26/12/2007

Batman: herói dos seriados, filmes e animações (II).


Com a crise de valores dos anos 70, o questionamento dos heróis tradicionais abriu caminho para que Batman reassumisse seu lado mais sombrio. E a partir de sucessos dos quadrinhos nos anos 80 (O Cavaleiro das Trevas, Ano Um e A Piada Mortal), a Warner Bros decidiu levar o personagem para as telas de cinema, numa produção que fizesse jus à sua importância. Foi assim que surgiu Batman - O Filme, sensação cinematográfica de 1989 inspirada nas primeiras HQs desenhadas por Bob Kane e em elementos das graphic novels produzidas por Frank Miller e Alan Moore.

Lançado para comemorar os 50 anos do Homem-Morcego, o longa-metragem chegou com uma gigantesca campanha de marketing, que contava com anúncios na mídia em geral, além da distribuição de material impresso (como pôsteres e panfletos) e instalações cenográficas em lojas de departamentos (onde eram exibidos vídeos, em meio a elementos temáticos e modelos em escala reduzida). Feito numa época em que não havia um novo filme de super-heróis a cada semana, o lançamento de Batman - O Filme foi o que se pode chamar de um acontecimento memorável.

A princípio, a escolha de Tim Burton para a direção causou controvérsia entre os fãs, embora nada que se comparasse ao espanto geral causado pelo anúncio de Michael Keaton para o papel-título. Mas se a bela Kim Basinger (no papel de Vicky Vale) trouxe algum alívio aos mais descontentes, a escolha de Jack Nicholson para o papel de Coringa (acompanhado dos rumores sobre seu milionário cachê) não deixou dúvidas de que se tratava de uma grande produção. O fato é que o filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria, e visto hoje (apesar de algumas limitações técnicas) ele não decepciona.

Podendo também ser chamado de “Batman - O filme que o Coringa roubou”, seu roteiro se concentra na origem do vilão (retirada de A Piada Mortal), relacionando-a com a origem do herói (encenada a partir da versão de Frank Miller). Como esperado, a atuação de Nicholson é insuperável, não deixando muito espaço para Keaton e os demais atores. Apesar de alguns momentos de inverossimilhança, a produção acertou no figurino e na ambientação, criando uma Gotham City que mistura elementos dos anos 40 e componentes atuais. A temporalidade não-fixada colabora inclusive para a “suspensão da incredulidade”, numa história que traz atores fantasiados de morcego-humano e palhaço psicopata, além de uma “mocinha” que não faz muito mais do que ser salvar e emitir estridentes gritinhos.

Um resultado ainda melhor foi alcançado com Batman - O Retorno, que trouxe um Michael Keaton mais convincente no papel principal, além de Danny DeVitto (como um repulsivo Pinguim) e Michelle Pfeiffer (interpretando uma sensualíssima Mulher-Gato). Com uma produção mais bem-cuidada e um roteiro mais original, esse segundo filme, lançado em 1992, foi a chance de Tim Burton mostrar sua versão cinematográfica dos quadrinhos (influenciada por elementos dos clássicos do terror e dos espetáculos itinerantes). Sem os exageros da produção anterior e com uma cenografia mais competente, Batman - O Retorno é ainda (passados quinze anos) um dos melhores filmes já feitos com personagens dos quadrinhos.

Com o sucesso financeiro das primeiras produções, a Warner decidiu investir em duas sequências dirigidas por Joel Schumacher. A primeira foi o pós-modernoso Batman Forever, filminho de 1995 com Val Kilmer, Nicole Kidman e Tommy Lee Jones, dedicado às caretas e trejeitos do excessivo Jim Carey. Já Batman & Robin, lançado em 1997, contou com Arnold Schwarzenneger, Uma Thurman e George Clooney, mas não conseguiu ser muito melhor que o filme anterior. Após essas dispensáveis produções (que incluíram closes no traseiro, mamilos salientes e toda uma abordagem drag queen), passariam dez anos até que um novo ator vestisse o capuz de Batman nos cinemas. Mas antes disso, para felicidade dos bat-fãs, o herói ganharia a melhor de todas as suas adaptações para outra mídia, como veremos a seguir.

Para os interessados, Batman - O Filme, Batman - O Retorno, Batman Forever e Batman & Robin estão disponíveis em DVD, podendo ser encontrados numa caixa com os quatro filmes ou em edições individuais. Existem também edições econômicas com dois ou até três filmes por disco, mas sem extras.

3 comentários:

Hiroshi disse...

Esses filmes do Batman são bacanas... em especial o Batman - O filme... Parece que o próximo Batman: The Dark Knight o Coringa também vai ser o grande astro...

Wellington Srbek disse...

Sim, como eu disse na postagem anterior, a julgar pela publicidade até aqui, The Dark Knight poderá ser um novo filme do Coringa. Mas vamos ver o que farão, pois não gostei muito do Batman Begins.

_Loot_ disse...

Os filmes de Tim Burton são muito bons, já os de Joel Shumacher foram bem maus principalmente o 4.

Eu gostei do begins, acho que o filme começa bastante bem, mas depois a segunda metade do filme torna-se mais aborrecida e saí do cinema com a sensação de que melhor se poderia ter feito, espero que esse melhor se veja em the Dark knight.

Acho que a publicidade se está centrar no Joker porque a introdução ao batman foi feito no begins agora após estar apresentado chama-se a atenção para novas coisas neste caso The Joker.
E não esquecer que é possível que Two-Face surja já neste filme, ou então que termine com a sua introdução tal como o begins terminou com a de Joker.

abraço