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10/10/2010

Mais Machado em quadrinhos!


Na edição de O Globo do sábado, dia 9 de outubro, foi publicada uma matéria sobre adaptações de obras de Machado de Assis para os quadrinhos.

No texto da jornalista Bruna Galvão, entre outras HQs, tem destaque minha versão quadrinística de Memórias Póstumas de Brás Cubas, desenhada pelo amigo J.B. Melado.

O álbum já está nas livrarias e também pode ser comprado em lojas virtuais. Para quem ainda não conhece nosso trabalho, fica então renovado o convite à leitura!

30/09/2010

Mais de Memórias Póstumas!


Desde meus primeiros fanzines no início dos anos 90, passando pelas séries de revistas na segunda metade daquela década, até os álbuns e edições especiais nos últimos dez anos, minha produção de quadrinhos teve lugar em edições independentes.

Publicar de forma independente tem suas virtudes, mas tem também muitas limitações. Ter que se preocupar com coisas como financiamento, distribuição e divulgação das edições acaba desviando tempo e energia que poderiam ser dedicados à criação em si.

Uma trajetória independente traz experiência ao autor, sendo muitas vezes a única alternativa para se ter um trabalho publicado. Mas, para quem busca viver de quadrinhos, as possibilidades trazidas pela publicação editorial são o melhor caminho. E com o mercado de quadrinhos em franco crescimento no Brasil, publicar através de uma editora tem se tornado uma realidade para muitos de nós.

No meu caso, após uma década e meia de publicação independente, tenho agora me dedicado a trabalhos publicitários e especialmente a projetos editoriais. Levou dois anos, mas o primeiro deles já está nas livrarias: a adaptação da obra-prima de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, com desenhos de J.B. Melado e lançada pelo selo Desiderata, da editora Agir do Grupo Ediouro.

Outros projetos estão a caminho. E enquanto eles não vêm, deixo com vocês mais uma página de amostra do álbum MPBC. Para quem ainda não conhece nossa HQ machadiana, fica o convite à leitura!

10/09/2010

Memórias e quadrinhos.


As coisas andam muito agitadas por aqui, então não tenho tido condições de me dedicar a novos textos para o Mais Quadrinhos – snif!

Mas não temais, prezados leitores deste blog, pois vós não ficareis sem o que ler!


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Era 7 de setembro, o país começava a fechar a conta do feriadão para, enfim, iniciar de fato a semana. Por volta das 8 da noite, ao abrir meu e-mail, tive a surpresa de encontrar uma mensagem que trazia o link para um texto.

O emissor da mensagem era Lillo Parra, leitor de quadrinhos que, como eu, decidiu dividir com o mundo suas leituras e sua paixão pelas HQs. Em seu blog, Gibi Rasgado, encontramos textos que têm os quadrinhos como tema e a qualidade de serem muito bem escritos. Para quem curte quadrinhos, o resultado é sempre uma deliciosa leitura.

Mas, voltando à minha surpresa de 7 de setembro, o texto que Lillo me convidava a ler era sua resenha do álbum Memórias Póstumas de Brás Cubas. O texto, como outros de seu blog, traz um depoimento pessoal, misturando na medida certa memórias e quadrinhos.

Deixo então para que vocês mesmos confiram este excelente texto com as lisonjeiras palavras de Lillo:

http://lilloparra.blogspot.com/2010/09/ao-verme-que-primeiro-roeu-as-frias.html

05/09/2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas, a graphic novel.


Tendo em mãos um exemplar de nossa adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, a expressão que me vem é: ficou lindão!

Para mim, foi uma caminhada que começou há dois anos, quando produzi o roteiro para esta versão quadrinística da obra-prima de Machado de Assis. Depois veio a busca por uma editora, até que tive minha proposta de adaptação aceita pela Desiderata do grupo Ediouro. Mais ou menos ao mesmo tempo, em junho de 2009, tive a felicidade de ganhar como parceiro nessa travessia o amigo J.B. Melado.

Com o roteiro aprovado, os meses seguintes foram de muito trabalho artístico e algumas esperas por respostas da editora. E vendo agora o álbum impresso, posso dizer que valeu a pena, inclusive pelo privilégio de ler o elogioso prefácio de Moacyr Scliar.

Fica então o convite para que todos confiram esta nossa HQ machadiana!

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis
(Coleção Clássicos em Graphic Novel)
Formato 28cm x 21cm
88 páginas
R$39,90

18/08/2010

Onde estará Brás Cubas?


Algumas pessoas têm me perguntado sobre quando será o lançamento da adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, que produzi em parceria com o desenhista e amigo J.B. Melado. Segundo informações iniciais da Desiderata (selo da editora Agir do grupo Ediouro), nosso álbum com a obra-prima de Machado de Assis ficaria pronto no final de julho e seria lançado agora em agosto, na Bienal do Livro de São Paulo.

