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24/05/2010

O renascimento do Flash por Geoff Johns.


Nos últimos anos, Geoff Johns tornou-se um dos mais badalados roteiristas dos quadrinhos de super-heróis, sendo agora um dos responsáveis pela direção criativa da DC Comics (que inclui decisões não apenas nas revistas da editora, mas também em animações e filmes baseados em seus personagens). Com participações em séries como Crise Infinita e 52, Johns ficou mais conhecido através de trabalhos com super-heróis clássicos, com destaque para a minissérie Lanterna Verde: Renascimento, que resgatou e redimiu o herói Hal Jordan. Repetindo sua parceria com o desenhista Ethan Van Sciver, o roteirista lançou em 2009 e concluiu neste ano The Flash: Rebirth, minissérie em seis edições que marcou a volta de outro herói da “Era de Prata”.

Um dos efeitos da minissérie Crise Final foi o retorno de Barry Allen à continuidade regular dos heróis DC. Devidamente ressuscitado, o herói que dera origem à “Era de Prata” e ao “Multiverso DC” ganhou dos editores uma nova chance (bem aos moldes da oferecida ao Lanterna Verde em 2004-2005). O número 1 de The Flash: Rebirth começa bem, com um duplo assassinato cometido por um misterioso vilão que consegue repetir o acidente que deu origem aos poderes do herói. Nas páginas seguintes, encontramos os vários personagens que assumiram o nome do Flash: de Jay Garrick e Wally West a Bart Allen e, é claro, o próprio Barry Allen. Lembranças e comentários sobre este último interligam as passagens da história, que incluem a participação de antigos adversários do herói e de seu amigo Hal Jordan.

Com alguns mistérios e referências a outras HQs, o capítulo inicial da minissérie serve para estabelecer a trama, cenário e personagens. Como é de se esperar, o número 2 traz um desenrolar dos acontecimentos (um pouco lento), que mistura gorilas das cavernas, cultos à “força da velocidade” (a energia mística que impulsiona os velocistas da DC), flashbacks que revelam o passado de Barry Allen e diálogos que esclarecem elementos sobre seu presente. O Lanterna Verde Hal Jordan faz uma participação breve e mais um mistério é acrescentado com o surgimento de um enigmático “Flash Negro”. Já o número 3 traz um emaranhamento ainda maior dentro da metafísica que envolve a tal “força da velocidade”. Um plano de contenção é necessário e alguns figurões da Liga e da Sociedade da Justiça dão as caras.

O quarto capítulo começa com explicações sobre a identidade do vilão Flash Reverso, seguindo com alguns socos e muita conversa. Tudo parece girar em círculos, até o vilão nos esclarecer seu plano maquiavélico, encerrando com uma saída dramática. Depois temos mais explicações sobre a ligação entre Flash e a “força da velocidade” e, enfim, um pouco de ação. Tudo, porém, é pontuado por uma retórica da “família”, o que dá um caráter conservador a uma história que não vinha sendo das mais brilhantes. Já o número 5 começa com mais flashbacks e reflexões, continuando numa luta de vários heróis velocistas contra um único vilão (!). E a edição inteira é praticamente pancadaria, encerrando mais ou menos como as coisas estavam no início do número 4, exceto por uma última revelação e uma ameaça do vilão.

Além do herói Flash e do roteirista Geoff Johns, um atrativo na minissérie foi o desenhista Ethan Van Sciver (auxiliado por uma competente colorização digital). Seu traço fino segue um padrão detalhista que, às vezes, chega a ser muito estático para uma HQ de super-heróis. Isso sem falar no fato de que seu estilo realista tende a ressaltar cenas estranhas, como personagens em fantasias espalhafatosas sentados à mesa lendo jornais ou comendo cachorros-quentes. E se algumas cenas de página inteira são bem impactantes, outras em sequências de quadros trazem desenhos quase amadores, evidenciando uma grande irregularidade. Mais ilustrador do que propriamente um quadrinista, Van Sciver mostrou o melhor de seu trabalho nas cinco primeiras capas da minissérie, com direito a recriações de cenas consagradas.

O capítulo final da minissérie traz mais correria, mais explicações e um desfecho muito desproporcional a todo o falatório e ideias metafísicas que a história vinha propondo. E para um roteiro que girou tanto em círculos, as últimas páginas só poderiam mesmo ser uma volta ao início. Planejada inicialmente para cinco e não seis edições, The Flash: Rebirth poderia sem dúvida ter se beneficiado de uma estrutura mais enxuta e objetiva (sem tantas idas e vindas ou situações que não levaram a nada). Mas, apesar da qualidade duvidosa do roteiro e da irregularidade dos desenhos, a minissérie parece ter agradado aos leitores norte-americanos, tendo boa vendagem, reimpressões das primeiras edições e uma reedição em capa-dura, lançada no início deste mês (os leitores brasileiros já podem conferir a minissérie nas páginas da revista Liga da Justiça da Panini).

Geoff Johns é hoje um roteirista muito popular entre os leitores e bastante prestigiado entre os chefões da DC. O melhor exemplo disso são a recentemente concluída The Blackest Night e a recém iniciada The Brightest Day, séries centradas no Lanterna Verde, mas que envolvem os principais heróis e vilões da editora. Grande conhecedor da cronologia e dos meandros ficcionais envolvendo aqueles personagens, o roteirista é de fato um trabalhador dedicado e esforçado, mas não é nenhum gênio. Com um gosto para histórias grandiosas e explicações superestruturais, suas HQs têm o mérito de agradar, mas deixam a desejar em termos de qualidade e inovação.

20/05/2010

As primeiras HQs a gente nunca esquece!


