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02/05/2012

Quais são os 5 melhores filmes de super-heróis?


Há três anos, fiz aqui uma postagem convidando os leitores do Mais Quadrinhos a listarem seus filmes de super-heróis favoritos. O resultado foi uma das postagens com maior participação dos leitores do blog. (Valeu pessoal!) Passado esse tempo, novas produções vieram e creio que muitas das listas apresentadas podem ter se alterado. A minha mesmo sofreu mudanças: embora aquele que considero o melhor dos filmes de super-heróis ainda continue o mesmo, um novo filme foi acrescentado e as posições de outros se alteraram (nossa percepção das coisas, de fato, muda com o tempo).

Fica então o convite para postarem nos comentários sua lista com os 5 melhores filmes de super-heróis. Os meus favoritos são:

1. Superman – O Filme (o primeiro filme maduro e bem-produzido com um super-herói, uma excelente produção capaz de traduzir os quadrinhos para a telona, com efeitos especiais inovadores para a época. Até mesmo para alguém que jamais gostou do Super-Homem, a interpretação de Christopher Reeve tornou o personagem crível e interessante, enquanto um elenco coadjuvante, liderado por Marlon Brando e Gene Hackman, deu lastro à história. A última meia-hora deixa a desejar e as continuações, que não contaram com a direção de Richard Dooner, não valem muito a pena. Mas Superman – O Filme continua um clássico que merece ser visto!).

2. Homem de Ferro (o filme de estreia do excelente Robert Downey Jr. como super-herói superou todas as expectativas, com um roteiro interessante, bons efeitos, atuações na medida, diálogos inteligentes e uma trilha empolgante. Conciliando elementos realistas numa aventura fantasiosa, a produção do Marvel Studios é mais que apenas um bom entretenimento, além de ser melhor que a maioria das versões do personagem nos quadrinhos).

3. O Cavaleiro das Trevas (apesar do discutível ator no papel-título, o segundo filme do Homem-Morcego dirigido por Christopher Nolan me fez esquecer o decepcionante Batman Begins. É claro que uns 90% da força do filme estão na impressionante, incomparável e perturbadora atuação de Heath Ledger no papel do Coringa. Mas o roteiro também é bom, a produção bem-cuidada e o elenco coadjuvante está perfeito).

4. X-Men 2 (o primeiro filme dirigido por Bryan Singer com os heróis mutantes tinha seguido a fórmula de Superman – O Filme, conciliando respeito pelos quadrinhos, protagonistas desconhecidos mas adequados, atores talentosos e consagrados em papéis-chave e os melhores efeitos disponíveis na época. Contudo, X-Men – O Filme deixou a sensação de que faltava algo. Mas o que quer que estivesse faltando veio em X-Men 2, um filme tão bom que teve o efeito de até mesmo “melhorar” seu antecessor).

5. Os Vingadores (um dos filmes mais aguardados dos últimos tempos, a produção escrita e dirigida por Joss Whedon realizou a façanha de reunir na telona alguns dos grandes ícones das HQs de super-heróis. Sendo trabalhada desde Homem de Ferro 2, Thor e Capitão América, a trama de Os Vingadores só não alcançou melhor resultado por seus vilões lugar-comum e o final não muito original. Mesmo assim, a produção impecável e as fantásticas cenas com o Hulk fizeram do filme um dos melhores já feitos com super-heróis).

24/04/2010

Editoras olham para o passado em busca do sucesso.


No primeiro semestre de 1999, começaram a ser publicadas duas séries que apresentavam versões alternativas de heróis dos quadrinhos dos anos 30. Ao serem lançadas, Tom Strong de Alan Moore e Chris Sprouse e Planetary de Warren Ellis e John Cassaday deram uma ambientação contemporânea e uma abordagem metaficcional a personagens do tradicional gênero das HQs de aventura. Enquanto a série de Moore e Sprouse recriava heróis da Nedor Comics, a obra de Ellis e Cassaday trazia versões disfarçadas de personagens dos quadrinhos e da literatura pulp. Foi assim, por exemplo, que Doc Strange tornou-se Tom Strong e que Doc Savage serviu de modelo para o Doutor Axel Brass.

A qualidade das revistas e o sucesso entre os leitores garantiram que o visual bem-cuidado e a trama metaficcional de Tom Strong e Planetary influenciassem diversos trabalhos nos últimos anos. Mas mais que isso, essas séries chamaram a atenção das editoras para a extensa galeria de personagens clássicos disponíveis para serem relançados numa roupagem contemporânea. Assim, ao adquirir os direitos de publicação sobre as obras de Will Eisner, a DC Comics não apenas relançou as HQs originais do Spirit, mas também produziu uma nova série com o personagem, escrita e desenhada por Darwyn Cooke (mas vale lembrar que Moore já havia homenageado a obra de Eisner ao criar com Rick Veitch o detetive Grey Shirt para a Tomorrow Stories).

A onda do resgate de antigos heróis não parou por aí. Mais recentemente a Dynamite lançou Project Superpowers, série concebida por Alex Ross, que relança diversos personagens que estavam em domínio público (como os próprios heróis da Nedor Comics, anteriormente revividos nas páginas da Tom Strong). Com capas pintadas por Ross, a séria chega a seu segundo volume, trazendo para os dias de hoje heróis como Doc Strange, Black Terror e Fighting Yank (que podem ser vistos em sua versão original aqui). A Dynamite também lançou uma série com o Green Hornet (Besouro Verde no Brasil) escrita por Kevin Smith a partir do roteiro do filme que ele não realizou com esse herói mascarado (que pode ser visto em sua versão original aqui).

Em março, foi a vez de a DC Comics lançar seu “universo pulp” com a minissérie First Wave, escrita por Brian Azzarello e desenhada por Rags Morales. A HQ começa com uma perseguição num “território desconhecido” da (exótica e ameaçadora) América do Sul, prosseguindo num tom de mistério e com um tratamento visual que faz lembrar as ilustrações de capa das publicações pulp. Após a aparição de um robô retrô, entram em cena personagens mais conhecidos, como Doc Savage e The Spirit (no que vemos mais um passo para a incorporação do detetive de Central City ao “Universo DC”). Embora o Batman apareça na capa da revista, nas páginas internas ele não dá o ar de sua graça, sendo substituído por uma aparição dos Falcões Negros ao final.

Além da minissérie em seis partes, que lança as bases de seu “universo pulp”, a DC está publicando duas novas séries pertencentes à linha First Wave, uma para Doc Savage e outra para o Spirit. Mas, a julgar pelas prévias disponibilizadas pela editora, as duas revistas seguem uma linha bem mais comercial. Podemos também colocar em questão o quão rentável pode vir a ser essa estratégia para os padrões de uma grande editora, uma vez que se está adaptando um modelo que deve ter funcionado para os padrões de uma pequena editora como a Dynamite. De qualquer forma, olhar para o passado em busca de modelos editoriais ou personagens que fizeram sucesso é, quando trabalhada adequadamente (como no caso de Tom Strong e Planetary), uma estratégia que gera bons frutos.

03/12/2009

O primeiro “arco” de Batman and Robin.


Há seis meses, chegava às lojas nos Estados Unidos Batman and Robin, nova série em doze números escrita por Grant Morrison. As três primeiras edições, desenhadas por Frank Quitely, trazem a estreia de uma nova dupla dinâmica formada por Dick Grayson (que herdou a capa e o título de Batman, após a aparente morte do herói em Crise Final) e Damian Wayne (o filho rebelde de Bruce). Desta vez, os vilões tradicionais de Gotham City ficam de lado e a ameaça fica por conta do Professor Pyg e de seus asseclas do Circo do Estranho.

Em muitos sentidos, a nova revista da dupla dinâmica lembra All-Star Superman, que também totalizou doze edições e resgatou elementos tradicionais do Homem de Aço. Como Morrison revelou ao saite IGN, em Batman and Robin a ideia foi recapturar a atmosfera fantasiosa das HQs do personagem nos anos 50. Outra fonte importante seria o seriado de tevê dos anos 60, com seus elementos bizarros e histórias agitadas que funcionavam segundo suas próprias regras. Mas o roteirista não abriu mão de elementos mais modernos que fizeram o sucesso de produções recentes com o Batman, buscando criar o que ele chamou de “noir psicodélico”.

Tendo sido uma das maiores vendagens da DC Comics nos últimos anos, Batman and Robin n°1 começa com uma perseguição policial ao carro do vilão Mr. Toad. Entra em cena então um Batmóvel em nova versão voadora, preparada pelo impetuoso e arrogante Damian. Mostrando frieza e autocontrole, Dick parece bem à vontade no papel de Homem-Morcego. Completam a revista um pouco de tensão entre os dois protagonistas, uma boa participação do mordomo Alfred e a entrada em cena do vilão Professor Pyg. No conjunto, a HQ de estreia destaca-se pelo ritmo acelerado da ação, pelos bons diálogos e pelo visual bem particular.

Batman and Robin n°2 traz o desenvolvimento da trama apresentada até ali. Para começar, uma conversa com o Comissário Gordon antecipa uma longa sequência de pancadaria, em que a dupla dinâmica enfrenta os integrantes do Circo do Estranho. Em seguida, a tensão entre os novos Batman e Robin atinge um ponto crítico. Entra em cena então o mordomo Alfred, sempre com um bom conselho ou uma palavra de apoio a oferecer. Ao fim da HQ, um pouquinho mais de pancadaria envolvendo o arrogante Damian e estranhos homens-boneca. Novamente, os desenhos de Quitely e a colorização por computador criam um visual interessante.

Já Batman and Robin n°3 deixa uma sensação não de velocidade narrativa, mas sim de correria. Trazendo a resolução do “caso” iniciado na primeira edição, a HQ atira informações sobre o leitor, tentando explicar ao mesmo tempo o plano e as motivações do Professor Pyg. Perversões de um psicopata, perseguições num velho parque de diversão e alguma pancadaria encerram o “primeiro arco” da série, abrindo uma porta para as edições seguintes. Mas é um final decepcionante, que não fica à altura da promessa trazida por Batman and Robin n°1. Como aconteceu com Crise Final, Morrison parece não ter conseguido entregar o que prometeu.

