14/10/2010

O segundo “arco” dos X-Men de Warren Ellis (ou: não perca tempo e dinheiro!).


O roteirista inglês Warren Ellis conquistou um lugar de destaque no mercado de quadrinhos norte-americano. Tendo uma predileção por tramas envolvendo ficção científica e uma capacidade de apresentar novas perspectivas para temas já bastante explorados, sua estreia nas páginas da revista Astonishing X-Men foi aguardada com expectativa pelos leitores. No entanto, os números 25 a 30 da prestigiada série mutante ficaram muito aquém do que se podia esperar, destacando-se mais pelas páginas ilustradas pelo italiano Simone Bianchi, do que propriamente pelo trabalho de seu roteirista (uma resenha dessas primeiras edições pode ser lida aqui).

Ellis conseguiu se redimir um pouco nas duas edições da minissérie Astonishing X-Men: Ghost Boxes, mas ainda precisava mostrar a que veio. Conceituado entre leitores e editores, o renomado roteirista ganhou uma segunda chance para mostrar algo menos decepcionante: o novo “arco” Exogenetic, publicado entre os números 31 e 35 da revista mutante. Terá ele então alcançado um resultado mais condizente com seus trabalhos anteriores (como Planetary ou Iron Man Extremis)? Terá ele conseguido apagar a sensação do “vamos ganhar um dinheiro fácil” deixada pelas edições anteriores? Na minha opinião, a resposta é um sonoro “Não!”.

Astonishing X-Men: Exogenetic começa com a agente Abigail Brand numa missão espacial para eliminar alienígenas da espécie conhecida como Ninhada (quem lia as revistas dos X-Men nos anos 80 está bem familiarizado com esses detestáveis aliens transmórficos). As coisas não saem muito bem e Abigail cai na Terra, tendo que ser resgatada por Ciclope & Cia. Quando tudo parece se acalmar, entra em cena outro vilão do passado: um gigantesco robô sentinela. Este, porém, tem a peculiaridade de ser composto por partes biológicas e estar ligado à trama envolvendo os alienígenas da Ninhada. Aí entra em cena o clone de um terceiro vilão do passado: Krakoa, a Ilha Viva.

Segundo revela Abigail, o que liga todas essas ameaças é um misterioso vilão com um extenso conhecimento sobre engenharia genética e o desejo de eliminar os mutantes (ou seja, nada muito diferente do que já vimos várias vezes). Veículos espaciais gigantes e a aparição de um clone do vilão pterodátilo Sauron só servem para reforçar a sensação de lugar-comum. No capítulo final, muita conversa fiada, ação mal representada e algum draminha envolvendo o misterioso vilão resultam num fechamento fraquíssimo. Com isso, todo o “arco” pode ser resumido a uma grande perda de tempo para quem venha a dedicar algumas horas a lê-lo, isso sem falar no dinheiro jogado fora.

Com uma história pouco inspirada, Exogenetic oscila entre desinteressantes sequências de combate e diálogos repletos de sarcasmo. Pior ainda são os desenhos de Phil Jimenez e Andy Lanning, cheios de borrões e (d)efeitos digitais criados pelo colorista Frank D’Armata, que formam um visual que pode ser descrito como “feio”. Assim, se nas primeiras edições para a Astonishing X-Men Ellis pôde contar com o talento de Simone Bianchi, nestas últimas sequer as imagens compensam. Mas, apesar da pouca qualidade e dos atrasos, antes da conclusão de Exogenetic, a Marvel já tinha começado a publicar a minissérie Astonishing X-Men: Xenogenesis, também escrita por Ellis.

No geral, não há o que se elogiar nas fracas histórias de Ellis para os X-Men, que se revelam cada vez menos interessantes e desde o início nada surpreendentes. De qualquer forma, para quem quiser tirar a prova, em breve elas poderão ser conferidas nas edições da Panini.

2 comentários:

rbmatos disse...

Warren Ellis atualmente só é bom fora do 'mainstream'

Wellington Srbek disse...

Eh, parece que ele está naquela de fazer dinheiro nos projetos para grandes editoras e para o cinema, deixando para fazer as coisas mais interessantes nas editoras menores, como a Avatar.