Há algum tempo, eu vinha querendo reproduzir aqui no blog a imagem que ilustra esta postagem. Trata-se da capa do número 100 da revista Showcase, uma série da DC Comics que servia para apresentar novos personagens, resgatar heróis meio esquecidos ou dar espaço a figuras menos convencionais. Foi nas páginas dessa publicação que teve início a chamada “Era de Prata” dos quadrinhos de super-heróis, com o surgimento do Flash Barry Allen e do Lanterna Verde Hal Jordan. Editada entre 1956 e 1970, a revista também abriu espaço para heróis do “segundo time” como Adam Strange e Aquaman, para grupos alternativos como os Metal Men e os Desafiadores do Desconhecido, e para a vertente mais mística da DC com o Vingador Fantasma e o Espectro. Em suas páginas, apareceram ainda figuras que pendiam para o lado cômico como o Rastejador, o Bwana Beast, os Inferior Five e Angel and the Ape.

Relançada entre 1977 e 1978, a série trouxe edições com a Patrulha do Destino, Poderosa, Gavião Negro e Mulher Gavião. Mas o ponto alto dessa retomada foi justamente a Showcase n°100, edição especial lançada no primeiro semestre de 1978, que reuniu os personagens que haviam estrelado as noventa e três edições da primeira fase da revista. Na HQ escrita por Paul Kupperberg e Paul Levitz e desenhada por Joe Staton, uma ameaça misteriosa tirou a Terra de sua órbita, podendo levar à destruição do planeta. Para evitar a catástrofe, os heróis passam a atuar em conjunto, buscando as possíveis causas e enfrentando os efeitos dessa “crise” planetária. É interessante notar que essa revista de 1978 antecipou cenas e elementos que seriam vistos, em 1985, na maxissérie Crise nas Infinitas Terras (como a convocação dos heróis num satélite orbital e uma confusão temporal que faz seres do passado surgirem no presente).

Hoje estejamos acostumados às histórias que reúnem dezenas de super-heróis para enfrentar uma grande ameaça. Mas, no fim dos anos 70, isso não era algo corriqueiro. Tendo um grande “#100” ao fundo, do qual sai uma miríade de heróis, a capa dessa edição especial de aniversário anuncia: “60 sensacionais superestrelas na história que levou 100 edições para ser contada”. Naquele tempo eles sabiam fazer uma edição comemorativa e se ainda hoje essa HQ parece bem interessante, para mim ela tem um significado realmente especial. Publicada no Brasil pela Ebal em setembro de 1979, essa foi uma das primeiras revistas em quadrinhos que eu ganhei. Na época eu tinha pouco menos de cinco anos e era fã do desenho Superamigos, assim, ao ver uma capa cheia de super-heróis, devo ter pedido para que comprassem a revista (cujas páginas eu “animei” com canetinha hidrocor, rabiscando campos de força e raios laser sobre os heróis).

Publicada aqui como uma Edição Extra de Invictus, a capa da Ebal traz no lugar da palavra “Showcase”, o título: “A Terra na Rota Fatal!”. Mais abaixo, substituindo o anúncio da “edição de aniversário”, o chamariz: “CEM HERÓIS? Cem Peripécias Numa Única Aventura!” (com o que a editora brasileira justificava o grande “100” que aparece ao fundo da capa). No lugar do código de barras, outro chamariz: “Uma aventura incrivelmente movimentada!”. Eu não li a revista (pois não tinha ainda aprendido a ler), mas “brinquei” muito com ela e viajei muito por suas páginas, a ponto de ela perder a capa (felizmente, há alguns anos, tive a sorte de encontrar um exemplar em ótimo estado de conservação, tendo agora o primeiro todo rabiscado de canetinha e esse outro de “colecionador”). E posso dizer que, pelo menos para mim, essa revista cumpriu a promessa feita em sua primeira frase: “Uma história que você jamais esquecerá!”.

Aquela Edição Extra de Invictus foi um dos primeiros momentos em que os quadrinhos (por intermédio das séries da tevê) passaram a fazer parte de meu imaginário pessoal (o que também aconteceu com a série de animação do Homem-Aranha e o seriado do Hulk). Algo mais definitivo aconteceria em 1987, quando não encontrei o número 1 da revista dos Thundercats (então meu desenho animado favorito) e acabei comprando a revista Heróis da TV n°91, com a qual iniciei de fato minha coleção de quadrinhos e a paixão que, passados vinte anos, deu origem a este blog e a quase tudo que fiz profissionalmente em minha vida. Assim, para os cem “seguidores” que agora acompanham o Mais Quadrinhos e em especial para aqueles que contribuem com comentários, vai aqui esta postagem especial e também o convite para enviarem comentários dizendo quais foram suas primeiras revistas em quadrinhos e como começou sua paixão pelas HQs.

Abraços e até a próxima!

06/08/2009

As últimas do Flash, por Geoff Johns.


Há alguns anos, Geoff Johns era apenas um novo nome nos créditos das HQs norte-americanas. Nos últimos tempos, porém, ele se tornou um dos mais destacados e importantes roteiristas dos quadrinhos de super-heróis (e da DC Comics em particular). Assinando participações em séries como Crise Infinita e 52, Johns tornou-se conhecido por seus trabalhos com super-heróis clássicos, com destaque especial para a minissérie Lanterna Verde: Renascimento, que resgatou e redimiu o herói Hal Jordan. Repetindo sua parceria com o desenhista Ethan Van Sciver, o roteirista está lançando agora The Flash: Rebirth, minissérie em seis edições que marca a volta de outro herói da “Era de Prata”.

Um dos efeitos da minissérie Crise Final foi o retorno de Barry Allen à continuidade regular dos heróis DC. Devidamente ressuscitado, o herói que dera origem à “Era de Prata” e ao “Multiverso DC” ganhou dos editores uma nova chance (bem aos moldes da oferecida ao Lanterna Verde em 2004-2005). O número 1 de The Flash: Rebirth começa bem, com um duplo assassinato cometido por um misterioso vilão que consegue emular o acidente que deu origem aos poderes do herói. Nas páginas seguintes, encontramos os vários personagens que assumiram o nome do Flash: de Jay Garrick e Wally West a Bart Allen e, é claro, o próprio Barry Allen. Lembranças e comentários sobre este último interligam as passagens da história, que incluem a participação de antigos adversários do herói e de seu amigo Hal Jordan.