Algo que permaneceu atrativo e original ao longo das três edições foram os desenhos. Mas nem isso a série preservou já que, a partir de sua quarta edição, Frank Quitely foi substituído pelo bem menos talentoso e original Phillip Tan. Para quem quiser tirar a prova, os primeiros números de Batman and Robin ainda estão disponíveis para venda em lojas virtuais, devendo chegar ao Brasil em breve, pela Panini.

01/12/2009

DC Comics: resgatando antigos formatos em busca do sucesso.


Numa crise, muitas vezes a melhor solução pode não estar na invenção de algo novo, mas sim em se trabalhar a partir de um modelo já existente, adaptando-o à realidade do momento. O fato é que, após mais um fiasco editorial (envolvendo a pretensiosa e confusa Crise Final), a DC Comics ficou ainda mais em segundo plano na disputa com sua concorrente direta, Marvel. Ao que parece, a crescente perda de mercado inspirou os editores a se voltarem para antigos formatos de publicação, como as revistas com uma história principal seguida de uma HQ curta complementar. Comuns até os anos 70, as revistas em dupla voltaram a ser vistas neste ano, nas edições de Detective Comics (que além das aventuras da Batwoman trazem também histórias de Questão) e Doom Patrol (que junto com os personagens-título publicam a nova série com os Metal Men).

O mais bem-sucedido projeto de adaptação de um antigo formato foi Wednesday Comics, uma série de jornais semanais, em doze edições com capítulos de uma página. Imitando o formato dos clássicos quadrinhos dominicais, o projeto criado por Mark Chiarello recebeu o nome “quadrinhos de quarta-feira” por ser este o dia da semana em que os lançamentos chegam às lojas dos Estados Unidos. Trazendo medalhões da DC (como Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha), a série contou ainda com nomes consagrados do mercado (como Neil Gaiman, Brian Azzarello e Joe Kubert). Grande sucesso comercial, esses jornais com quadrinhos ganharão em breve uma coletânea em capa-dura. Lançada no início de julho, Wednesday Comics n°1 veio dobrada no formato comic book, mas, ao ser aberta, a publicação se desdobra em páginas num formato gigante, com ótima impressão de cores.

De saída, Brian Azzarello e Eduardo Risso oferecem uma história policial com o Homem-Morcego. Em seguida, Dave Gibbons e o desenhista Ryan Sook trazem de volta o herói pós-apocalíptico Kamandi. Virando a página, John Arcudi, Lee Bermejo e Barbara Ciardo nos levam a uma batalha entre o Homem de Aço e um estranho alienígena. A seguir, numa HQ com Deadman, a dupla Dave Bullock e Vinton Heuk imitam o estilo de Darwyn Cooke. Depois, são Kurt Busiek e Jae Quinones que tentam reproduzir o espírito de A Nova Fronteira numa aventura com o Lanterna Verde. Virando a página, Neil Gaiman e Mike Allred misturam Metamorfo, humor e caça ao tesouro. Já Eddie Berganza e Sean Galloway adotam um tom mais adolescente e um estilo mangá para sua versão dos Jovens Titans. Numa linha bem mais pessoal, Paul Pope e José Villarrubia mostram uma típica manhã agitada de Adam Strange.

Por sua vez, Jimmy Palmiotti e Amanda Conner preferem uma abordagem mais infantil, em sua HQ com a Super-Moça, o Super-Cão e o Super-Gato. Em seguida, o editor Dan Didio e os veteranos José Luís Garcia-Lopes e Kevin Nowlan resgatam dos anos 60 e 70 o grupo de robôs Metal Men. Na história seguinte, Bem Cadwell utiliza um traço belíssimo em sua versão conto de fadas para a Mulher-Maravilha. O clima muda completamente na história de guerra produzida por Adam e Joe Kubert para o Sargento Rock. Dividida em duas partes, a página seguinte traz um clima mais leve, nas HQs de Flash e Íris West, produzidas por Karl Kershl e Brenden Fletcher. Já Walt Simonson e Brian Stelfreeze preferem as sombras ao colocar frente a frente o imortal Jason Blood e a mortífera Mulher-Gato. Fechando essa edição de estreia, Kyle Baker opta por tons mais claros em sua aventura aérea com o Gavião Negro.

Bastante diversificado, o primeiro número de Wednesday Comics deixou a sensação de um projeto bem elaborado, que tem como base um bom time de autores. Além disso, as histórias dessa série semanal não fazem parte da cronologia oficial da DC, o que permitiu uma maior independência e liberdade criativa para roteiristas e desenhistas. Isso deu abertura para os pontos altos da edição de estreia (as páginas com o Batman, Metamorfo, Adam Strange e Mulher-Maravilha). Enquanto a edição encadernada ou a versão brasileira não vêm, algumas páginas da série podem ser encontradas pela Internet e também no blog oficial da DC.

23/07/2009

Um artista brilhante de capa a capa: uma entrevista com Brian Bolland, parte2.


Segunda parte de nossa entrevista exclusiva e Brian Bolland fala sobre a obra-prima dos quadrinhos de super-heróis A Piada Mortal (atualmente disponível no Brasil em reedição de luxo pela Panini). Ele também nos conta como foi trabalhar com Alan Moore nessa marcante graphic novel, fala sobre quadrinhos “sombrios & violentos” e censura editorial.

Wellington Srbek: A idéia inicial para uma história especial com o Batman e o Coringa foi sua e foi também o senhor que sugeriu o nome de Alan Moore para roteirista do que veio a ser A Piada Mortal. Como foi trabalhar com Alan Moore nesta marcante graphic novel?

Brian Bolland: A primeira metade de sua pergunta está correta. Após Camelot eu estava na posição de escolher o que gostaria de fazer para a DC. Alan Moore, Kevin O'Neill, Dave Gibbons, Mick McMahon, etc. eram todos amigos meus dos tempos da 2000 AD. Alan e eu tínhamos alguns projetos que nós quase produzimos juntos, entre os quais estava uma revista Batman / Juiz Dredd. Alan e Dave tinham acabado de obter um grande sucesso com Watchmen. Eu era fascinado com o Coringa. Eu tinha visto o filme da década de 1920 O Homem que Ri [brilhantemente encarnado pelo ator alemão Conrad Veidt], do qual, dizem, Jerry Robinson tirou a idéia. Alan me perguntou que tipo de coisa eu gostaria de desenhar.
Naqueles tempos (e ainda hoje para mim, na verdade) o negócio de escrever quadrinhos e o de desenhar quadrinhos são completamente separados. O roteirista se senta em casa e escreve. O roteiro é enviado ao desenhista que o desenhará; e um não interfere no processo do outro. Foi assim com A Piada Mortal. Então, se me pergunta “como foi trabalhar com Alan?”, minha resposta é: eu pedi a Alan que a escrevesse. Ele a escreveu. Eu a desenhei.

WS: A Piada Mortal foi um quadrinho do Batman como nenhum outro antes. Foi também a história de origem do Coringa contada pela primeira vez. Foi realisticamente violenta e insana, sendo em parte responsável pela tendência dos quadrinhos “sombrios e violentos” que predominaram nas revistas de super-heróis no fim dos anos 80 e início dos 90. Mas, a despeito de toda a violência e das cenas terríveis, A Piada Mortal tem um dos desenhos mais belos e detalhados já feitos para o Batman. Quais são seus sentimentos em relação a essa incrível HQ?

BB: Quando o roteiro chegou, ele de fato continha coisas que ele não teria se eu o tivesse escrito. Eu pessoalmente jamais contaria uma história de origem do Coringa, por exemplo. Mas olhando para ela mais tarde, eu agora vejo que as partes que eu não teria incluído parecem bastante icônicas hoje. Eu às vezes penso que nós artistas britânicos que trabalhamos na 2000 AD trouxemos o caráter “sombrio & violento” conosco, quando fomos trabalhar para a DC.

WS: A primeira edição brasileira de Camelot 3000 teve uma cena de Tristan e Isolda censurada pelos editores daqui. E me parece que os editores da DC fizeram algo semelhante numa das páginas de A Piada Mortal, substituindo (ou te pedindo para substituir) os seios nus de Bárbara Gordon por um close do rosto dela. O senhor já teve algum problema com censura editorial?

BB: Eu nunca tive PROBLEMAS com censura editorial. Alguém na DC deve ter falado algo sobre aquela cena da Bárbara Gordon. Eu mudei aquele único quadro e acho que a melhorei. Eu sou ciente de todos os tipos de coisas que você não pode colocar numa capa. Nudez está fora de questão. Eu uma vez desenhei uma capa com o Robin que tinha umas estátuas gregas no fundo, que eu copiei de fotos. Entre as estátuas havia cinco mamilos visíveis. Todos foram apagados! Eu uma vez desenhei uma capa que tinha o Batman fumando um charuto. Bem, era o Hugo Strange com barba, vestido como Batman fumando um charuto. Não pude fazê-la. Talvez eles a tenham rejeitado em favor de uma idéia melhor, mas eu considero que existem várias regras não escritas que você não pode violar, e o Batman não pode ser visto fumando. E há questões legais. Eu uma vez desenhei uma capa do Batman que tinha o que parecia ser um membro da Ku Klux Klan montado num cavalo. Tivemos que acrescentar um logo no peito dele para mostrar que ele pertencia a alguma outra organização branca supremacista, pois a Ku Klux Klan tem advogados que poderiam processar!
Em agosto de 2009 vou viajar para uma convenção em Singapura. Para a ocasião, estamos imprimindo um livro contendo alguns dos meus esboços a lápis. Acabou que, infelizmente, vários dos desenhos, incluindo meus esboços favoritos da Tank Girl, não podem ser incluídos devido à postura muito conservadora das autoridades daquele país. Eu acredito que meus livros Bolland Strips! e The Art of Brian Bolland não estarão à venda lá pelo mesmo motivo.

WS: Depois de ter nos dado a versão definitiva do Coringa em A Piada Mortal, nós não vimos muitas outras histórias desenhadas pelo senhor. Quais são as razões para isso?

