27/10/2008

Chega ao fim uma bem-sucedida fase dos X-Men.


Uma característica comum nos quadrinhos de super-heróis é a identificação dos leitores com determinado personagem (há assim os fãs de Super-Homem, Homem-Aranha, Batman ou Wolverine). Além disso, muitas vezes os leitores elegem fases favoritas, nas quais determinada equipe de autores ficou a cargo de uma revista. Um bom exemplo disso foram os anos em que a revista The Uncanny X-Men foi produzida por Chris Claremont e John Byrne. Por sua qualidade e importância, muitos consideram este período, entre 1977 e 1981, como o melhor dos heróis mutantes da Marvel. Mais recentemente, outra fase dos “filhos do átomo” mereceu atenção especial dos fãs.

Escrita por Joss Whedon (o criador do seriado Buffy, a caça-vampiros) e desenhada por John Cassaday (ilustrador da série Planetary), a revista Astonishing X-Men foi lançada nos Estados Unidos em 2004. A popularidade dos autores envolvidos e o sucesso da série motivaram a Marvel a investir em edições alternativas, coletâneas e reedições em capa-dura. No Brasil, essas HQs foram publicadas a partir de 2005, nas páginas da X-Men Extra. Para quem não acompanhou a publicação mensal, a Panini lançou recentemente Os Surpreendentes X-Men Volume 1, coletânea em capa cartonada, que traz os doze primeiros capítulos da revista original.

Trazendo os X-Men “sob nova direção” (com Ciclope e Rainha Branca no comando), a fase de Whedon e Cassaday tem como característica a volta a elementos de aventuras tradicionais do grupo de mutantes (como o retorno de personagens e algumas situações que lembram antigas histórias). Já na HQ de estréia isso pode ser notado, por exemplo, no nostálgico retorno de Kitty Pryde à Mansão-X e na violenta rusga de Ciclope e Wolverine, por causa da falecida Jean Grey. E há o próprio visual da série, que se aproxima mais dos desenhos clássicos dos anos 70 e 80, do que das estilizações dos anos 90 e das influências cinematográficas dos últimos anos.

Após vinte e quatro edições, a fase de Whedon e Cassaday chegou ao fim neste ano com a edição especial Giant-Size Astonishing X-Men n°1, lançada por aqui na X-Men Extra n°82. Com a participação especial de outros heróis Marvel, como Quarteto Fantástico, Dr. Estranho, Homem de Ferro e Homem-Aranha, a trama mostra os X-Men mais uma vez às voltas com a iminente destruição do mundo. Mas, ao mesmo tempo em que enfrentam a ameaça alienígena, Ciclope, Rainha Branca, Fera, Wolverine e Colossus empenham-se para salvar a amiga Kitty Pryde. Com elementos futuristas e mais diálogos do que ação, esse epílogo estendido de Whedon, no entanto, deixa algo a desejar.

O que chamou minha atenção para Giant-Size Astonishing X-Men n°1 foi a dinâmica ilustração de sua capa dupla (que vemos nesta postagem e foi reproduzida pela Panini na X-Men Extra n°82). Contudo, esta aparente cena de combate, com os X-Men à frente e vários outros mutantes e heróis Marvel seguindo-os, na verdade não aparece em nenhum momento da HQ. Além disso, os desenhos de Cassaday tropeçam em alguns quadros, ficando aquém do que ele mostrou ao longo da série (e no geral não comparável à qualidade de seu trabalho em Planetary). Para quem quiser conferir, X-Men Extra n°82 tem 100 páginas, sendo vendida por R$6,90.

12 comentários:

J Júnior disse...

Fases boas...
Da no que pensar é como citar os vingadores tbm em 80 era duca...
agora uma bagunça só.
espero que homem aranha melhore nos acontecimentos pos "um dia a mais".

Wellington Srbek disse...

Com raríssimas exceções, não vale mais a pena ler quadrinhos de super-heróis. Virou tudo um lixo cultural, que serve apenas de fonte para filmes de Hollywood.
Por isso mesmo, os X-Men de Claremont e Byrne, o Demolidor de Miller, o Super-Homem de Byrne e a Mulher-Maravilha de Pérez terão sempre um lugar de destaque na história dos quadrinhos norte-americanos. Merecidamente, todas essas edições ganharam coletâneas nos Estados Unidos e aqui.
Até a próxima, J!

J Júnior disse...

isso ai, virou fonte para diretores sem criatividade ou imagiação.
Citando tambem o Mike mignola ao qual sua criação ficou infantil nas telas. Talvez de todas Sin City de Frank Miller e a adapitação mais legal, porem prefiro a hq por ser mais tensa e seria tbm!
Por sorte hoje as editoras estão ivestindo nas antigas Hqs, porem por azar muitos preços são BEM elevados, vale a pena pela qualidade!

Wellington Srbek disse...

Eu até que gosto bastante dos filmes com o Hellboy (tem uma resenha do mais recente, aqui no blog). Sin city não vi até hoje.
Mas os meus preferidos, são os dois primeiros do Super-Homem com o Christopher Reeve e os dois primeiros do Batman dirigidos por Tim Burton. Acho que estes foram os mais fiéis ao espírito dos quadrinhos. Mas pode ser nostalgia minha também!
Dos mais recentes, gosto dos dois primeiros X-Men do Bryan Singer e do filme do Coringa com o Heath Ledger. Tem também o From Hell que me agradou (embora seja bem inferior à HQ).