Com alguns mistérios e referências a outras HQs, o capítulo inicial da minissérie serve para estabelecer a trama, cenário e personagens. Como é de se esperar, o número 2 traz um desenrolar dos acontecimentos (um pouco lento), que mistura gorilas das cavernas, cultos à “força da velocidade” (a energia mística que impulsiona os velocistas da DC), flashbacks que revelam o passado de Barry Allen e diálogos que esclarecem elementos sobre seu presente. O Lanterna Verde Hal Jordan faz uma participação breve e mais um mistério é acrescentado com o surgimento de um enigmático “Flash negro”. Já o número 3 traz um emaranhamento ainda maior dentro da metafísica que envolve a tal “força da velocidade”. Um plano de contenção é necessário e alguns figurões da Liga e da Sociedade da Justiça dão as caras.

Além do herói Flash e do roteirista Geoff Johns, outro atrativo na minissérie é o trabalho de Ethan Van Sciver (auxiliado por uma competente colorização digital). Seu traço fino segue um padrão detalhista que, em alguns momentos, chega a ser meio estático para uma revista de super-heróis. Isso sem falar no fato de que seu estilo realista tende a ressaltar cenas estranhas, como personagens em fantasias espalhafatosas sentados à mesa lendo jornais ou comendo cachorros-quentes. E se algumas cenas de página inteira são bem impactantes, outras em sequências de quadros trazem desenhos quase amadores. Mais ilustrador do que propriamente um quadrinista, Van Sciver tem mostrado o melhor de seu trabalho nas capas da minissérie, todas com duas versões e com direito a citações de antigas capas e situações clássicas.

As edições de The Flash: Rebirth não têm sido as únicas participações do “velocista escarlate” em HQs escritas por Geoff Johns. Outro exemplo é Blackest Night #0, revista distribuída gratuitamente pela DC em maio. A história começa com reflexões de Hal Jordan sobre o espectro das cores e sua missão como Lanterna Verde, passando a um lamento à beira do túmulo do Batman Bruce Wayne. É então que Barry Allen entra em cena, apressadamente (no que parece ser uma participação anterior aos eventos mostrados em The Flash: Rebirth). Após um longo diálogo sobre amigos falecidos, os dois heróis partem sem perceber a presença do vilão Mão Negra, o arauto da “noite mais densa”. Sendo uma introdução à série agora em andamento, a HQ de doze páginas tem como ponto alto os excelentes desenhos de Ivan Reis.

Geoff Johns é hoje uma espécie de roteirista oficial do “Universo DC”, que (ao lado de Grant Morrison e dos chefões da editora) tem dado as cartas sobre os destinos de alguns de seus principais personagens. Grande conhecedor da cronologia e dos meandros ficcionais envolvendo aqueles heróis, o roteirista é de fato um trabalhador dedicado e esforçado, mas não é nenhum gênio. Com um gosto para histórias grandiosas e explicações superestruturais, suas histórias têm o mérito de agradar, mas deixam a desejar em termos de inovação. Apesar disso, podemos dizer que Johns merece todo seu sucesso, oferecendo-nos histórias acima da média das revistas de super-heróis. Para quem quiser dar uma olhada, a DC disponibilizou prévias das três primeiras edições de The Flash: Rebirth e a HQ completa de Blackest Night #0:

http://www.dccomics.com/media/excerpts/11472_x.pdf
http://www.dccomics.com/media/excerpts/11691_x.pdf
http://www.dccomics.com/media/excerpts/11881_x.pdf
http://www.dccomics.com/sites/greenlantern/media/comic/Blackest_Night_0.pdf

(Para saber mais sobre o herói Flash e as várias “Crises” pelas quais têm passado os heróis DC, clique nos marcadores abaixo.)

03/08/2009

Panini lança a mais nova super-saga “definitiva” da DC.


Desde os anos 80, as super-sagas “definitivas” tornaram-se bastante comuns nos quadrinhos das grandes editoras norte-americanas, com destaque para a DC Comics (que lançou essa tendência em 1985 com sua “maxissérie” Crise nas Infinitas Terras). Mais recentemente, uma verdadeira epidemia cataclísmica (ou simples ganância editorial) levou a uma confusa sequência de “crises” e “contagens regressivas” (que só tendem mesmo a deixar mais pobres os leitores que as seguem). Podemos dizer que, pelo menos desde meados dos anos 90, os quadrinhos de super-heróis em geral foram envolvidos por um esquema editorial que visa somente ao lucro. Com isso, eliminou-se qualquer rastro de um “universo ficcional” dotado de uma história coerente e personagens com credibilidade.

Quando comecei a colecionar quadrinhos, as “vidas” dos heróis importavam e seus destinos ficcionais tinham relevância para nós, leitores. Mas hoje por que motivo um leitor deveria se importar com o fato de que o Batman Bruce Wayne “morrerá” em uma edição vindoura? Afinal, todos sabemos que, num futuro não muito distante, ele será cinicamente ressuscitado por autores e editores interessados tão-somente nas vendagens das revistas. É claro que, desde o início, os quadrinhos de super-heróis foram um negócio, e vender revistas sempre foi a base desse negócio. A diferença é que, até uns vinte ou quinze anos, as histórias eram bem melhores e os personagens não eram vistos apenas como franquias, cujo melhor destino só pode ser protagonizar sua própria produção hollywoodiana.

