
Sou daquelas pessoas que acham estranho festas de Halloween no Brasil. Afinal, essa celebração de origem celta, muito popular nos Estados Unidos, não faz parte da tradição cultural brasileira. Claro que não vou aqui defender qualquer purismo cultural, pois isso é coisa de fascistas, nazistas e outras aberrações políticas. Mas o fato é que, na onda do colonialismo cultural que nos acomete há décadas, muitas vezes assimila-se inconscientemente o que vem de fora, sem se questionar os interesses sociopolíticos envolvidos.
Por outro lado, há o desejável e produtivo jogo de trocas culturais, no qual o que vem de fora dinamiza e enriquece uma produção local. O ideal, obviamente, é que se tenha uma “via de mão dupla”, na qual ambas as partes se influenciam mutuamente (seria o que se chama de “polinização cruzada”). Contudo, isso nem sempre é assim, e muitas vezes as periferias político-econômicas acabam apenas consumindo o que se produz nos grandes centros mundiais. Quando criança (eh, lá vou eu de novo abrir o baú de memórias)...
Quando criança, sendo de classe média e morando numa cidade grande, eu era um quase completo alienado cultural. Em grande parte a televisão era todo meu mundo simbólico. E se não fosse pelos episódios da versão original do Sítio do Pica-Pau Amarelo, minha mente seria dominada exclusivamente por naves, alienígenas e superamigos made in USA. A verdade é que os desenhos e seriados norte-americanos influenciaram decisivamente meu imaginário e meus gostos e escolhas pessoais (“para o bem e para o mal”).
Certamente, poucas coisas a que assisti foram tão marcantes quanto duas animações exibidas em especiais da Disney para o Dia das Bruxas: O Velho Moinho e A Lenda do Cavaleiro Sem-Cabeça. Mais tarde, seria a vez dos oito episódios do incomparável e impagável anime Dom Drácula. Obras-primas quase acidentais, essas animações foram responsáveis por meu gosto por histórias de terror. Com o tempo, é claro, acabei descobrindo os clássicos da literatura, os filmes do expressionismo alemão e os quadrinhos de terror.
Misturando todas essas influências vindas de fora, há alguns anos escrevi um poema narrativo intitulado “Convenção dos Monstros”, que reproduzo acima (para ler o poema, basta clicar na imagem). Nele, reúno alguns dos mais conhecidos personagens do terror, incluindo uma ou duas figuras históricas e outros seres mais obscuros. Todos os personagens citados são de domínio público, tendo saído de alguma fonte literária, cinematográfica ou popular. Enfim, espero que gostem desta história de terror em versos, e vida longa a nossos queridos monstros!



