito a muitas cenas angulosas e figuras tortuosas (além de injustificáveis céus verdes e roxos). Apresentando alguns novos personagens (criados para contemplar telespectadores das chamadas “minorias raciais”), a animação traz também os coadjuvantes e antagonistas de sempre (Comissário Gordon, Alfred, Coringa, Mulher-Gato, etc.). Porém, como a idéia era buscar um visual mais contemporâneo, o próprio protagonista e vilões clássicos como o Coringa ganharam (duvidosas) versões criadas por Jeff Matsuda (o mesmo responsável pelo desenho As Aventuras de Jackie Chan). Embora O Batman conte com um tema de abertura bacaninha (composto por The Edge, da banda U2) e tenha lá seus momentos interessantes, como um todo, a série parece uma idéia ruim que recebeu um orçamento milionário.

Lançado em 2004, o desenho traz um Bruce Wayne pós-adolescente e repleto de brinquedinhos high tech, mas sem a consistência que caracteriza as melhores versões do Homem-Morcego. Com a saída dos produtores principais em 2007, a Warner começou a fazer reajustes na série, aproximando-a de outras mais bem-sucedidas (como o desenho Liga da Justiça). No fim das contas, porém, O Batman não passa de uma cria de estúdio, voltada a disseminar uma imagem mais juvenil e comercial de um personagem que logo apareceria numa produção de milhões de dólares. A busca de uma versão atualizada e dinâmica do Batman era necessária para agradar ao público adolescente masculino, da mesma forma que a escolha de um ator jovem e "bonitinho", como Christian Bale, tinha o objetivo de atrair a parcela feminina do público.

Tendo estreado nos cinemas em 2005, Batman Begins foi mais uma produção multimilionária de Hollywood, baseada num personagem dos quadrinhos. Com um elenco estelar, que inclui Michael Caine, Morgan Freeman e Garry Oldman (além do deslocado Liam Neeson e da inócua Katie Holmes), o filme pretende ser uma abordagem realista do herói, através de uma caracterização contemporânea (afastando-se, por exemplo, da proposta mais interpretativa das produções de Tim Burton). Porém, mesmo sendo tecnicamente elogiável e tendo agradado a muitos espectadores, o filme não se sustenta. Começando com Sete anos no Tibet, roubando cenas de Highlander e Blade Runner, passando por Velozes e Furiosos, o longa traz algum bat-drama e é cheio de cortes bruscos e personagens sem dimensão, resumindo-se a uma grande colagem.

Roteiro fraco, personagens mal aproveitados, visual um tanto inadequado e um Batman que voa (!) são ingredientes que podem até ter agradado a muitos, mas que seguramente não fazem de Batman Begins o melhor filme com o Homem-Morcego (como alguns gostam de alardear). A moral da história? Simples: por si sós, nem mesmo um dos personagens mais populares de nosso tempo e todo o dinheiro de Hollywood fazem um grande filme. Mas, já que a primeira produção rendeu alguns milhões de dólares, Christopher Nolan e Christian Bale ganharam uma segunda chance (de 150 milhões de dólares) para levar o Batman às telas dos cinemas. Agora só resta aguardar a estréia de The Dark Knight, em julho de 2008, para conferirmos se esse será um grande filme do Cavaleiro das Trevas, ou se o Coringa (interpretado por Heath Ledger) roubará a cena. Então, até 2008!

28/12/2007

Batman: herói dos seriados, filmes e animações (III).


Pode-se dizer que os “filhos legítimos” dos filmes de Tim Burton são, na verdade, os desenhos animados produzidos pela Warner Bros., a partir de 1992. Preparada para se seguir ao lançamento de Batman - O Retorno, a nova série de animação do Homem-Morcego superou todas as expectativas, saindo “muito melhor que a encomenda”. Lançada numa época em que a Internet não havia ainda se difundido, ela estreou no Brasil sem muito alarde, numa manhã de domingo. Por isso mesmo, a surpresa foi total! Já na abertura (com seus tons sombrios e desenhos dinâmicos conduzidos por uma música que vai do soturno ao triunfal), Batman - The Animated Series mostrou que os desenhos animados baseados em quadrinhos poderiam ser produções mais adultas e sofisticadas.