Em sua função de repetidora local dos produtos DC Comics, a Panini tem seguido à risca a sequência de super-sagas “definitivas”, com suas histórias complementares. Assim, após uma extensa (e provavelmente dispensável) Contagem Regressiva, chegou às bancas brasileiras a alardeada Crise Final. Antes, porém, não faltou uma última exploraçãozinha: a revista Universo DC Especial: Começa a Crise Final (R$4,50). Trazendo capa e contracapa desenhadas por George Pérez e J.G. Jones, e sendo escrita por Grant Morrison e Geoff Johns, a “história” é narrada pelo falecido Flash Barry Allen. Pretendendo-se um prelúdio para a super-saga em questão, a HQ não passa de uma colagem ruim de sequências desconexas (entremeadas por anúncios das novas minisséries a serem lançadas pela Panini).

No final de julho veio, enfim, a Crise Final propriamente dita, minissérie em sete edições, escrita por Grant Morrison. Na divulgação da Panini lê-se: “O fim se aproxima! Ao longo do tempo, os heróis sempre são testados até o seu limite ao enfrentarem ameaças que nenhum deles pode derrotar sozinho. Eventos assim costumam ser chamados de Crises. Em toda a história do Universo DC, já ocorreram dois momentos como esses, que quase levaram toda a existência a um fatídico fim. Porém, mais uma vez os heróis serão necessários para se interpor à frente de um desafio que está muito além de suas forças individuais. [...] E, desta vez, nem todos os heróis escaparão das garras da morte. Mudanças profundas serão sentidas em todo o UDC...”. Será mesmo? Ou melhor, será que alguém ainda cai nessa conversa?

Claro que, para criticar qualquer revista em quadrinhos, é indispensável ler a edição. Se Universo DC Especial: Começa a Crise Final foi uma total perda de tempo e dinheiro, o mesmo não se pode dizer de Crise Final n°1 (R$5,50). A HQ começa na Pré-História, num momento prometéico ao estilo de 2001: Uma Odisséia no Espaço, envolvendo o personagem Metron da série Novos Deuses. Na sequência seguinte, já estamos nos tempos atuais, em que outro dos personagens cósmicos de Jack Kirby é vítima de assassinato. Entram em cena então os Lanternas Verdes, os Guardiões, a Liga da Justiça e outros medalhões da DC. Ecoando frases bíblicas e baseada na consagrada Crise nas Infinitas Terras, a super-saga “final” idealizada por Morrison também se ancora na temática superestrutural do “Multiverso”.

Um dos destaques de Crise Final n°1 deveria ter sido a execução de Ajax o Marciano (sim, ele morre!) pelo misterioso Libra e alguns dos membros da Sociedade Secreta dos super-vilões. A sequência, no entanto, é muito rápida e pouco expressiva, perdendo em dramaticidade. Com isso, o melhor mesmo desta primeira edição fica por conta dos ótimos desenhos de J.G. Jones (o artista responsável pelas capas da série 52). Dono de um traço detalhado e bastante adequado às HQs de super-heróis, o desenhista se sai muito bem nas variações entre passado e presente, ambientes cotidianos ou futuristas, personagens humanos ou alienígenas. Jones não será, contudo, o único responsável pelas sete edições da minissérie, dividindo funções com outros desenhistas, talvez não tão bons quanto ele.

No geral, após ler Universo DC Especial: Começa a Crise Final e Crise Final n°1 (e com R$10,00 a menos no bolso), posso dizer que não fiquei nem um pouco impressionado com o que vi, tampouco empolgado com a continuação de mais esta super-saga DC. Planejada para organizar definitivamente a estrutura do “Multiverso DC”, alinhando seu passado, presente e futuro, a minissérie escrita por Morrison (segundo a opinião geral) acabará se perdendo em suas próprias pretensões megalomaníacas. Pode ser que eu esteja velho demais para este tipo de quadrinho, cheio de personagens com estranhas fantasias coloridas. Mas, ao concluir esta postagem, caro leitor deste blog, eu pergunto: será que alguém (além dos autores e editores envolvidos) precisava de mais uma super-saga "definitiva"?

07/06/2009

Os heróis DC entre crises, mortes, renascimentos e fórmulas batidas.


O termo “Crise” começou a ser usado pela DC Comics no início dos anos 60, em edições que reuniam personagens de diferentes realidades paralelas. A expressão representava geralmente uma ameaça que exigia a atuação conjunta da Liga da Justiça (com os heróis da Terra 1) e da Sociedade da Justiça (com os personagens veteranos da Terra 2). Utilizado esporadicamente ao longo de duas décadas, o termo ganhou novo significado em meados dos anos 80. Na época, a editora do Super-Homem passava por uma verdadeira crise administrativa e financeira, tendo perdido a posição de liderança do mercado para a concorrente Marvel e precisando se adaptar aos novos tempos. A resposta foi a “maxissérie” Crise nas Infinitas Terras de 1985, que buscou organizar a bagunçada cronologia da editora, eliminando o chamado “multiverso”.

Como resultado, toda a estrutura ficcional da DC foi racionalizada e seus principais personagens tiveram as origens recontadas, possibilitando que novos leitores começassem a acompanhar suas revistas. Além disso, os trabalhos de autores como Marv Wolfman, George Pérez, John Byrne e Frank Miller não só salvaram a editora, mas também originaram um dos melhores momentos na história dos quadrinhos de super-heróis. Todo o sucesso abriu caminho para novos eventos interligando personagens e publicações, como a boa minissérie Lendas de 1986. É claro que a ganância editorial não demorou a entrar em cena e, já na segunda metade dos anos 80, foram lançadas nos Estados Unidos a não tão boa Milênio e a fraquinha Invasão, com as quais a editora repetia fórmulas e começava a “meter os pés pelas mãos”.