BB: Bem, após A Piada Mortal, muitos trabalhos me foram oferecidos. Tive que recusar muitos deles, mas as pessoas diziam “se você fizesse ao menos a capa...”. Produzir capas significa que, apenas daquela única vez, eu posso desenhar um monte de personagens que de outra maneira eu não desenharia. No verão de 1988, eu saí no que pensei que seria uma longa viagem pelo Oriente, então eu não estava disponível para compromissos de trabalho de longo prazo. Além disso, tendo trabalhado com o melhor roteirista e tendo me sido dado tanto tempo quanto eu quisesse para desenhar e eu mesmo arte-finalizar [A Piada Mortal], eu não queria dar um passo para trás. Desde Alan, eu não desenhei uma história significativa escrita por outro roteirista. Exceto por MIM. Eu de fato escrevi e desenhei "An Innocent guy" em Batman Black & White, "The Kapas" em Strange Adventures e "The Princess & the Frog" em (como era o nome?) True Romance. Além de Mr. Mamoulian e The Actress & the Bishop. Mas falaremos deles mais tarde.

A seguir: Animal Man, The Invisibles, fantásticas capas, quadrinhos cômicos, mulheres belíssimas e muito mais!

21/07/2009

A brilliant artist from cover to cover: an interview with Brian Bolland, part2.


Part2 of our exclusive interview, and Brian Bolland talks about the comics masterpiece The Killing Joke, how it was to work with Alan Moore on this groundbreaking graphic novel, and also “grim & gritty” comics and editorial censorship.

Wellington Srbek: The original idea for a Batman and Joker special story was yours, and it was also you who suggested the name of Alan Moore as the writer for what came to be The Killing Joke. So, how it was to work with Mr. Moore on this groundbreaking graphic novel?

Brian Bolland: The first half of your question is correct. After Camelot I was in a position to do whatever I wanted for DC. Alan Moore, Kevin O'Neill, Dave Gibbons, Mick McMahon, etc. were all friends from the 2000 AD days. Alan and I had a couple of projects that we nearly worked on together, one of which was a Batman / Judge Dredd book. So I'd already seen parts of a script by him containing Batman. Alan and Dave had just had a big hit with Watchmen. I was fascinated by the Joker. I'd seen the 1920s film The Man Who Laughs from which, they say, Jerry Robinson got the idea. Alan asked me what sort of thing I wanted to draw.
Back in those days (and still today for me, actually) the business of writing comics and drawing comics were completely separate. The writer sat at home writing. The script was sent to the artist who would draw it - and neither would interfere with the other's process. That's the way it was with The Killing Joke. So if you ask "how was it to work with Alan?" my answer is: I asked Alan to write it. He wrote it. I drew it.

WS: The Killing Joke was a Batman comic like no other before. It was the Joker origin story told for the first time. It was realistically violent and insane, and it was in part responsible for the “grim & gritty” trend that dominated super-hero comics in the late 80s early 90s. But despite all the violence and terrible scenes, The Killing Joke has the most beautiful and detailed Batman artwork. What are your feelings about this amazing book?

BB: When the script came it did contain things that I wouldn't have had in it if I'd written it. I personally would never have told a Joker origin for instance. But looking at it later I can now see that the bits I wouldn't have included look pretty iconic today. I sometimes think that us artists from Britain who'd been in 2000 AD brought the "Grim & Gritty" with us when we went to work for DC.

WS: The first Brazilian edition of Camelot 3000 had a Tristan and Isolde scene censored by the editors here. And it seems that the DC editors did something like that to one of The Killing Joke pages, replacing (or asking you to replace) the naked breasts of Barbara Gordon by a close-up of her face. Have you ever had any problems with editorial censorship?

BB: I've never had PROBLEMS with editorial censorship. Somebody at DC must have mentioned that Barbara Gordon scene. I changed the one panel and I thought it improved it. I'm aware of all kinds of things you can't put on a cover. Nudity is out. I once drew a Robin cover that had some Greek statues in the background that I copied from photos. Between them the statues had five visible nipples. All were whited out! I once drew a Batman cover that had Batman smoking a cigar. Well, it was Hugo Strange with beard, dressed as Batman smoking a cigar. I couldn't do it. Maybe they rejected it in favor of another idea but I assume there are various unwritten rules that you can't cross and Batman cannot be seen smoking. And there are legal issues. I once drew a Batman cover that had what appeared to be a member of the Ku Klux Klan sitting on a horse. We had to add a logo on his chest to show that he belonged to some other white supremacist organization because the Ku Klux Klan have lawyers who might sue!
In August 2009 I'm off to a convention in Singapore. For the occasion we're printing a book containing some of my penciled prelim roughs. It turns out, unfortunately, that quite a few of the drawings, including my favorite Tank Girl roughs, can't be included because of the very conservative stance of the authorities in that country. I assume my books Bolland Strips! and The Art of Brian Bolland won't be on sale there for the same reason.

WS: After giving us the definitive Joker in The Killing Joke, we haven’t seen many stories drawn by you. What are the reasons for this?

BB: Well, after The Killing Joke, I had a lot of work offered to me. I had to turn much of it down but people would say "Could you just do the cover." Doing covers meant that, just that one time, I could draw a whole lot of characters that I wouldn't otherwise draw. In summer 1988 I went off on what I thought would be a long trip round the Far East so I wasn't able to commit to long term work. Also, Having worked with the best writer and having been given as much time as I wanted to pencil and ink myself I didn't want to take a backward step. Since Alan I haven't drawn a significant story by any other writer. Except for ME. I did write and draw "An Innocent guy" in Batman Black & White, "The Kapas" in Strange Adventures and "The Princess & the Frog" in (was it called?) True Romance. Also Mr. Mamoulian and The Actress & the Bishop. But more on that later.

Next: Animal Man, The Invisibles, beautiful covers, funny strips, gorgeous women, and a lot more!

16/06/2009

A nova revista da “dupla dinâmica” Grant Morrison e Frank Quitely.


Uma boa história em quadrinhos se faz com um roteiro interessante e desenhos de qualidade. Por isso mesmo, quando um roteirista inteligente e um desenhista habilidoso se juntam, o resultado tende a ser o mais proveitoso para os leitores. A julgar pela edição de estréia de Batman and Robin, nova parceria da “dupla dinâmica” Grant Morrison e Frank Quitely, tudo indica que teremos uma memorável HQ de super-heróis. Lançada no início deste mês pela DC Comics, a revista traz bastante ação e bons diálogos, desenhos detalhados e cores em pintura digital de primeira. Já chegando como a maior vendagem da editora nos últimos anos, o n°1 apresenta de uma só vez um novo Batman e um novo Robin, isso sem falar num novo Batmóvel voador.

A parceria entre os escoceses Morrison e Quitely começou em meados dos anos 90. Na época, eles produziram para a DC a minissérie Flex Mentallo, cujas quatro edições podem ser descritas como um delírio visual e temático, na forma de uma HQ de super-heróis psicodélica. A dupla voltaria a se reunir em 2000 para produzir a muito elogiada graphic novel JLA: Earth 2, estrelada pela Liga da Justiça e por sua versão maligna de uma Terra paralela. Trocando a editora do Super-Homem pela do Homem-Aranha, no início do século Morrison e Quitely colaboraram em algumas das melhores edições de New X-Men. Os dois logo voltariam à DC para produzir We3, uma minissérie hiperrealista estrelada por um gato, um cão e um coelho ciborgues. Em seguida, veio All-Star Superman, uma aclamada série limitada com o Homem de Aço, que resgatou aspectos tradicionais do personagem, num visual mais clássico.

Agora é a vez de os quadrinistas escoceses emprestarem seu talento ao outro grande herói DC. O fato é que Morrison já vinha há algum tempo dando as cartas nos destinos do Batman. Por suas mãos, o herói de Gotham City descobriu recentemente que tinha um filho, como é visto na história Batman and Son. Em seguida, o roteirista mostrou o desaparecimento do Homem-Morcego nas páginas de Batman: R.I.P.. Se não bastasse, Morrison aparentemente matou Bruce Wayne nos capítulos finais da “super-saga” Crise Final. O que veio a seguir foi uma espécie de disputa para se saber quem assumiria o “capuz” do Cavaleiro das Trevas, como foi mostrado na minissérie em três edições Batman: Battle for the Cowl (escrita por Tony Daniel). E como já foi amplamente divulgado, o “vencedor” foi Dick Grayson, que herdou a capa e o título de Batman, unindo-se ao novo Robin, Damian Wayne (o filho rebelde de Bruce).

As primeiras aventuras da nova dupla dinâmica é o que será visto na série Batman and Robin, que terá um total de doze edições divididas em quatro partes (sendo a primeira e a última desenhas por Quitely). O "arco" inicial tem como título “Batman Reborn” (“Batman Renascido”) e traz os defensores de Gotham às voltas com o Professor Pyg e seus asseclas do Circo do Estranho. A HQ começa com uma perseguição policial ao carro do vilão Toad. Entra em cena então o Batmóvel em nova versão voadora, preparada pelo impetuoso e arrogante Damian. Mostrando frieza e auto-controle, Dick Grayson parece bem à vontade no papel de Homem-Morcego. Mas, pelo que se pode notar neste primeiro capítulo, a tensão entre os dois personagens será um elemento importante ao longo da série. Também deverá ter um papel preponderante o sádico e insano Professor Pyg, que só aparece mesmo ao fim deste n°1.

Em muitos sentidos, a nova revista da dupla dinâmica lembra All-Star Superman, que também totalizou doze edições e resgatou elementos tradicionais do Homem de Aço, deixados de lado nas últimas décadas. Como Morrison revelou ao saite IGN, em Batman and Robin a idéia é recapturar um pouco da atmosfera fantasiosa das HQs do personagem nos anos 50. Outra fonte importante seria o seriado de tevê dos anos 60, com seus elementos bizarros e histórias agitadas que funcionavam segundo suas próprias regras. Por outro lado, os autores não querem abrir mão de elementos mais modernos que fizeram o sucesso de produções recentes com o Batman, como o filme O Cavaleiro das Trevas. Assim, na definição do roteirista, a nova revista seria um “noir psicodélico”. Se considerarmos o ritmo acelerado e os desenhos impressionantes da primeira edição, Batman and Robin realmente promete ser uma “tremenda viagem”!

Para quem quiser conferir as primeiras páginas da HQ, a DC disponibilizou uma prévia com as duas versões da capa e sete páginas internas: http://www.dccomics.com/media/excerpts/11864_x.pdf

30/04/2009

Quais os melhores filmes de super-heróis?