Marcus disse...

Sinto le dizer meu caro Junior, mas "um dia a mais" NÃO vai, nem de longe, melhorar em NADA situação do Aranha... Alias, foi por causa dela que simplesmente cansei! Quadrinhos de Super Heróis, os novos, simplesmente não dá! Com raríssimas exceções como Grandes Astros Superman e ao que parece essa fase dos X-Mens. O resto... Como Alan Moore disse não se fazem quadrinhos e sim storyboards para futuros filmes !

Abraços do seu Gafanhoto Favorito Srbek !

Wellington Srbek disse...

Quem é vivo de vez em quando aparece...
Grande, Marcus! Como vão as coisas meu padawan? Desenhando alguma coisa ou abandonou de vez os quadrinhos? Espero que esteja produzindo bastante!
Eh, o Homem-Aranha já era, pelo menos desde a "Saga do Clone". Agora só mesmo no cinema. Aliás, na minha lista lá em cima, esqueci de citar que também achei bacaninhas os dois primeiros filmes com o Tobb Maguire. Ainda não assisti o terceiro.
Sobre os X-Men, Marcus, li as duas primeiras edições escritas pelo Warren Ellis e está uma revista interessante, em especial pelos desenhos "artísticos" do Simone Bianchi.
Abração e vê se não some!

J Júnior disse...

Veja sin city!, ah cara sei não, talvez eu esteja bem exagerado bem com esperança no que não existe, mas boto fé na nova fase do homem aranha, tipo comparo ela com a morte de Gwen! a qual chocou todos e mudou a vida do cabeça de teia para sempre!

Ainda tenho esperança nos quadrinhos de heroes tbm como exemplo essa fase dos X-mens, a guerra dos aneis (DC), Invasão secreta...
tambem em selos alternativos como Goon ou o proprio hellboy!

Não perca as esperanças Marcus!

Wellington Srbek disse...

Vamos esperar a resposta do Marcus, se é que ele vai te responder, J, pois ele some e só aparece meses depois. Mas vamos torcer!
O que eu posso dizer é que tem coisa muito melhor do que quadrinhos de super-heróis hoje em dia. Os quadrinhos da Vertigo que a Pixel tem lançado, os álbuns autorias que a Conrad publica, além de vários quadrinhos brasileiros por aí, valem muito mais o investimento.
Abraço!

Marcus disse...

Eu não sei quanto a vocês, mas eu cansei de ler desculpas ao invés de ler quadrinhos. Cara pelo amor de deus! O Mefisto, ser das trevas e de tudo que é maligno, consegue recriar a realidade que Homem Aranha vive, mas não consegue tira uma bala da Tia May. Não me venha com desculpas do tipo, “isso é magia” ou então “na edição 456 a Tia May ficou invulnerável a magia”, isso não cola, isso não dá pra engolir!

Eu perdi a esperança com Quadrinhos de Super Heróis de hoje sim, e digo mais: Numca vai volta a ser como era, salvo rarissimas exceções ! Por que ao meu entender, pros editores, dinheiro é inversamente proporcional a qualidade. Há 20 anos Marvel e DC disputavam o mercado com Quadrinhos realmente boms, hoje em dia eles disputam pra ver quem lançar a pior historia ! Eu to de saco cheio de toda semana ter a “maior historia de todos os tempos herói x, depois dela nada será como antes” so pra no ano que vem volta tudo o que era com a maior saga de todos os tempos da ultima semana... DE NOVO !

Olha, eu agüentei a Saga dos Clones, Queda do Morcego, A Morte do Super Homem, a morte do Capitão America, o Jim Lee, o Rob Liefeld e o Joe Quesada, mas tudo tem um limite! Olha eu poderia passar meu dia todo falando mal desse tipo de coisa, mas por hora basta.

Wellington Srbek disse...

Hehe! Falou e disse, Gafanhoto!
E não deixo de ficar orgulhoso aqui, considerando que antes de fazer meu curso de quadrinhos você adorava as HQs do Homem-Aranha...
Como eu costumo dizer, e você reforçou eloquentemente, os quadrinhos de super-heróis em sua maioria, desde os anos 90, são um lixo cultural que só serve aos interesses das grandes editoras, e agora de Hollywood.
Abraços!

J Júnior disse...

Apoio mais que a musica tambem acabou nos anos 90(Quadrinhos de heroes eu ainda acredito!)
Eu estava aqui refletindo e...
isso é foda mesmo, tipo é como morte ou queda!
Antes era uma coisa cabulosa! hoje é só de mentirinha pois no final tudo volta ao normal! (Prefiro não pensar senão eu desacredito!)
Os argumentos de vcs são fortes!
Valeu Marcus e Wellington!

Wellington Srbek disse...

E valeu pela discussão, JJ!
Quanto à música, ainda temos Bob Dylan! Modern Times é uma jóia!