Para piorar, em 1993 foram lançadas as enganosas patacoadas editoriais intituladas “A Morte do Super-Homem” e “A Queda do Morcego”. Eram os efeitos de uma nova crise editorial, causada pela perda de mercado para a recém-criada Image Comics. Em 1994, apenas nove anos depois de Crise nas Infinitas Terras, os editores da DC viram a necessidade de um novo “marco zero” para seus personagens. A resposta foi a dispensável Zero Hora: Crise no Tempo, minissérie que trouxe o Lanterna Verde Hal Jordan como o insano Parallax, e cujo único ponto positivo foi motivar o lançamento da ótima série Starman. A irrelevância de Zero Hora acabou sacramentada em 2004, com o lançamento de Lanterna Verde: Renascimento, HQ produzida por Geoff Johns e Ethan Van Sciver, que trouxe a redenção de Hal Jordan como Lanterna Verde.

Nos últimos anos, em meio a uma nova crise editorial, a DC tem tentado incrementar as vendas com uma sequência de séries que reúnem seus principais personagens. De Crise de Identidade a Crise Infinita, passando por 52 e Um ano depois, até chegar à recente Crise Final, a editora norte-americana persiste na fórmula batida. Nesta última série, escrita por Grant Morrison, o Flash Barry Allen volta dos mortos e o Batman Bruce Wayne é aparentemente morto. No fim, porém, tudo fica mais ou menos da mesma forma: uma bagunça. Apesar disso, a confusa Crise Final está gerando frutos interessantes, como Flash: Rebirth, produzida por Geoff Johns e Ethan Van Sciver nos moldes de Lanterna Verde: Renascimento, ou como Batman and Robin, a nova HQ de Grant Morrison e Frank Quitely, já lançada como uma campeã de vendas.

A verdade é que nos últimos vinte anos, com raras exceções, as revistas de super-heróis não valem o papel em que são impressas. Exploração comercial excessiva, erros editoriais sucessivos e a mais pura falta de criatividade só poderiam mesmo resultar na perda de leitores. Ao folhear uma revista mensal da Panini, com a costumeira confusão de heróis e a indispensável explosão visual, sinto nostalgia pelas HQs desses mesmos heróis publicadas há vinte anos. Para alguém que começou a ler quadrinhos no momento em que Crise nas Infinitas Terras era publicada no Brasil, as atuais revistas de super-heróis só podem mesmo parecer uma enganação. Aos leitores que começam agora, fica a sugestão para buscarem os quadrinhos clássicos dos anos 80. Eles sim são garantia de uma boa leitura!

(Para saber mais sobre Crise nas Infinitas Terras e outras HQs da DC, basta clicar nas palavras em destaque abaixo.)

03/06/2009

O Flash de diferentes eras.


Para quem lia quadrinhos de super-heróis entre 1956 e 1985, a fantasia vermelha e amarela do herói Flash escondia a identidade secreta de Barry Allen. Mas a verdade é que antes deste houve outro Flash e depois dele mais alguns. Tendo dado origem à chamada “Era de Prata” dos super-heróis norte-americanos, Barry Allen também lançou o “Multiverso DC”, ao se encontrar com seu antecessor, Jay Garrick (o Flash da “Era de Ouro”). Por isso mesmo, “o homem mais rápido vivo” acabou sendo uma das principais vítimas de Crise nas Infinitas Terras, série que buscou racionalizar a cronologia dos heróis DC. Mas, como nos quadrinhos de super-heróis a morte é uma condição variável, Barry Allen foi ressuscitado na saga Crise Final, retornando à ativa nas páginas da recém-lançada minissérie Flash: Rebirth.

Com o sucesso avassalador do Super-Homem, vários outros super-heróis surgiram entre o final dos anos 30 e o início dos anos 40. Criado por Gardner Fox e Harry Lampert, lançado em janeiro de 1940, Flash foi o nome assumido pelo estudante de química Jay Garrick que, após um acidente de laboratório, adquiriu o poder de mover-se “mais rápido que a velocidade da luz” (SIC!). Usando uma blusa vermelha com um raio amarelo estampado, uma calça azul com um cinto, botas com asas e um capacete de Hermes-Mercúrio, o Flash da “Era de Ouro” era uma evocação moderna do deus greco-romano. Mesmo alcançando bastante sucesso, o personagem (renomeado no Brasil como Joel Ciclone) não conseguiu escapar à queda nas vendas das HQs de super-heróis, tendo suas revistas canceladas em 1949.

Em 1956, o Flash foi resgatado do limbo dos quadrinhos por Julius Schwartz, um dos mais criativos editores da história do mercado norte-americano. Na revista Showcase n°4, Schwartz decidiu testar se o público da época se interessaria pelos super-heróis, buscando para isso um nome do passado. O escolhido foi o Flash, que manteve os poderes da versão original, mas ganhou uma nova identidade secreta e um visual mais moderno. Amante da ficção científica, o editor estabeleceu o tom da nova versão, que ficou a cargo do roteirista Robert Kanigher e do desenhista Carmine Infantino. Nascia ali Barry Allen, um cientista forense e leitor de quadrinhos que, após um acidente de laboratório, ganhou a rapidez de um relâmpago, tornando-se o “velocista escarlate” (o primeiro super-herói reformulado e um sucesso imediato).

Seguindo o exemplo do Flash, outros super-heróis da “Era de Ouro” ganharam versões modernizadas que cativaram o público dos anos 50 e 60. Começava então a chamada “Era de Prata”, caracterizada por enredos envolvendo elementos pseudocientíficos e fantasiosos. Muito criativas, as edições de The Flash marcaram época, valendo-se dos roteiros inusitados de Gardner Fox e John Broome, e dos desenhos leves e agradáveis de Carmine Infantino. Com seu uniforme que saltava do anel, Flash estava sempre de prontidão para enfrentar vilões impagáveis como Mestre dos Espelhos, Capitão Bumerangue e Capitão Frio. Em setembro de 1961, Schwartz, Fox e Infantino publicaram “Flash of Two Worlds”, HQ que colocou lado a lado Jay Garrick e Barry Allen, num antológico encontro do Flash da “Era de Ouro” com o da “Era de Prata”.

