04/05/2010

O Homem de Ferro nos cinemas (II).


Tendo estreado no Brasil uma semana antes do que nos Estados Unidos, Homem de Ferro 2 traz algumas diferenças notáveis em relação ao primeiro filme. No papel de James Rhodes temos outro ator (Don Cheadle que, apesar de talentoso, não combinou tanto) e embora Pepper Potts tenha uma participação maior (numa atuação apagada de Gwyneth Paltrow), quem rouba a cena é a Viúva Negra (interpretada pela bela Scarlett Johansson). Temos ainda uma presença mais significativa de Nick Fury (com Samuel L. Jackson preparando o terreno para o vindouro filme dos Vingadores), um novo empresário vilão (com o razoável Sam Rockwell) e um novo vilão principal, este saído da Rússia (interpretado por um convincente e um tanto repulsivo Mickey Rourke). Mas a diferença maior está na dinâmica simbólica dos dois filmes.

Em sua segunda aventura cinematográfica, o Homem de Ferro / Tony Stark (Robert Downey Jr.) não enfrenta inimigos inspirados nas manchetes das guerras atuais. Desta vez, a ameaça parece vir de um passado quase mítico, dos tempos da Guerra Fria com suas disputas tecnológicas e armamentistas. E em vez de um enfrentamento aéreo contra aviões da Força Aérea de seu país (como vemos no primeiro filme), o protagonista enfrenta desta vez um esquadrão de robôs criados por uma empresa concorrente. Só por esses fatores, não é difícil perceber que Homem de Ferro 2 é um filme bem mais “domesticado” do que seu antecessor. Afinal, se no primeiro filme o herói executa vários guerrilheiros afegãos, nessa continuação ele só “mata” robôs (não sendo diretamente responsável pela morte do vilão principal).

Obviamente, o sucesso de Homem de Ferro atraiu muita atenção para sua continuação, que passou a ser tratada como um filme para um público mais amplo, no qual o mocinho não poderia sair matando pessoas, ou mesmo se envolvendo em cenas de sexo casual (como acontece no primeiro filme). Embora Tony Stark ainda nos ofereça tiradas espirituosas e trocadilhos sexuais, o máximo que é permitido ao herói desta vez é trocar alguns socos, atirar em robôs e, ao final, dar um comportado beijo de cavaleiro medieval (com direito à armadura). E se domesticaram o super-herói playboy, a verdadeira fera de Homem de Ferro 2 é a sensual e letal Viúva Negra, cuja participação é relativamente pequena, mas que protagoniza a cena de luta mais empolgante das duas horas de filme (e dá-lhe emancipação feminina!).

Homem de Ferro 2 é um bom entretenimento, mas é só isso. As atuações e os efeitos correspondem ao que se espera de uma produção milionária de Hollywood, mas não vão além. Os diálogos são bons, mas o roteiro não é dos mais criativos. E ao contrário de X-Men 2 de Bryan Singer, Homem-Aranha 2 de Sam Raimi e O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, esse segundo filme dirigido por Jon Favreau não conseguiu superar seu antecessor. Faltam o elemento realista e as pequenas ousadias do primeiro. E já que não é surpreendente como Homem de Ferro, essa continuação acaba decepcionando. Assim, aos fãs dos filmes de super-heróis resta aguardar Thor e Capitão América, produções antecipadas em Homem de Ferro 2 pelo aparecimento em cena de um protótipo de escudo e a descoberta de um martelo mítico.

(Se quiser ler outras resenhas e textos sobre filmes e quadrinhos de super-heróis, basta clicar no marcador abaixo.)

4 comentários:

Walter disse...

Sempre venho aqui, como leitor. Sempre!!!
HJ, venho como divulgador de um projeto legal de HQ, e importante para o povo Mineiro. Eu como bom Mineiro, e participante do projeto, tenho o prazer de convidá-lo para dar um pulo lá no: http://revistaa3.wordpress.com/
É uma nova revista de HQ, e tenho certeza que vc irá gostar. Um dos editores, e meu brother André Navarro. Troque uma idéia com ele, tenho certeza que será uma conversa produtiva.
Vamos divulgar a HQ mineira!!!
Abração!!!

Wellington Srbek disse...

Olá Walter,
Fica aí a divulgação e meus votos de sucesso no ptojeto.
Pode deixar que farei uma visita ao endereço.
Abraço!

Aline disse...

Olá, Wellington!
Li sua resenha antes de ver o filme, mas agora que já assisti posso dizer que concordo com você.
O Homem de Ferro nunca foi um dos meus heróis preferidos (refiro-me ao Homem de Ferro do filme, pois ainda não conheço os quadrinhos), mas o segundo filme não contribuiu muito para melhorar minha opinião sobre ele. Achei o primeiro um bom entretenimento, mas foi difícil de engolir os resquícios de guerra fria e a retórica tecnológica milagrosa do segundo... Até as cenas de luta achei muito artificiais, mais pose e nádegas em roupa apertadinha do que ação propriamente dita! E no dia em que eu vir uma mulher lutando de igual com um vilão de porte significativo (que seja homem), ainda que ela perca, aí sim vou acreditar em emancipação feminina!
Bom, posso estar sendo rigorosa demais com o Homem de Ferro, mas para mim, ele continua sendo aquilo que foi na cena de abertura desse novo filme, com as chacretes, a bandeira dos Estados Unidos, o show pirotécnico e nenhuma profundidade =(
Hehe, desculpe pelo desabafo e, como sempre, obrigada pela resenha! Aproveito para fazer um pedido: que tal uma resenha sobre o Top 10, do Alan Moore? Abraços!

Wellington Srbek disse...

Olá Aline,
Valeu demais pelo aprofundamento da visão crítica que tentei dar em minhas resenhas!
Esse lance do patriotismo norte-americano é um "item de série" nos filmes desse tipo militarista (imagine como será em Capitão América!). O que me preocupa nisso é que a maior parte das pessoas assiste a esses filmes como se fosse uma diversão inocente e não percebe toda a manipulação simbólica que rola neles. Aí vira uma coisa de "naturalização", como se a realidade histórica e social em que vivemos fosse como aparece nesses filmes, repletos de "mocinhos" e "bandidos" com suas bandeiras e discursos.
E a minha referência à "emancipação feminina" tem mesmo um tom irônico, porque a cena com a Viúva Negra é muito legal, mas também exagerada. E aí entra aquele lance das "cotas" de raça e de gênero nos filmes de super-heróis, pois sempre há uma mulher e um negro num papel secundário importante - mas quase nunca eles são o personagem principal (exceto talvez em Blade e Elektra).
Menina, sobre Top 10, de todos os quadrinhos de Moore, esse é um dos poucos que eu não gostei nem um pouco. Achei muito chato aquele lance de seriado policial e não consegui passar da primeira edição, então acho que não farei uma resenha. O que ainda quero analisar, como fiz com Promethea, é Tom Strong.
É isso. Abração e valeu pelo comentário!