Não tive a confirmação dessa informação, mas, para minha surpresa, no final de semana o Blog dos Quadrinhos noticiou que o livro está em exposição num estande da Bienal (como se vê na foto que ilustra esta postagem, feita pelo jornalista Paulo Ramos). Além disso, numa rápida busca por livrarias virtuais, descobri que nossa HQ já está disponível para venda.

Assim, embora não tenha ainda visto o livro pronto, posso responder à pergunta que dá título a esta postagem: caros leitores e leitoras, nosso Brás Cubas enfim saiu do limbo!

(Para quem quiser saber um pouco mais sobre o processo de produção dessa HQ machadiana, basta clicar no marcador abaixo.)

31/03/2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas (finalizada!).


É com alegria que anuncio que J.B. Melado e eu finalizamos nossa adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas e já enviamos as páginas para avaliação editora. Ainda falta a ilustração da capa, mas ao ver as 78 páginas do álbum com os desenhos, cores e texto prontos, a sensação é realmente de trabalho concluído. E mais que isso, é a sensação de um trabalho bem feito, com uma narrativa diversificada e desenhos muito gostosos de ver.

Como era a intenção desde o início, o resultado de nosso trabalho não é uma HQ paradidática ou uma transcrição literal da obra de Machado de Assis. Para mim, o que produzimos é um álbum de quadrinhos fiel ao espírito do clássico machadiano, que traz todos os momentos fundamentais da história e que busca a tradução narrativa dos elementos estilísticos do texto machadiano, com sua metalinguagem, sua ironia e sua fluidez.

Assim, completando a sequência de prévias do álbum, publico a versão final da página 49, onde Brás Cubas se encontra com seu amigo de infância Quincas Borba (quem acompanha este blog já pôde ver, em postagens anteriores, a mesma página no lápis, na arte-final e nas cores). Espero que curtam essa pequena amostra do trabalho, e agora é esperar que a adaptação chegue às livrarias, na edição do selo Desiderata da editora Agir do Grupo Ediouro.

21/02/2010

Machado de Assis em quadrinhos.


Como já foi amplamente divulgado, o desenhista J.B. Melado e eu estamos finalizando uma adaptação da obra-prima de Machado de Assis Memórias Póstumas de Brás Cubas. O álbum deverá ser lançado ainda este ano pelo selo Desiderata da editora Agir do grupo Ediouro. Enquanto a publicação não chega, várias informações sobre esse trabalho já podem ser vistas aqui no Mais Quadrinhos, incluindo as páginas iniciais de meu roteiro desenhado e uma das páginas finalizadas do álbum (para ter acesso a essas informações, basta clicar no marcador MEMÓRIAS PÓSTUMAS abaixo).

Mas as novidades não param por aí!

Entre agosto e setembro de 2009, enquanto eu acompanhava o trabalho do Melado, produzi uma nova adaptação machadiana para os quadrinhos. Desta vez, a obra adaptada foi Dom Casmurro. Com a roteirização já pronta, a HQ ainda não tem uma editora definida, mas todos poderão começar a conferir um pouco deste trabalho aqui no Mais Quadrinhos. Nos parágrafos a seguir, reproduzo minha proposta de adaptação do clássico machadiano (como apresentei às editoras) e nas próximas postagens vocês poderão conferir as doze primeiras páginas de meu roteiro desenhado (o traço, é claro, não é o que será publicado no álbum futuramente, pois se trata de uma roteirização ilustrada).

Publicado em 1899, Dom Casmurro é considerado por muitos a obra-prima de Machado de Assis. Narrado por seu personagem-título, o livro é uma brilhante exposição da psicologia humana e também o retrato de uma das mais completas personagens literárias já criadas: a bela Capitu dos “olhos de cigana obliqua e dissimulada”, dos “olhos de ressaca”. Já o Bentinho / Dom Casmurro revela-se ao contar-nos sua história, na figura de alguém que busca compartilhar suas dúvidas e confessar seus arrependimentos.

Dom Casmurro é um livro de pares e contrastes. Há, antes de tudo, o contraste entre o momento em que se narra e o passado que é narrado. E há, sobretudo, o par formado por Bentinho e Capitu, personagens que se complementam e vêm a si mesmos como imagens espelhadas, revelando-se portanto dois opostos. Nascem daí as muitas dubiedades que comporão o texto machadiano: Bentinho seminarista, mas enamorado de Capitu; Capitu enamorada de Bentinho, mas também interessada numa melhor condição social.