Mais que trazer uma história inventiva sobre realidades paralelas, a revista Flash n°123 deu o ponta-pé inicial a todo “Multiverso DC” (uma estrutura ficcional que se caracteriza pela existência de múltiplas realidades paralelas). Em breve seria a Liga da Justiça (grupo da “Era de Prata”) que se encontraria com a Sociedade da Justiça (seu predecessor da “Era de Ouro”) e o Lanterna Verde original (Alan Scott) que encararia sua versão modernizada (Hal Jordal). Surgiram também outras realidades inéditas, como a Terra onde Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde e o próprio Flash deram lugar a versões maléficas (respectivamente: Ultraman, Homem-Coruja, Super-Mulher, Anel Energético e Relâmpago). Além disso, passaram a coexistir diferentes futuros e passados alternativos para o “Universo DC”.

Os leitores logo se habituaram com as várias realidades paralelas, classificadas como Terra 1, 2, 3... Com o tempo, porém, o que era uma idéia interessante tornou-se uma confusão ficcional. Para complicar, nos anos 70 e 80, a DC Comics comprou os direitos sobre personagens de outras editoras, que passariam a habitar mundos identificados como Terra X ou S. No centro do furacão, o Flash Barry Allen continuou rompendo fronteiras interdimensionais, enquanto as vendas de sua revista declinavam rapidamente. Nem mesmo o herói mais rápido dos quadrinhos pôde escapar ao desinteresse dos leitores e à maré racionalista da primeira metade dos anos 80. E foi respondendo a uma crise mercadológica que a DC lançou, em 1985, Crise nas Infinitas Terras, evento que salvou a editora, mas sacrificou alguns de seus heróis tradicionais.

Houve quem lamentasse o desaparecimento do Superboy, da Super-Moça ou mesmo de Krypto, o Super-Cão. Mas poucas mortes causaram tanto alarde quanto a de Barry Allen, herói que dera origem à “Era de Prata” e ao “Multiverso DC”, mas que havia se tornado obsoleto para os padrões da “Era de Bronze” (período que teria começado no início dos anos 70 com um amadurecimento das HQs). A identidade de Flash acabou assumida por Wally Allen, sobrinho do falecido herói e antigo Kid Flash. O substituto, é claro, não tinha o charme de seu antecessor e a memória de Barry Allen não foi esquecida. A fase de Grant Morrison à frente do Homem Animal é em parte uma homenagem às aventuras do Flash da “Era de Prata” (uma das edições é até dedicada a John Broome, Gardner Fox, Carmine Infantino e ao “falecido Barry Allen”).

No início dos anos 90, Barry Allen ganhou uma versão em carne, osso e enchimentos, no seriado de tevê The Flash (exibido pela Rede Globo, o programa caiu na linguagem popular, originando a expressão “mais rápido que o Dê-Flechi”). Recentemente, nos quadrinhos a fantasia do herói foi vestida por seu neto Bart Allen e na tevê pelos protagonistas do seriado The Big Bang Theory. As referências nesta popular comédia do Warner Channel coincidem com o retorno de Barry Allen, ressuscitado por Grant Morrison & Cia. na série Crise Final e reentronado pela DC em Flash: Rebirth (cuja capa do n°1 fez uma aparição no episódio de The Big Bang Theory exibido no fim de maio). A nova minissérie terá cinco (ou seis) edições, sendo escrita por Geoff Johns e desenhada por Ethan Van Sciver, dupla responsável por Lanterna Verde: Renascimento.

O número 1 de Flash: Rebirth começa bem, com um duplo assassinato cometido por um misterioso vilão que consegue emular o acidente que deu origem aos poderes do Flash. Nas páginas seguintes, encontramos os vários personagens que assumiram o nome do herói: de Jay Garrick e Wally West a Bart Allen e, é claro, o próprio Barry Allen. Lembranças e comentários sobre este último interligam as passagens da história, que incluem a participação de antigos adversários do herói e também de seu amigo Lanterna Verde Hal Jordan. Alguns mistérios e referências a outras HQs (como “Flash of Two Worlds”) são elementos essenciais deste primeiro capítulo que estabelece a trama da minissérie. Os bons desenhos seguem um padrão hiperdetalhista, que às vezes parece estático ou mesmo inadequado para uma revista de super-heróis.

De qualquer forma, para os fãs do “velocista escarlate”, Flash: Rebirth vale uma conferida. As duas primeiras edições da minissérie já foram lançadas nos Estados Unidos e a DC disponibilizou prévias das revistas em sua página oficial:
http://www.dccomics.com/media/excerpts/11472_x.pdf
http://www.dccomics.com/media/excerpts/11691_x.pdf

18/11/2008

Alan Moore premonitório: exclamação ou interrogação?


Antes de mais nada, devo dizer que não sou daqueles que acreditam em qualquer coisa. Mas também não sou daqueles que só aceitam o que é “comprovado pela ciência”. Afinal, há ainda muitos mistérios incompreendidos pela racionalidade humana. Dito isto, gostaria de compartilhar uma intrigante questão sobre uma possível “premonição” contida numa HQ de Alan Moore. A história em questão é “Revelations”, publicada na revista Swamp Thing n°46, de março de 1986 (e que, pelos padrões editoriais norte-americanos da época, deve ter sido produzida com cerca de seis meses de antecedência, ainda em 1985).

