21/11/2016

Solar: Edição Especial!

Num lançamento digital pela plataforma Social Comics, chega uma nova HQ do herói Solar, com roteiro de Wellington Srbek, arte de Carlos Fonseca e balonamento por Cleber Campos.

Solar: Edição Especial mostra as consequências e repercussões dos fatos ocorridos ao final da edição anterior, revelando o que aconteceu com Solar e quais desafios aguardam o herói daqui para frente. Além de trazer um roteiro totalmente inédito, a edição especial se destaca pelas fantásticas páginas produzidas em arte digital.

Solar: Edição Especial
Criação e roteiro: Wellington Srbek
Arte digital: Carlos Fonseca
Balonamento: Cleber Campos
Editora: Mais Quadrinhos
14 páginas em cores

2 comentários:

Pedro Nicola disse...

Doutor, andei lendo a primeira versão do Solar (96-97) e a primeira coisa que percebi foi que o Wellington dos anos 90 era mais entusiasmado do que o Wellington de agora. Lembro de umas nossas discussões prosaicas sobre o cenário atual das HQs e percebo isso no material impresso. Mesmo assim, percebo também que, apesar da distância entre esses vinte anos de produção, o esmero, o respeito e a crença nas HQs tenham prevalecido tanto antes quanto agora.

O Solar têm algo que remeta ao Miracleman: ciência, magia e dramas humanos (se é que me permite fazer essa comparação). E é difícil fazer um paralelo entre "os Solares" de 96-97, 2010 e 2014, sendo que a essência da personagem está presente fielmente em suas três versões. Percebo que a diferença entre eles se dá apenas pelos conceitos que você vem enxugando de uma série a outra. Mas, isso não torna o Solar menos complexo do que é. Ao longo dos volumes da primeira versão, me parece que o Solar foi te consumindo por dentro como uma personagem que ganha vida própria. E o máximo que você pôde fazer foi deixar sair, porque, uma vez com vida própria, não compete mais a ti controlar a existência do Solar. É o filho que nasce para o mundo e não para ti.

Caliban, por sua vez, andou tão bem que quando o sétimo volume acaba, a euforia toma conta do meu eu-leitor que pede ainda mais quadrinhos. O conteúdo das entrevistas e editoriais, das cartas dos leitores e artigos publicados, é de uma riqueza tão grande que me faz pensar o quanto o quadrinho perdeu com a chegada desse imediatismo de informações. Parece que o leitor ficou meio preguiçoso de questionar e ser questionado e o que rege o cenário é apenas o automatismo de comprar-e-ler, comprar-e-talvez-ler ou comprar-e-não-ler. E os escritores não se isentam da culpa, pois cada vez mais eu tenho visto quadrinhos muito despretensiosos, preocupados mais com estética e menos com o conteúdo. Mas, sei que isso não é uma causa, apenas consequência de algo ainda maior.

Enfim, apesar dos "contras" do cenário atual das HQs, a chegada dessa nova reformulação do Solar têm muitos "prós" que só acrescem o quadrinho nacional. O trabalho está cada vez mais lapidado e polido e já atingiu o potencial que ele tanto tinha para alcançar lá na versão dos anos 90. Agora é só manter o ânimo e continuar produzindo.

Wellington Srbek disse...

Grande Nicola,

Hehe! Você e essa história de me chamar de "doutor"...

Poxa, muito feliz com seu retorno sobre Solar-Caliban! Uma grande leitura-análise sua!

Um ponto importante a esclarecer, pois já apareceu até em resenhas sobre o personagem, é que quando criei o Solar em 1994 eu nunca tinha lido nem folheado "Miracleman". Qualquer semelhança entre as duas HQs é coincidência, ou deriva do fato de a série inglesa ter sido escrita pelo Alan Moore, que também escreveu o "Monstro do Pântano", e esse sim influenciou muito o Solar, como eu falo em textos das revistas.

Realmente, há 20 anos eu era mais empolgado com os quadrinhos no Brasil, em parte porque tinha mais ilusões sobre o mercado brasileiro de quadrinhos. De qualquer forma, os anos 90 foram fantásticos para a produção de HQs independentes e para o movimento de quadrinhos em BH, então as revistas Solar-Caliban refletem também a energia daquele momento. E a coisa também de uma revista mensal ou bimestral, com seção de cartas e textos editorais, era algo muito bacana! Criava uma dinâmica própria com os leitores, que hoje não existe, justamente porque as formas de produção e veiculação mudaram. Mas as coisas mudam mesmo.

Valeu demais pela leitura e pelo comentário, grande abraço!