18/11/2008

Alan Moore premonitório: exclamação ou interrogação?


Antes de mais nada, devo dizer que não sou daqueles que acreditam em qualquer coisa. Mas também não sou daqueles que só aceitam o que é “comprovado pela ciência”. Afinal, há ainda muitos mistérios incompreendidos pela racionalidade humana. Dito isto, gostaria de compartilhar uma intrigante questão sobre uma possível “premonição” contida numa HQ de Alan Moore. A história em questão é “Revelations”, publicada na revista Swamp Thing n°46, de março de 1986 (e que, pelos padrões editoriais norte-americanos da época, deve ter sido produzida com cerca de seis meses de antecedência, ainda em 1985).

Nessa história, encontramos os personagens Monstro do Pântano e John Constantine às voltas com o iminente fim-do-mundo (e outros eventos ligados a Crise nas Infinitas Terras). Embora o mago de sobretudo tenha prometido “revelar” ao elemental da Terra informações sobre sua origem, o que de fato justifica o título da HQ é seu clima “apocalíptico”, uma vez que o último livro da bíblia é conhecido, em inglês, como Revelation. A referência bíblica é evidenciada logo no topo da primeira página, onde Moore reproduz o trecho do Apocalipse que diz: “O terceiro anjo soprou sua corneta e uma grande estrela caiu do céu, queimando como uma tocha... O nome da estrela era Absinto” (8:10). Bom, até aqui, nada mais que um caso de engenho narrativo envolvendo uma intertextualidade com a Bíblia.

Porém, este caso ganhou uma nova perspectiva há alguns anos. Na época eu trabalhava na pesquisa para o roteiro de um novo álbum. Uma vez que o personagem principal da história teria nascido em 1986, este contexto em específico seria bastante relevante para mim. Como a história envolvia questões míticas e místicas, um trecho do Apocalipse também fazia parte de meus planos (como já havia acontecido nas revistas Mystérion e Apócripha). Foi aí que me lembrei da história do Monstro do Pântano que eu lera, em sua edição brasileira, uns dez anos antes. Pesquisei então a data de lançamento na edição original, e lá estava a reveladora citação, que concluía com a palavra “Wormwood”: Absinto. Uma mistura de arrepio e euforia me atingiu como um raio!

Eu explico. O fato é que o nome Absinto é traduzido para diversas línguas, dando origem ao referido “Wormwood” do inglês, bem como a outras versões como o nome russo “Чернобыль”, que escrevemos: Chernobyl (devo acrescentar, porém, que algumas fontes divergem quanto à tradução mais correta do nome Chernobyl, do russo e do ucraniano, como sendo “Absinto”). A preocupação com os possíveis danos causados pelo mal-uso da energia nuclear já estava presente nos roteiros de Alan Moore (como em “Nukeface Papers”). Mas, uma vez que traz ©1985 e é datada de março de 1986, a revista Swamp Thing n°46 poderia ser lida como uma espécie de premonição para o acidente nuclear ocorrido na cidade de Chernobyl, em 26 de abril de 1986.

É no mínimo intrigante a citação da palavra “Wormwood”, numa revista lançada no mês que antecedeu o acidente radioativo na cidade de Chernobyl. O que me leva à questão: seria isso uma enorme coincidência, uma incrível sincronicidade ou mais uma “premonição” do roteirista e mago inglês? Bom, os dados foram lançados, cada um agora que tire suas conclusões. No mais, quero encerrar esta postagem desejando parabéns ao genial Alan Moore, no dia de seu aniversário de 55 anos!

(Para saber mais sobre Alan Moore e seus quadrinhos, clique no nome em destaque abaixo.)

2 comentários:

J Júnior disse...

...Belo post!
Parabens Mr. Alan Moore!

Wellington Srbek disse...

Essa postagem é meio uma viagem...
Abraço!