Nessa história, encontramos os personagens Monstro do Pântano e John Constantine às voltas com o iminente fim-do-mundo (e outros eventos ligados a Crise nas Infinitas Terras). Embora o mago de sobretudo tenha prometido “revelar” ao elemental da Terra informações sobre sua origem, o que de fato justifica o título da HQ é seu clima “apocalíptico”, uma vez que o último livro da bíblia é conhecido, em inglês, como Revelation. A referência bíblica é evidenciada logo no topo da primeira página, onde Moore reproduz o trecho do Apocalipse que diz: “O terceiro anjo soprou sua corneta e uma grande estrela caiu do céu, queimando como uma tocha... O nome da estrela era Absinto” (8:10). Bom, até aqui, nada mais que um caso de engenho narrativo envolvendo uma intertextualidade com a Bíblia.

Porém, este caso ganhou uma nova perspectiva há alguns anos. Na época eu trabalhava na pesquisa para o roteiro de um novo álbum. Uma vez que o personagem principal da história teria nascido em 1986, este contexto em específico seria bastante relevante para mim. Como a história envolvia questões míticas e místicas, um trecho do Apocalipse também fazia parte de meus planos (como já havia acontecido nas revistas Mystérion e Apócripha). Foi aí que me lembrei da história do Monstro do Pântano que eu lera, em sua edição brasileira, uns dez anos antes. Pesquisei então a data de lançamento na edição original, e lá estava a reveladora citação, que concluía com a palavra “Wormwood”: Absinto. Uma mistura de arrepio e euforia me atingiu como um raio!

Eu explico. O fato é que o nome Absinto é traduzido para diversas línguas, dando origem ao referido “Wormwood” do inglês, bem como a outras versões como o nome russo “Чернобыль”, que escrevemos: Chernobyl (devo acrescentar, porém, que algumas fontes divergem quanto à tradução mais correta do nome Chernobyl, do russo e do ucraniano, como sendo “Absinto”). A preocupação com os possíveis danos causados pelo mal-uso da energia nuclear já estava presente nos roteiros de Alan Moore (como em “Nukeface Papers”). Mas, uma vez que traz ©1985 e é datada de março de 1986, a revista Swamp Thing n°46 poderia ser lida como uma espécie de premonição para o acidente nuclear ocorrido na cidade de Chernobyl, em 26 de abril de 1986.

É no mínimo intrigante a citação da palavra “Wormwood”, numa revista lançada no mês que antecedeu o acidente radioativo na cidade de Chernobyl. O que me leva à questão: seria isso uma enorme coincidência, uma incrível sincronicidade ou mais uma “premonição” do roteirista e mago inglês? Bom, os dados foram lançados, cada um agora que tire suas conclusões. No mais, quero encerrar esta postagem desejando parabéns ao genial Alan Moore, no dia de seu aniversário de 55 anos!

(Para saber mais sobre Alan Moore e seus quadrinhos, clique no nome em destaque abaixo.)

17/11/2008

Premonitory Moore: exclamation or interrogation?


First of all, I must say that I’m not one of those guys who believe in everything; but I’m neither one of those who only accept what is “proved by science”. Said so, I want to share with you an intriguing question concerning a possible “premonition” in one of Alan Moore’s comics. I’m talking about Swamp Thing # 46, with art by Steve Bissette and John Totleben, published by DC Comics on March 1986 (so, its story probably was written 4 to 6 months before that, in 1985).

In the book we find Swamp Thing and John Constantine dealing with the imminent Doomsday (and other facts related to the Crisis on Infinite Earths crossover). Although the British magician had promised to “reveal” important information about the Earth elemental, what really justifies the story title -- “Revelations” -- is its apocalyptic scenario. This reference to the last book of the Bible is made obvious at the top of the first page, where we read the quotation: “The third Angel blew his trumpet; and a great star shot from the sky, flaming like a torch... the name of the star was Wormwood -- Revelations, 8:10.”

Well, at that point nothing more than another case of Mr. Moore’s intelligent storytelling. But the case earned a different perspective a couple of years ago. I myself am a comic book writer, and by then I was researching for the plot of a new graphic novel. Once that my story also quotes the Book of Revelations it reminded me of that old Swamp Thing book. So, when I took the comic again, it was like being hit by a lightening! There was, of course, the quotation that ended with the name “Wormwood”.

Let me explain! When I was researching for my own story, I learned that the original biblical name “Wormwood” is in fact translated to many languages, originating the English word, and also other versions like the Russian word which we spell “Chernobyl”. So, bearing ©1985 and published on March 1986, Swamp Thing #46 could be read as a premonition for the nuclear accident in the city of Chernobyl on April 26th 1986.

A concerning about the possible damages caused by the misuse of nuclear energy had played already an important role in Mr. Moore’s stories (see “The Nukeface Papers”). However, a quotation with the word “Wormwood” printed in a comic book published a month before the radioactive accident in Chernobyl is, at least, intriguing. This brings us to the question: would it all be just an amazing coincidence, an incredible synchronicity or, in fact, one (more) premonition of Mr. Moore? Well, here are the facts; now you can take your own conclusions!

(You can read my exclusive interview with Swamp Thing artist Steve Bissette here.)

21/12/2007

“Super-sagas” Marvel: Onslaught.


Desde a publicação de Crise nas Infinitas Terras pela DC Comics em 1985, as grandes editoras de quadrinhos dos Estados Unidos vêm lançando regularmente séries que reúnem seus principais super-heróis na luta contra um misterioso e “invencível” vilão. No final de cada epopéia apocalíptica o vilão é derrotado, um ou outro herói morre ou sofre transformações. Onslaught (Massacre) lançada pela Marvel em 1996, foi um exemplo de uma dessas supostas “super-sagas”.

Onslaught foi anunciada como a maior ameaça jamais enfrentada pelos heróis Marvel ao longo de sua carreira. Mais uma vez, um enigmático vilão surgiu para “transformar definitivamente” o destino do universo. Se na maioria das séries anteriores isso não passou de uma jogada de marketing, em Onslaught as coisas foram ligeiramente diferentes (mas só ligeiramente!). Isso se deveu ao fato de esta série estar diretamente ligada a Heroes Reborn (Heróis Renascem) o projeto de reformulação dos heróis clássicos da Marvel, realizado por Jim Lee e Rob Liefeld.

