14/02/2009

As últimas edições das revistas Pixel (?).


Com sua mistura de quadrinhos dos selos Vertigo, Wildstorm e ABC, nos últimos dois anos, a Pixel Magazine foi sem dúvida a melhor revista mensal à venda no mercado brasileiro. Com seu sucesso entre os leitores, a publicação ganhou no ano passado a companhia da Fábulas Pixel, que passou por muitos atrasos, tendo mais ou menos uma periodicidade bimestral. Agora, no entanto, com o silêncio e as incertezas que ainda rondam os destinos da Pixel Media (editora do grupo Ediouro) a PM n°21 e a FP n°4 podem realmente ser as últimas edições as revistas (não apenas no sentido de as “mais recentes”, mas também de as “derradeiras”). Enquanto a editora não emite nenhum comunicado definitivo sobre o destino de suas publicações e dela própria, compartilho com vocês o texto que preparei a pedido do então editor Cassius Medauar para a Fábulas Pixel n°4. Fica, é claro, a torcida para que a situação da Pixel se restabeleça e que suas ótimas revistas voltem a ser publicadas periodicamente.

Promethea: a fantástica viagem de Alan Moore & Cia.

A edição em suas mãos marca uma nova fase na trajetória de Promethea, série que chegou ao Brasil nas páginas da Pixel Magazine(n°s 4 a 15). Não apenas porque a partir de agora as fantásticas HQs criadas por Alan Moore & Cia. passam a ser publicas aqui, na Fábulas Pixel, mas também porque, com seu décimo terceiro capítulo, a série inicia uma exploração ainda mais profunda e complexa dos mistérios do Ocultismo e da Cabala.

Lançada nos Estados Unidos em agosto de 1999, estendendo-se por 32 edições, Promethea tem como personagem principal a universitária Sophie Bangs que, às voltas com sua monografia de fim de curso, acaba mergulhando no universo do folclore e da cultura pop. Porém, o que começa como uma pesquisa acadêmica acaba se transformando numa fantástica viagem iniciática, quando a própria Sophie assume a identidade de Promethea. Além da protagonista, somos apresentados à sua amiga Stacia, ao bruxo Jack Faust e às versões anteriores da heroína de Imatéria. Uma intrincada mistura de ficção e História, quadrinhos e literatura, ao longo da série acontecem também várias participações especiais, que vão de Chapeuzinho Vermelho e Lobo Mau, aos magos John Dee e Aleister Crowley.

Nos 12 primeiros capítulos dessa jornada mística, testemunhamos a aprendizagem e o desenvolvimento da nova Promethea. Já os capítulos 13 a 23 são nada menos que um curso de iniciação à Cabala e ao Ocultismo, na forma de belíssimas revistas em quadrinhos. Embora essa parte “iniciática” tenha desagradado a alguns leitores (pois há edições que não mostram muito mais que duas personagens conversando enquanto caminham), o trabalho dos autores deu origem a algumas das HQs mais belas, inteligentes e inventivas já publicadas no mercado norte-americano. E não pára por aí, pois os capítulos 24 a 32 guardam um surpreendente e “apocalíptico” desfecho (que inclui a participação de outros heróis da linha ABC, como Tom Strong, Jack B. Quick, Cobweb e Greyshirt).

Se não bastassem os roteiros originalíssimos, o visual das revistas, por si só, já faria de Promethea um capítulo à parte na história dos quadrinhos. Contando com desenhos detalhados, arte-final precisa e cores bem dosadas, as HQs publicadas na Pixel Magazine são um aperitivo para o que vem pela frente. Afinal, o que se inicia nesta Fábulas Pixel n°4 é um banquete para os olhos, repleto de imagens saborosíssimas, criadas por J.H. Williams III, Mick Gray e José Villarrubia. Trazendo diagramações de página inovadoras, diferentes estilos de desenho, diversas técnicas de finalização e colorização, o visual dos capítulos vai variando de acordo com a temática dos roteiros (o que nos leva, por exemplo, de uma edição inspirada em Salvador Dalí, a outra que mais parece uma pintura de Van Gogh).

Caso não tenha acompanhado os 12 primeiros capítulos publicados na Pixel Magazine, não perca tempo! Com um pouco de sorte, você ainda pode encontrar as revistas à venda por aí. Além disso, a Pixel já lançou uma coletânea com os 6 primeiros capítulos da série, e em breve deverá publicar a edição com as partes 7 a 12. Agora, se você é daqueles que leu essa obra-prima dos quadrinhos e não gostou... Bem, leia de novo! E mais uma vez e outra vez se for necessário, até perceber que Promethea é uma das melhores séries de quadrinhos dos últimos 10 anos. Então, para os que chegam agora e para aqueles que já seguiam essa fantástica jornada, boa leitura e boa viagem!

6 comentários:

Mário Cau disse...

Cario Wellington,
Sou quadrinista e acabo de lançar meu primeiro trabalho solo.
Gostaria de convida-lo ao meu blog, e se interessar, fazer uma resenha do meu novo filhote.

Grande abraço!

Wellington Srbek disse...

Olá Mário,
Já estou com a programação do blog fechada para as próximas semanas, mas vou conferir seu trabalho. Sucesso!

Thivá F.S disse...

É uma pena que acabou.

Ótimo blog!

Wellington Srbek disse...

Eh, Thiva, ao que tudo indica elas acabaram mesmo, junto com a própria Pixel. Resta agora saber se a Panini assume tudo de vez.
Abraço!

Igor disse...

É uma pena que a Pixel esteja nessa situação. Eles estavam publicando séries excelentes como a própria Promethea, 100 Balas, Y - O Último Homem, Planetary... Vamos ficar órfãos de novo...

Wellington Srbek disse...

Pois é, e quem acompanhava essas séries pela Pixel talvez tenha que reiniciar tudo de novo caso queira ter coleções completas, pois se a Panani assumir a publicação de Promethea, Planetary, Hellblazer e Sandman, duvido que eles utilizarão o formato reduzido da Devir / Pixel. Eles devem optar pelos livros de capa-dura, como têm feito com as HQs da DC.