Para Hollywood, uma das minas de ouro mais rentáveis na atualidade são os filmes de super-heróis. Com os avanços dos efeitos visuais e os orçamentos milionários disponíveis para as produções, nada impede hoje a realização de filmes com alta qualidade e grande fidedignidade às HQs. Embora muitas vezes este não seja o resultado, algumas produções cinematográficas merecem destaque (em meio à mera exploração comercial e aos muitos fiascos hollywoodianos). Com novas adaptações dos heróis Marvel e DC a caminho, apresento a lista de quais seriam, na minha opinião, os melhores filmes de super-heróis já feitos. É claro que a idéia aqui é contar com a participação de vocês, leitores do blog!

1. Superman – O Filme (o primeiro filme maduro e bem-produzido com um super-herói, uma excelente produção capaz de traduzir o clima dos quadrinhos para a telona, com efeitos especiais inovadores para a época. Até mesmo para alguém que jamais gostou do Super-Homem, a interpretação de Christopher Reeve tornou o personagem crível e interessante, enquanto um elenco coadjuvante, liderado por Marlon Brando e Gene Hackman, deu lastro à história. A última meia-hora deixa a desejar e as continuações, que não contaram com a direção de Richard Dooner, não valem muito a pena. Mas Superman – O Filme é realmente um clássico que merece ser visto!).

2. X-Men 2 (o primeiro filme dirigido por Bryan Singer com os heróis mutantes seguiu a fórmula de Superman – O Filme, conciliando respeito pelos quadrinhos, protagonistas desconhecidos mas adequados, atores talentosos e consagrados em papéis-chave e os melhores efeitos disponíveis na época. Contudo, X-Men – O Filme deixou a sensação de que faltava algo. Mas o que quer que estivesse faltando veio em X-Men 2, um filme tão bom que teve o efeito de até mesmo “melhorar” o primeiro. Infelizmente, Brian Synger deixou a série de longas dos “filhos do átomo” para se dedicar ao “filho de Krypton”. Como consequência, X-Men – O Confronto Final não fez jus às duas produções anteriores).

3. O Cavaleiro das Trevas (apesar do discutível ator no papel-título, o segundo filme do Homem-Morcego dirigido por Christopher Nolan me fez perdoar o decepcionante Batman Begins. É claro que uns 90% da força do filme estão na impressionante, incomparável e perturbadora atuação de Heath Ledger no papel do Coringa. Mas o roteiro também é bom, a produção bem-cuidada e o elenco coadjuvante está perfeito. Para mim, o principal defeito mesmo é a insistência em mostrar o Batman voando).

4. Homem de Ferro (o filme de estréia do excelente Robert Downey Jr. como super-herói superou todas as expectativas, com um roteiro interessante, bons efeitos, atuações na medida, diálogos inteligentes e uma trilha empolgante. Conciliando elementos realistas numa aventura fantasiosa, o filme é mais que um bom entretenimento, além de ser bem melhor do que qualquer versão do personagem nos quadrinhos).

5. Batman – O Retorno (esse segundo filme do Batman dirigido por Tim Burton foi fascinante na época, por seu visual sombrio que mergulha na estética dos espetáculos itinerantes e dos quadrinhos do Homem-Morcego. Michael Keaton jamais foi o ator ideal para o papel de Batman, mas até que não decepciona nessa segunda chance. Sobretudo, temos um Danny DeVito perfeitamente repulsivo no papel de Pinguim e uma belíssima Michelle Pfeiffer numa encarnação inesquecível da Mulher-Gato. O longa foi também capaz de lançar uma sombra mais favorável sobre seu antecessor Batman – O Filme, que já trazia uma atuação marcante de Jack Nicholson como Coringa. De quebra, a promoção em torno do segundo filme de Tim Burton motivou o desenvolvimento e lançamento de Batman – The Animated Series, uma das melhores séries de animação já produzidas).

Aguardo então os comentários de todos, com as listas de seus filmes de super-heróis favoritos!

10/01/2009

Qual é seu personagem dos quadrinhos favorito?


Nós, leitores de quadrinhos, costumamos ter personagens preferidos, que acompanhamos em revistas, álbuns, filmes, animações... É claro que os motivos para gostarmos deste ou daquele personagem são pessoais e às vezes nem mesmo sabemos os porquês. No meu caso, percebi que os personagens que hoje considero meus favoritos são ligados às obras das quais mais gosto (mas que não são necessariamente as melhores que já li, em termos artísticos).

Sempre tive a curiosidade de saber quais são os personagens favoritos de outros leitores, o que me motivou a escrever esta postagem. Assim, gostaria de contar com a participação dos leitores do Mais Quadrinhos. Abaixo, está a lista dos meus personagens favoritos (atualmente). Optei por uma lista com cinco nomes, mas a sua pode ter quantos nomes quiser (se possível na sua ordem de predileção). Na minha lista, também indiquei as obras específicas que me fazem gostar deles, mas se preferir pode fazer uma lista simples (só citando os nomes). Então vamos lá!

1. Monstro do Pântano (especialmente nas revistas Swamp Thing #21-27 e #34-36, produzidas por Alan Moore, Steve Bissette e John Totleben).

2. Marvelman / Miracleman (em tudo que Alan Moore escreveu para o personagem, com exceção de alguns capítulos pessimamente desenhados).

3. Batman (na maior parte dos episódios de Batman: The Animated Series de 1992-1993 e também na HQ Mad Love, criada por Paul Dini e Bruce Timm).

4. Pererê (na série produzida por Ziraldo entre 1960 e 1964).

5. Grauna (nas HQs que Henfil publicou na revista Fradim n°s 9 a 14).

Fico aguardando então os comentários com sua lista de personagens favoritos dos quadrinhos. Abraços!

25/07/2008

Chega às lojas o “Animatrix” do Batman.


Acompanhando o avassalador sucesso do filme O Cavaleiro das Trevas, chegou às lojas o DVD com a animação Batman: O Cavaleiro de Gotham, o mais recente lançamento da série DC Universe. Trazendo seis episódios curtos produzidos por Bruce Timm e dirigidos por diretores japoneses, a animação situa-se entre os dois longas-metragens do Homem-Morcego dirigidos por Christopher Nolan. O desenho obviamente segue o modelo de Animatrix, colocando lado a lado diferentes estilos de desenho e ritmos de animação, ao mesmo tempo em que adiciona peças às histórias narradas no cinema.

Batman: O Cavaleiro de Gotham é uma animação feita para os fãs do herói e, em especial, para aqueles que gostaram de Batman Begins. O leitor mais purista poderá estranhar as diferentes abordagens e visuais que se sucedem de episódio a episódio. Na verdade, porém, a diversidade de estilos empregados para narrar cada história revela-se a maior virtude dessa produção. O fato é que os roteiros em geral, escritos por David Goyer, Alan Burnett, Brian Azzarello, entre outros, deixam a desejar. Assim, o melhor dos 75 minutos de animação fica mesmo por conta das imagens e do ritmo em estilo anime.

A produção tem lá seus altos e baixos, seus episódios melhores e piores. Além disso, a liberdade criativa dada aos diretores japoneses originou algumas inconsistências, como diferenças na cor dos olhos de Bruce Wayne e na aparência de personagens coadjuvantes. Contudo, trazendo bastante ação, tiros e cenas de luta, o DVD deverá agradar a quem gosta das tramas mais policiais envolvendo o Batman. Diretamente relacionados aos eventos mostrados em Batman Begins, os episódios deixam de lado os bat-vilões mais tradicionais, contando apenas com a participação do Espantalho e de Croc.

Em todos os sentidos, o melhor de Batman: O Cavaleiro de Gotham está no primeiro e quarto episódios. “Eu tenho uma história para você” repete uma fórmula já utilizada em quadrinhos e desenhos do Homem-Morcego, em que pessoas comuns se sentam para contar suas histórias sobre o herói. Neste caso, jovens skatistas narram como foram seus encontros com o Cavaleiro de Gotham, descrevendo-o como cada um o viu, ou seja, uma sombra viva, um morcego gigante e uma armadura-robô. O visual e acabamento são de primeira, lembrando o mangá Preto & Branco ou as HQs de Miguelangelo Prado.

Já “Esconderijos na Escuridão” tem uma atmosfera que parece o cruzamento de Blade Runner com as HQs de Mike Mignola. Numa grotesca e sombria viagem aos esgotos de Gotham, o Homem-Morcego enfrenta aberrações humanas e loucos fanáticos. Com enquadramentos inclinados e personagens distorcidos, o episódio é eficiente ao apresentar o monstruoso Croc e situar o vilão Espantalho após os acontecimentos de Batman Begins. Outros episódios, como “Teste de Campo” e “Lidando com a dor”, trazem elementos interessantes, como um visual diferenciado para o Batman ou sequências de animação passadas na Índia.

Pessoalmente, eu esperava mais de Batman: O Cavaleiro de Gotham. Em especial, se considerarmos toda a antecipação e os recursos milionários que envolveram o projeto. Mas esse anime do Homem-Morcego vale uma conferida por suas abordagens originais de um super-herói clássico. Para quem quiser conferir, o DVD traz alguns extras, nem todos traduzidos, estando à venda por R$29,90. E para quem quiser saber mais sobre os quadrinhos, filmes e animações do Batman, basta clicar nas palavras em destaque abaixo.

22/07/2008

O novo filme do Batman (e do Coringa).


Estreou na última sexta-feira O Cavaleiro das Trevas, segundo filme do Batman dirigido por Christopher Nolan e protagonizado por Christian Bale. Também trazendo um elenco estelar, o novo longa-metragem é muito superior a Batman Begins e tem como destaque a impressionante atuação de Heath Ledger no papel do Coringa. Seu trabalho é tão original e intenso que, segundo se especula, pode até render um Oscar póstumo, além de influenciar a forma como o vilão aparecerá futuramente nos quadrinhos.