Essas dubiedades iniciais acumulam-se ao longo da obra, dando espaço a outras, como as trazidas por Escobar, o amigo de Bentinho que parece guardar interesses além da amizade sincera por este. Do encontro dessas três personagens emerge a questão pela qual o livro tornou-se mais célebre: teria Capitu traído Bentinho? Logo, seria Ezequiel fruto da traição de Capitu com Escobar? Nesta última dúvida, expressa-se mais um espelhamento, já que o menino Ezequiel parece, ao menos aos olhos de Bentinho, o reflexo do falecido amigo Escobar.

Minha proposta de adaptação de Dom Casmurro para os quadrinhos parte dos pontos indicados acima. Com o texto já pronto, a HQ terá 78 páginas, sendo dividida em 24 Partes, todas com um número par de páginas (2, 4 ou 6). Nestas, a diagramação e a composição refletirá os temas apontados acima, como o motivo dos olhos, os espelhamentos, as dubiedades e a narrativa reflexiva do Bentinho / Dom Casmurro. Além disso, a oposição entre o momento em que se narra e o passado narrado será expressa visualmente por meio de dois estilos de desenho diferentes.


Confiram nas próximas postagens as doze primeiras páginas de meu roteiro desenhado para a versão quadrinística desta obra-prima de nossa literatura.

19/02/2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas (cor).


Nesta terceira postagem com a prévia de nossa adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, temos a mesma página de “Um Encontro” já com as cores aplicadas. Na detalhada colorização produzida por Melado, temos uma página com ainda mais vida e bem num clima “Século 19”.

Mal posso esperar para ver o álbum todo pronto e impresso!

(Para quem não acompanhou as primeiras postagens sobre minha adaptação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, basta clicar no marcador abaixo.)

18/02/2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas (arte-final).


Nesta segunda postagem, temos a página anterior em sua versão arte-finalizada. Ela deve dar a todos uma amostra do trabalho primoroso que Melado está fazendo nesta adaptação. Ela vem da parte intitulada “Um Encontro” e mostra exatamente o inesperado encontro do protagonista Brás Cubas com seu colega de colégio Quincas Borba. Faltam ainda as cores e o texto, mas o que temos aqui já dá um gostinho de como será esta nossa adaptação machadiana.

17/02/2010

Memórias Póstumas de Brás Cubas (lápis).


Em agosto de 2009, fiz aqui no blog a primeira divulgação de minha adaptação para os quadrinhos da obra-prima de Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas. Comecei por um texto de apresentação de minha versão quadrinística do texto machadiano, dei prosseguimento com a reprodução das primeiras doze páginas de meu roteiro desenhado e concluí com um texto falando do genial desenhista e amigo J. B. Melado, meu parceiro nesta aventura literário-quadrinística.

O trabalho de Melado está agora na fase final e o álbum deverá ser publicado neste ano pelo selo Desiderata da editora Agir do grupo Ediouro. Enquanto ele não vem, para matar um pouquinho da curiosidade, estou postando aqui uma das páginas no desenho de Melado, primeiro no lápis.

28/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (12).


1) Mas então já a rapidez da marcha era tal que escapava a toda a compreensão.

2) Um nevoeiro cobriu tudo, menos o hipopótamo que ali me trouxera...

3) ...que aliás começou a diminuir...

4) ...a diminuir, a diminuir...

5) ...até ficar do tamanho de um gato.

6) Era efetivamente um gato.

7) Encarei-o bem; era o meu gato Sultão, que brincava à porta da alcova, com uma bola de papel.

27/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (11).


1) Inclinei os olhos a uma das vertentes, e contemplei, ao longe, uma redução dos séculos, e um desfilar de todos eles, as raças todas, todas as paixões, o tumulto dos impérios, a guerra dos apetites e dos ódios, a destruição recíproca dos seres e das coisas.

2) Os séculos desfilavam num turbilhão, e eu via tudo o que passava diante de mim. Quis fugir, mas uma força misteriosa me retinha os pés.

3) Fixei os olhos, e continuei a ver as idades que vinham chegando e passando, já então tranquilo e resoluto, não sei se até alegre.

4) Meu olhar viu enfim chegar o século presente, e atrás dele os futuros. Redobrei a atenção; ia enfim ver o último – o último!

26/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (10).


1) TREMES?
2) SIM, O TEU OLHAR FASCINA-ME.

3) EU NÃO SOU SOMENTE A VIDA; SOU TAMBÉM A MORTE, E TU ESTÁS PRESTES A DEVOLVER-ME O QUE TE EMPRESTEI. GRANDE LASCIVO, ESPERA-TE A VOLUPTUOSIDADE DO NADA.

4) Quando esta palavra ecoou como um trovão, naquele imenso vale, pareceu-me que era o último som que chegava a meus ouvidos.
5) Então, encarei-a com olhos súplices, e pedi mais alguns anos.

