29/11/07

20 anos de uma Liga inesquecível.


Após o quase “marco-zero” de Crise nas Infinitas Terras e das origens recontadas a seguir, os diretores da DC Comics viram que era hora de redefinir a interação de seus principais personagens. Como parte desse processo, foi lançada em 1986 a minissérie Lendas, com a qual a editora aproveitou para incorporar à sua “continuidade” heróis que estavam meio à margem. Mas foi só nas últimas páginas que a minissérie produzida por John Ostrander, Len Wein e John Byrne deixou claro um de seus principais objetivos: abrir caminho para uma nova Liga da Justiça.

Em meados dos anos 80, a Liga da Justiça da América era composta por um elenco de segundo e terceiro escalões, que tinha heróis tão inexpressivos quanto Gládio, Vibro, Cigana e Vixen. Com isso, nas edições interligadas a Lendas, os editores e roteiristas aproveitaram para se livrar deles, deixando vago o título de principal grupo de super-heróis da DC. Para alegria dos leitores, o que veio a seguir foi uma das melhores e mais engraçadas versões que qualquer equipe de super-heróis já teve. Liderada por um soturno Batman, contando com o insuportável Guy Gardner e com o engraçado Besouro Azul, a nova Liga da Justiça conquistou os leitores e marcou época.

Lançada nos Estados Unidos em maio de 1987, a nova série era escrita por Keith Giffen e J.M. DeMatties, trazendo os expressivos desenhos do novato Kevin Maguire. Além dos já citados Batman, Guy Gardner e Besouro Azul, o elenco de estréia trazia Ajax o Marciano, Doutor Destino, Senhor Milagre, Canário Negro e Doutora Luz, além do faz-tudo Oberon e do empresário Maxwell Lord IV. Até aí nada demais, se não fosse a inteligente abordagem proposta pelos autores, que não se apoiava em lutas contra vilões, mas sim nos “bastidores” de um grupo de super-heróis, enfocando os conflitos gerados por suas diferentes personalidades. O sucesso foi imediato!

Já na capa do número 1, os carrancudos heróis encaram o leitor, enquanto o lanterna verde Guy Gardner dispara algo como: “e aí, tá achando ruim?”. A ilustração em si tornou-se célebre, não apenas pelo bom desenho, mas em especial pela forma inusitada de apresentar um grupo de super-heróis, sem nenhuma ação ou poses gloriosas. Com o crescente sucesso da série e as novas revistas surgidas dela, a capa de Maguire seria reeditada algumas vezes por ele próprio e por outros desenhistas. Dois bons exemplos são as capas apresentando a versão ampliada da Liga da Justiça Internacional e outra com a estréia da Liga da Justiça da Europa.

Às voltas com problemas de infra-estrutura, disputas pela liderança e brigas de egos, a nova Liga trouxe para os grupos de super-heróis a abordagem mais racionalista e psicológica dos anos 80. Porém, ao contrário do tom sombrio e pessimista presente em O Cavaleiro das Trevas e Watchmen, na série de Giffen, DeMatties e Maguire o tom predominante era o humor, pontuado por diálogos espirituosos e cenas ridículas. O egocentrismo de Guy Gardner, a infantilidade do Capitão Marvel e as crises da Canário Negro renderam sequências engraçadas, sem falar nas conversas nonsense entre Besouro Azul e Batman, que incluíam até alusões ao seriado Jornada nas Estrelas. Por seu clima mais “leve”, a revista passou a ser um contraponto aos quadrinhos de super-heróis, que se tornavam então cada vez mais violentos.

Mas certamente as HQs da nova Liga da Justiça não teriam o mesmo efeito sem seus excelentes desenhos. Capaz de criar cenas detalhadas e personagens com bastante identidade visual, Kevin Maguire era, antes de mais nada, um brilhante desenhista de rostos, esmerando-se nas “caras e bocas” dos personagens. Ainda desconhecido quando produziu as primeiras edições com a nova Liga, seu traço autêntico e inovador logo o projetaria como um dos melhores artistas do mercado norte-americano. Com o sucesso da série, o elenco de heróis foi se multiplicando e o desenhista acabou fazendo versões para praticamente todos os heróis de primeira linha da DC. Super-Homem, Mulher-Maravilha, Gavião Negro e Flash foram alguns dos felizardos que ganharam personalidade em traço.

A fase inteligente e bem-humorada da Liga chegou ao Brasil em janeiro de 1989, substituindo a revista Superamigos. Lembro-me que Liga da Justiça foi a última série de super-heróis que acompanhei ansiosamente, lendo cada novo número tão-logo ele saía. Ao longo dos anos 90, porém, os quadrinhos de super-heróis foram ficando mais e mais violentos, menos e menos interessantes. Felizmente, as sete primeiras HQs da série produzida por Giffen, DeMatties e Maguire estão disponíveis no volume Justice League: The New Beginning. Com um filme estrelado por esse grupo de heróis em pré-produção, há alguma possibilidade de a Panini relançar essas HQs no Brasil. Para quem não quiser esperar, as primeiras edições de Liga da Justiça ainda podem ser encontradas em sebos e lojas virtuais. Vale conferir, pois podemos dizer que aquela foi mesmo uma Liga inesquecível!

5 comentários:

Paulo Ramos disse...

Bwah-há-há-há-há!!!! Quem leu entendeu a referência. Não precisa dizer mais nada. Abração.

Wellington Srbek disse...

Eh, e tudo que o Ajax queria era ter uma nova Liga da Justiça, com respeitáveis e eficientes heróis. Mas com Besouro Azul, Canário Negro, Capitão Marvel, Senhor Milagre e Oberon não tinha muito jeito!

Hiroshi disse...

é essa. liga era muito boa e divertida... bons tempos...

QUEIROZ disse...

É praticamente um reality show da Liga da Justiça. na série Justiça as persolidades tb são muito bem definidas. Tem até uma briguinha entre o Homem Borracha e o Homem Elático, e o Homem Borracha chega a a ficar na forma do Cap. Marvel. Maneiro.

Wellington Srbek disse...

Pois é, eu tenho que dar um jeito de ler a Justice, principalmente porque ela tem a ver com aqueles desenhos dos Superamigos vs Legião do Mal, que eu assistia quando criança.