15/12/2008

30 anos de um filme clássico do Super-Homem.


Há exatos trinta anos, no dia 15 de dezembro de 1978, estreava nos Estados Unidos Superman - The Movie, uma das melhores transposições de personagens dos quadrinhos para a telona. Se não me engano, naquela época os lançamentos de Hollywood demoravam alguns meses para chegar aos cinemas brasileiros. Assim, o primeiro longa-metragem do Filho de Krypton, protagonizado por Christopher Reeve, deve ter estreado por aqui apenas em 1979. O que sei na certa é que aquele foi o primeiro filme ao qual assisti no cinema, numa sessão no tradicional Cine Brasil do Centro de Belo Horizonte. A verdade é que nunca fui um grande fã do Super-Homem nos quadrinhos, mas jamais esqueci a experiência de ir assistir a Superman - O Filme!

Um projeto dos produtores europeus Alexander e Ilya Salkind, o filme baseado no primeiro e mais famoso dos super-heróis começou a surgir em 1974. Em associação com o produtor Pierre Splenger, os Salkind compraram da DC/Warner os direitos de adaptação, contratando o roteirista Mario Puzo (o mesmo da série O Poderoso Chefão) para transformar a história do personagem criado por Jerry Siegel e Joe Shuster num roteiro para o cinema. Para somar credibilidade ao projeto, os produtores contrataram, por um cachê milionário, o cultuado ator Marlon Brando, que interpretaria o papel de Jor-El (e cujo nome ajudou a atrair pessoas e financiamento para o filme). Depois de cogitarem diferentes diretores, os produtores acabaram se decidindo por Richard Donner (o mesmo da série Máquina Mortífera), que trouxe uma visão mais séria e respeitosa para a adaptação.

Donner convidou então o amigo Tom Mankiewicz para reescrever o roteiro inicial, que acabou sendo dividido em dois filmes, a serem rodados simultaneamente. Enquanto o projeto tomava forma, o ator Gene Hackman foi contratado para interpretar o papel de Lex Luthor. Mas faltava, é claro, um nome para interpretar o protagonista. Muitos testes foram feitos até finalmente ser escolhido o jovem e desconhecido Christopher Reeve, que (embora tivesse que pintar o cabelo de preto) foi perfeito ao encarnar o papel de Super-Homem/ Clark Kent. E para interpretar Lois Lane, foi escolhida a também pouco conhecida Margot Kidder. Completava o elenco uma mistura de veteranos e iniciantes, como Glenn Ford e Marc McClure (Jonathan Kent e Jimmy Olsen respectivamente). Fantásticos cenários e ótimos figurinos foram confeccionados, deixando tudo pronto para o início das filmagens.

Desde o início, porém, as coisas não correram da forma mais tranquila. Atrasos nas filmagens e problemas envolvendo o orçamento da produção tornaram tensa a relação entre o diretor e os produtores. Apesar disso, Superman - O Filme trouxe avanços na área dos efeitos especiais (que lhe renderiam um Oscar), com destaque para as cenas de vôo do Homem de Aço. Por isso mesmo, além do símbolo “S” e dos nomes dos medalhões Brando e Hackman, a campanha publicitária do longa se concentrava na frase: “Você vai acreditar que um homem pode voar”. Aproveitando os avanços técnicos da época e evitando erros de outras adaptações de quadrinhos, Donner conseguiu conciliar realismo e fantasia, tendo como parâmetro a verossimilhança. Uma última peça a ser somada foi a triunfal (e triunfante) trilha sonora de John Williams, com as fanfarras de sua inesquecível música-tema.

Segundo o próprio diretor, Superman - O Filme divide-se em “três atos”, correspondentes a três cenários (e visuais) principais: Krypton (esotérico), Smallville (nostálgico) e Metropolis (moderno). O primeiro ato começa com o julgamento do General Zod e seus comparsas (sequência que estabelece uma ligação direta com Superman II), concluindo com a fuga do bebê Kal-El do condenado planeta Krypton. O segundo inicia-se com a chegada da criança das estrelas, mostrando momentos da juventude de Clark Kent (interpretado por Jeff East) e culminando no primeiro vôo do Super-Homem (a partir daí interpretado por Reeve). O terceiro ato inicia-se com a chegada de Clark Kent a Metropolis, podendo na verdade ser dividido em duas partes, sendo que a primeira se encerraria com a sequência no apartamento de Lois Lane, quando ela entrevista e voa com o Super-Homem, depois saindo para jantar com seu alter ego.

