21/06/2010

Mais X-Men por Warren Ellis (ou: quero meu dinheiro de volta!).


Com vários trabalhos importantes para grandes editoras como a Marvel e a DC Comics, o roteirista inglês Warren Ellis conquistou um lugar de destaque no mercado de quadrinhos norte-americano. Tendo uma predileção por tramas envolvendo ficção científica e uma capacidade de apresentar novas perspectivas para temas já bastante explorados, sua estreia nas páginas da revista Astonishing X-Men foi aguardada com grande expectativa pelos leitores. No entanto, os números 25 a 30 da prestigiada série mutante ficaram muito aquém do que se podia esperar, destacando-se mais pelas páginas ilustradas pelo italiano Simone Bianchi, do que pelo trabalho de seu renomado roteirista. Ellis conseguiu se redimir um pouco nas duas edições da minissérie Astonishing X-Men: Ghost Boxes, mas ainda precisava mostrar a que veio (para quem quiser saber mais, uma análise dessas primeiras edições pode ser lida aqui).

Conceituado entre leitores e editores, o roteirista ganhou duas outras chances de mostrar algo menos decepcionante: o novo “arco” Astonishing X-Men: Exogenetic e a nova minissérie Xenogenesis. Terá então Warren Ellis alcançado um resultado mais condizente com seus trabalhos anteriores? Terá ele conseguido apagar a sensação do “vamos ganhar um dinheiro fácil”, deixada pelas edições anteriores? Na minha opinião, a resposta é um sonoro “Não!”. Astonishing X-Men n°31 começa com a agente Abigail Brand numa missão espacial para eliminar alienígenas da espécie conhecida como Ninhada (quem lia as revistas dos X-Men nos anos 80 está bem familiarizado com esses detestáveis aliens transmórficos). As coisas não saem muito bem e ela cai na Terra, tendo que ser resgatada por Ciclope & Cia. Quando tudo parece se acalmar, entra em cena outro vilão do passado: um gigantesco robô sentinela.

Este, porém, tem a peculiaridade de ser composto por partes biológicas e estar ligado à trama envolvendo os alienígenas da Ninhada. Aí entra em cena o clone de um terceiro vilão do passado: Krakoa, a Ilha Viva. Segundo revela Abigail, o que liga todas essas ameaças é um misterioso vilão com um extenso conhecimento sobre engenharia genética e o desejo de eliminar os mutantes (ou seja, nada muito diferente do que já vimos várias vezes). No geral, as HQs oscilam entre desinteressantes sequências de combate e diálogos pouco inspirados e repletos de sarcasmo. Mas o pior, sem dúvida, fica por conta dos desenhos de Phil Jimenez, cheios de borrões e outros (d)efeitos digitais, que resultam num visual que só pode ser descrito como “feio” (e se nas primeiras edições para a Astonishing X-Men Ellis pôde contar com o talento de Bianchi, agora nem as imagens compensam a compra das revistas).

Sofrendo atrasos e hiatos, esse novo "arco" teve apenas os três primeiros capítulos publicados até agora (na Astonishing X-Men n°31 a 33). Sua penúltima parte já foi anunciada para o final deste mês e sua conclusão para o final de julho (isso, é claro, se não houver novos adiamentos). E mesmo antes da conclusão de uma história que vinha sofrendo atrasos, a Marvel anunciou e está publicando a minissérie Astonishing X-Men: Xenogenesis. Nesta nova aventura, os X-Men viajam até a África, não para assistir aos jogos da Copa e sim para investigar um “surto” de nascimento de bebês superpoderosos. O enredo parecia promissor, contudo, (numa HQ que trata da fictícia raça dos mutantes e cita dois ou três países africanos fictícios) Ellis aproveitou a oportunidade para fazer um sermãozinho sobre quão corruptos e criminosos são os governantes africanos (sobrando críticas até mesmo para Nelson Mandela), e aí a história se perdeu.

Com isso, o que acaba chamando atenção em Xenogenesis n°1 são os desenhos caricaturizados do canadense Karee Andrews (que havia trabalhado com Ellis numa das HQs curtas da minissérie Ghost Boxes). Fugindo ao estilo mais convencional das revistas de super-heróis e cheio de figuras e poses esquisitas, o traço não deve agradar muito aos fãs dos quadrinhos mutantes tradicionais. Outro ponto é que Andrews tomou algumas liberdades na caracterização dos X-Men, fugindo ao que se tem visto nas revistas dos heróis atualmente. Predileções de lado, os desenhos são mesmo o ponto mais interessante da revista (que ainda traz ao final a reprodução do roteiro, acompanhada de miniaturas das páginas a lápis). De qualquer forma, não há muito a se elogiar nas fracas histórias de Ellis para os X-Men, cada vez menos interessantes e nada surpreendentes (podendo em breve ser conferidas nas edições da Panini).

6 comentários:

Eric Ricardo disse...

É interessante como as tradicionais editoras de super-heróis têm recebido traços diferentes do padrão que ajudaram a construir. Essa "liberdade" mostra que quadrinhos não são só hachuras e desenhos realistas de musculosos e gostosas americanizados. Também gostei muito da arte que vi no preview da edição.
Quanto a Warren Ellis, gosto do trabalho dele. Ele ainda consegue dar um gás novo para propulsionar a história e a faz existir. Tem roteirista que deixa a história meio que estagnada...
Gostei da resenha, Srbek!
Abraço!

Wellington Srbek disse...

Olá Eric, também gosto dos trabalhos do Ellis, mas um dos problemas que esses roteiros têm tido é isso de a história ficar estagnada (ou não levar a lugar nenhum, ou andar em círculos). Outro problema é a repetição de temas e situações (esses roteiros para os heróis mutantes estão parecendo, no máximo, variações sobre o mesmo tema).
Abraços e boa semana!

Panini disse...

Olá Wellington! Notamos que noticou sobre Turma da Mônica Jovem e gostaríamos de compartilhar uma novidade em primeira mão. Não encontramos seu e-mail, se importaria de enviar para o nosso?

equipe@assinepanini.com.br

Saudações,

Equipe Panini

Wellington Srbek disse...

Pois não, meu contato por e-mail já enviado a vocês. Aguardarei resposta.

Anônimo disse...

eu gosto muito do warren ellis! ele já fez coisas muito boas nos quadrinhos. criou o authority um grupo de heróis que revolucionou o modo como se faz quadrinhos de super-heróis!eu não acompanho essa fase do ellis nessa revistaatonishing x-men. mas espero que ellis acerte a mão nos roteiros dos mutantes e deixe seus fãs satisfeitos! o desenho do bianchi é sensacional!

Wellington Srbek disse...

Tenho uma preguiça desse povo que vem aqui, escreve o que pensa e não se identifica!
Vou acabar impedindo a postagem de comentários "anônimos" - só não fiz isso ainda, pois pode dificultar para as pessoas que não têm contas na Internet, mas usam essa opção, assinando os comentários.