Assim como os filmes de Tim Burton, a animação produzida por Alan Burnett, Eric Radomski e Bruce W. Timm partia de uma temporalidade difusa (que misturava componentes da Art Decó dos anos 40 com elementos dos anos 90). Com arquitetura, roupas e carros antigos, além de um clima sombrio e de gângsteres como bandidos, a nova série animada do Batman não escondia a influência dos filmes noir e das animações clássicas do Super-Homem (produzidas pelos irmãos Fleischer entre 1941 e 1943). E se o visual de alguns objetos e personagens (como o Batmovel e o Pinguim) veio das produções cinematográficas de Tim Burton, o visual do Homem-Morcego saiu do herói Space Ghost criado por Alex Toth (para os Estúdios Hanna-Barbera, nos anos 60) e do próprio Batman desenhado por David Mazzucchelli (para a HQ Ano Um, de 1987). Já o trabalho de animação em si ficou a cargo de estúdios orientais, que aplicaram recursos e inovações trazidos pelo longa-metragem Akira (o clássico de Katsuhiro Otomo, de fins dos anos 80). Por fim, a música-tema de Danny Elfman (adaptada de seu trabalho em Batman - O Filme) e um acertado elenco de vozes (que no caso do protagonista é ainda melhor na dublagem do brasileiro Márcio Seixas) contribuíram para o imediato sucesso da série.

Contudo, recursos técnicos e influências visuais não seriam o bastante se a série não trouxesse também boas histórias. Tendo como referência a abordagem “psicológica” e mais racionalista dos quadrinhos dos anos 80 (como Ano Um de Frank Miller e A Piada Mortal de Alan Moore), os roteiristas buscaram o “lado humano” dos personagens (evitando o maniqueísmo ao apresentar suas motivações). O melhor exemplo disso talvez seja o Cara de Barro, que surge como um perigoso monstro capaz de alterar sua forma, mas acaba se revelando um atormentado ex-ator em busca de uma cura. O mesmo acontecesse com o Sr. Frio, vilão de não muito destaque que teve sua origem recontada, ganhando uma dimensão mais trágica (além de um novo visual criado por Mike Mignola). De fato, a começar do próprio Batman/Bruce Wayne, quase todos os coadjuvantes e antagonistas de suas HQs foram reinventados para a série: do Morcego-Humano e do fiel mordomo Alfred (no ótimo episódio-piloto “Asas de Couro”), passando pelo Comissário Gordon e por Robin, até os vilões Duas-Caras, Mulher-Gato, Charada, Hera Venenosa, Pinguim e, é claro, o insuperável Coringa.

Revitalizado e mais espirituoso que nunca, o Coringa chegou como uma das estrelas da série, ganhando uma versão à altura de sua importância (e a dublagem do ator Mark Hamill no original). E o Palhaço do Crime mostrou que não estava de brincadeira, em episódios como “O Natal do Coringa”, “Seja um Palhaço” e “Um favor para o Coringa”. Este último, escrito por Paul Dinni, trouxe a estréia da impagável Arlequina, a namorada do Coringa que conquistou o coração do público (a ponto de saltar dos episódios da tevê para os quadrinhos da DC Comics). Dinni também escreveu o inspirado “Quase o peguei” (no qual os principais inimigos do Batman contam suas histórias de como eles quase o derrotaram) e o original “O homem que matou o Batman” (no qual um bandido chinfrim espanta o mundo do crime com a alegação de ter matado o defensor de Gotham City). A lista de escritores do desenho animado incluiu ainda veteranos dos quadrinhos, como Len Wein, Marv Wolfman e Dennis O’Neil, que garantiram o ótimo nível médio dos roteiros.

Batman - A Série Animada foi um enorme sucesso de público e crítica, ganhando vários prêmios. Com isso, o desenho animado acabou originando uma coleção de brinquedos e a ótima revista em quadrinhos Batman - O Desenho da TV, além do longa-metragem para o cinema Batman - A Máscara do Fantasma, lançado em 1993. No ano seguinte, o título da série foi mudado para As Aventuras de Batman & Robin, marcando uma nova abordagem que valorizava mais o Menino-Prodígio. Tendo se saído tão bem com o Homem-Morcego, Bruce Timm teve a chance de recriar o outro grande super-herói da DC Comics, produzindo em 1996 Superman - A Série Animada. No ano seguinte, o desenho do Homem-Morcego sofreu outra mudança estrutural, passando a se chamar As Novas Aventuras do Batman. Já em 1998, a dupla dinâmica apareceu no longa Batman & Sr. Frio: Abaixo de Zero, enquanto o Homem-Morcego se encontrou com o Homem de Aço em Batman/Superman: Os Melhores do Mundo. No ano seguinte, foi lançada Batman do Futuro, série que originaria o longa O Retorno do Coringa. Mais recentemente, foi lançado em DVD um quarto filme: Batman - O Mistério da Mulher Morcego.

Esse amplo repertório de animações pavimentou o caminho para as séries Liga da Justiça, Liga da Justiça Sem Limites, Jovens Titãs e a recente Legião dos Super-Heróis. Com uma qualidade técnica e narrativa capaz de agradar tanto a uma criança de 3 anos quanto a um adulto de 33, de um modo geral, os desenhos animados lançados pela Warner nos últimos quinze anos são melhores que os quadrinhos publicados pela DC Comics. Recriando os personagens da editora para a linguagem da animação e o público do século 21, essas séries cativaram novos fãs que, em muitos casos, jamais lerão as versões originais em quadrinhos. Mas o fato é que foi a profunda paixão de Bruce Timm e sua equipe pelos heróis das HQs que gerou Batman - The Animated Series, um dos melhores desenhos animados já feitos.

