05/12/2009

O final de Planetary.


Surgida em setembro de 1998 numa história curta promocional, Planetary estreou como uma revista regular do selo Wildstorm no primeiro semestre de 1999. Escrita por Warren Ellis e desenhada por John Cassaday, com cores produzidas por Laura Martin e outros colaboradores, a série conquistou uma legião de fãs, que ansiosamente aguardava por sua conclusão. A espera chegou ao fim há dois meses, com o lançamento de Planetary n°27, uma edição especial que encerra essa complexa saga que reuniu releituras de personagens clássicos, ficção científica de primeira, uma trama conspiratória envolvente, além de citações a filmes e quadrinhos famosos.

Após vencer seus arqui-inimigos e frustrar os planos de uma invasão extradimensional, Elijah Snow, Jakita Wagner e Baterista retornam à Terra para dar início a uma nova era dourada de paz e conhecimento. À frente da Organização Planetary, os heróis passam a desenvolver, sem fins comerciais, as maravilhas tecnológicas e os avanços científicos enterrados nos arquivos de Os Quatro. Com isso, a cura para o câncer e o fim da fome são possibilidades para a semana seguinte. Mas poder virtualmente tornar melhor a vida de cada pessoa no planeta não é o bastante para deixar Elijah contente. Nesses novos dias dourados, o líder de Planetary tem um único propósito, que assume os contornos de uma obsessão: resgatar Ambrose, o integrante perdido do grupo.

O que se segue então é um aprofundado diálogo sobre a Física envolvida na construção e os possíveis efeitos colaterais de se pôr em funcionamento uma máquina do tempo. Contudo, no lugar do já desgastado “paradoxo do vovô”, Warren Ellis nos fala de gatos mortos ou vivos, anéis de luz e outras propriedades emprestadas das teorias da Física Quântica. Mais uma vez, fica provado o empenho do roteirista em embasar suas histórias num conhecimento científico real, tornando Planetary de fato uma série de ficção científica. O restante da edição mostra mais alguns diálogos entre os três personagens principais e a construção da complexa máquina do tempo quântica, encerrando com a tentativa de resgate de Ambrose, que se encontrava em animação suspensa.

Os desenhos de John Cassaday com cores produzidas por Laura Martin ficam na média das boas edições da série. Quase não há ação física, ficando o principal por conta dos diálogos envolvendo teorias da Física. E se não acrescenta muito à história vista até então, o roteiro de Warren Ellis parece mais o cumprimento de um compromisso do autor com o personagem Elijah. Se isso pode soar metalinguístico, o fato é que um dos melhores momentos da HQ é quando o personagem reflete sobre a existência dizendo: “Lembre que estamos todos vivendo em planos de informação bidimensional. O fato de vivermos e respirarmos em 3-D é um efeito colateral do Universo. Nós podemos estar vivendo em outras histórias agora, deslizando através do virar de páginas”.

No geral, Planetary n°27 não é um dos pontos altos da série, mas também não chega a decepcionar (para quem quiser conferir, algumas das páginas estão disponíveis aqui). Para 2010, a DC / Wildstorm programou o lançamento do quarto e último encadernado da série, além da reimpressão de Absolute Planetary – Volume 1 e do lançamento de Absolute Planetary – Volume 2. No Brasil, os “Arqueólogos do Impossível” tiveram algumas publicações ruins, como as coletâneas em formato reduzido e páginas internas foscas, lançadas pela Pandora e pela Devir. Seu melhor momento foi na Pixel Magazine, onde os capítulos 13 a 26 foram lançados com qualidade gráfica adequada. A Pixel também lançou três edições especiais em formato ampliado (Planetary / Batman - Noite na Terra, Planetary / Liga da Justiça - Terra Oculta e Planetary / Authority - Dominando o Mundo) e uma terceira coletânea (Planetary: Deixando o Século 20) no inadequado formato reduzido.

(Para saber mais sobre Planetary e outros trabalhos de seus autores, basta clicar nos marcadores abaixo.)

4 comentários:

Guilherme disse...

Parece que andamos lendo coisas em comum ultimamente.

Este número é mais como um epílogo. Só pra saciar a vontade dos leitores e fechar as pontas soltas que ficaram na história. Está longe dos melhores momentos da série.

Valeu pela despedida. Planetary já está no hall dos melhores quadrinhos desta década.

Wellington Srbek disse...

Olá Guilherme,
Planetary n°27 é sim um bom fechamento, mas eu não acho que o Ellis tenha deixado pontas soltas para serem amarradas (ele meio que já tinha resolvido tudo nas edições anteriores). Para mim, esse n°27 é mais um acerto de contas do Ellis com o Elijah, que deve ter cobrado dele que resolvesse a situação do Ambrose. (Os personagens às vezes ganham uma autonomia em relação a nós que os criamos, e podem tomar as rédeas da situação e até exigir certas coisas. É algo muito doido...)
Abraço e valeu pela participação!

Volca disse...

CAra, foi esse gibi que me motivou a retornar a leitura de quadrinhos. MAs a última história com certeza não chega perto de outras anteriores, mas pelo menos teve mais uma né não? (e o tradicional que os bonzinhos não morrem)

Wellington Srbek disse...

Olá Volca,
Eh, Planetary foi uma das melhores séries dos quadrinhos norte-americanos dos últimos tempos e é o melhor trabalho de Warren Ellis. Ela merece e ficará na história dos quadrinhos (ainda mais agora com as versões em Absolute Edition).
Não sei se você já leu, mas tem um extenso texto aqui no blog em que analiso a série como um todo.
Abraço!