
Conheci Rubens Lima no início de 2008, quando eu procurava um desenhista para a reformulação de meu herói Solar. Rubens havia lido a versão original do personagem e se interessou em trabalhar comigo no novo projeto. Acertamos valores, prazos e iniciamos o trabalho. Em abril passado, lançamos Solar: Renascimento que foi a estréia de Rubens como desenhista de quadrinhos. Em breve lançaremos a revista Solar: Solo Sagrado, na qual seu trabalho deu um incrível salto qualitativo. Na pequena entrevista a seguir, vocês poderão saber um pouco mais sobre este promissor artista brasileiro.
Para começar, Rubens, algumas informações biográficas para os leitores do blog saberem um pouco mais a seu respeito: quando e onde você nasceu? É casado? Tem filhos? Gosta de futebol?
Vamos começar como uma declaração. Sou Brasileiro, casado, pai de dois filhos, tenho 29 anos, nascido em 23 de fevereiro, num dia de jogo do GALO [Clube Atlético Mineiro] contra o Palmeiras, pelo campeonato brasileiro do ano anterior.
Como e quando os quadrinhos passaram a fazer parte de sua vida?
Através do meu avó e do meu tio. Meu avó foi o primeiro a me proporcionar contato com uma revista em quadrinhos, a comics mesmo, uma Batman: Digital Justice. E o meu tio (na época residente de Medicina) me incentivou a leitura antes mesmo desta Batman, que eram os quadrinhos Disney, do Tio Patinhas, Pato Donald, que me cativaram de uma forma que acho que hoje só incentivaria uma criança se fosse um jogo de uma plataforma como PS3 ou coisa similar, tamanho meu deslumbramento naquele dia (detalhe que no mesmo dia fui também apresentado ao A Nightmare on Elm Street [A Hora do Pesadelo] e The Friday 13th [Sexta-Feira 13], marcante não?!).
Antes de Solar seus principais trabalhos foram ilustrações para livros de RPG e literatura de fantasia, certo? Você tem uma predileção pelo gênero da fantasia medieval ou isso foi uma circunstância de trabalho?
Tenho certeza que os dois, então diria que tive uma sorte tremenda, pelo casamento das oportunidades, mas Solar me acendeu de novo aquela chama do cotidiano, de que aquilo que faz parte do nosso dia-a-dia é muito mais interessante do que as comics se prestam tratando só do fim do universo, de um conquistador voraz ameaçando um planeta indefeso ou se esses ícones vão ao banheiro! Sabem, tem uma vida, dureza!
Em termos técnicos e de estilo, como foi fazer a transição da ilustração para os quadrinhos e da fantasia medieval para algo mais urbano e cotidiano?
Foi duro na época. Os 3 primeiros capítulos eu posso dizer muito claramente que são muito focados no direcionamento editorial do que um trabalho de entendimento profundo da minha parte sobre o que se tratava a história pra dispor das coisas certas no traço, mas a partir da transição do capítulo 4 para o capítulo 5, acredito que encontrei o ponto que você, Wellington, entendia como a transposição mais próxima da sua nova concepção do Solar.
Quando iniciamos nossa colaboração na reformulação do Solar, você me disse que um dos motivos para se interessar pelo trabalho era o fato de o Solar original ter tido um significado para você quando o leu nos anos 90. Queria que falasse um pouco sobre isso.
Acredito que tenha a ver com um fechamento de um ciclo semi-profissional pra algo maior, sabe! Uma transição da adolescência pra fase adulta, em que pra mim era necessário participar de algo que eu vi quando garoto e ter a certeza de que podia fazer melhor do que foi feito à época (na concepção do traço).
Agora que você está desenhando as últimas páginas de nossa colaboração na série Solar, qual seu balanço pessoal deste trabalho? Para mim, há uma incrível evolução do capítulo 1 ao capítulo 7.
A evolução é notável, foi enriquecedor de todas as formas, profissionalmente cresci, aprendi muito, me tornei um profissional melhor, além de tudo isto, ganhei um amigo, uma pessoa sincera acima de tudo. No final, entre mortos e feridos salvaram-se todos.
Para encerrar, como você vê o mercado de ilustração e quadrinhos no Brasil hoje? Quais são suas perspectivas para o segundo semestre e os próximos anos?
Até tivemos uma discussão sobre este assunto, e tenho perspectivas diferentes em relação ao mercado de quadrinhos. Enquanto não houver uma política para auxiliar as publicações nacionais, como diminuição dos impostos, e não o apoio a um só projeto específico que não contribui para um crescimento geral, mas sim para um ganho exclusivo, não vejo crescimento uniforme do mercado, continuando as publicações a serem tratadas como projetos, e não como um produto a ocupar um espaço no cotidiano e nas prateleiras do Brasil. No caso das ilustrações, o espaço é muito maior e tem editoras que pagam quantias até decentes, apesar de serem trabalhos esparsos, que já conta com gente boa atuando, ou seja, tem que ralar pra ficar bom, pra entrar.