Para quem quiser conhecer ou rever, as animações citadas aqui já foram lançadas no Brasil em DVD. E para quem quiser saber mais sobre os quadrinhos do Homem-Morcego, clique na palavra BATMAN em destaque abaixo.

24/12/2007

Batman: herói dos seriados, filmes e animações (I).


A relação do Homem-Morcego com os longas-metragens e séries para cinema e tevê começou há muito tempo, com a própria criação do personagem em 1939. As tiras de jornal do detetive Dick Tracy, as aventuras radiofônicas do misterioso O Sombra, o personagem Sherlock Holmes dos livros de Arthur Conan Doyle, bem como as máquinas voadoras desenhadas por Leonardo Da Vinci teriam influenciado Bob Kane e Bill Finger na concepção de seu justiceiro encapuzado. Mas, sem dúvida, o novo herói (que batizaram com o nome composto “Bat-Man”) não teria sido o mesmo sem a influência visual dos antigos filmes do Zorro e do clássico The Bat. A ponte do cinema para os quadrinhos voltaria a se estabelecer na criação do principal inimigo do Batman, o insano Coringa, idealizado por Jerry Robinson a partir da figura do ator Conrad Veidt no impressionante O homem que ri. Ao longo das décadas, esse caminho também funcionaria no sentido inverso, com os heróis dos quadrinhos passando para as telonas e telinhas.

No início dos anos 40, o sucesso de Batman e Robin nas revistas e tirinhas de jornal lançou os personagens para uma breve carreira no cinema, com um seriado de episódios curtos. No fim da mesma década, o Homem-Morcego e o Menino-Prodígio ganharam um novo seriado de matinê, no qual enfrentavam terríveis gângsteres. Contudo, nos anos 50, com o declínio nas vendas das revistas de super-heróis, Batman e Robin tiveram suas aparições restritas às HQs. Aqueles tempos de “vacas magras” eram também tempos de “caça às bruxas” nos Estados Unidos, quando a perseguição política e a histeria social atingiram em cheio os quadrinhos, após a publicação do nocivo e preconceituoso Seduction of the innocent do psicólogo Fredric Wertham. Passando a atuar pelas regras do vicioso e prejudicial Código de Ética e despojado de seu lado mais sombrio dos primeiros anos, Batman foi transformado em mais um garoto-propaganda de mensagens moralistas (algo como: “Meu jovem, o crime não compensa!”).

Mas o clima mais arejado dos anos 60 trouxe grandes novidades para Batman e Robin. Afinal, em 1966, os defensores de Gotham City ganharam sua adaptação mais famosa: o seriado para tevê estrelado por Adam West e Burt Ward. Em agitados episódios de meia-hora, a Dupla Dinâmica enfrentava os insuperáveis bat-vilões: Coringa (Cesar Romero), Charada (Frank Gorshin) e Pinguim (Burgess Meredith), só para citar os mais carismáticos. Um sucesso imediato, o programa teve mais de 100 episódios e gerou um longa-metragem estrelado pelo mesmo elenco. A popular produção, na verdade, não tinha muito a ver com o espírito original do Batman. Os cenários e figurinos coloridos, os diálogos hilários, as situações cômicas, além do físico nada atlético de Adam West, refletiam a chamada estética camp, no espírito satírico da década de 1960. As representações gráficas das onomatopéias (POWN!, CRASH!) e as impagáveis falas de Robin (“Santa arapuca!”) são marcas registradas dessa bat-série, que transformou o Homem-Morcego num ícone cultural reconhecido internacionalmente.

A repercussão do seriado foi tanta que, mesmo após seu fim em 1968, muitas HQs e as primeiras animações com o Batman, produzidas nos anos 70, traziam características retiradas dele. Várias pessoas, aliás, conheceram e tornaram-se fás da Dupla Dinâmica sem jamais terem lido uma história em quadrinhos sequer. Eu mesmo, quando criança, passei muitas tardes sintonizado “no mesmo bat-horário e no mesmo bat-canal”, torcendo para que, no último instante, o Homem-Morcego conseguisse escapar das sempre ardilosas (mas teimosamente falíveis) armadilhas de seus inimigos. Bons tempos aqueles! Mas a relação de Batman com o cinema e a tevê não parou por aí, como veremos a seguir.

21/12/2007

Quadrinhos em “estilo desenho animado”.


