10/03/2008

Batman & Spirit enfrentam seus inimigos, no Havaí.


Criados respectivamente em 1939 e 1940, Batman e Spirit foram produtos de um momento em que os quadrinhos de detetive e os quadrinhos de super-heróis disputavam a preferência dos leitores. Mais de seis décadas depois, as criações de Bob Kane e Will Eisner encontraram-se numa HQ com roteiro de Jeph Loeb, desenhos de Darwyn Cooke, arte-final de J. Bone e cores de Dave Stewart. Lançada em fevereiro pela Panini, em antecipação à nova série The Spirit produzida por Cooke, a edição especial tem o preço de R$ 5,90.

A história de Batman & Spirit começa com os comissários Dolan e Gordon à frente de uma lareira, relembrando uma velha história. É assim que o leitor é introduzido ao tema da HQ, que parte de uma sequência em que Spirit não se sai muito bem numa perseguição a alguns de seus piores inimigos. Em seguida, é a vez de Batman e Robin, que quase viram churrasquinho ao tentar impedir a fuga de seus próprios vilões. Passando a uma sequência mais cotidiana, vemos o Comissário Dolan despedindo-se de sua filha Ellen em Central City, enquanto em Gotham City o Comissário Gordon se despede de sua filha Bárbara. Ambos viajam então para o Havaí, onde uma convenção de policiais os aguarda. O que eles não sabem, mas logo Batman e Spirit deduzem, é que também os vilões se dirigiram para um encontro naquele arquipélago. A partir desse ponto, o roteiro perde a força, baseando-se em forçadas sequências de ação e situações fracamente explicadas ou mal apresentadas.

Evitar o assassinato dos comissários e prender os vilões passa a ser o elemento central da trama envolvendo Batman e Spirit. E se o vilão Octopus parece ter inicialmente o papel preponderante, Coringa e Arlequina acabam roubando a cena, mais uma vez. No final, as quarenta páginas da HQ não parecem o bastante para se contar uma boa história, pois a captura final do bando de vilões é feita com um artifício externo: a aparição injustificável de um certo super-herói de Metropolis. Além disso, a idéia de levar dois heróis urbanos para uma aventura no Havaí não é lá muito brilhante. Em resumo, a história de Jeph Loeb é uma decepção, mesmo para alguém que não espera muito desse supervalorizado roteirista. A única ressalva fica por conta dos paralelismos entre o herói encapuzado de Gotham e o herói mascarado de Central City. É o que vemos, por exemplo, na apresentação dos personagens, em uma página inteira para cada um: primeiro é o nome de Spirit que aparece num letreiro despedaçado, e depois o de Batman que surge nas dobras de sua capa.

É claro que mesmo o exemplo acima pode ter mais a ver com os desenhos de Darwyn Cooke do que com o roteiro original. E o fato é que o grande atrativo de Batman & Spirit são os desenhos em estilo cartunizado, auxiliados pela competente arte-final e cores bem trabalhadas. O visual no conjunto cria uma leve atmosfera “anos 40”, na trilha do que vemos nas páginas de DC: A Nova Fronteira, em relação aos anos 50. Deve-se dizer, porém, que a qualidade final não se compara, sendo o trabalho que consagrou o desenhista canadense muito superior em termos técnicos e expressivos. Assim, num saldo geral, Batman & Spirit agrada pelo visual, mas não é uma HQ que se justifica por si só. Na verdade, a edição especial utiliza Batman e seus vilões para apresentar o Spirit e seus personagens coadjuvantes aos leitores dos super-heróis DC.

Seria praticamente impossível enumerar hoje todos os “encontros” ou edições especiais envolvendo o Batman. Separadamente, aliás, Jeph Loeb e Darwyn Cooke foram responsáveis por algumas delas. No caso de Spirit, a história é bem diferente. Personagem de um autor e não de uma editora, o herói criado por Will Eisner teve uma carreira menos comercial. A maior parte das edições especiais com o herói de Central City ficou por conta de homenagens de outros autores de quadrinhos. A Kitchen Sink, que detinha os direitos sobre a obra de Eisner, publicou em P&B e formato magazine a HQ coletiva Spirit Jam, assinada por autores como Milton Caniff, Richard Corben, Harvey Kurtzman, Frank Miller e Bill Sienkiewicz. A editora de Denis Kitchen também lançou, em 1998, a série The Spirit: The New Adventures, com novas histórias curtas criadas por Alan Moore, Dave Gibbons, Neil Gaiman, Michael Allred, Kurt Busiek, Paul Pope, entre outros nomes de destaque dos quadrinhos.

A DC Comics detém hoje os direitos sobre o personagem de Will Eisner, lançando os vinte e quatro volumes da coleção The Spirit Archives. Batman & Spirit vem selar a associação do personagem com a editora do Homem-Morcego, antecipando a série mensal escrita e desenhada por Darwyn Cooke, que será tema de uma próxima postagem.

2 comentários:

Anônimo disse...

uia o q eu achei!!!!
http://www.bossanovaeditora.com.br/quadrinhos/
Editora procura autores nacionais pra publicar HQ!!!!!!!!!!!! eba! Abs mARCIO

Wellington Srbek disse...

Rapaz, eu já tinha visto a notícia sobre esse raríssimo fenômeno editorial. Mas valeu pela divulgação do link para os visitantes do Mais Quadrinhos!