6) POBRE MINUTO! PARA QUE QUERES TU MAIS ALGUNS INSTANTES DE VIDA? PARA DEVORAR E SERES DEVORADO DEPOIS? NÃO ESTÁS FARTO DO ESPETÁCULO E DA LUTA?
7) Isto dizendo, arrebatou-me ao alto de uma montanha.

25/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (9).


1) Só sei que um vulto imenso, uma figura de mulher me apareceu então, fitando-me com uns olhos rutilantes como o sol.
2) Tudo nessa figura tinha a vastidão das formas selváticas, e tudo escapava à compreensão do olhar humano.

3) Estupefato, não disse nada; mas, ao cabo de algum tempo, perguntei quem era e como se chamava.

4) CHAMA-ME NATUREZA OU PANDORA; SOU TUA MÃE E TUA INIMIGA.

5) A figura soltou então uma gargalhada, que produziu em torno de nós o efeito de um tufão.

24/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (8).


1) Chegou uma ocasião em que me pareceu entrar na região dos gelos eternos.
2) Abri os olhos e vi que o meu animal galopava uma planície branca de neve.
3) Tudo neve.

4) Tentei falar, mas apenas pude grunhir esta pergunta ansiosa:
5) ONDE ESTAMOS?

6) JÁ PASSAMOS O ÉDEN.

7) Íamos devorando caminho, e a planície voava debaixo dos nossos pés, até que o animal estacou, e pude olhar mais tranquilamente em torno de mim.
8) O silêncio daquela região era igual ao do sepulcro.

23/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (7).


1) Vi chegar um hipopótamo, que me arrebatou.
2) Deixei-me ir, calado, não sei se por medo ou confiança.

3) Mas, dentro em pouco, a carreira de tal modo se tornou vertiginosa, que me atrevi a interrogá-lo, e com alguma arte lhe disse que a viagem me parecia sem destino.

4) ENGANA-SE. NÓS VAMOS À ORIGEM DOS SÉCULOS.
5) Insinuei que deveria ser muitíssimo longe; mas o hipopótamo não me entendeu ou não me ouviu, se é que não fingiu uma dessas coisas.

6) Pela minha parte fechei os olhos e deixei-me ir à aventura.

22/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (6).


1) Nhonhô era um bacharel, único filho de seu casamento.
2) Na idade de cinco anos, fora cúmplice inconsciente de nossos amores.

3) Confesso que, ao vê-los ali, na minha alcova, fui tomado de um acanhamento que nem me permitiu corresponder logo às palavras afáveis do rapaz.

4) NHONHÔ, NÃO REPARES NESSE GRANDE MANHOSO QUE AÍ ESTÁ. NÃO QUER FALAR PARA FAZER CRER QUE ESTÁ À MORTE.
5) Sorriu o filho, eu creio que também sorri, e tudo acabou em pura galhofa.

6) Virgília estava serena e risonha, tinha o aspecto de vidas imaculadas.
7) Nenhum olhar suspeito, nenhum gesto que pudesse denunciar nada.

8) E eu perguntava a mim mesmo o que diriam de nós os gaviões.
9) Era o meu delírio que começava...

21/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (5).


1) Ela tinha então 54 anos, era uma ruína, uma imponente ruína. Imagine o leitor que nos amamos, ela e eu, muitos anos antes, e que um dia, já enfermo, vejo-a assomar à porta da alcova...

2) ...pálida, comovida, trajada de preto, e ali ficar durante um minuto, sem ânimo de entrar.
3) Da cama, onde jazia, contemplei-a durante esse tempo, esquecido de lhe dizer nada ou de fazer nenhum gesto.

4) Virgília entrou na alcova, firme, com a gravidade que lhe davam as roupas e os anos, e veio até o meu leito.
5) Quem diria? De dois grandes namorados, de duas paixões sem freio, nada mais havia ali, vinte anos depois; havia apenas dois corações murchos, devastados pela vida e saciados dela.

20/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (4).


1) Assim a minha ideia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim.

2) De um lado, filantropia e lucro; de outro lado, sede de nomeada. Digamos: amor da glória.

3) Senão quando, estando eu ocupado em preparar e apurar a minha invenção, recebi em cheio um golpe de ar.

4) Adoeci logo, e não me tratei. Tinha o emplasto no cérebro; trazia comigo a ideia fixa dos doidos e dos fortes.

5) Via-me ao longe, remontar ao céu, como uma águia imortal.

6) No outro dia estava pior; tratei-me enfim, mas incompletamente.
7) Tal foi a origem do mal que me trouxe à eternidade.

19/08/2009

Memórias Póstumas de Brás Cubas, roteiro (3).


1) Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se uma ideia no trapézio que eu tinha no cérebro. Essa ideia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade.
2) Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gesto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas, e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras...
EMPLASTO BRÁS CUBAS