19/06/2008

A nova Fábulas Pixel e a Pixel Magazine nova.


Numa postagem anterior, eu analisei a Pixel Magazine, que chamei então de a melhor revista mensal do momento. O fato é que o sucesso dessa publicação motivou a Pixel Media a investir em outra antologia mensal com as séries da Vertigo, Wildstorm e ABC. Mas, com o surgimento e a abertura de espaço para a Fábulas Pixel, a revista original está passando por uma fase de transição, com a saída de séries consagradas, retornos e estréias.

Muito aguardada pelos leitores, porém atrasada por problemas editoriais e gráficos, Fábulas Pixel estreou com as séries Fábulas, Astro City, Sandman Apresenta: As Fúrias e Histórias do Amanhã: Jack B. Quick. A edição abre com um “Dossiê: Fábulas”, seguido dos dois primeiros capítulos da história “A Marcha dos Soldados de Madeira”. No centro das atenções, mais uma vez, estão Branca de Neve, Lobo Mau e Príncipe Encantado, aos quais se junta agora Chapeuzinho Vermelho.

Em seguida, Astro City nos apresenta Loony Leo, um melancólico leão saído do cartaz de um desenho animado. Essa nova HQ da cidade dos super-heróis pode ser definida como um cruzamento dos filmes Casablanca e Uma Cilada para Roger Rabbit. Já As Fúrias dá continuidade aos eventos mostrados em Sandman: Entes Queridos. Reencontramos, então, Lyta Hall ainda tentando se adaptar à vida sem seu filho Daniel, que se tornou o novo Sandman. Por fim, o inventivo Jack B. Quick testa mais uma vez as leis da física e os limites da sanidade.

Certamente, Fábulas Pixel é uma revista acima da média, embora o conjunto de HQs reunidas neste primeiro número careça um pouco de unidade. Se por um lado, devido aos estilos de desenho e personagens envolvidos, os capítulos de Fábulas e o conto de Astro City chegam quase a se confundir, por outro, o visual realista e sombrio de As Fúrias e a ficção científica cômica de Jack B. Quick destoam da proposta de fantasia da revista. Por isso, sua irmã mais velha ainda parece merecer o título de melhor revista mensal do momento.

Contudo, após pouco mais de um ano nas bancas e de ter atingido seu auge nos números 12 e 13, a Pixel Magazine está passando por uma fase de transição. Pelo menos é o que sugerem as alterações nos números 14 e 15, que trouxeram a publicação do último capítulo pronto de Planetary e a confirmação da mudança de Promethea para a Fábulas Pixel. E com a saída de duas das séries principais, seguramente muitos leitores estão se perguntando se a Pixel Magazine manterá a qualidade que mostrou em seu primeiro ano de vida.

A julgar pelos reforços e substitutos mais imediatos, a resposta infelizmente é: não. Afinal, as séries DMZ e Frequência Global podem ter seus elementos interessantes e cativarem muitos leitores, mas nem de longe chegam perto da sofisticação de Planetary e da qualidade artística de Promethea. Com isso, quem acaba não deixando a “peteca cair” é o velho e falivelmente infalível John Constantine. Para quem tem acompanhado, as Pixel Magazine n°s 14 e 15 dão continuidade à história “Boas Intenções”, com seu clima de terror e sadismos à moda norte-americana.

Para os leitores que fizeram o sucesso da Pixel Magazine em seu primeiro ano, ficam de crédito a fantástica capa e o penúltimo capítulo de Planetary no número 14 e a revolucionária composição narrativa da HQ de Promethea na número 15, além é claro dos bons capítulos de Hellblazer. Quanto a Fábulas Pixel, é preciso dar tempo para que a proposta da revista amadureça e encontre seu caminho próprio, considerando-se que a estréia mostrou-se promissora. As duas revistas mensais da Pixel têm 96 páginas, em formato 17cm x 26cm, sendo vendidas a R$10,90.

3 comentários:

Amalio Damas disse...

A Pixel Magazine ganhará um reforço de peso na 16ª edição, Y - O Último Homem. Se fosse viável, Transmetropolitan de Warren Ellis e Darick Robertson e Patrulha do Destino de Grant Morrison, seriam boas pedidas, mas acho que pelo histórico da primeira e pela idade das duas, não são apostas fáceis, seguem mais como vontade do velho leitor. Já ia me esquecendo de Ex-Machina, outra boa aposta para o mix da Pixel Magazine.

Marcelo Terres disse...

Eu prefiria que Promethea continuasse na Magazine e que colocassem um Books of Magic na Fábulas (que deve ter igual mais para frente).

Assim o Mix ficava mais de fantasia mesmo.

[]s

Wellington Srbek disse...

Acredito, Amálio, que um quadrinho que pode vir a ser publicado na PM é Desolation Jones , inicialmente desenhada por J.H. Williams III (veja minha entrevista com ele aqui no blog).
No final das contas, Marcelo, uma das coisas que acho que eles deveriam fazer é manter todas as séries de Contos do Amanhã na PM, pois elas não combinam nada com a proposta "fantasia" da Fábulas Pixel.
Em breve, mais resenhas sobre quadrinhos da Vertigo.
Grande abraço!