Diferente do primeiro filme dirigido por Nolan, O Cavaleiro das Trevas tem um roteiro interessante, no qual os principais personagens são bem aproveitados. A história avança no que foi mostrado em Batman Begins, contando com uma pequena aparição do vilão Espantalho e aprofundando a relação do Homem-Morcego com Alfred e Lucius Fox, interpretados por Michael Caine e Morgan Freeman. Mas o que realmente ganha dimensão e relevo é a atuação do Comissário Gordon, vivido por Garry Oldman, que assume a condição de principal coadjuvante. Há ainda o promotor Harvey Dent, interpretado por Aaron Eckart, e a advogada Rachel Dawes, vivida por Maggie Gyllenhall, que substitui a inócua Katie Holmes. Porém, como já se podia notar em algumas imagens promocionais, O Cavaleiro das Trevas é mesmo um filme do Batman no qual o Coringa é a grande estrela.

A versão encarnada por Ledger traz os elementos básicos do vilão, representado como um homicida insano com um senso de humor sádico e um visual peculiar. Mas a caracterização e interpretação do ator australiano diferem das tradicionais versões de Cesar Romero e Jack Nicholson, sendo mais realista e perturbadora. Em primeiro lugar, a caracterização de Ledger não simula uma pele branca, mas sim uma maquiagem borrada e escorrida, com um sorriso falso que encobre cicatrizes. Completam a figura um cabelo esverdeado que parece suado e sujo, além de um terno roxo, escuro e surrado. Já a interpretação é mais contida e menos cômica que as anteriores, marcada por uma postura corporal particular e por trejeitos inquietantes. Chamado de “terrorista”, o novo Coringa é manifestadamente mais crível e assustador que seus antecessores.

A impressionante atuação de Ledger teria tudo para se repetir num terceiro filme dirigido por Nolan. Mas, com a morte do ator em janeiro deste ano, o Coringa deverá ficar de fora da provável sequência de O Cavaleiro das Trevas. Certamente, porém, ator e personagem ficarão definitivamente associados, e isso não apenas pela caracterização e interpretação originais. Logo que a morte de Ledger foi anunciada, não faltou quem associasse sua overdose de remédios para insônia e ansiedade à pesada carga emocional associada ao “palhaço do crime”. Provavelmente, essa nova versão do Coringa, ainda mais doentia e estranha, deverá também influenciar futuras aparições nos quadrinhos da DC Comics. Especulações à parte, o personagem psicótico de Ledger não deixa muito espaço para outros bat-vilões, como Espantalho e Duas-Caras, valendo por si só a ida ao cinema.

Os únicos senões nas mais de duas horas do longa-metragem dizem respeito a alguns exageros e a situações inexplicadas e inexplicáveis. No entanto, O Cavaleiro das Trevas é uma ótima produção cinematográfica baseada nos quadrinhos, que deverá agradar mesmo àqueles que não lêem as HQs do Homem-Morcego. Por isso mesmo, os fãs de Batman e Coringa podem tranquilamente levar suas namoradas para assistirem a Christian Bale e Heath Ledger, com direito a ótimos coadjuvantes, numa história interessante e empolgante. Nestes tempos de ingressos tão caros, O Cavaleiro das Trevas é um filme que vale o investimento.

Para quem quiser saber mais sobre os quadrinhos e filmes com Batman e Coringa, basta clicar nas palavras em destaque abaixo.

25/04/2008

Spawn / Batman, uma HQ medíocre de Miller & McFarlane.


Escrita por Frank Miller e desenhada por Todd McFarlane, Spawn / Batman foi lançada no Brasil, pela Abril Jovem, em 1997. Edição oportunista que se apoiou no estrondoso sucesso do personagem criado por McFarlane e no prestígio do nome de Miller, a revista impressionou-me na época pela falta de originalidade do roteiro e por seus desenhos abaixo da média. Assim, embora essa HQ tenha todos os elementos para agradar aos fãs de McFarlane, ela é desaconselhável para quem admira os trabalhos sérios de Miller.

Nos anos 80 e 90, o nome Frank Miller foi sinônimo de qualidade nos quadrinhos. Afinal, o criador de O Cavaleiro das Trevas e Sin City foi um dos responsáveis por uma revolução qualitativa no mercado norte-americano. Levando para os comics influências de HQs japonesas, européias e sul-americanas, Miller criou um trabalho pessoal, no qual a qualidade artística era presença constante. Mas não é isso que vemos em Spawn / Batman.

Naquela mesma época, Todd McFarlane era sinônimo de popularidade nos quadrinhos. Em poucos anos, ele se tornou o artista mais famoso e bem-sucedido do mercado norte-americano. Com seu traço repleto de elementos caricaturais, expressões e imagens exageradas, somado a uma narrativa fragmentada, McFarlane criou uma fórmula de sucesso, seguida fielmente por seus imitadores. Mas não há dúvida de que, em se tratando desse quadrinista, raras vezes fama e qualidade artística andaram juntas. E é exatamente isso que vemos em Spawn / Batman.

É difícil dizer se foi a falta de qualidade artística de McFarlane que influenciou negativamente Miller, ou se este simplesmente optou por rabiscar um esboço de roteiro, por se tratar de uma revista que seria publicada pela Image Comics. O fato é que Spawn / Batman não passa de um subproduto do roteiro que o próprio Miller escreveu para o filme Robocop 2. Basicamente, o que diferencia as duas histórias escritas por Miller é a existência de Spawn, que dá conotações místicas ao roteiro da HQ.

Como sempre, os desenhos de McFarlane trazem as caretas excessivas, capas gigantescas, erros de anatomia e excesso de rabiscos que lhes são característicos. Mas grande parte do suposto dinamismo da arte desse desenhista não está em seu traço, e sim nas cores produzidas por computação gráfica. Utilizando uma variação entre gradações leves e contrastes fortes, a coloração cria a ilusão de energia e movimento que tanto tem fascinado e agradado aos leitores nas últimas décadas.

Os principais trabalhos autorais de Frank Miller e Todd McFarlane, Sin City e Spawn respectivamente, são quase opostos. Embora ambos abusem da violência, nos trabalhos de Miller ela tem limites mais realistas. Contudo, é no visual das HQs que as diferenças se tornam mais notáveis. Sin City apóia-se nos contrastes entre luz e sombra, ao estilo de Alberto Breccia, valorizando a narrativa visual. Já Spawn abusa das cores, apoiando-se em imagens de detalhe ou grandes cenas de impacto inspiradas na estética dos mangás. Essas diferenças nos trabalhos dos desenhistas fazem do primeiro um artista e do outro um criador de sucessos de massa.

No final das contas, Spawn / Batman serviu apenas para confirmar o que muitos já sabiam. Primeiro, o fato de que na companhia de Todd McFarlane até os melhores roteiristas foram capazes de criar trabalhos ruins. Segundo, por alguns milhares de dólares, mesmo um quadrinista dos mais conceituados não se sente constrangido em fazer um trabalho medíocre. É claro que, ao aceitar trabalhar nessa HQ especial, Miller também estava buscando uma divulgação extra para Sin City, projeto que começava a deslanchar na época em que a revista foi lançada nos Estados Unidos. Mas, quer seja pelo dinheiro, quer seja pela divulgação de seu trabalho, a pergunta que fica é: será que valeu a pena?

10/03/2008

Batman & Spirit enfrentam seus inimigos, no Havaí.


Criados respectivamente em 1939 e 1940, Batman e Spirit foram produtos de um momento em que os quadrinhos de detetive e os quadrinhos de super-heróis disputavam a preferência dos leitores. Mais de seis décadas depois, as criações de Bob Kane e Will Eisner encontraram-se numa HQ com roteiro de Jeph Loeb, desenhos de Darwyn Cooke, arte-final de J. Bone e cores de Dave Stewart. Lançada em fevereiro pela Panini, em antecipação à nova série The Spirit produzida por Cooke, a edição especial tem o preço de R$ 5,90.

A história de Batman & Spirit começa com os comissários Dolan e Gordon à frente de uma lareira, relembrando uma velha história. É assim que o leitor é introduzido ao tema da HQ, que parte de uma sequência em que Spirit não se sai muito bem numa perseguição a alguns de seus piores inimigos. Em seguida, é a vez de Batman e Robin, que quase viram churrasquinho ao tentar impedir a fuga de seus próprios vilões. Passando a uma sequência mais cotidiana, vemos o Comissário Dolan despedindo-se de sua filha Ellen em Central City, enquanto em Gotham City o Comissário Gordon se despede de sua filha Bárbara. Ambos viajam então para o Havaí, onde uma convenção de policiais os aguarda. O que eles não sabem, mas logo Batman e Spirit deduzem, é que também os vilões se dirigiram para um encontro naquele arquipélago. A partir desse ponto, o roteiro perde a força, baseando-se em forçadas sequências de ação e situações fracamente explicadas ou mal apresentadas.

Evitar o assassinato dos comissários e prender os vilões passa a ser o elemento central da trama envolvendo Batman e Spirit. E se o vilão Octopus parece ter inicialmente o papel preponderante, Coringa e Arlequina acabam roubando a cena, mais uma vez. No final, as quarenta páginas da HQ não parecem o bastante para se contar uma boa história, pois a captura final do bando de vilões é feita com um artifício externo: a aparição injustificável de um certo super-herói de Metropolis. Além disso, a idéia de levar dois heróis urbanos para uma aventura no Havaí não é lá muito brilhante. Em resumo, a história de Jeph Loeb é uma decepção, mesmo para alguém que não espera muito desse supervalorizado roteirista. A única ressalva fica por conta dos paralelismos entre o herói encapuzado de Gotham e o herói mascarado de Central City. É o que vemos, por exemplo, na apresentação dos personagens, em uma página inteira para cada um: primeiro é o nome de Spirit que aparece num letreiro despedaçado, e depois o de Batman que surge nas dobras de sua capa.

É claro que mesmo o exemplo acima pode ter mais a ver com os desenhos de Darwyn Cooke do que com o roteiro original. E o fato é que o grande atrativo de Batman & Spirit são os desenhos em estilo cartunizado, auxiliados pela competente arte-final e cores bem trabalhadas. O visual no conjunto cria uma leve atmosfera “anos 40”, na trilha do que vemos nas páginas de DC: A Nova Fronteira, em relação aos anos 50. Deve-se dizer, porém, que a qualidade final não se compara, sendo o trabalho que consagrou o desenhista canadense muito superior em termos técnicos e expressivos. Assim, num saldo geral, Batman & Spirit agrada pelo visual, mas não é uma HQ que se justifica por si só. Na verdade, a edição especial utiliza Batman e seus vilões para apresentar o Spirit e seus personagens coadjuvantes aos leitores dos super-heróis DC.

