08/01/2009

Solar: da “versão apócrifa” à versão reformulada.


Em 2004, Solar completou dez anos de sua criação. Por gostar do conceito do personagem e achar que ele merecia histórias mais bem-construídas, decidi trabalhar numa reformulação. Em novembro daquele ano, comecei a bolar uma história que recriaria o herói, tendo como pano de fundo elementos de xamanismo e magia. O resultado final, alcançado em dois meses de trabalho, foi um roteiro dividido em sete capítulos, com um total de 98 páginas (que acabaria se tornando o que chamo hoje de “Solar: Versão Apócrifa”).

Nessa versão alternativa, criada na passagem de 2004 para 2005, o nome de Solar passou a ser Gabriel Ribeiro, pois ele e sua mãe, Sofia, não tiveram que se separar logo após seu nascimento (como acontecia na versão original, na qual ele tinha pais adotivos). Outra mudança é que o personagem seria mais jovem (tendo 21 anos, e não 27) e não estaria casado ainda com Cristiane (que seria sua namorada, e não sua esposa como na primeira versão). A reformulação também contaria com a participação do pai de Gabriel, o aroe Uiraçu, e traria um personagem novo que faria as vezes de vilão: o mago Basílio.

Com o roteiro praticamente pronto, decidi dar andamento ao projeto. No início de 2005, um amigo desenhista começou a trabalhar nas páginas da reformulação. Contudo, após desenhar os dois primeiros capítulos, ele teve que deixar o projeto, devido a compromissos pessoais. Pouco tempo depois, assumiu um novo desenhista que me pediu para trabalhar na reformulação e que, pelas diferenças nos estilos de desenho, teve que partir do zero. Nos dois primeiros capítulos tudo correu bem. Mas a partir do terceiro começaram atrasos e houve perda de qualidade nas páginas, o que se repetiu no quarto capítulo.

Para piorar, enfrentando problemas pessoais, o desenhista abandonou o projeto no início de 2006, deixando-me com um trabalho inacabado e um considerável prejuízo financeiro. Afinal, não seria viável que outro desenhista continuasse a HQ de onde esse último havia parado (por questões de diferenças de estilo); e pela própria estrutura de meu roteiro, não seria possível publicar apenas o que já estava pronto (pois ficaria uma trama pela metade). Com tudo isso, o fato é que possivelmente as dezenas de páginas finalizadas do que passei a chamar de “Solar: Versão Apócrifa” jamais serão publicadas.

Muito chateado, cheguei a quase desistir do projeto. Mas, pouco tempo depois, para “exorcizar” a raiva que tinha passado, resolvi debruçar-me novamente sobre a reformulação de Solar. O resultado foi que, ao longo de 2007, acabei reescrevendo e redesenhando a maior parte do roteiro. Era hora então de reiniciar a busca por um desenhista. O primeiro que apareceu desenhou uma página e sumiu do mapa. Um segundo fez ótimos estudos de personagens, mas não chegamos a um acordo quanto a prazos e valores. Passado algum tempo, veio um terceiro que, após três meses, acabou não produzindo nada.

Nesse ponto, a reformulação de Solar já havia se tornado uma verdadeira “novela”. Mas então, no início de 2008, conheci o desenhista Rubens Lima (autor da imagem que ilustra esta postagem). Ele tinha lido o Solar original quando adolescente e ficou interessado em trabalhar comigo na reformulação. Acertados os valores e prazos, Rubens começou a trabalhar nos estudos de personagens e nas primeiras páginas. E assim, após quatro anos de persistência, a reformulação de Solar finalmente está ficando pronta (com as 48 páginas de Solar: Renascimento já finalizadas e mais algumas páginas a caminho).

Nessa nova versão, o personagem se chama Gabriel Ribeiro e trabalha como programador visual, tem cerca de 27 anos e é casado com Cristiane Villas Bôas. Sua mãe Sofia e seu pai Uiraçu também têm uma participação importante na trama. Em essência, é o mesmo personagem, porém, os roteiros estão mais concisos que nas versões anteriores e o caráter cultural e simbólico do personagem foi ressaltado. Isso sem falar nos desenhos marcantes do Rubens (que deram um novo visual ao herói, que inclui um símbolo xamanístico do Sol tatuado no peito). No fim, todo o trabalho e as chateações parecem ter tido um propósito, que foi o de me levar a fazer um trabalho de qualidade superior.

Agora é conseguir um patrocínio ou (de preferência) uma editora, para que Solar possa alçar vôo, mais uma vez!

10 comentários:

OCP disse...

Bem...Não há duvida que editar HQ por aí é fogo (como vcs dizem). ;)

Espero que consiga os seus objectivos porque tanto pelo que já li, como pela amostra da arte das novas aventuras e pelo que conta da reformulação, tenho a certeza que será um sucesso. :D

Abraço. :)

PS. - Fico contente que tenha gostado da manip. :D

Wellington Srbek disse...

Olá OCP,
Realmente nã é fácil, mas é uma grande paixão, então sigo persistindo.
Grande abraço!

Anônimo disse...

Que você consiga publicar. Ficamos no aguardo.

Wellington Srbek disse...

Valeu!
Pena não ter se identificado...
Abraços!

Igor disse...

Boa sorte, Wellington! Espero ver logo esse novo Solar nas bancas. Abraços!

Wellington Srbek disse...

Obrigado pelos votos, Igor!
Não sei se você conhece minhas HQs QUANTUM e APOCRIPHA, mas acho que você, que é "fã incondicional" de Bob Dylan (como eu sou), vai gostar delas. As duas foram em parte influenciadas por músicas dele, trazendo especificamente citações de "Like a rolling stone" e "Desolation Row" (se se interessar, os dois álbuns ainda estão disponíveis aqui me BH na Leitura Savassi).
Qualquer dia ainda arrumo um tempo para montar um blog com minhas traduções de letras do Dylan.
Grande abraço!

Igor disse...

Valeu pela dica, Wellington, vou procurar essas obras. É legal ver que a influência de Dylan vai muito além da música e chegou até o quadrinho nacional. Aliás, "Desolation Row", que também é citada em Watchmen, é minha música preferida dele. Abraços e sucesso!

Wellington Srbek disse...

Legal, Igor! Depois me diga o que achou das HQs. Acho que realmente vai gostar!
"Desolation Row" é também uma de minhas preferidas, ao lado de "Subterranean Homesick Blues", "It's all right, mom, I'm only bleedin'", "Gates of Heaven", "Shelter from the storm" e "All along the Watchtower" (esta última também citada em Watchmen). E isso para ficar nos discos antigos, porque eu gosto de quase tudo dos três últimos álbuns dele: Time Out Of Mind, Love And Theft e Modern Times.
Mas minha música preferida do Dylan, se tiver que apontar uma, é "Jokerman" na versão do Caetano, do disco Circulandô Vivo.
Abraço!

Wesley Viana disse...

Fiquei mais ansioso ainda para ler o novo Solar. Tenho certeza que está bem melhor do que o original. Espero que consiga um patrocínio logo.

Wellington Srbek disse...

Valeu, Wesley!
Também não vejo a hora de lançar a nova HQ! Já tenho as 48 páginas de "SOLAR: Renascimento" prontas, mais algumas páginas dos capítulos seguintes. A idéia é lançar duas revistas ou um álbum de 84 páginas.
Mas tudo depende de uma editora ou de um bom patrocínio.
Torça aí, amigo, e grande abraço!