Ao longo dos anos 90, as editoras Marvel e DC Comics perderam uma considerável parcela de seu público para os desenhos animados japoneses, os video games e também para sua maior concorrente, a Image Comics. Para recuperar os leitores perdidos e conquistar o novo público infantil, as duas maiores editoras do mercado norte-americano investiram em revistas que valorizam seus personagens e veiculavam um novo padrão de desenho, que chamei na época de “estilo desenho animado”. Com ele, a narrativa em quadrinhos, que havia sido prejudicada pelo “estilo Image” (que transformou as páginas num amontoado de imagens exageradas), foi retomada por novos autores que souberam desenvolver um trabalho mais interessante e criativo.

Com a publicação de O Cavaleiro das Trevas e Watchmen em 1986, os roteiristas passaram a tentar imprimir mais realismo aos super-heróis. Se isto possibilitou a criação de trabalhos inovadores, também contribuiu para um enfraquecimento no carisma dos personagens (que se afastavam cada vez mais dos ícones dos anos 40 e 50). Em grande parte, o estilo desenho animado foi uma resposta a esse processo de enfraquecimento dos heróis. Com formas bem delimitadas e desenhadas em traço cartunizado, o novo estilo conseguiu resgatar elementos característicos de heróis clássicos como Batman e Super-Homem.

Esse “retorno às origens” começou em 1992, quando foi lançada Batman: The Animated Series, a melhor série de animação já feita com o Homem-Morcego. Trazendo influências do desenho animado do Super-Homem produzido pelos irmãos Fleischer entre 1941 e 1943, além das inovações de animações japonesas como Akira, o seriado produzido por Alan Burnett, Eric Radomski e Bruce Timm causou um verdadeiro furor quando lançado. Acompanhando o seriado da tevê, a DC Comics lançou a revista The Batman Adventures (rebatizada no Brasil como Batman: O Desenho da TV), que tinha temática e visual inspirados na animação.

Entre os desenhistas da nova publicação, Mike Parobeck destacava-se pelo traço dinâmico e pela narrativa precisa, que exploravam as sugestões do roteiro. Seus desenhos lembram as antigas HQs do Capitão Marvel (Shazam!) no estilo cartunizado de C.C. Beck, enquanto sua narrativa traz influências de Frank Miller e John Byrne. Assim, reunindo as soluções criativas de quadrinhos clássicos e as inovações narrativas dos anos 80, Parobeck desenvolveu um trabalho bastante comunicativo. Recuperando o carisma de Batman nos quadrinhos, The Batman Adventures reconquistou antigos fãs e cativou um seguimento que estava sendo negligenciado pelas editoras de super-heróis: o público infantil.

Explorando a qualidade dos trabalhos de Parobeck, a DC Comics lançou outra revista, com HQs, curiosidades e passatempos, voltada especificamente para público infantil. Nas páginas de Superman & Batman Magazine (intitulada no Brasil O Novo Batman), além dos dois principais heróis da editora, outros personagens como Lanterna Verde, Mulher Maravilha e Flash ganharam versões em estilo desenho animado. Com isso, através das revistas desenhadas por Parobeck, a DC Comics deu continuidade nos quadrinhos ao processo de revitalização de seus super-heróis, iniciada nos desenhos animados.

Mas foi nas páginas das revistas dos heróis mutantes da Marvel que atuou o desenhista mais influente do estilo desenho animado. Joe Madureira era um fã de quadrinhos que conseguiu um emprego de auxiliar nos escritórios da editora. Dos desenhos de horários de folga ao título de desenhista mais influente dos quadrinhos norte-americanos foram apenas cinco anos. Estreando na revista Excalibur, ele teve sua grande chance em 1994, quando desenhou sua primeira edição de The Uncanny X-Men. Em pouquíssimo tempo, Madureira tornou-se um dos desenhistas mais cotados dos quadrinhos norte-americanos.

Se em seus primeiros trabalhos os desenhos lembravam o estilo de Arthur Adams, com o crescente sucesso da animação japonesa, Madureira trocou o traço fino e detalhado pelos desenhos mais delineados e marcados. Com isso, suas heroínas e vilãs passaram a lembrar as ninfetas dos desenhos japoneses, seus heróis ganharam um visual mais jovial, enquanto os vilões aproximaram-se dos monstrengos dos animes. O fato é que os desenhos dinâmicos e o traço definido de Madureira fizeram escola; porém, depois de um enorme sucesso como desenhista da The Uncanny X-Men, ele seguiu o exemplo dos criadores da Image Comics, deixando a Marvel para desenhar seus próprios personagens.

De qualquer maneira, devido aos bons resultados alcançados com The Batman Adventures e The Uncanny X-Men, na segunda metade dos anos 90, tanto a DC quanto a Marvel passaram a investir em revistas no estilo desenho animado, recuperando a popularidade e as características originais de seus principais personagens.