09/10/2012

Uma página de roteiro...


Os quadrinhos são uma linguagem artística eminentemente visual. E o que diferencia fundamentalmente uma história em quadrinhos de outras formas de linguagem visual é sua estrutura narrativa. Por isso mesmo, enquanto autor de quadrinhos, nunca concebi a possibilidade de criar um roteiro que fosse somente um texto escrito.

É claro que muitos roteiristas trabalham assim, com uma espécie de script de cinema. Mas, no meu caso, inclusive por ter começado como desenhista, acabei unindo os dois elementos e meus roteiros para HQs assumiram desde o início a forma do que chamo de roteiro desenhado. Pessoalmente, acredito ser a melhor forma de transmitir a um desenhista o ritmo e a estrutura que imaginei para uma página. (Penso ser também a forma ideal para um novo autor desenvolver o senso narrativo em quadrinhos, e era assim que eu ensinava roteiro em meu curso de quadrinhos, mesmo para os alunos que diziam “não saber desenhar”, mas que ao final sempre conseguiam realizar roteiros desenhados bem bacanas.)

De qualquer forma, já faz um bom tempo que trabalho assim, e não acredito que vá mudar meu processo a esta altura do campeonato. A maioria dos desenhistas com os quais trabalhei até hoje disse gostar desse modelo de roteiro, em especial o Mestre Colin que, mais de uma vez, me falou que era bom assim pois eu já fazia para ele “a parte mais chata do trabalho”. Acho que meu atual parceiro de HQs, Will, também gosta de meus roteiros desenhados, ou pelo menos não reclamou até hoje... A pagina acima, aliás, foi feita para uma de nossas HQs: Das Areias do Tempo, terceiro volume da série Mitos Recriados em Quadrinhos da editora NEMO.

Nela, Professor Lobato e sua netinha conversam sobre por que precisamos de tantos livros e de onde eles teriam vindo. Como podem notar, trata-se de um desenho rápido e simplificado, que tem o principal objetivo de estruturar a página e definir as cenas, além de apontar expressões e interações de personagens. O texto também já vem indicado em balões numerados, e qualquer outro detalhe ou dúvida que possa surgir Will e eu discutimos por e-mail. No caso da página acima, o resultado final, nos expressivos desenhos do Will, todos poderão conferir em breve, quando Das Areias do Tempo chegar às lojas!

6 comentários:

Will disse...

Antes de trabalhar com o Wellington eu nunca tinha recebido um roteiro desenhado. Os parceiros, até aquele momento, trabalhavam e trabalham com roteiros somente escritos com as descrições de personagens, enquadramentos, etc, que eu também acho legal.
Confesso que na hora fiquei surpreso mas gostei de cara desse método, pois ele me deixa fazer a minha parte do trabalho que é desenhar. É claro que as vezes rolam dúvidas e nós conversamos a respeito mas, na quase totalidade se não toda, das vezes, esse tipo de roteiro é o meu guia.
Acho que cada método tem sua validade e não tem certo ou errado, o certo é aquilo que funciona, a história tem que fluir e os desenhos tem que participar dessa fluidez.
Bom, como disse o Wellington... em breve teremos o Das Areias do Tempo, eu estou curioso, rerere...

Wellington Srbek disse...

Mas é isso mesmo, para cada roteirista o processo funciona de um jeito. Eu desenvolvi o meu processo desta forma, como roteiro desenhado. E é legal quando o desenhista se sente à vontade em trabalhar assim.
Aliás, Will, deixa eu ir lá terminar de desenhar o roteiro de Mitos 4!!!

kris disse...

é... trata-se dum belo storyboard, sem contar q assim o escritor consegue imprimir o ritmo da narrativa, ter idéias sobre movimentação de câmeras e afins. eu gosto desse processo, q estou habituado em anos trabalhando com o Robson Moura, q só cria assim suas histórias, bem como o Kaled, para a Recreio, q tbm faz uso de roteiro desenhado. de tudo q já escrevi de histórias, prefiro o método de escrever livremente, quase como se fosse um conto, e nesse momento começo a vislumbrar graficamente a história. sigo pensando nela, em suas páginas e quadros, até o momento de fazer o primeiro esboço preliminar, e algumas vezes ainda altero algo no momento de desenhar "de verdade".
no Força Animal, foi assim q trabalhamos, com os roteiros desenhados do Srbek, e foi ótimo! além da maestria com q conduz a narrativa o danadinho ainda sabe dar liberdade a seus artistas, tornando-os co-criadores, fazendo-os sentarem a seu lado em torno da fogueira na contação da história.

Wellington Srbek disse...

Hehe! Valeu, Kris! Bom saber que também curte meus roteiros desenhados, ainda mais que temos pela frente 3 álbuns do Força Animal...
Aliás, o primeiro roteiro da série foi desenhado no Paint, pois eu estava sem escaner, mas os próximos serão assim: feitos com lápis e papel.
E pode ficar tranquilo que, concluindo Mitos 4, nosso FA 2 já entra na linha de criação...
Abraço!

Aline Lemos disse...

Essa postagem foi nostálgica! Também gostei muito de conhecer roteiros desenhados, espero que inspire muita gente aqui no blog. Legal ler a opinião dos desenhistas também! Um abraço!

Wellington Srbek disse...

Deu saudades do curso de quadrinhos, né? Espero que continue desenhando HQs sempre que possível... E não deixe de aparecer por aqui com seus comentários.
Abraços!