Seria praticamente impossível enumerar hoje todos os “encontros” ou edições especiais envolvendo o Batman. Separadamente, aliás, Jeph Loeb e Darwyn Cooke foram responsáveis por algumas delas. No caso de Spirit, a história é bem diferente. Personagem de um autor e não de uma editora, o herói criado por Will Eisner teve uma carreira menos comercial. A maior parte das edições especiais com o herói de Central City ficou por conta de homenagens de outros autores de quadrinhos. A Kitchen Sink, que detinha os direitos sobre a obra de Eisner, publicou em P&B e formato magazine a HQ coletiva Spirit Jam, assinada por autores como Milton Caniff, Richard Corben, Harvey Kurtzman, Frank Miller e Bill Sienkiewicz. A editora de Denis Kitchen também lançou, em 1998, a série The Spirit: The New Adventures, com novas histórias curtas criadas por Alan Moore, Dave Gibbons, Neil Gaiman, Michael Allred, Kurt Busiek, Paul Pope, entre outros nomes de destaque dos quadrinhos.

A DC Comics detém hoje os direitos sobre o personagem de Will Eisner, lançando os vinte e quatro volumes da coleção The Spirit Archives. Batman & Spirit vem selar a associação do personagem com a editora do Homem-Morcego, antecipando a série mensal escrita e desenhada por Darwyn Cooke, que será tema de uma próxima postagem.

27/01/2008

Nossos parabéns a Frank Miller!


Frank Miller é hoje mundialmente conhecido como o autor das HQs que originaram os filmes Sin City e 300, além de ser o diretor do futuro filme Will Eisner’s The Spirit. Mas esse quadrinista norte-americano, que completa 51 anos hoje, já foi muito mais que uma estrela menor na constelação de Hollywood. Do início dos anos 80 até meados dos anos 90, seu trabalho influenciou os quadrinhos norte-americanos, dando origem a algumas das mais importantes HQs das últimas décadas.

Em postagens anteriores, já abordei sua prestigiada fase na revista Daredevil, sua marcante abordagem na minissérie Wolverine, além do inovador Ronin e do revolucionário O Cavaleiro das Trevas. Também falei de suas colaborações com David Mazzucchelli em A Queda de Murdock e Batman: Ano Um, bem como de suas parcerias com Bill Sienkiewicz na Graphic Novel do Demolidor e na minissérie Elektra Assassina. Mas, após essa sequência de importantíssimos trabalhos, Miller passou um tempo afastado dos quadrinhos. Nesse período, ele fez sua primeira aproximação com o cinema, produzindo o roteiro inicial do lastimável Robocop 2.

Quando voltou às HQs em 1990, Miller lançou a muito aguardada e bastante decepcionante graphic novel Elektra Vive, escrita e desenhada por ele, com cores pintadas por Lynn Varley. Na sequência, boa parte de seus trabalhos seria produzida em colaboração com outros desenhistas. Assim surgiram Give me Liberty em parceria com David Gibbons, Hard Boiled ilustrada por Geof Darrow, Robocop vs Exterminador desenhada por Walter Simonson e O Homem sem Medo com desenhos de John Romita Jr., isso sem falar na edição 11 da revista Spawn e na perfeitamente esquecível Spawn/Batman, ambas produzidas com Todd McFarlane. Contudo, o trabalho mais importante de Frank Miller em seu “retorno” aos quadrinhos foram as edições da série Sin City.

Lançada originalmente nas páginas da revista Dark Horse Presents, a primeira história de Sin City teve ótima repercussão, sendo reunida em livro e dando origem a uma bem-sucedida sequência de minisséries lançadas pelo selo Legend. Negando a superexploração visual pela qual os comics passavam na época, com suas HQs policiais em preto e branco, Miller resgatou elementos que andavam meio esquecidos nos quadrinhos norte-americanos. Efeitos de luz e sombra, uma história que justifique as sequências de ação, não existindo apenas em função delas, e uma narrativa que tenha um "fio condutor" são alguns dos elementos recuperados em Sin City. Além disso, nas seções de cartas das minisséries, Miller engajou-se num longo e acalorado debate contra os sistemas de censura do mercado norte-americano de quadrinhos. Mas o que mais impressionou em Sin City foi seu visual.

Alguns elementos, como um traço característico e conciso ou a narrativa rápida e com pouco texto, foram sendo aperfeiçoados por Miller ao longo de sua carreira. O que Sin City trouxe de inovador foi um uso peculiar do contraste entre luz e sombra. Esse novo estilo é composto principalmente por massas de preto e branco, empregadas de tal forma que os quadros parecem sempre iluminados por um clarão. Na verdade, esse recurso não foi criado originalmente por Miller, sendo em parte influenciado por Hugo Pratt, mas principalmente por Alberto Breccia, o desenhista argentino da série Mort Cinder. Nesta, a luminosidade e as sombras são utilizadas com o objetivo de reforçar o clima de tensão e mistério das histórias, enquanto no trabalho de Miller o efeito é empregado para destacar os personagens e as sequências de ação. Contudo, o quadrinista norte-americano parece ter se acostumado demais ao estilo e temáticas de Sin City, fazendo com que os volumes seguintes começassem a ser apenas “mais do mesmo”.

Enquanto trabalhava em novas HQs de Sin City, Miller produzia roteiros para diferentes desenhistas. Assim surgiram Martha Washington Goes to War e outras edições com a personagem desenhada por Dave Gibbons, a premiada The Big Guy and Rusty com as detalhadas ilustrações de Geof Darrow, bem como a apocalíptica e surrealista Bad Boy, produzida em parceria com Simon Bisley, como parte de uma aberta campanha contras as restrições aos temas abordados nos quadrinhos. Outro exemplo disso foi a revista Tales to Offend, na qual Miller apresenta o personagem Lance Blastoff, um mercenário interplanetário sem escrúpulos que vive atrás de diversão e dinheiro, matando dinossauros e poluindo reservas ambientais. Ao fim da década de 1990, Miller ainda lançaria com Lynn Varley a minissérie 300, sua estilizada e superestimada versão para a batalha das Termópilas.

O novo século trouxe Miller de volta à DC Comics e a um dos personagens que o consagraram no início de sua carreira. Os resultados, no entanto, foram o absolutamente dispensável DK2 e o meramente comercial All Star Batman, este último desenhado por Jim Lee. Mas, talvez cause ainda mais arrepios a anunciada “Santo Terror, Batman!”, HQ em que o quadrinista promete mostrar o Homem-Morcego enfrentando os terroristas da Al-Qaeda. De qualquer forma, com o sucesso das adaptações de Sin City e 300, além do esperado filme Will Eisner’s The Spirit, o futuro de Frank Miller parece cada vez mais ligado ao cinema. E se seus quadrinhos dos últimos anos deixaram muito a desejar, podemos sempre celebrar suas obras do passado, dando nossos parabéns a esse importante quadrinista.

Para saber mais sobre os trabalhos de Frank Miller, clique no nome em destaque abaixo.

30/12/2007

Batman: herói dos seriados, filmes e animações (IV).


Após uma década de séries e filmes de animação acima da média, surgiram rumores sobre o retorno do Homem-Morcego aos cinemas. Mas, antes que Batman Begins fizesse sua estréia mundial, um novo desenho animado chegou aos canais da Warner. E com a forte marca “retrô” deixada por Batman - The Animated Series, os executivos do estúdio norte-americano decidiram que era hora de “zerar o placar” e lançar uma versão supostamente mais de acordo com as tendências deste início de século.

Foi assim que surgiu The Batman, um estiloso desenho animado, com direito a muitas cenas angulosas e figuras tortuosas (além de injustificáveis céus verdes e roxos). Apresentando alguns novos personagens (criados para contemplar telespectadores das chamadas “minorias raciais”), a animação traz também os coadjuvantes e antagonistas de sempre (Comissário Gordon, Alfred, Coringa, Mulher-Gato, etc.). Porém, como a idéia era buscar um visual mais contemporâneo, o próprio protagonista e vilões clássicos como o Coringa ganharam (duvidosas) versões criadas por Jeff Matsuda (o mesmo responsável pelo desenho As Aventuras de Jackie Chan). Embora O Batman conte com um tema de abertura bacaninha (composto por The Edge, da banda U2) e tenha lá seus momentos interessantes, como um todo, a série parece uma idéia ruim que recebeu um orçamento milionário.

Lançado em 2004, o desenho traz um Bruce Wayne pós-adolescente e repleto de brinquedinhos high tech, mas sem a consistência que caracteriza as melhores versões do Homem-Morcego. Com a saída dos produtores principais em 2007, a Warner começou a fazer reajustes na série, aproximando-a de outras mais bem-sucedidas (como o desenho Liga da Justiça). No fim das contas, porém, O Batman não passa de uma cria de estúdio, voltada a disseminar uma imagem mais juvenil e comercial de um personagem que logo apareceria numa produção de milhões de dólares. A busca de uma versão atualizada e dinâmica do Batman era necessária para agradar ao público adolescente masculino, da mesma forma que a escolha de um ator jovem e "bonitinho", como Christian Bale, tinha o objetivo de atrair a parcela feminina do público.

Tendo estreado nos cinemas em 2005, Batman Begins foi mais uma produção multimilionária de Hollywood, baseada num personagem dos quadrinhos. Com um elenco estelar, que inclui Michael Caine, Morgan Freeman e Garry Oldman (além do deslocado Liam Neeson e da inócua Katie Holmes), o filme pretende ser uma abordagem realista do herói, através de uma caracterização contemporânea (afastando-se, por exemplo, da proposta mais interpretativa das produções de Tim Burton). Porém, mesmo sendo tecnicamente elogiável e tendo agradado a muitos espectadores, o filme não se sustenta. Começando com Sete anos no Tibet, roubando cenas de Highlander e Blade Runner, passando por Velozes e Furiosos, o longa traz algum bat-drama e é cheio de cortes bruscos e personagens sem dimensão, resumindo-se a uma grande colagem.

