22/12/2007

Os quadrinhos com arte pintada (II).


No início dos anos 90, a alta qualidade dos quadrinhos com arte pintada levou à criação de trabalhos em que essa técnica foi empregada de forma bastante criativa. Uma obra-prima daquele momento é Ás Inimigo, uma graphic novel de 120 páginas primorosamente pintadas por George Pratt, que narra os últimos dias de um aviador alemão durante a Primeira Guerra Mundial. Nessa HQ de visual impressionante e um tanto impressionista, o artista trabalha as cores com pinceladas rápidas que dão velocidade às sequências, preservando a ilusão de movimento tão essencial à narrativa em quadrinhos.

É da mesma época a minissérie em quatro partes Os livros da magia, escrita por Neil Gaiman, na qual cada capítulo ficou a cargo de um diferente artista, começando pelo veterano John Bolton e passando por Scott Hampton, Charles Vess e Paul Johnson. Contudo, nos anos que se seguiram, a popularização dos quadrinhos com arte pintada levou ao surgimento de vários trabalhos de qualidade duvidosa, nos quais as técnicas de pintura serviam no máximo para atrapalhar. Assim, num erro que insistem em repetir, as grandes editoras norte-americanas quase destruíram uma boa idéia. Entretanto, viria de uma delas a obra que resgatou e renovou as técnicas de pintura em quadrinhos: a HQ Marvels.

Escrita por Kurt Busiek, a minissérie reconta o passado do “Universo Marvel” através da lente de um fotógrafo. Nada mais pertinente, uma vez que todo o visual da HQ, pintada por Alex Ross, é baseado numa estética foto-realista, inspirada pelas ilustrações de Norman Rockwell. Com a ótima recepção do trabalho, o então desconhecido artista tornou-se, quase da noite para o dia, um dos nomes mais celebrados dos quadrinhos. Mas foi com Reino do Amanhã, escrita por Mark Waid, que Ross estabeleceu de vez seu lugar no mercado norte-americano. Utilizando novamente a fórmula de contar a história do ponto de vista de uma pessoa comum, a minissérie apresenta um apocalíptico futuro para o “Universo DC”, povoado por versões hiperrealistas e “maduras” de heróis como Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha.

Aclamado internacionalmente, Alex Ross acabou se tornando uma espécie de “ilustrador oficial” dos super-heróis DC, o que se confirmou na série de especiais com arte pintada escritos por Paul Dini e lançados para comemorar os sessenta anos dos principais personagens da editora. Em seguida, além da minissérie Tio Sam e de capas para os números 1 das revistas da Linha ABC de Alan Moore, o artista trabalharia em inúmeros pôsteres, capas e ilustrações especiais, incluindo a minissérie Justiça, atualmente publicada no Brasil, que traz os heróis clássicos da Liga da Justiça enfrentando a Legião do Mal. É preciso dizer, porém, que em algumas de suas HQs mais recentes a qualidade das páginas internas deixa um pouco a desejar, em especial no que diz respeito à narrativa e dinâmica das imagens, algo fundamental para os quadrinhos.

Aproveitando o prestígio dos trabalhos de Alex Ross entre os leitores, a Panini acaba de anunciar a edição especial Os maiores super-heróis do mundo. O livrão vem em capa dura com 400 páginas, formato 23cm x 31cm, e republica as edições Superman: Paz na Terra, Batman: Guerra ao Crime, Shazam: O Poder da Esperança, Mulher-Maravilha: O Espírito da Verdade, LJA: Origens Secretas e LJA: Liberdade e Justiça, trazendo ainda uma galeria de extras com esboços e fotos de referência utilizadas pelo artista.

2 comentários:

Barba Magnética disse...

Só faltou falar de Ashley Wood, um ilustrador/pintor excelente.

Wellington Srbek disse...

Eu conheço e gosto muito do trabalho dele, em especial no anual dos X-Men de 2001 e na Automatic Kafka. Eu tinha chegado a escrever um parágrafo final falando dele, do Sam Kieth e do Templesmith, mas preferi deixar para uma futura postagem "Quadrinhos com Arte Pintada (III)", na qual abordarei os principais trabalhos do ano 2000 para cá (as duas primeiras postagens sobre o tema falam mais dos anos 80 e 90).
Valeu, abraço!