A partir daí, o filme se concentra no plano maligno de Lex Luthor e em seu antagonismo com o Super-Homem. Mas essa parte final é também a que traz mais inconsistências, que prejudicam a verossimilhança que tanto beneficiou a primeira hora e meia de filme. Por fim, há a sequência em que o Homem de Aço voa em torno da Terra para fazer o tempo retroceder (!?) e salvar a vida de sua amada (uma cena inverossímil, que pelo menos rendeu a bela canção de Gilberto Gil que traz a estrofe: “Quem sabe / o Superhomem venha nos restituir a glória / mudando como um deus o curso da história / por causa da mulher”). Se relevarmos os atropelos do final, Superman - O Filme guarda momentos memoráveis, como o pequeno Kal-El levantando a caminhonete, as sequências do helicóptero e do trem, o vôo romântico de Super-Homem e Lois Lane, as trapalhadas de Clark Kent e os diálogos de Luthor, Otis e a Srta. Teschmacher.

Depois da estréia e com o retumbante sucesso, os produtores despediram Richard Donner, que não concluiu as filmagens de Superman II. Com o diretor substituto, o segundo filme não teve a mesma qualidade e “aura” do primeiro (nem falemos do terceiro e quarto produzidos nos anos 80). De qualquer forma, Superman - O Filme já tinha projetado Christopher Reeve como o intérprete definitivo do Filho de Krypton (Dean Cain, Tom Welling e Brandon Routh nem mereciam ser citados neste texto). O filme em si marcou época, estabelecendo um novo padrão para as produções cinematográficas com personagens das HQs (modelo seguido por Tim Burton nos filmes do Batman de 1989 e 1992, bem como por Bryan Singer nos dos X-Men de 2000 e 2003). Sobretudo, respeitando os quadrinhos e conciliando ação, romance e humor, o filme de 1978 resiste à prova do tempo, merecendo o título de “clássico”.

(Superman - O Filme e suas sequências estão disponíveis no Brasil em DVDs repletos de extras, dos quais tirei algumas das informações contidas nesta postagem.)

4 comentários:

Anderson Cossa disse...

Só te digo uma coisa Wellington, Superman - O Filme, é a melhor adaptação de quadrinhos na minha opinião. Um filme que emociona e muito bem feito pra época. E olha que era um desafio na época fazer seus efeitos especiais. Mas tá tudo lá. Perfeito!

Boa lembrança!

Abraço e tudo de bom!

Wellington Srbek disse...

Olá Anderson,
Também é uma das minhas preferidas, com o acréscimo de ter sido o primeiro filme que vi no cinema.
E revendo-o agora, com exceção da parte final, o roteiro do filme se sustenta muito bem e os efeitos surpreendem realmente pela qualidade (o que aliás é uma característica de produções da época, como os primeiros Guerra nas Estrelas).
Grande abraço!

Jean disse...

Eu tb gosto do "Superman - O Filme", mas assim como vc, Wellington, aprecio mais a primeira 1h30; a partir daí vira uma historinha de super-herói genérico. Mas por enquanto a minha adaptação favorita de HQ pra cinema é "Anti-Herói Americano". Deve ser porque eu gosto mais das HQs do Harvey Pekar do que das do Super-Homem, suponho. =)

Wellington Srbek disse...

Pois é, Jean, o final do filme acaba atrapalhando um pouco.
O Anti-Herói eu não assisti ainda. Mas gosto muito também das adaptações feitas em animação, como Akira por exemplo. E considerando como um todo, acho que a adaptação que mais gosto é a Batman: The Animated Series de 1992-1993. Para mim ela é melhor que a maioria dos quadrinhos de super-heróis feitos desde então.
Abraço!