08/11/2008

Alienígenas: monstros invasores ou fiéis amigos?


Há muito tempo atrás, os alienígenas eram monstrinhos maus que queriam dominar a Terra, roubar nossos recursos naturais e transformar a raça humana em zumbis submissos. Em seus arredondados discos voadores, os homenzinhos vinham de Marte para colocar em risco a paz e a harmonia da sociedade norte-americana. Mas isso foi há muito tempo atrás.

Nos anos 60, em jornadas televisivas, descobrimos que os seres das estrelas poderiam ser uma raça evoluída, de orelhas pontudas, vinda do planeta Vulcano. E qual não foi nossa surpresa diante da especulação de que lá pelo ano 2001 descobriríamos que a evolução da espécie humana foi uma dádiva dos homens do espaço; ou que muito antes do primeiro homem travar sua primeira batalha, uma guerra entre as forças do bem e do mal foi travada em uma galáxia distante, muito distante...

Mas quando pensávamos que poderíamos nos tornar amigos dos aliens, que fariam contatos imediatos através da música, fomos apresentados a um dos mais temíveis monstros já imaginados. Um monstro que, como uma terrível doença, pode nos consumir por dentro ou, da mesma forma que um implacável tubarão, ataca-nos sem aviso. A verdade é que, depois daquele oitavo passageiro, pensávamos que não haveria esperança de paz entre homens e extraterrestres.

No entanto, uma nova aliança com os ETs foi estabelecida. Quer seja na forma de pequenos homens com grandes olhos que se escondem num armário de brinquedos, quer seja na forma de arraias cintilantes que secretamente habitam os abismos oceânicos, sua mensagem seria de paz e amizade. Em um novo mundo que buscava quebrar as barreiras e eliminar os obstáculos que impediam a paz, os seres de outros mundos não representariam perigo.

E quando o muro de Berlim caiu e os impérios russo e chinês converteram-se ao capitalismo, os alienígenas de Hollywood perderam seu emprego de metáforas do inimigo exterior. Mas mesmo assim, o ufanismo norte-americano resolveu provar que continuava em plena forma. A novidade da época foi que os malvados alienígenas representavam então nada mais que os próprios alienígenas.

Numa época em que os filmes independentes ganhavam espaço entre as grandes produções, Independence Day (que além de copiar filmes anteriores, só serviu para cultivar a megalomania e satisfazer os delírios de superioridade norte-americanos) mostrou que Hollywood continuava comprometida com o sistema. Afinal, há cena mais pateticamente “gloriosa” que aquela na qual o presidente dos Estados Unidos (Bill Pullman), fala às tropas antes da batalha final?

Se ainda não foi provado que há vida inteligente em outros planetas, pelo menos em Hollywood podemos encontrar alguns seres criativos. Um desses espécimes raros é Tim Burton. Em Marte Ataca!, Burton brincou com a estética e a temática dos antigos filmes sobre invasões alienígenas: os alienígenas são verdes e cabeçudos, querem dominar a Terra e seus discos voadores têm aquela engraçada forma arredondada; mas o presidente dos EUA (Jack Nicholson) não é o herói que salva o mundo no fim.

Contando com bons efeitos especiais, um elenco estrelar e o inconfundível estilo de Burton, Marte Ataca! foi uma homenagem à cultura pop, que expôs o ridículo de filmes-propaganda como Independence Day. Depois dele, no entanto, veio 11 de setembro de 2001 e as guerras do Afeganistão e do Iraque, que tornaram qualquer Guerra dos Mundos cinematográfica uma nota de entretenimento em meio às manchetes de um mundo mergulhado em ódio e ignorância. Só resta-nos torcer para que os alienígenas possam, uma vez mais, voltar a ser signos de uma amigável e bem-vinda alteridade.

6 comentários:

J Júnior disse...

"Talvez com Barack obama, o cinema americano passe a fazer filmes de amigos alienigenas, não sei as aparencias enganam, podem ser de qualquer cor ou com voz suave, com campanhas legais, mas é esperar para ver se não abduzem e começam a fazer esperiencias com nosso pobre Brasil."

Tim burton é o cara, estou botando fé no alice no pais das maravilhas, sua mistura de humor, terror, gotico,

Wellington Srbek disse...

Tim Burton era um de meus diretores favoritos. Os dois Batman, Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça e o O Estranho Mundo de Jack (que ele só produziu) estão entre meus filmes favoritos. Gosto de A Noiva Cadáver também. Mas depois de O Planeta dos Macacos, acho que ele perdeu a mão. A Fantástica Fábrica de Chocolate é um horror de ruim (o filme original dá de 1.000 a zero!).
Vamos ver o que ele fará agora...

Anônimo disse...

Puta que o pariu!!!!!!!!!!!

Wellington Srbek disse...

Escreve palavrão e nem se identifica!?

Aline disse...

Pobres alienígenas, feitos de bode expiatório em tudo que é situação... Logo eles, que nem querem nada conosco (e às vezes eu até entendo). Isso me lembra um certo quadrinho da DC que soube levantar muito bem essa questão, com o seu final. Para alguns pode parecer pessimista, mas pra mim é só o começo de discussão! (Desculpe quem não entendeu nada! Não posso falar qual é, pois pode estragar a leitura de quem ainda não conhece, mas quem leu e marcou - como eu - sabe qual é!)

Sobre o Tim Burton, tem o recente Barbeiro [Demoniaco da rua...], que não é tão mau assim, apesar do exagero nas cenas de choque e da historia (uma lenda londrina) ter ficado meio avulsa.

Wellington Srbek disse...

Uhn... será que o quadrinho do qual você fala é uma certa série saída há uns 12 anos, que tem uma ligação especial, aliás, com o número 12?
Sobre o Tim Burton, não gostei muito do Sweeney Todd, pois achei um filme sombrio demais (no sentido, "lado sombrio da força"). Mas sobre essa 'lenda londrina', querida Aline, na verdade não é uma "lenda", mas um história real. O tal Sweeney Todd existiu mesmo e eles faziam de fato tortas de carne humana. Há uma HQ escrita pelo Neil Gaiman e desenhada pelo Michael Zulli e um filme com o Ben Kingsley que contam a história dele.
Abraço!