Roteiro fraco, personagens mal aproveitados, visual um tanto inadequado e um Batman que voa (!) são ingredientes que podem até ter agradado a muitos, mas que seguramente não fazem de Batman Begins o melhor filme com o Homem-Morcego (como alguns gostam de alardear). A moral da história? Simples: por si sós, nem mesmo um dos personagens mais populares de nosso tempo e todo o dinheiro de Hollywood fazem um grande filme. Mas, já que a primeira produção rendeu alguns milhões de dólares, Christopher Nolan e Christian Bale ganharam uma segunda chance (de 150 milhões de dólares) para levar o Batman às telas dos cinemas. Agora só resta aguardar a estréia de The Dark Knight, em julho de 2008, para conferirmos se esse será um grande filme do Cavaleiro das Trevas, ou se o Coringa (interpretado por Heath Ledger) roubará a cena. Então, até 2008!

28/12/2007

Batman: herói dos seriados, filmes e animações (III).


Pode-se dizer que os “filhos legítimos” dos filmes de Tim Burton são, na verdade, os desenhos animados produzidos pela Warner Bros., a partir de 1992. Preparada para se seguir ao lançamento de Batman - O Retorno, a nova série de animação do Homem-Morcego superou todas as expectativas, saindo “muito melhor que a encomenda”. Lançada numa época em que a Internet não havia ainda se difundido, ela estreou no Brasil sem muito alarde, numa manhã de domingo. Por isso mesmo, a surpresa foi total! Já na abertura (com seus tons sombrios e desenhos dinâmicos conduzidos por uma música que vai do soturno ao triunfal), Batman - The Animated Series mostrou que os desenhos animados baseados em quadrinhos poderiam ser produções mais adultas e sofisticadas.

Assim como os filmes de Tim Burton, a animação produzida por Alan Burnett, Eric Radomski e Bruce W. Timm partia de uma temporalidade difusa (que misturava componentes da Art Decó dos anos 40 com elementos dos anos 90). Com arquitetura, roupas e carros antigos, além de um clima sombrio e de gângsteres como bandidos, a nova série animada do Batman não escondia a influência dos filmes noir e das animações clássicas do Super-Homem (produzidas pelos irmãos Fleischer entre 1941 e 1943). E se o visual de alguns objetos e personagens (como o Batmovel e o Pinguim) veio das produções cinematográficas de Tim Burton, o visual do Homem-Morcego saiu do herói Space Ghost criado por Alex Toth (para os Estúdios Hanna-Barbera, nos anos 60) e do próprio Batman desenhado por David Mazzucchelli (para a HQ Ano Um, de 1987). Já o trabalho de animação em si ficou a cargo de estúdios orientais, que aplicaram recursos e inovações trazidos pelo longa-metragem Akira (o clássico de Katsuhiro Otomo, de fins dos anos 80). Por fim, a música-tema de Danny Elfman (adaptada de seu trabalho em Batman - O Filme) e um acertado elenco de vozes (que no caso do protagonista é ainda melhor na dublagem do brasileiro Márcio Seixas) contribuíram para o imediato sucesso da série.

Contudo, recursos técnicos e influências visuais não seriam o bastante se a série não trouxesse também boas histórias. Tendo como referência a abordagem “psicológica” e mais racionalista dos quadrinhos dos anos 80 (como Ano Um de Frank Miller e A Piada Mortal de Alan Moore), os roteiristas buscaram o “lado humano” dos personagens (evitando o maniqueísmo ao apresentar suas motivações). O melhor exemplo disso talvez seja o Cara de Barro, que surge como um perigoso monstro capaz de alterar sua forma, mas acaba se revelando um atormentado ex-ator em busca de uma cura. O mesmo acontecesse com o Sr. Frio, vilão de não muito destaque que teve sua origem recontada, ganhando uma dimensão mais trágica (além de um novo visual criado por Mike Mignola). De fato, a começar do próprio Batman/Bruce Wayne, quase todos os coadjuvantes e antagonistas de suas HQs foram reinventados para a série: do Morcego-Humano e do fiel mordomo Alfred (no ótimo episódio-piloto “Asas de Couro”), passando pelo Comissário Gordon e por Robin, até os vilões Duas-Caras, Mulher-Gato, Charada, Hera Venenosa, Pinguim e, é claro, o insuperável Coringa.

Revitalizado e mais espirituoso que nunca, o Coringa chegou como uma das estrelas da série, ganhando uma versão à altura de sua importância (e a dublagem do ator Mark Hamill no original). E o Palhaço do Crime mostrou que não estava de brincadeira, em episódios como “O Natal do Coringa”, “Seja um Palhaço” e “Um favor para o Coringa”. Este último, escrito por Paul Dinni, trouxe a estréia da impagável Arlequina, a namorada do Coringa que conquistou o coração do público (a ponto de saltar dos episódios da tevê para os quadrinhos da DC Comics). Dinni também escreveu o inspirado “Quase o peguei” (no qual os principais inimigos do Batman contam suas histórias de como eles quase o derrotaram) e o original “O homem que matou o Batman” (no qual um bandido chinfrim espanta o mundo do crime com a alegação de ter matado o defensor de Gotham City). A lista de escritores do desenho animado incluiu ainda veteranos dos quadrinhos, como Len Wein, Marv Wolfman e Dennis O’Neil, que garantiram o ótimo nível médio dos roteiros.

Batman - A Série Animada foi um enorme sucesso de público e crítica, ganhando vários prêmios. Com isso, o desenho animado acabou originando uma coleção de brinquedos e a ótima revista em quadrinhos Batman - O Desenho da TV, além do longa-metragem para o cinema Batman - A Máscara do Fantasma, lançado em 1993. No ano seguinte, o título da série foi mudado para As Aventuras de Batman & Robin, marcando uma nova abordagem que valorizava mais o Menino-Prodígio. Tendo se saído tão bem com o Homem-Morcego, Bruce Timm teve a chance de recriar o outro grande super-herói da DC Comics, produzindo em 1996 Superman - A Série Animada. No ano seguinte, o desenho do Homem-Morcego sofreu outra mudança estrutural, passando a se chamar As Novas Aventuras do Batman. Já em 1998, a dupla dinâmica apareceu no longa Batman & Sr. Frio: Abaixo de Zero, enquanto o Homem-Morcego se encontrou com o Homem de Aço em Batman/Superman: Os Melhores do Mundo. No ano seguinte, foi lançada Batman do Futuro, série que originaria o longa O Retorno do Coringa. Mais recentemente, foi lançado em DVD um quarto filme: Batman - O Mistério da Mulher Morcego.

Esse amplo repertório de animações pavimentou o caminho para as séries Liga da Justiça, Liga da Justiça Sem Limites, Jovens Titãs e a recente Legião dos Super-Heróis. Com uma qualidade técnica e narrativa capaz de agradar tanto a uma criança de 3 anos quanto a um adulto de 33, de um modo geral, os desenhos animados lançados pela Warner nos últimos quinze anos são melhores que os quadrinhos publicados pela DC Comics. Recriando os personagens da editora para a linguagem da animação e o público do século 21, essas séries cativaram novos fãs que, em muitos casos, jamais lerão as versões originais em quadrinhos. Mas o fato é que foi a profunda paixão de Bruce Timm e sua equipe pelos heróis das HQs que gerou Batman - The Animated Series, um dos melhores desenhos animados já feitos.

Para quem quiser conhecer ou rever, as animações citadas aqui já foram lançadas no Brasil em DVD. E para quem quiser saber mais sobre os quadrinhos do Homem-Morcego, clique na palavra BATMAN em destaque abaixo.

26/12/2007

Batman: herói dos seriados, filmes e animações (II).


Com a crise de valores dos anos 70, o questionamento dos heróis tradicionais abriu caminho para que Batman reassumisse seu lado mais sombrio. E a partir de sucessos dos quadrinhos nos anos 80 (O Cavaleiro das Trevas, Ano Um e A Piada Mortal), a Warner Bros decidiu levar o personagem para as telas de cinema, numa produção que fizesse jus à sua importância. Foi assim que surgiu Batman - O Filme, sensação cinematográfica de 1989 inspirada nas primeiras HQs desenhadas por Bob Kane e em elementos das graphic novels produzidas por Frank Miller e Alan Moore.

Lançado para comemorar os 50 anos do Homem-Morcego, o longa-metragem chegou com uma gigantesca campanha de marketing, que contava com anúncios na mídia em geral, além da distribuição de material impresso (como pôsteres e panfletos) e instalações cenográficas em lojas de departamentos (onde eram exibidos vídeos, em meio a elementos temáticos e modelos em escala reduzida). Feito numa época em que não havia um novo filme de super-heróis a cada semana, o lançamento de Batman - O Filme foi o que se pode chamar de um acontecimento memorável.

A princípio, a escolha de Tim Burton para a direção causou controvérsia entre os fãs, embora nada que se comparasse ao espanto geral causado pelo anúncio de Michael Keaton para o papel-título. Mas se a bela Kim Basinger (no papel de Vicky Vale) trouxe algum alívio aos mais descontentes, a escolha de Jack Nicholson para o papel de Coringa (acompanhado dos rumores sobre seu milionário cachê) não deixou dúvidas de que se tratava de uma grande produção. O fato é que o filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria, e visto hoje (apesar de algumas limitações técnicas) ele não decepciona.

Podendo também ser chamado de “Batman - O filme que o Coringa roubou”, seu roteiro se concentra na origem do vilão (retirada de A Piada Mortal), relacionando-a com a origem do herói (encenada a partir da versão de Frank Miller). Como esperado, a atuação de Nicholson é insuperável, não deixando muito espaço para Keaton e os demais atores. Apesar de alguns momentos de inverossimilhança, a produção acertou no figurino e na ambientação, criando uma Gotham City que mistura elementos dos anos 40 e componentes atuais. A temporalidade não-fixada colabora inclusive para a “suspensão da incredulidade”, numa história que traz atores fantasiados de morcego-humano e palhaço psicopata, além de uma “mocinha” que não faz muito mais do que ser salvar e emitir estridentes gritinhos.

Um resultado ainda melhor foi alcançado com Batman - O Retorno, que trouxe um Michael Keaton mais convincente no papel principal, além de Danny DeVitto (como um repulsivo Pinguim) e Michelle Pfeiffer (interpretando uma sensualíssima Mulher-Gato). Com uma produção mais bem-cuidada e um roteiro mais original, esse segundo filme, lançado em 1992, foi a chance de Tim Burton mostrar sua versão cinematográfica dos quadrinhos (influenciada por elementos dos clássicos do terror e dos espetáculos itinerantes). Sem os exageros da produção anterior e com uma cenografia mais competente, Batman - O Retorno é ainda (passados quinze anos) um dos melhores filmes já feitos com personagens dos quadrinhos.