Os eventos que levaram a Onslaught começaram nas revistas dos heróis mutantes (de longe as mais populares da editora na época). De Uncanny X-Men a Excalibur, passando por X-Force e X-Man, surgiram referências ao nome da série. Em seguida, as demais revistas da editora foram envolvidas, colocando lado a lado heróis como Hulk, Homem-Aranha, Wolverine e Coisa. No final de uma batalha apocalíptica (como não poderia faltar!), os principais heróis Marvel da década de 60 (o Quarteto Fantástico e os Vingadores, incluindo aí Capitão América e Homem de Ferro) simplesmente já não existiam mais.

Como se costuma dizer: “em time que está ganhando não se mexe”; portanto, o fato de a Marvel ter levado adiante um projeto como esse era um claro indício de que a editora ia “mal das pernas”. Em meados dos anos 90, houve uma queda considerável nas vendas das grandes editoras norte-americanas, além da participação de novas editoras, como a Image, que tomaram uma parte considerável de um mercado já restrito. Com isso, apenas os heróis mais populares conseguiram manter ou até ampliar seu público, como foi o caso dos X-Men e de suas crias.

Já para outros personagens, como o Capitão América e o Quarteto Fantástico, os “novos tempos” representaram perda de popularidade e espaço no mercado. Com a saturação das antigas fórmulas e modelos, os “grandes heróis” passaram por uma crise de credibilidade. Suas histórias já não atraíam os leitores, que preferiam o visual, a temática e a ação das revistas dos heróis mutantes. Para contornar um problema semelhante, em 1985 a DC Comics lançou Crise nas Infinitas Terras, um projeto que estabeleceu um novo ponto de partida para seus personagens clássicos (como Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha).

Por incompetência dos editores e por falta de criatividade dos roteiristas, os avanços daquela ótima fase da DC acabaram sendo anulados. Mesmo assim, a maior concorrente da editora inspirou-se em Crise nas Infinitas Terras para tentar “reorganizar a casa”, lançando Onslaught. Afinal, o objetivo dessa série era estabelecer um novo marco zero, a partir do qual surgiria um “Universo Marvel” parcialmente reformulado, que atendesse melhor à demanda da época. Assim surgiu o projeto Heroes Reborn, a reformulação dos heróis clássicos da Marvel: Quarteto Fantástico e Homem de Ferro por Jim Lee, Capitão América e Vingadores por Rob Liefeld.

22/11/2007

A verdadeira crise dos super-heróis DC.


No início da década de 1980, o “Universo DC” era amplo, múltiplo e confuso. Várias Terras, diversos heróis e vilões, um verdadeiro caos. Ora o Super-Homem enfrentava sua versão de uma Terra alternativa (em que os heróis são uma imagem invertida e maligna), ora o Flash de uma terra paralela (na qual os heróis já são cinquentões) se encontrava com sua versão mais jovem de “nossa realidade”. Isso sem falar na incrível variedade de kryptonitas, capazes de expor o Homem de Aço a situações ridículas. A necessidade de “colocar ordem na casa” foi a justificativa oficial para a DC Comics lançar em 1985 a série Crise nas Infinitas Terras, “a maior carnificina” da história das HQs.

Anunciada como uma “maxissérie em 12 partes” para celebrar os 50 anos da editora, Crise nas Infinitas Terras foi escrita por Marv Wolfman e desenhada por George Pérez (a dupla responsável pelo sucesso alcançado pelos Novos Titãs na primeira metade daquela década). Mas a princípio a série foi mal-vista pelos leitores mais antigos, pois sabia-se que o objetivo do projeto era reestruturar completamente o Universo DC, e nem os heróis consagrados escapariam ilesos. Ao final da série, as “infinitas terras” e dimensões paralelas foram reduzidas a apenas um mundo, e heróis como o Superboy e a Super-Moça foram apagados do mapa (bom, isso pelo menos até algum tempo atrás).

Contudo, a verdadeira crise que atingia a DC Comics tinha mais a ver com a queda na venda das revistas e a perda de espaço no mercado, do que propriamente com o fato de existirem várias versões do Batman. No início dos anos 80, o grande vilão contra o qual os super-heróis da editora lutavam era a concorrência da Marvel Comics. O avanço de personagens como os X-Men, Demolidor e o próprio Homem-Aranha fizeram com que a DC buscasse se adaptar aos novos tempos. O fato é que seus personagens principais, criados entre os anos 30 e 50, já não correspondiam ao que o público de meados dos anos 80 buscava.

Crise nas Infinitas Terras foi um novo “marco zero”, um novo ponto de partida para os antigos super-heróis da DC. Com seu término, praticamente todo o passado foi apagado e os principais heróis deveriam ter suas origens recontadas. Seguindo o exemplo do trabalho de Alan Moore na reformulação de Marvelman e Monstro do Pântano, a editora passou a recontar a origem de seus principais personagens: Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha. Para esta tarefa, foram contratados os autores mais populares do mercado norte-americano em meados dos anos 80: John Byrne, Frank Miller e George Pérez. Eu, que tive a sorte de começar a colecionar quadrinhos naquele momento, posso dizer que eles fizeram um ótimo trabalho!

Infelizmente, muito do que foi realizado na época acabou se perdendo ou sendo desvirtuado na sequência de erros editoriais e golpes de marketing das duas últimas décadas. O resultado era o esperado: novo esgotamento dos personagens e mais e mais trabalhos que nada acrescentam realmente (basta citarmos a recente Crise Infinita). No final das contas, as grandes editoras norte-americanas parecem não serem aptas a aprender com os erros e acertos do passado, e a verdadeira crise dos super-heróis irá mesmo se prolongar, infinitamente.