Com o sucesso financeiro das primeiras produções, a Warner decidiu investir em duas sequências dirigidas por Joel Schumacher. A primeira foi o pós-modernoso Batman Forever, filminho de 1995 com Val Kilmer, Nicole Kidman e Tommy Lee Jones, dedicado às caretas e trejeitos do excessivo Jim Carey. Já Batman & Robin, lançado em 1997, contou com Arnold Schwarzenneger, Uma Thurman e George Clooney, mas não conseguiu ser muito melhor que o filme anterior. Após essas dispensáveis produções (que incluíram closes no traseiro, mamilos salientes e toda uma abordagem drag queen), passariam dez anos até que um novo ator vestisse o capuz de Batman nos cinemas. Mas antes disso, para felicidade dos bat-fãs, o herói ganharia a melhor de todas as suas adaptações para outra mídia, como veremos a seguir.

Para os interessados, Batman - O Filme, Batman - O Retorno, Batman Forever e Batman & Robin estão disponíveis em DVD, podendo ser encontrados numa caixa com os quatro filmes ou em edições individuais. Existem também edições econômicas com dois ou até três filmes por disco, mas sem extras.

24/12/2007

Batman: herói dos seriados, filmes e animações (I).


A relação do Homem-Morcego com os longas-metragens e séries para cinema e tevê começou há muito tempo, com a própria criação do personagem em 1939. As tiras de jornal do detetive Dick Tracy, as aventuras radiofônicas do misterioso O Sombra, o personagem Sherlock Holmes dos livros de Arthur Conan Doyle, bem como as máquinas voadoras desenhadas por Leonardo Da Vinci teriam influenciado Bob Kane e Bill Finger na concepção de seu justiceiro encapuzado. Mas, sem dúvida, o novo herói (que batizaram com o nome composto “Bat-Man”) não teria sido o mesmo sem a influência visual dos antigos filmes do Zorro e do clássico The Bat. A ponte do cinema para os quadrinhos voltaria a se estabelecer na criação do principal inimigo do Batman, o insano Coringa, idealizado por Jerry Robinson a partir da figura do ator Conrad Veidt no impressionante O homem que ri. Ao longo das décadas, esse caminho também funcionaria no sentido inverso, com os heróis dos quadrinhos passando para as telonas e telinhas.

No início dos anos 40, o sucesso de Batman e Robin nas revistas e tirinhas de jornal lançou os personagens para uma breve carreira no cinema, com um seriado de episódios curtos. No fim da mesma década, o Homem-Morcego e o Menino-Prodígio ganharam um novo seriado de matinê, no qual enfrentavam terríveis gângsteres. Contudo, nos anos 50, com o declínio nas vendas das revistas de super-heróis, Batman e Robin tiveram suas aparições restritas às HQs. Aqueles tempos de “vacas magras” eram também tempos de “caça às bruxas” nos Estados Unidos, quando a perseguição política e a histeria social atingiram em cheio os quadrinhos, após a publicação do nocivo e preconceituoso Seduction of the innocent do psicólogo Fredric Wertham. Passando a atuar pelas regras do vicioso e prejudicial Código de Ética e despojado de seu lado mais sombrio dos primeiros anos, Batman foi transformado em mais um garoto-propaganda de mensagens moralistas (algo como: “Meu jovem, o crime não compensa!”).

Mas o clima mais arejado dos anos 60 trouxe grandes novidades para Batman e Robin. Afinal, em 1966, os defensores de Gotham City ganharam sua adaptação mais famosa: o seriado para tevê estrelado por Adam West e Burt Ward. Em agitados episódios de meia-hora, a Dupla Dinâmica enfrentava os insuperáveis bat-vilões: Coringa (Cesar Romero), Charada (Frank Gorshin) e Pinguim (Burgess Meredith), só para citar os mais carismáticos. Um sucesso imediato, o programa teve mais de 100 episódios e gerou um longa-metragem estrelado pelo mesmo elenco. A popular produção, na verdade, não tinha muito a ver com o espírito original do Batman. Os cenários e figurinos coloridos, os diálogos hilários, as situações cômicas, além do físico nada atlético de Adam West, refletiam a chamada estética camp, no espírito satírico da década de 1960. As representações gráficas das onomatopéias (POWN!, CRASH!) e as impagáveis falas de Robin (“Santa arapuca!”) são marcas registradas dessa bat-série, que transformou o Homem-Morcego num ícone cultural reconhecido internacionalmente.

A repercussão do seriado foi tanta que, mesmo após seu fim em 1968, muitas HQs e as primeiras animações com o Batman, produzidas nos anos 70, traziam características retiradas dele. Várias pessoas, aliás, conheceram e tornaram-se fás da Dupla Dinâmica sem jamais terem lido uma história em quadrinhos sequer. Eu mesmo, quando criança, passei muitas tardes sintonizado “no mesmo bat-horário e no mesmo bat-canal”, torcendo para que, no último instante, o Homem-Morcego conseguisse escapar das sempre ardilosas (mas teimosamente falíveis) armadilhas de seus inimigos. Bons tempos aqueles! Mas a relação de Batman com o cinema e a tevê não parou por aí, como veremos a seguir.

21/12/2007

Quadrinhos em “estilo desenho animado”.


Ao longo dos anos 90, as editoras Marvel e DC Comics perderam uma considerável parcela de seu público para os desenhos animados japoneses, os video games e também para sua maior concorrente, a Image Comics. Para recuperar os leitores perdidos e conquistar o novo público infantil, as duas maiores editoras do mercado norte-americano investiram em revistas que valorizam seus personagens e veiculavam um novo padrão de desenho, que chamei na época de “estilo desenho animado”. Com ele, a narrativa em quadrinhos, que havia sido prejudicada pelo “estilo Image” (que transformou as páginas num amontoado de imagens exageradas), foi retomada por novos autores que souberam desenvolver um trabalho mais interessante e criativo.

Com a publicação de O Cavaleiro das Trevas e Watchmen em 1986, os roteiristas passaram a tentar imprimir mais realismo aos super-heróis. Se isto possibilitou a criação de trabalhos inovadores, também contribuiu para um enfraquecimento no carisma dos personagens (que se afastavam cada vez mais dos ícones dos anos 40 e 50). Em grande parte, o estilo desenho animado foi uma resposta a esse processo de enfraquecimento dos heróis. Com formas bem delimitadas e desenhadas em traço cartunizado, o novo estilo conseguiu resgatar elementos característicos de heróis clássicos como Batman e Super-Homem.

Esse “retorno às origens” começou em 1992, quando foi lançada Batman: The Animated Series, a melhor série de animação já feita com o Homem-Morcego. Trazendo influências do desenho animado do Super-Homem produzido pelos irmãos Fleischer entre 1941 e 1943, além das inovações de animações japonesas como Akira, o seriado produzido por Alan Burnett, Eric Radomski e Bruce Timm causou um verdadeiro furor quando lançado. Acompanhando o seriado da tevê, a DC Comics lançou a revista The Batman Adventures (rebatizada no Brasil como Batman: O Desenho da TV), que tinha temática e visual inspirados na animação.

Entre os desenhistas da nova publicação, Mike Parobeck destacava-se pelo traço dinâmico e pela narrativa precisa, que exploravam as sugestões do roteiro. Seus desenhos lembram as antigas HQs do Capitão Marvel (Shazam!) no estilo cartunizado de C.C. Beck, enquanto sua narrativa traz influências de Frank Miller e John Byrne. Assim, reunindo as soluções criativas de quadrinhos clássicos e as inovações narrativas dos anos 80, Parobeck desenvolveu um trabalho bastante comunicativo. Recuperando o carisma de Batman nos quadrinhos, The Batman Adventures reconquistou antigos fãs e cativou um seguimento que estava sendo negligenciado pelas editoras de super-heróis: o público infantil.

Explorando a qualidade dos trabalhos de Parobeck, a DC Comics lançou outra revista, com HQs, curiosidades e passatempos, voltada especificamente para público infantil. Nas páginas de Superman & Batman Magazine (intitulada no Brasil O Novo Batman), além dos dois principais heróis da editora, outros personagens como Lanterna Verde, Mulher Maravilha e Flash ganharam versões em estilo desenho animado. Com isso, através das revistas desenhadas por Parobeck, a DC Comics deu continuidade nos quadrinhos ao processo de revitalização de seus super-heróis, iniciada nos desenhos animados.

Mas foi nas páginas das revistas dos heróis mutantes da Marvel que atuou o desenhista mais influente do estilo desenho animado. Joe Madureira era um fã de quadrinhos que conseguiu um emprego de auxiliar nos escritórios da editora. Dos desenhos de horários de folga ao título de desenhista mais influente dos quadrinhos norte-americanos foram apenas cinco anos. Estreando na revista Excalibur, ele teve sua grande chance em 1994, quando desenhou sua primeira edição de The Uncanny X-Men. Em pouquíssimo tempo, Madureira tornou-se um dos desenhistas mais cotados dos quadrinhos norte-americanos.

Se em seus primeiros trabalhos os desenhos lembravam o estilo de Arthur Adams, com o crescente sucesso da animação japonesa, Madureira trocou o traço fino e detalhado pelos desenhos mais delineados e marcados. Com isso, suas heroínas e vilãs passaram a lembrar as ninfetas dos desenhos japoneses, seus heróis ganharam um visual mais jovial, enquanto os vilões aproximaram-se dos monstrengos dos animes. O fato é que os desenhos dinâmicos e o traço definido de Madureira fizeram escola; porém, depois de um enorme sucesso como desenhista da The Uncanny X-Men, ele seguiu o exemplo dos criadores da Image Comics, deixando a Marvel para desenhar seus próprios personagens.

De qualquer maneira, devido aos bons resultados alcançados com The Batman Adventures e The Uncanny X-Men, na segunda metade dos anos 90, tanto a DC quanto a Marvel passaram a investir em revistas no estilo desenho animado, recuperando a popularidade e as características originais de seus principais personagens.